BALANÇA, A TRAIDORA

 

Dr. Daniel S. F. Boarim, diretor médico da Lapinha

 

Quando a balança lhe conta que você perdeu pouco ou até nenhum peso num determinado intervalo de tempo, o que isso significa? O corpo impõe seu ritmo ao emagrecimento. Quando alguém exagera na dose da dieta e do exercício, leva uma lição inesquecível, que pode incluir queda de pressão, queda de glicemia, moleza, fraqueza ou até um estranho congelamento na perda de peso. Além de passar mal, você se desnorteia. O corpo não protesta à toa!

 

Você está fazendo tudo direitinho. Comendo certo e se exercitando. Consciência tranquila. Até se permite sonhar vestindo aquela coleção há tantos verões socada lá no fundo do guarda-roupa.

Mas, passada uma semana do início do programa, ao subir na balança, o susto.

Não emagreci quase nada! É isso mesmo?! Não é possível. Tanto sacrifício para quê? O que há de errado?

E vem a raiva. Raiva da balança, da dieta, da nutricionista, do personal, do médico, de você mesmo. Frustração, desânimo.

E agora? Nunca mais o manequim dos bons tempos?

 

O pesadelo

 

Apesar dos spas, pílulas, injeções, dietas e academias, você, que já tentou ou está tentando emagrecer e se manter magro, provavelmente já sentiu na carne a impiedade da balança.

É daqueles pesadelos que faz muita gente chutar o pau da barraca.

Desistir?  Eis a sina de uma incompreensível frustração, que se repete todo dia.

Tem mesmo muita gente nesse barco – sobrecarregado e avariado. Estima-se que quase um terço da população do mundo afluente e emergente está tentando desesperadamente perder peso nesse exato momento. A maioria sem êxito, ou com êxito apenas temporário.

Nos Estados Unidos, dois terços da população sofrem com sobrepeso e obesidade. No Brasil, já é metade da polução.

Quando falamos em emagrecimento, falamos no recorde mundial de tentativas fracassadas.

Tentar entender isso, aprofundar-se nas causas ocultas e incultas, por mais impossível e irritante que pareça, é o primeiro passo da virada.

Por que o fracasso? Todos sabemos do “peso” dos comportamentos, da transferência insana de cargas emocionais para a comida. Isso explica grande parte do problema. Fatores metabólicos, culturais e genéticos mancomunam-se para explicar a outra parte. Mas não há como livrar-se de uma certa aura de mistério, incompreensão e sobretudo inquietação.

O desafio de mudar sustentavelmente – veja bem, sustentavelmente – rotinas engordativas e pouco saudáveis, só é entendido por quem passa ou já passou por isso. Mas, enquanto quem está fora racionaliza de modo frio e calculista pelas calorias, quem está dentro tende a avaliar pela emoção.

 

Balança – aliada ou traidora?

 

Nessa busca dramática, a ansiedade é um vilão sorrateiro. Quando você se dá conta, o impulso da comilança já acordou. Enquanto estiver fora de controle, não haverá como impor rédeas ao desejo. Comer torna-se a válvula de escape do desassossego emocional. E o seu cérebro vai se acostumando, até que a autossabotagem degenera em negação. A vítima prefere nem pensar nisso. Come sem arrazoar, enquanto sufoca o apelo do córtex pré-frontal pela racionalidade.

Nesse joguete, a balança geralmente fica de fora. Mas sempre, invariavelmente, chega o dia em que se “cai na real”. Você resolve subir nela. E bate a agonia. Algo precisa ser feito e já!

É quando o mesmo desespero que o levou a comer desenfreadamente desperta impulsos igualmente nada racionais, só que no sentido oposto. É quando a balança se torna, paradoxalmente, companheira e traidora. Bate uma paranoia de pesagens sucessivas, uma fixação pela perda de peso a qualquer preço, o mais rápido possível. Mesmo que os quilos extras tenham se acumulado por anos sob um policiamento desleixado, o alvo agora é perdê-lo em semanas sob uma observação alucinada.

Porém, nenhuma obsessão irracional dura muito. Logo o fôlego acaba e o ciclo recomeça impiedoso. A ansiedade que a balança não pode mitigar é desviada novamente para o conforto da comida. Claro que isso é flertar com o abismo do fracasso, mas é onde quase todos caem.

 

Como a balança “engana” você

 

Há três armadilhas clássicas em que a balança pode “ludibriar” você, atrapalhando mais que ajudando:

  1. A balança no curto prazo não diz muita coisa! O peso sempre flutua para mais e para menos de modo fisiológico, por causa da expansão ou retração dos líquidos corporais, também pelo conteúdo digestivo, sem um padrão que possa ser generalizado. Por isso, comparar a variação da balança no curto prazo, comparar-se com você mesmo em outros tempos e, pior ainda, comparar-se com outras pessoas, são a receita da decepção e da loucura!
  2. O ganho de massa magra pode mascarar a perda de peso no curto prazo. É desejável e comum ganhar alguma massa magra ao seguir-se um plano correto de exercícios e dieta. Isso é mais frequente em pessoas de compleição mais “forte”, ou com alguma memória muscular, mas pode acontecer com qualquer um. O resultado é uma perda pífia ou um platô. O que não significa que você não esteja emagrecendo, claro, se estiver fazendo tudo certinho. Também não há como avaliar corretamente perdas ou ganhos de massa magra no prazo de dias, mesmo poucas semanas.
  3. Perder mais peso não quer dizer que você esteja emagrecendo mais. Às vezes, surpreendentemente é exatamente o contrário! Dietas muito rígidas podem levar a maior perda de massa muscular, enquanto dietas mais adequadas, com menor defasagem calórica, ajudam a preservar e estimular o crescimento da boa massa muscular.

 

Sofrimento desnecessário

 

Vamos explicar melhor este assunto tão desconcertante, que muita gente reluta em aceitar, e gera tanto sofrimento desnecessário.

Afinal, a balança não me põe a par da realidade?

Não estou falando de balanças desreguladas, mas de interpretação errada. Isso mesmo, a tentativa simplória de comparar um número com o outro em qualquer intervalo de tempo pode falsear resultados. Veja porquê:

A balança, desde que obviamente bem regulada, mostra fielmente seu peso corporal pontual, num dado momento, mas NÃO DISTINGUE outros três parâmetros vitais, que fazem parte da equação do emagrecimento, permitindo por isso interpretações disparatadas:

 

  1. CICLO DOS LÍQUIDOS CORPORAIS
  2. COMPOSIÇÃO CORPORAL
  3. MEDIDAS CORPORAIS

 

Isso quer dizer que se você OLHAR SÓ PARA A BALANÇA, principalmente no CURTO PRAZO, poderá tirar CONCLUSÕES ERRADAS sobre o seu corpo, como achar que está emagrecendo enquanto está engordando, ou o contrário, achar que está engordando enquanto está emagrecendo. Vamos aos itens mais importantes:

 

