Atenção: Esse guia é de caráter informativo e educativo. Não substitui consulta médica nem avaliação cardiológica de rotina.
Um guia prático para entender seu risco de infarto e derrame
Depois de ler este artigo, talvez você esteja se perguntando:
“Afinal, qual é o meu risco?”
A boa notícia é que hoje existem calculadoras gratuitas, desenvolvidas por sociedades médicas internacionais, que ajudam a estimar a probabilidade de uma pessoa sofrer um infarto, um derrame (AVC) ou outro evento cardiovascular nos próximos anos.
Essas ferramentas não fazem um diagnóstico e não substituem a consulta médica, mas representam um excelente ponto de partida para compreender melhor sua saúde.
Passo 1 – Escolha uma calculadora confiável
Dê preferência a ferramentas desenvolvidas por sociedades científicas reconhecidas.
Entre as mais utilizadas estão:
- PREVENT™ Calculator, da American Heart Association (AHA);
- ASCVD Risk Estimator Plus, do American College of Cardiology (ACC).
Essas calculadoras são gratuitas e podem ser acessadas pela internet.
Passo 2 – Tenha em mãos seus exames
Antes de iniciar, procure reunir algumas informações simples.
Você provavelmente precisará saber:
- sua idade;
- sexo;
- peso e altura (em alguns modelos);
- pressão arterial;
- colesterol total;
- colesterol HDL;
- colesterol LDL (algumas calculadoras utilizam esse valor);
- se é diabético;
- se fuma;
- se utiliza medicamentos para pressão arterial;
- se já teve infarto, AVC ou outra doença cardiovascular.
Caso não conheça esses dados, uma consulta médica e alguns exames laboratoriais poderão fornecê-los.
Passo 3 – Preencha cada campo com calma
As calculadoras costumam ser bastante intuitivas. Informe os dados exatamente como aparecem em seus exames ou conforme orientação médica. Evite estimativas. Um pequeno erro na pressão arterial ou nos níveis de colesterol pode modificar o resultado final.
Passo 4 – Entenda o resultado
Ao final, a calculadora apresentará uma estimativa do risco de desenvolver um evento cardiovascular em determinado período, geralmente nos próximos dez anos.
Por exemplo: Risco estimado: 4%.
Isso significa que, entre 100 pessoas com características semelhantes às suas, aproximadamente quatro poderão apresentar um evento cardiovascular nesse intervalo de tempo.
É importante lembrar que se trata de uma estimativa estatística, e não de uma previsão individual. Assim como a previsão do tempo indica maior ou menor probabilidade de chuva, a calculadora estima probabilidades, não certezas.
Passo 5 – Não interprete o número isoladamente
Muitas pessoas recebem o resultado e concluem: “Meu risco é baixo. Então não preciso me preocupar.” Ou então: “Meu risco é alto. Não há mais o que fazer.”
Nenhuma dessas conclusões está correta. O resultado deve sempre ser interpretado junto com seu médico.
Além disso, algumas condições importantes podem aumentar ou diminuir o risco e nem sempre são consideradas pelas calculadoras, como:
- história familiar de infarto precoce;
- lipoproteína(a) [Lp(a)] elevada;
- hipercolesterolemia familiar;
- doença renal crônica;
- doenças inflamatórias crônicas;
- escore de cálcio coronariano;
- predisposição genética;
- composição corporal;
- qualidade da alimentação;
- atividade física;
- qualidade do sono.
Por isso, o cálculo representa apenas uma parte da avaliação.
Passo 6 – Pergunte ao seu médico
Depois de calcular seu risco, converse com seu médico. Algumas perguntas úteis são:
- Meu risco cardiovascular é baixo, intermediário ou alto?
- Meu colesterol LDL está adequado para o meu nível de risco?
- Preciso apenas melhorar meu estilo de vida ou também devo usar medicamentos?
- Vale a pena dosar minha lipoproteína(a)?
- Há indicação de algum exame complementar, como escore de cálcio coronariano?
- Tenho características que justificam uma investigação genética?
Essas perguntas ajudam a transformar um simples número em um plano personalizado de prevenção.
Um exemplo prático
Imagine duas mulheres, ambas com 58 anos. As duas apresentam colesterol LDL de 145 mg/dL. A primeira pratica exercícios regularmente, não fuma, tem pressão arterial normal e não é diabética.
A segunda fuma, apresenta hipertensão, diabetes e obesidade abdominal. Embora o colesterol seja exatamente o mesmo, o risco cardiovascular da segunda será muito maior.
É justamente por isso que os médicos não tratam apenas um exame de colesterol. Tratam a pessoa como um todo.
O que você pode fazer hoje mesmo?
Independentemente do resultado da calculadora, praticamente todas as pessoas podem beneficiar-se de algumas medidas simples:
✔ Pare de fumar, se for fumante.
✔ Pratique atividade física regularmente.
✔ Dê preferência a alimentos naturais e minimamente processados.
✔ Durma o suficiente.
✔ Controle seu peso, especialmente a gordura abdominal.
✔ Monitore periodicamente pressão arterial, colesterol e glicemia.
✔ Tome corretamente os medicamentos prescritos pelo seu médico.
✔ Faça consultas preventivas regularmente.
Uma mensagem importante
A melhor calculadora do mundo não evita um infarto.
Quem reduz o risco são as decisões tomadas depois que o resultado aparece.
Conhecer seu risco cardiovascular não deve gerar medo.
Deve gerar oportunidade.
Quanto mais cedo identificamos fatores de risco, maiores são as chances de preveni-los e preservar muitos anos de vida com saúde.
Em Medicina Preventiva existe um princípio que merece ser lembrado:
“O melhor dia para começar a cuidar do coração foi há vinte anos. O segundo melhor dia é hoje.”