  1. VARIAÇÃO DIÁRIA – De um dia para o outro, mesmo da manhã à noite, seu corpo pode acumular significativa quantidade de líquidos e alimentos, o que leva a variação normal de peso, que pode nalguns casos ultrapassar um quilo, para cima ou para baixo. E quando você se pesa, digamos, num horário em que estes acúmulos (liquidos e alimentos) estão em baixa e depois, no dia seguinte, quando estão em alta, ficará intrigado, para não dizer outra coisa mais realista, imaginando erradamente haver engordado. E pode ocorrer exatamente o contrário – alguém imagina que emagreceu, ao passo que, infelizmente, isso não aconteceu, ou ocorreu numa magnitude bem menor.
  2. VARIAÇÃO SEMANAL De uma semana para outra os líquidos também têm seu ciclo normal (em algumas situações pode ser patológico ou induzido por medicamentos). Ocorre mais frequentemente em mulheres que ainda menstruam, na fase pré-menstrual, ou qualquer pessoa em qualquer idade que tenda a “inchar”. Flutuações hormonais são comuns, e podem forçar maior volume de água para o terceiro espaço (entre a célula e o vaso sanguíneo), algo que às vezes se nota, outras vezes não, mas a balança não perdoa! A perda de um quilo em uma semana pode ser mascarada por 1,5 kg de acúmulos no momento da pesagem, levando a um saldo positivamente desanimador de meio kg a mais. E inúmeras possibilidades, para mais e para menos, até com variação zerada, podem se listar aqui. Resultados enganadores e enlouquecedores!
  3. VARIAÇÃO MENSAL De um mês para o outro, embora essa margem de erro diminua, na hipótese de se estar fazendo tudo direitinho, ainda assim os mesmos fatores que acabamos de citar podem interferir na confiabilidade do resultado da balança, quando se compara apenas o ponto de partida com o de chegada. Ao fazer exercício físico, sua massa muscular aumentará enquanto o percentual de gordura encolherá. E isso é tudo que se pode desejar: diminuição das medidas, saúde e percepção de estar mais disposto. Imagine que frustração se, no momento da pesagem, todos aqueles fatores de confundimento estiverem juntos! E, somados ainda ao fator positivo que acabamos de citar, o aumento dos músculos, que pesam mais que a gordura, pois são mais densos, a confusão será maior!

Agora imagine o contrário, uma perda maior que a esperada, comemorada, mas que na verdade reflete um resultado ruim, quando por causa de uma dieta restritiva demais, a perda muscular foi brutal!

 

A balança sozinha então não diz tudo

 

Exatamente. Quando a balança lhe conta que você perdeu menos peso ou nenhum peso num determinado intervalo, mesmo você fazendo o certo, ela não quer dizer que você não emagreceu.

O contrário, quando ela lhe diz que está perdendo muito, também não quer dizer que você está eliminando gordura. É até mais provável que esteja eliminando também água e músculos, numa proporção indesejável.

Na linha do tempo, principalmente num segmento curtinho, a variação de peso nem sempre reflete o resultado do esforço. Mas o médio e o longo prazo, mesmo numa curva oscilante e relutante, vão recompensar o perseverante, que não se deixa desanimar pelo imediatismo do aparente paradoxo da balança.

 

O corpo não protesta à toa!

 

Mas vale lembrar outra coisa importante. Na medida que você vai chegando perto da sua meta metabólica, daquilo que seu corpo, sua constituição e seu metabolismo entendem como ideal e saudável para você, o ritmo de emagrecimento diminuirá. Em outras palavras, a curva da perda de peso tende normalmente a desacelerar cada vez mais. E quem não está tanto acima do peso assim, perderá mais devagar.

O corpo, então, impõe seu ritmo ao emagrecimento. Quando alguém exagera na dose da dieta e do exercício, poderá sofrer uma lição inesquecível de queda de pressão, queda de glicemia, moleza, fraqueza, e até de uma estranha parada na perda de peso. Enfim, além de passar mal, você pode desapontar-se. O corpo não protesta à toa!

 

Resumindo, a balança é um parâmetro avaliativo bem pobre para emagrecimento em certos intervalos e em certas condições, especialmente no curto prazo, mas ao mesmo tempo indispensável para desenharmos a tendência da variabilidade de peso, ao longo de semanas e meses. Isso quer dizer que ganhos ou perdas, principalmente em prazos curtos, não cravam que você engordou ou emagreceu.

Seu foco, então, qual deve ser? Manter-se inabalável na linha, fazendo a coisa certa, sem se deixar afetar, mirando o alvo. Pesando-se racionalmente, na frequência indicada, sem paranoias, e “exercitando a paciência do paciente”. Os resultados certamente virão a seu tempo, seguindo os padrões fisiológicos de sua individualidade metabólica!

 

NOTA IMPORTANTE: POR QUE NÃO FAZEMOS A BIOIMPEDÂNCIA NA ENTRADA 

 

Trata-se de um exame de boa sensibilidade e especificidade para acompanhar a evolução da composição corporal, massa magra, massa muscular, massa gorda, água corporal, etc. Porém, como acontece com a balança, tem suas limitações metodológicas.

Não adianta ficar repetindo com frequência semanal, pois, como todo exame, tem seu tempo em que a variabilidade dos dados começa a apontar tendências, e para a bioimpedância isso é desejavelmente trinta dias.

Por isso não fazemos, na Lapinha, a bioimpedância na entrada de permanências de poucas semanas. Além do mais, na chegada, as pessoas estão mais “inchadas”, e as intensas mudanças que acontecem na dieta e nos exercícios ao longo da hospedagem resultarão em interpretações comparativas bem falseadas! Por isso, fazemos só na saída de quem fica uma semana ou mais, quando você estará mais “enxuto”.

 

 

 

ENGLISH

 

THE SCALE IS BETRAYING YOU

 

Dr. Daniel S. F. Boarim, Medical Director of Lapinha

 

When the scale shows you’ve lost little or no weight in a given period of time, what does that mean? The body dictates its own pace of weight loss. When someone overdoes their diet and exercise, they experience an unforgettable lesson, which can include low blood pressure, low blood sugar, lethargy, weakness, or even a strange weight loss freeze. Besides feeling sick, you feel disappointed. Your body doesn’t protest for nothing!

 

You’re doing everything right. Eating right and exercising. Your conscience is clear. You even allow yourself to dream of wearing that collection you’ve had tucked away in the back of your closet for so many summers.

But, a week after starting the program, when you step on the scale, you’re shocked.

I’ve barely lost any weight! Is that right?! It’s impossible. So much sacrifice for what? What’s wrong?

And anger sets in. Anger at the scale, the diet, the nutritionist, the personal trainer, the doctor, yourself. Frustration, discouragement.

What now? Never again the figure of the good old days?

 

The nightmare

 

Despite spas, pills, injections, diets, and gyms, you, who have tried or are trying to lose weight and stay slim, have probably experienced the scale’s relentlessness firsthand.

It’s one of those nightmares that makes many people give up.

Give up? This is the fate of an incomprehensible frustration, repeated every day.

There are indeed many people in this boat – overwhelmed and damaged. It is estimated that almost a third of the population of the affluent and emerging world is desperately trying to lose weight right now. Most are unsuccessful, or with only temporary success.

In the United States, two-thirds of the population is overweight or obese. In Brazil, half the population is already overweight.

When we talk about weight loss, we’re talking about the world record for failed attempts.

Trying to understand this, delving into the hidden and unexplored causes, as impossible and irritating as it may seem, is the first step toward a change.

Why the failure? We all know about the “weight” of behaviors, the insane transfer of emotional burdens to food. This explains much of the problem. Metabolic, cultural, and genetic factors combine to explain the other part. But there’s no way to shake off a certain aura of mystery, incomprehension, and, above all, unease.

The challenge of sustainably changing—and remember, sustainably—fat-gaining and unhealthy routines is only understood by those who are or have been through it. But while those on the outside rationalize coldly and calculatingly based on calories, those on the inside tend to evaluate based on emotions.

 

Scales—ally or traitor?

 

In this dramatic quest, anxiety is a sneaky villain. Before you know it, the urge to binge has already awakened. As long as it’s out of control, there’s no way to rein in the desire. Eating becomes an escape valve for emotional unease. And your brain gets used to it, until the self-sabotage degenerates into denial. The victim prefers not to think about it. They eat without reasoning, while stifling the prefrontal cortex’s call for rationality.

In this game, the scale is usually left out. But always, invariably, the day comes when reality hits. You decide to step on it. And the agony sets in. Something needs to be done, and now!

This is when the same desperation that drove you to binge eat awakens equally irrational impulses, only in the opposite direction. This is when the scale becomes, paradoxically, both a companion and a traitor. A paranoia of successive weigh-ins sets in, a fixation on losing weight at any cost, as quickly as possible. Even if the extra pounds have accumulated for years under lax policing, the goal now is to lose them in weeks under frenzied observation.

However, no irrational obsession lasts long. Soon the breath runs out and the cycle begins again mercilessly. The anxiety that the scale can’t alleviate is diverted once again to the comfort of food. Of course, this is flirting with the abyss of failure, but it’s where almost everyone falls.

 

How the Scale “Tricks” You

 

There are three classic traps that the scale can “trick” you into, hindering you more than helping:

The scale doesn’t tell you much in the short term! Weight always fluctuates up and down physiologically, due to the expansion or contraction of body fluids, and also due to digestive contents, without a generalizable pattern. Therefore, comparing the scale’s fluctuations in the short term, comparing yourself to yourself in other times, and, even worse, comparing yourself to other people, are a recipe for disappointment and madness!

Gaining lean mass can mask short-term weight loss. It’s desirable and common to gain some lean mass when following a proper exercise and diet plan. This is more common in people with a stronger build or with some muscle memory, but it can happen to anyone. The result is minimal weight loss or a plateau. This doesn’t mean you’re not  losing weight, of course, if you’re doing everything right. There’s also no way to accurately assess lean mass gains or losses over a period of days, even a few weeks.

Losing more weight doesn’t mean you’re getting fit and healthier. Sometimes, surprisingly, it’s quite the opposite! Very strict diets can lead to greater muscle loss, while more appropriate diets, with a smaller calorie gap, help preserve and stimulate the growth of healthy muscle mass.

 

 

Unnecessary Suffering

 

Let’s explain this disconcerting topic in more detail, which many people are reluctant to accept and which causes so much unnecessary suffering.

After all, doesn’t the scale tell me the truth?

I’m not talking about unbalanced scales, but about misinterpretation. That’s right, the simplistic attempt to compare one number with another over any given timeframe can distort results. Here’s why:

The scale, as long as it’s properly adjusted, accurately displays your body weight at a given moment, but it DOES NOT DISTINGUISH three other vital parameters that are part of the weight loss equation, thus allowing for disparate interpretations:

BODY FLUID CYCLE
BODY COMPOSITION
BODY MEASUREMENTS

This means that if you ONLY LOOK AT THE SCALE, especially in the SHORT TERM, you could draw WRONG CONCLUSIONS about your body, such as thinking you’re losing weight while you’re gaining weight, or vice versa, thinking you’re gaining weight while you’re losing weight. Let’s get to the most important points:

DAILY VARIATION – From one day to the next, even from morning to night, your body can accumulate a significant amount of fluid and food, leading to normal weight fluctuations, which can in some cases exceed a kilogram, either up or down. And when you weigh yourself, say, at a time when these accumulations (fluids and food) are low and then, the next day, when they are high, you will be puzzled, not to mention more realistically, mistakenly imagining you’ve gained weight. And the exact opposite can occur—someone imagines they’ve lost weight, when, unfortunately, this hasn’t happened, or has occurred to a much lesser extent.
WEEKLY VARIATION: From one week to the next, fluids also have their normal cycle (in some situations, it can be pathological or medication-induced). This occurs more frequently in women who are still menstruating, in the premenstrual phase, or anyone of any age who tends to “bloat.” Hormonal fluctuations are common and can force a greater volume of water into the third space (between the cell and the blood vessel), something that is sometimes noticeable, sometimes not, but the scale is unforgiving! A one-kilogram loss in a week can be masked by 1.5 kg of excess weight at the time of weighing, leading to a positively discouraging weight loss of half a kg. And countless possibilities, both higher and lower, even with zero variation, can be listed here. Misleading and maddening results!
MONTHLY VARIATION From one month to the next, although this margin of error decreases, assuming you’re doing everything correctly, the same factors we just mentioned can still interfere with the reliability of the scale’s results when comparing only the starting point with the finishing point. By exercising, your muscle mass will increase while your body fat percentage will decrease. And that’s all you can hope for: a reduction in measurements, health, and a feeling of being more energetic. Imagine the frustration if, at the time of weighing, all those confounding factors were combined! And, added to the positive factor we just mentioned—the increase in muscle, which weighs more than fat because it’s denser—the confusion will be even greater!

Now imagine the opposite: a greater-than-expected loss, celebrated, but which actually reflects a poor result, when, due to an overly restrictive diet, the muscle loss was brutal!

 

The scale alone doesn’t tell the whole story

 

Exactly. When the scale tells you that you’ve lost less weight or none at all in a given period, even if you’re doing the right thing, it doesn’t mean you haven’t lost weight.

On the contrary, when it tells you that you’re losing a lot, it also doesn’t mean you’re losing fat. It’s even more likely that you’re also losing water and muscle, at an undesirable rate.

Over time, especially over a short period, weight fluctuations don’t always reflect the results of your efforts. But the medium and long term, even on a wavering and reluctant curve, will reward the persevering, who doesn’t let themselves be discouraged by the immediacy of the scale’s apparent paradox.

 

The body doesn’t protest for nothing!

 

But it’s worth remembering another important thing. As you get closer to your metabolic goal—what your body, constitution, and metabolism understand as ideal and healthy for you—the rate of weight loss will slow down. In other words, the weight loss curve typically tends to slow down more and more. And those who aren’t significantly overweight will lose weight more slowly.

The body, then, imposes its own pace on weight loss. When someone overdoes diet and exercise, they may experience an unforgettable experience of low blood pressure, low blood sugar, sluggishness, weakness, and even a strange halt in weight loss. In short, besides feeling sick, you may be disappointed. The body doesn’t protest for nothing!

In short, the scale is a very poor evaluative parameter for weight loss at certain intervals and under certain conditions, especially in the short term, but at the same time, it is essential for charting the trend of weight variability over weeks and months. This means that gains or losses, especially in the short term, do not guarantee that you have gained or lost weight.

So, what should your focus be? Staying steadfastly on track, doing the right thing, without letting yourself be affected, aiming for the target. Weighing yourself rationally, at the recommended frequency, without paranoia, and “exercising patient patience.” The results will certainly come in due time, following the physiological patterns of your metabolic individuality!

 

 

 

IMPORTANT NOTE: WHY WE DON’T PERFORM BIOIMPEDANCE AT ADMISSION AT LAPINHA

 

This is a test with good sensitivity and specificity for monitoring the evolution of body composition, lean mass, muscle mass, fat mass, body water, etc. However, as with the scale, it has its methodological limitations.

There’s no point in repeating it weekly, because, like any test, there’s a time when data variability begins to show trends, and for bioimpedance, this is ideally thirty days.

That’s why, at Lapinha, we don’t perform bioimpedance testing upon arrival for guests staying for a few weeks. Furthermore, upon arrival, people are more “bloated,” and the intense changes in diet and exercise that occur throughout their stay will result in very false comparative interpretations! That’s why we only perform it upon departure for those staying a week or more, when you’re leaner.

FITOTERAPIA – TEM BASE CIENTÍFICA? É REGULAMENTADA?

 

Dr. Alisson Lima

Médico da equipe Lapinha, pós-graduado em Fitoterapia e Nutrologia.

 

 

Os fitoterápicos podem ser vantajosos desde que entendidos como complementares, não como substitutos, e utilizados dentro de um contexto clínico responsável. Vale também salientar que cerca de 30% dos medicamentos utilizados hoje em dia são originados, direta ou indiretamente, de plantas.

 

A fitoterapia consiste no uso de plantas medicinais e seus derivados para fins terapêuticos — seja na prevenção, alívio ou tratamento de enfermidades — em suas diversas formas farmacêuticas, como extratos, tinturas e chás. No Brasil é oficialmente reconhecida como uma das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) pelo Ministério da Saúde, desde 2006 (Portaria nº 971/2006, depois ampliada pela Portaria nº 849/2017), estando em uso em mais de 900 municípios pelo SUS[1].

Cerca de 30% dos medicamentos utilizados hoje em dia são originados, direta ou indiretamente, de plantas[2,3]. Nesse sentido, a Fitoterapia é um método de tratamento caracterizado pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes apresentações farmacêuticas, em vez da utilização de substâncias ativas isoladas[4]. Ou seja, os diversos compostos presentes nas plantas compõem os medicamentos fitoterápicos, sendo obtidos exclusivamente de matérias-primas vegetais que tenham sua segurança e eficácia baseadas em evidências clínicas e que sejam caracterizados pela constância de sua qualidade[5,6].

A história da fitoterapia é também a história da medicina moderna que, desde o seu surgimento, na metade do século XIX, definiu-se como cientificamente orientada.

O conceito de fitoterapia foi introduzido no meio científico pelo médico francês Henri Leclerc (1870-1955), que vivia e clinicava em Paris. Ele fez inúmeras descrições do uso de plantas medicinais, em grande parte publicadas na influente revista médica francesa “La Presse Médicale”.  Leclerc resumiu sua experiência no manual “Précis de Phytothérapie”.

A maioria dos estudiosos da fitoterapia moderna entendem-na como parte da medicina cientificamente orientada. Sua exigência de aplicar aos fitoterápicos os mesmos métodos científicos que aos medicamentos sintéticos, e o fato de classificarem a fitoterapia como uma parte integrante da farmacoterapia moderna, merece ser apoiada[7].

 

  1. Conhecimento popular x ciência moderna

Do ponto de vista cultural, o uso de plantas medicinais faz parte de práticas ancestrais, repassadas de geração em geração. No entanto, a fitoterapia moderna busca integrar esse conhecimento popular a critérios científicos rigorosos. No SUS, essa integração se dá por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que destaca que as terapias baseadas em fitoterapia devem ser complementares, não substitutas da medicina alopática, e aplicadas por profissionais capacitados e com produtos que atendam a padrões de qualidade, segurança e eficácia[8].

 

Regulação e qualificação científica

  • Os medicamentos fitoterápicos (MF) passam por regulamentação específica (RDC Anvisa) e exigem comprovação de eficácia e segurança por meio de estudos clínicos ou etnofarmacológicos rigorosos. Já os produtos tradicionais fitoterápicos (PTF) baseiam-se principalmente no uso prolongado e na tradição popular[9].
  • A pesquisa científica evoluiu nos últimos anos, com diversos estudos clínicos envolvendo plantas como Passiflora incarnata (maracujá), Valeriana officinalis e Hypericum perforatum, principalmente para transtornos como ansiedade e insônia leve ou moderada[10].
  • Contudo, a literatura científica destaca que o nível de evidência varia muito. Revisões sistemáticas exigem ensaios clínicos controlados, randomizados, cegos e com amostra adequada — ainda escassos para muitos fitoterápicos[11].
  1. Não se deve substituir medicamentos consolidados sem critério clínico

É fundamental destacar que não se deve substituir um tratamento farmacológico convencional por um fitoterápico sem base clínica consistente. Alguns dos principais riscos incluem:

  • Interações medicamentosas e toxicidade: certos fitoterápicos podem interagir com fármacos sintéticos ou resultar em efeitos adversos, incluindo, desde efeitos sob o sistema nervoso central, até efeitos sobre o metabolismo, controle hormonal, função cardíaca, digestiva, dentre outros, especialmente se utilizados sem orientação ou se o produto tiver qualidade duvidosa[12].
  • Desconhecimento técnico: muitos profissionais de saúde não recebem formação adequada em fitoterapia. Pesquisas identificaram que a indicação ocorre muitas vezes por automedicação, com base em experiências familiares ou pela mídia, sem respaldo profissional[13].
  • Dados revelam que uma proporção significativa de pacientes que usam plantas medicinais (79%) não teve orientação adequada, enquanto grande parte dos prescritores não está bem informada sobre os fitoterápicos disponíveis no SUS[14].
  1. Importância da comprovação de eficácia

Aspectos fundamentais

A questão sobre a comprovação da eficácia dos medicamentos foi discutida de forma muito intensa e controversa nas últimas décadas, sem um resultado definitivo. O dogma da força de comprovação exclusiva dos estudos duplo-cego, randomizados e controlados já foi abalado por Kienle (1977), mas nem por isso invalidado. Kiene (1994) retomou esse questionamento e retrabalhou sua dimensão teórica. Trata-se, por um lado, da tentativa de avaliar a ação de um medicamento, observado de forma isolada, em uma terapia, eliminando todas as outras interferências possíveis, e, por outro lado, da objetividade dos resultados.

A problemática científica do famoso efeito placebo baseia-se no fato de que o surgimento desse efeito ainda não foi bem esclarecido. Uma clássica e extensa descrição do efeito do placebo foi publicada por Kienle (1995).

No entanto, soa sensato valorizar a experiência terapêutica antes de se afirmar que alguma abordagem com fármacos é cientificamente robusta. Qualquer paciente esclarecido se sentirá menos seguro em submeter-se a um tratamento que se apoie apenas em resultados obtidos por estudos duplo-cegos, sem experiência alguma. Sobre a importância da experiência, Abraham Lincoln já dizia: “Pode-se enganar um pequeno número de pessoas por um longo tempo e um número grande de pessoas por um curto tempo”.

Veja bem, “é impossível enganar um grande número de pessoas por um longo tempo!” No campo da farmacoterapia pode-se traduzir como: o uso prolongado de um fármaco, constantemente solicitado pelos pacientes e prescrito pelos médicos, atesta a sua eficácia — mesmo sem ensaios duplo-cegos.

Na preparação da nova Legislação Alemã de Medicamentos (Deutschen Arzneimit-telgesetzes (AMGI), que vigora desde 1° janeiro de 1978, tendo sido revisada e complementada várias vezes, o Comitê de Preparação da Lei para a Juventude, Família e Saúde afirmou o seguinte, em seu relatório de 28/4/1976:

A eficácia dos fitoterápicos foi avaliada como segura ou suficientemente provável segundo pelo menos um dos critérios a seguir:

  1. A ação e a eficácia foram comprovadas através do registro em artigos de revisão respeitados, em manuais ou livros-texto de formação.
  2. Resultados em estudos controlados em comparação com placebo ou substâncias de referência.
  3. Provas clínicas documentadas, mas insuficientes para a recomendação de liberação; no entanto com resultados experimentais confirmatórios que apontem no mesmo sentido das provas clínicas.
  4. Material de conhecimento científico encontra-se disponível.
  5. Existem conhecimentos baseados na experiência prática e resultantes de observação, mas insuficientes para uma recomendação de liberação; no entanto, são conhecidos resultados convincentes de ensaios experimentais, observações ou indícios adicionais passíveis de avaliação.

Para a fitoterapia, a AMGI representa um ponto de virada também no sentido de uma terapia moderna, baseada em avaliações de acordo com critérios científicos.[15].

 

Conclusão

A fitoterapia é uma área legítima de atuação que une saberes tradicionais e avanços científicos, reconhecida no Brasil como prática integrativa. Pode oferecer benefícios em determinadas condições, desde que seus produtos sejam regulados e embasados em evidências, prescritos por profissionais qualificados.

Entretanto, não se deve substituir um medicamento convencional — com eficácia e segurança comprovadas — por um fitoterápico sem critérios clínicos e científicos claros. A automedicação, o uso sem orientação ou com produtos de qualidade duvidosa, e a falta de conhecimento técnico, expõem o paciente a riscos desnecessários. O ideal é que fitoterápicos sejam entendidos como complementares, não como substitutos, e utilizados dentro de um contexto clínico responsável.

 

 

 

Referências

  1. PORTARIA Nº 971, DE 03 DE MAIO DE 2006. Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt0971_03_05_2006.html#:~:text=PORTARIA%20N%C2%BA%20971%2C%20DE%2003,no%20Sistema%20%C3%9Anico%20de%20Sa%C3%BAde.

 

  1. Devienne KF, Raddi G, Pozetti GL. Das plantas medicinais aos fitofármacos. Rev Bras Pl Medic. 2004; 6(3): 11-14. [https://repositorio.unesp.br/handle/11449/67754].
  2. Dias ECM, Trevisan DD, Nagai SC, Ramos NA, Silva EM. Uso de fitoterápicos e potenciais riscos de interações medicamentosas: Reflexões para prática segura. Ver Baiana Saúde Públ. 2017; 41(2): 297- 307. [https://doi.org/10.22278/2318 2660.2017.v41.n2.a2306].
  3. Abranches MV. Plantas Medicinais e Fitoterápicos: abordagem teórica com ênfase em nutrição. AS Sistemas; 2015. 149 p. ISBN: 9788565880015.
  4. Cechinel Filho V, Zanchett CCC. Fitoterapia avançada: uma abordagem química, biológica e nutricional. São Paulo: Artmed, 2020. p.216. ISBN-1 0 :6581335142.
  5. Neves TON. Principais interações entre medicamentos e as plantas medicinais e/ou fitoterápicos. Uberaba. 2019. 41p. Trabalho de Conclusão de Curso [Graduação em Farmácia] – Universidade de Uberaba. Uberaba. MG. 2019. [https://repositorio.uniube.br/handle/123456789/1618].
  6. Volker Fintelmann, Rudolf Fritz Weiss. Manual de Fitoterapia. 11ª edição. 3-7p.

 

  1. Rodrigues, José Manoel1, Fellipe, Ravel Leopoldino Duque1, Fernandes, Ravel Leopoldino Duque1. Impacto da farmácia  verde  de  Ipatinga  – MG  na  redução  das  prescrições  de  benzodiazepínicos  em unidades de saúde pública. Revista Fitos. Rio de Janeiro. 2024; 18(1): e1427 | e-ISSN: 2446-4775 | www.revistafitos.far.fiocruz.br

 

  1. ORIENTAÇÕES SOBRE O USO DE FITOTERÁPICOS E PLANTAS MEDICINAIS, no https://www.gov.br/anvisa/pt br/centraisdeconteudo/publicacoes/medicamentos/publicacoes-sobre-medicamentos/orientacoes-sobre-o-uso-de-fitoterapicos-e-plantas-medicinais.pdf; Acesso 14 de Agosto de 2025.

 

  1. Ministério da Saúde. Memento Fitoterápico (1ª edição), no https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/plantas-medicinais-e-fitoterapicos/arquivos/2016/memento-fitoterapico-1a-edicao.pdf/@@download/file; Acesso 18 de Agosto de 2025.
  2. Ralph Santos Oliveira1*, Waldeciro Colaço2, Simone Coulaud-Cunha3, Selma Rodrigues de Castilho4. Revisão sistemática em fitoterapia: padronização internacional de qualidade. Revista Brasileira de Farmacognosia Brazilian Journal of Pharmacognosy 17(2): 271-274, Abr./Jun. 2007

 

  1. Ruver-Martins, Ana Carolina1, Silva, Barbara Ribas da2. Interações medicamentosas entre medicamentos fitoterápicos e alopáticos: uma revisão de literatura sobre potenciais interações e suas manifestações. Revista Fitos. Rio de Janeiro. 2024; 18(1): e1629 | e-ISSN: 2446-4775 | www.revistafitos.far.fiocruz.br

 

  1. Leite et al. Avaliação do conhecimento e percepção de estudantes de farmácia sobre a fitoterapia em uma universidade pública, Brasil. Revista Fitos. Rio de Janeiro. 2024; Supl(2): e1508 | e-ISSN: 2446-4775 | www.revistafitos.far.fiocruz.br

 

  1. Melo DN, Celano RMG, Aoyama EM, Soares Neto JAR et al. Utilização das plantas medicinais e fitoterápicos na prática clínica de profissionais da saúde de Foz do Iguaçu, Paraná. Rev Fitos. Rio de Janeiro. 2024; 18(1): e1615. e-ISSN 2446.4775. Disponível em: <https://revistafitos.far.fiocruz.br/?journal=revista-fitos&page=article&op=view&path%5B%5D=1615>. Acesso em: 18/08/2025.

 

  1. Volker Fintelmann, Rudolf Fritz Weiss. Manual de Fitoterapia. 11ª edição. 11-13p.

 

O FLORESCIMENTO HUMANO

 

Autores: Dr Rafael (Médico Cardiologista) e Dra Jacy (Médica Endocrinologista) – médicos do staff médico Lapinha

 

Olá a todos os leitores da Biblioteca do Conhecimento da Lapinha! Sejam muito bem-vindos a este espaço onde unimos a ciência do bem-estar com a experiência de uma vida mais plena e saudável.

 

Hoje, os autores fazem um resumo do artigo “The Global Flourishing Study: Study Profile and Initial Results on Flourishing”, publicado na revista Nature Mental Health. Este estudo, liderado por Tyler J. VanderWeele, explora o conceito de florescimento humano em diversas culturas ao redor do mundo, oferecendo insights valiosos sobre os fatores que contribuem para uma vida mais próspera e feliz.

 

Objetivo do Artigo

O principal objetivo deste estudo longitudinal foi investigar a distribuição e os determinantes do florescimento em 22 países, abrangendo todos os seis continentes habitados. Através de uma análise abrangente de dados coletados de mais de 200.000 participantes, os pesquisadores buscaram identificar padrões universais e culturalmente específicos que influenciam o bem-estar humano.

 

Principais Resultados

Florescimento e Idade: Contrariando estudos anteriores, a pesquisa revelou que o florescimento tende a aumentar com a idade, especialmente após os 49 anos. Este achado sugere que, ao longo da vida, as pessoas podem desenvolver maior equilíbrio, paz interior e propósito.

Estado Civil e Emprego: O estudo confirmou que indivíduos casados e empregados geralmente apresentam níveis mais elevados de florescimento. Por exemplo, pessoas casadas demonstraram um florescimento notavelmente maior em comparação com as divorciadas.

Práticas Religiosas: A participação em serviços religiosos foi consistentemente associada a um maior bem-estar em quase todos os países analisados. Aqueles que frequentam serviços religiosos semanalmente mostraram níveis significativamente mais altos de florescimento.

Experiências na Infância: Boas relações com a mãe e o pai durante a infância foram positivamente associadas ao florescimento na vida adulta. Em contrapartida, experiências adversas como abuso e sentimento de exclusão tiveram um impacto negativo significativo.

Disparidades Globais: O estudo também destacou que diferentes países apresentam diferentes pontos fortes e áreas de crescimento em relação ao bem-estar. Enquanto algumas nações desenvolvidas mostram altos níveis de segurança financeira, outras, como Indonésia e México, se destacam em aspectos mais humanísticos, como significado e propósito na vida.

 

Interpretação e Aplicação Prática

Estes resultados oferecem um roteiro valioso para promover a saúde e o bem-estar em nossas vidas. Ao reconhecer a importância das relações sociais, práticas espirituais e experiências positivas na infância, podemos tomar medidas concretas para cultivar um maior florescimento pessoal e comunitário.

No Lapinha Spa, acreditamos que o florescimento humano é um processo contínuo que envolve a integração de corpo, mente e espírito. Nossos programas são cuidadosamente elaborados para nutrir cada um desses aspectos, proporcionando um ambiente propício ao crescimento pessoal e à descoberta de um propósito de vida mais profundo.

 

Conclusão e Motivação

Convidamos você a refletir sobre os insights deste estudo e a considerar como pode aplicar estes conhecimentos em sua própria jornada de bem-estar. Lembre-se que cada pequeno passo em direção a uma vida mais plena e significativa faz toda a diferença.

 

“O florescimento humano é um estado dinâmico que se conquista através de escolhas conscientes e práticas consistentes. Ao investir em nossas relações, espiritualidade e bem-estar emocional, podemos transformar nossas vidas e inspirar outros a fazerem o mesmo,” complementa Dra. Jacy, especialista em endocrinologia, medicina do estilo de vida e coach em saúde.

 

“Além disso, é fundamental considerar o impacto das nossas experiências de infância no nosso bem-estar atual. Ao reconhecermos e trabalharmos as nossas feridas emocionais, podemos abrir espaço para um florescimento mais autêntico e duradouro,” acrescenta Dr. Rafael Marchetti, médico cardiologista com pós-graduação em medicina do exercício e esporte e certificado em medicina do estilo de vida pelo IBLM (International Board of Lifestyle Medicine).

 

Citação Técnica

VanderWeele, T. J., Johnson, B. R., Bialowolski, P. T., Bonhag, R., Bradshaw, M., Breedlove, T., et al. (2025). The Global Flourishing Study: Study Profile and Initial Results on Flourishing. Nature Mental Health, 1(1), 1-14.

 

Esperamos que este artigo tenha sido inspirador e informativo. Continuem a nos acompanhar para mais conteúdos que unem ciência e bem-estar, e que lhes guiem em direção a uma vida mais próspera e feliz.

A INATIVIDADE FÍSICA COMO IMPORTANTE CAUSA DE MORTALIDADE

 

 

Dr. Rafael Marchetti, cardiologista, pós-graduado em Medicina do Exercício e do Esporte, certificado em Medicina do Estilo de Vida pelo IBLM, International Board of Lifestyle Medicine.

 

Introdução

Hoje, exploramos um tema crucial para a saúde pública: a inatividade física. O artigo intitulado “Physical inactivity: the biggest public health problem of the 21st century”, escrito por Steven N Blair e publicado no British Journal of Sports Medicine, lança luz sobre a importância vital da atividade física em nossas vidas.

 

Objetivo do Artigo

O objetivo principal deste estudo é destacar a inatividade física como um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI, sublinhando a necessidade urgente de promover a atividade física regular para melhorar a saúde global.

 

Principais Resultados

O artigo revela dados alarmantes sobre a inatividade física, mostrando que ela é responsável por aproximadamente 16% de todas as mortes, tanto em homens quanto em mulheres, dentro da população estudada. Notavelmente, a baixa aptidão cardiorrespiratória é um fator de risco significativo, superando outros fatores de risco, como a hipertensão, especialmente em homens. Além disso, há fortes evidências emergentes de que a atividade física atrasa o declínio cognitivo e é benéfica para a saúde do cérebro, além de ter extensos benefícios para o resto do corpo.

 

Interpretação e Aplicação Prática

Os resultados deste estudo são um chamado à ação para todos nós. Para aqueles que são sedentários, o importante é começar, mesmo que seja com caminhadas de 10 minutos, de intensidade leve a moderada, onde se consiga falar, mas não cantar, durante o esforço. Essas pequenas mudanças podem reduzir significativamente o risco de doenças crônicas e melhorar a qualidade de vida.

Se você possui alguma condição crônica, como hipertensão ou diabetes, é essencial consultar seu médico antes de iniciar qualquer programa de exercícios. No entanto, atividades de leve intensidade costumam ser seguras e recomendadas para a maioria das pessoas, proporcionando um ponto de partida seguro para melhorar a saúde.

 

Conclusão e Motivação

A mensagem é clara: a atividade física regular é essencial não apenas para o controle do peso, mas também para a saúde geral, independentemente de perda de peso. Convido você a refletir sobre como pode integrar mais movimento em seu dia a dia. Cada passo conta e é um investimento em sua saúde futura. Lembre-se, a escolha é sua, e cada pequeno esforço faz uma diferença significativa.

 

Citação Técnica

Blair, S. N. (2009). Physical inactivity: the biggest public health problem of the 21st century. British Journal of Sports Medicine, 43(1), 1-2.

 

É POSSÍVEL REVERTER A ATEROSCLEROSE?

 

 

Dr. Rafael Marchetti, cardiologista, pós-graduado em Medicina do Exercício e do Esporte, certificado em Medicina do Estilo de Vida pelo IBLM, International Board of Lifestyle Medicine.

 

Olá, queridos leitores! Sou Dr. Rafael Marchetti, cardiologista e médico na Lapinha Spa.  Neste espaço, exploraremos juntos como as mudanças no estilo de vida podem transformar nossa saúde e bem-estar.

Para inaugurar nossa jornada, escolhi um estudo inspirador: “The Lifestyle Heart Trial”, conduzido por Dean Ornish e publicado na revista Lancet. Este estudo investigou se mudanças abrangentes no estilo de vida poderiam reverter a aterosclerose coronariana em apenas um ano. Envolveu 48 pacientes divididos em dois grupos: o grupo experimental, que seguiu um programa de mudanças no estilo de vida, e o grupo de controle, que manteve os cuidados habituais.

O artigo “The Lifestyle Heart Trial” foi verdadeiramente revolucionário, quebrando paradigmas ao demonstrar que a aterosclerose, anteriormente considerada irreversível, pode de fato regredir. Este estudo desafiou a crença de longa data de que a progressão da doença coronariana era inevitável. A chave para esses resultados surpreendentes foi a mudança global no estilo de vida, que abrangeu não apenas a dieta, mas também o exercício, o gerenciamento de estresse e o apoio social. Embora essas mudanças possam parecer desafiadoras, este estudo prova que são possíveis e têm um impacto profundo e positivo na saúde do coração.

Os resultados foram notáveis. No grupo experimental, a estenose das artérias coronárias regrediu de uma média de 40,0% para 37,8% após um ano. Em contraste, no grupo de controle, a estenose progrediu de 42,7% para 46,1%. Além disso, os pacientes do grupo experimental relataram uma redução de 91% na frequência de angina, 42% na duração e 28% na severidade dos sintomas. Esses dados evidenciam o impacto positivo que mudanças no estilo de vida podem ter na saúde cardiovascular.

O programa de mudanças no estilo de vida foi abrangente e incluiu uma dieta vegetariana com baixo teor de gordura, focada em alimentos integrais como frutas, vegetais, grãos e leguminosas. Os participantes foram incentivados a parar de fumar, praticar exercícios moderados e participar de treinamentos de gerenciamento de estresse, que incluíam técnicas como meditação e relaxamento. O suporte em grupo também foi uma parte essencial do programa, proporcionando um ambiente de apoio para compartilhar experiências e motivar uns aos outros.

Essas descobertas são um lembrete poderoso de que temos o poder de transformar nossa saúde através de escolhas diárias. Ao adotar um estilo de vida mais saudável, podemos não apenas prevenir doenças, mas também reverter condições existentes, promovendo uma vida mais plena e saudável. A chave está em fazer mudanças sustentáveis e consistentes, que se integrem naturalmente ao nosso cotidiano.

Convido você a refletir sobre como pequenas mudanças diárias podem ter um impacto profundo na sua saúde. A jornada para uma vida saudável é contínua, e cada escolha positiva que fazemos é um passo em direção a um futuro melhor. Lembre-se, você tem o poder de escolher a saúde todos os dias.

 

Referência técnica: Ornish, D., et al. (1990). “Can lifestyle changes reverse coronary heart disease?” Lancet.

COMO A SAÚDE MENTAL TRANSFORMA O CORAÇÃO

 

Dr. Rafael Marchetti, cardiologista, pós-graduado em Medicina do Exercício e do Esporte, certificado em Medicina do Estilo de Vida pelo IBLM, International Board of Lifestyle Medicine.

 

Hoje exploraremos a fascinante conexão entre a saúde psicológica e o bem-estar cardiovascular.

O artigo “Psychological Health, Well-Being, and the Mind-Heart-Body Connection”, publicado pela American Heart Association, oferece uma visão abrangente sobre como a saúde mental impacta diretamente a saúde do coração. Este estudo analisa diversos fatores psicológicos, como depressão, ansiedade, estresse, otimismo e gratidão, e sua influência no risco cardiovascular.

 

Aspectos da Saúde Psicológica Positiva

A saúde psicológica positiva inclui fatores como otimismo, gratidão, felicidade, vitalidade emocional e um forte senso de propósito. Estudos indicam que indivíduos que cultivam esses aspectos apresentam uma redução significativa no risco de doenças cardiovasculares. Por exemplo:

  • Otimismo: Pessoas otimistas têm cerca de 35% menos risco de sofrer eventos cardíacos adversos. O otimismo está associado a melhores hábitos de saúde e menor inflamação.
  • Gratidão: Praticar a gratidão regularmente pode melhorar a adesão a medicamentos e promover comportamentos saudáveis, contribuindo para uma redução de 20% a 30% no risco de doenças cardíacas.
  • Vitalidade Emocional: Aqueles que mantêm uma vitalidade emocional positiva apresentam uma menor taxa de mortalidade cardiovascular, com uma redução de até 25% nos eventos cardíacos.

 

Aspectos da Saúde Psicológica Negativa

Por outro lado, a saúde psicológica negativa, que inclui depressão, ansiedade, estresse, pessimismo e hostilidade, pode aumentar significativamente o risco de doenças cardiovasculares:

  • Depressão: Indivíduos com depressão têm um risco 50% maior de desenvolver doenças cardíacas. A depressão pode levar a comportamentos prejudiciais à saúde, como sedentarismo e má alimentação.
  • Ansiedade: A ansiedade crônica está associada a um aumento de 40% no risco de eventos cardíacos adversos. Ela pode causar disfunções no sistema nervoso autônomo, afetando negativamente o coração.
  • Estresse: O estresse contínuo pode resultar em um aumento de até 30% no risco de infarto do miocárdio, devido ao aumento da pressão arterial e inflamação.

Este artigo é revolucionário ao enfatizar que a saúde do coração não depende apenas de fatores físicos, mas também do nosso estado psicológico. A mudança global no estilo de vida, que inclui práticas de mindfulness, gerenciamento de estresse e cultivo de emoções positivas, pode ser uma ferramenta poderosa para melhorar a saúde cardiovascular. Embora essas mudanças possam parecer desafiadoras, elas são possíveis e têm um impacto profundo e positivo em nossa saúde geral.

Essas descobertas são um lembrete poderoso de que o cuidado com a saúde mental é fundamental para a saúde do coração. Ao adotar práticas que promovam o bem-estar emocional, podemos não apenas prevenir doenças, mas também melhorar nossa qualidade de vida de maneira abrangente. A chave está em integrar essas práticas de forma natural e consistente em nosso cotidiano.

Convido você a refletir sobre como pequenas mudanças diárias em sua saúde mental podem ter um impacto profundo na sua saúde física. A jornada para uma vida saudável é contínua, e cada escolha positiva que fazemos é um passo em direção a um futuro melhor. Lembre-se, você tem o poder de escolher a saúde todos os dias.

 

Referência técnica: Levine, G. N., et al. (2021). “Psychological Health, Well-Being, and the Mind-Heart-Body Connection.” Circulation.

 

DIETAS QUE PROVOCAM O ABOMINÁVEL EFEITO SANFONA

 

Dr Daniel S F Boarim, MD, Diretor Clínico da Lapinha

 

Um dos maiores mitos do emagrecimento é que, quanto mais severa a restrição calórica, mais eficaz é a dieta. Leia com atenção esse resumo, e sua opinião certamente vai mudar completamente.

 

A “matemática” da perda de peso

 

Para ganhar um quilo, você precisa ingerir, ao longo do tempo, 7.700 kcal mais do que gasta, e para emagrecer, é só inverter a conta, comer menos e queimar mais, e quando o total da diferença chegar em 7.770 kcal, terá perdido um quilo.

Teoricamente, uma dieta hipocalórica em que se consiga uma diferença ente gasto e queima de 1.000 kcal/dia, vai pedir pouco mais de uma semana para o ponteiro da balança mostrar um quilo de perda real. E quando falamos em “perda real”, referimo-nos à queima de estoques, e não às flutuações de líquidos, que podem mascarar os resultados para mais ou para menos.

Mas para quem está desesperado para entrar novamente na roupa de alguns verões atrás, esse ritmo parece cruelmente lento. Quase todos se esquecem que os muitos quilos vieram ao longo de meses, anos, e que não é sensato esperar soluções rápidas de alguns dias.

Para encurtar o caminho, então, qual a “magia” das loucuras? Dietas de fome e muita malhação. Alguns apelam para as famosas “low carb diets” (ler artigo nessa biblioteca sobre proteína: emagrece ou inflama?).

 

O efeito “rebote”

 

“Bem-vindo” à experiência do efeito sanfona! Dietas muito restritivas podem causar um efeito rebote devido a várias adaptações fisiológicas e comportamentais que ocorrem em resposta à restrição calórica severa.

Primeiramente, a restrição calórica pode levar a alterações nos hormônios que regulam o apetite. Estudos mostram que a perda de peso induzida por dieta aumenta os níveis de grelina, um hormônio orexigênico, e diminui os níveis de leptina, um hormônio anorexigênico, resultando em aumento da fome e do apetite.[1-2] Essas alterações hormonais persistem a longo prazo, mesmo após a perda de peso inicial, contribuindo para o aumento do apetite e a recuperação do peso.[3]

 

O metabolismo entende que você está num deserto

 

O metabolismo “se defende” contra a privação exagerada da dieta, entende que você está sob privação, à mingua, num deserto, e dispara o modo “gaste menos e armazene mais” para garantir a sobrevivência.  O resultado fatal é o ganho progressivo de peso, com cada vez mais dificuldade de perder e mais ainda de manter a perda.

Além disso, a restrição calórica pode levar a uma redução no gasto energético basal, um fenômeno conhecido como adaptação metabólica. Após a perda de peso, o gasto energético em repouso é menor do que o esperado com base na nova composição corporal, o que facilita a recuperação do peso quando a ingestão calórica é aumentada.[4] E se não houver mudança visceral de comportamento, começa aqui o ciclo vicioso de comer cada vez mais para gastar cada vez menos.

 

Compulsão alimentar disparada por dieta muito hipocalórica

 

Outra variável importante é a resposta comportamental à restrição alimentar. A restrição severa pode aumentar a suscetibilidade a episódios de compulsão alimentar, entre outros transtornos alimentares, especialmente em situações que desafiam o autocontrole, como estresse ou exposição a alimentos altamente palatáveis.[5] E o que não falta são comidas viciantes, ultraprocessadas e super calóricas. Chocolate, guloseimas, salgadinhos, bebidas alcoólicas e massas acenam o tempo todo com seu quase irresistível apelo.

 

Microbiota do intestino prejudicada por dietas muito restritas caloricamente

 

A microbiota intestinal também pode desempenhar um papel crucial na recuperação do peso. Alterações na composição da microbiota intestinal durante a restrição calórica podem afetar o metabolismo e a absorção de nutrientes, contribuindo para o ganho de peso após a retomada da alimentação normocalórica ou cessação da dieta restritiva. Aqui mora uma novidade muito interessante, pois sabemos que a microbiota exerce um controle sobre o metabolismo muito maior do que imaginávamos há poucas décadas atrás. [6]

 

Enfim, qual é a receita do emagrecimento sustentável?  

 

A receita cientificamente embasada para emagrecer de modo eficaz e sustentado é bem conhecida e não mudou quase nada em décadas de pesquisa. Certamente hoje sabemos mais sobre a contribuição genética e o papel da ansiedade no comportamento alimentar humano e o poder viciante de certas comidas.  Mas, qualquer protocolo sério, invariavelmente se estriba em três pilares: (1) dieta saudável, com leve a moderada restrição calórica (você não precisa nem deve passar fome!), (2) exercícios balanceados e orientados (veja bem: os exercícios devem sincronizar atividades aeróbicas com musculação e alongamento). (3) Seguimento de longo prazo com equipe multidisciplinar para alavancagem motivacional, correções, ajustes e permitir que as mudanças sejam de fato incorporadas e virem rotina.

Enfim, voltamos ao lugar comum de que não existe fórmula mágica. A mudança de comportamento requer foco, disciplina e perseverança! O que pode fazer a diferença aqui não é  tanto o que fazemos, mas o modo como fazemos. A intensidade, a vontade e a determinação com que nos entregamos ao propósito. Meias medidas e iniciativas débeis, esporádicas ou espasmódicas nunca terão força suficiente para avançar!

 

Resumindo

 

Esses três fatores combinados: (1) Adaptação fisiológica à fome, levando o organismo a gastar menos e desejar mais comida, (2) resposta comportamental, com exacerbação de episódios compulsivos e (3) mudança da microbiota, explicam por que dietas muito restritivas frequentemente resultam em um efeito rebote, onde o peso perdido é recuperado rapidamente após o término da dieta, com ganhos ainda maiores. Por isso também, convivemos com números assustadores da pandemia de obesidade.

 

 

Referências

 

  1. Calorie-Restricted Weight Loss Reverses High-Fat Diet-Induced Ghrelin Resistance, Which Contributes to Rebound Weight Gain in a Ghrelin-Dependent Manner.Briggs DI, Lockie SH, Wu Q, et al. Endocrinology. 2013;154(2):709-17. doi:10.1210/en.2012-1421.
  2. Altered Appetite-Mediating Hormone Concentrations Precede Compensatory Overeating After Severe, Short-Term Energy Deprivation in Healthy Adults. O’Connor KL, Scisco JL, Smith TJ, et al. The Journal of Nutrition. 2016;146(2):209-17. doi:10.3945/jn.115.217976.
  1. Long-Term Persistence of Hormonal Adaptations to Weight Loss. Sumithran P, Prendergast LA, Delbridge E, et al. The New England Journal of Medicine. 2011;365(17):1597-604. doi:10.1056/NEJMoa1105816.
  2. Mechanisms of Weight Regain.Busetto L, Bettini S, Makaronidis J, et al.European Journal of Internal Medicine. 2021;93:3-7. doi:10.1016/j.ejim.2021.01.002.
  3. The Ironic Effects of Dietary Restraint in Situations That Undermine Self-Regulation.Hagerman CJ, Stock ML, Beekman JB, Yeung EW, Persky S. Eating Behaviors. 2021;43:101579. doi:10.1016/j.eatbeh.2021.101579.
  4. Gut Microbiota-Bile Acid Crosstalk Contributes to the Rebound Weight Gain After Calorie Restriction in Mice. Li M, Wang S, Li Y, et al. Nature Communications. 2022;13(1):2060. doi:10.1038/s41467-022-29589-7.

 

ENGLISH

 

DIETS THAT CAUSE THE ABOMINABLE YO-YO EFFECT

 

Dr Daniel S F Boarim, MD, Clinical Director of Lapinha

 

One of the biggest myths about weight loss is that the more severe the calorie restriction, the more effective the diet. Read this summary carefully, and your opinion will certainly change completely.

 

The “mathematics” of weight loss

 

To gain one kilo, you need to consume, over time, 7,700 kcal more than you expend, and to lose weight, just reverse the calculation, eat less and burn more, and when the total difference reaches 7,770 kcal, you will have lost one kilo.

Theoretically, a low-calorie diet in which you achieve a difference between expenditure and burning of 1,000 kcal/day, will take a little over a week for the scale to show a real loss of one kilo. And when we talk about “real weight loss,” we are referring to the burning of stocks, not to the fluctuations in fluids, which can mask the results, either more or less.

But for those who are desperate to get back into the clothes they wore a few summers ago, this pace seems cruelly slow. Almost everyone forgets that the many pounds have come on over months, years, and that it is not sensible to expect quick solutions in a few days.

So, to shorten the path, what is the magic? Starvation diets and lots of exercise. Some resort to the famous “low carb diets” (read the article in this library about protein: does it make you lose weight or cause inflammation?).

 

The “rebound” effect

 

Welcome to the yo-yo effect experience! Very restrictive diets can cause a rebound effect due to several physiological and behavioral adaptations that occur in response to severe calorie restriction.

Firstly, calorie restriction can lead to changes in the hormones that regulate appetite. Studies show that diet-induced weight loss increases levels of ghrelin, an orexigenic hormone, and decreases levels of leptin, an anorexigenic hormone, resulting in increased hunger and appetite.[1-2] These hormonal changes persist long-term, even after initial weight loss, contributing to increased appetite and weight regain.[3]

 

Your metabolism understands that you are in a desert

 

Your metabolism “defends itself” against excessive dietary deprivation, understanding that you are under deprivation, starving, in a desert, and triggers the “spend less and store more” mode to ensure survival. The fatal result is progressive weight gain, with increasing difficulty in losing and even more difficult to maintain the loss.

In addition, calorie restriction can lead to a reduction in basal energy expenditure, a phenomenon known as metabolic adaptation. After weight loss, resting energy expenditure is lower than expected based on the new body composition, which makes it easier to regain the weight when caloric intake is increased.[4] And if there is no visceral change in behavior, this is where the vicious cycle of eating more and more to burn less and less begins.

 

Binge eating triggers during periods of dieting

 

Another important variable is the behavioral response to food restriction. Severe restriction can increase susceptibility to binge eating episodes, among other eating disorders, especially in situations that challenge self-control, such as stress or exposure to highly palatable foods.[5] And there is no shortage of addictive, ultra-processed, and high-calorie foods. Chocolate, sweets, snacks, alcoholic beverages, and pasta beckon all the time with their almost irresistible appeal.

 

Gut microbiota impaired by very calorie-restricted diets

 

Finally, the gut microbiota may also play a role in weight regain. Changes in the composition of the intestinal microbiota during calorie restriction can affect metabolism and nutrient absorption, contributing to weight gain after resuming a normal diet.[6]

 

And what is the recipe for sustainable weight loss?

 

The scientifically based recipe for effective and sustained weight loss is based, in simple terms, on three pillars: (1) a healthy diet with mild to moderate calorie restriction (you don’t need to go hungry), (2) balanced and guided exercise. (3) Long-term follow-up with a multidisciplinary team so that the changes are actually incorporated and become routine. There is no magic formula. Changing behavior requires focus, discipline and perseverance!

 

In summary

 

These three factors combined: (1) physiological adaptation to hunger, leading the body to spend less and desire more food, (2) behavioral response, with exacerbation of binge eating episodes, and (3) changes in the microbiota, explain why very restrictive diets often result in a rebound effect, where the lost weight is quickly regained after the diet ends, with even greater gains.

 

 

References

 

  1. Calorie-Restricted Weight Loss Reverses High-Fat Diet-Induced Ghrelin Resistance, Which Contributes to Rebound Weight Gain in a Ghrelin-Dependent Manner.Briggs DI, Lockie SH, Wu Q, et al. Endocrinology. 2013;154(2):709-17. doi:10.1210/en.2012-1421.
  2. Altered Appetite-Mediating Hormone Concentrations Precede Compensatory Overeating After Severe, Short-Term Energy Deprivation in Healthy Adults. O’Connor KL, Scisco JL, Smith TJ, et al. The Journal of Nutrition. 2016;146(2):209-17. doi:10.3945/jn.115.217976.
  1. Long-Term Persistence of Hormonal Adaptations to Weight Loss. Sumithran P, Prendergast LA, Delbridge E, et al. The New England Journal of Medicine. 2011;365(17):1597-604. doi:10.1056/NEJMoa1105816.
  2. Mechanisms of Weight Regain.Busetto L, Bettini S, Makaronidis J, et al.European Journal of Internal Medicine. 2021;93:3-7. doi:10.1016/j.ejim.2021.01.002.
  3. The Ironic Effects of Dietary Restraint in Situations That Undermine Self-Regulation.Hagerman CJ, Stock ML, Beekman JB, Yeung EW, Persky S. Eating Behaviors. 2021;43:101579. doi:10.1016/j.eatbeh.2021.101579.
  4. Gut Microbiota-Bile Acid Crosstalk Contributes to the Rebound Weight Gain After Calorie Restriction in Mice. Li M, Wang S, Li Y, et al. Nature Communications. 2022;13(1):2060. doi:10.1038/s41467-022-29589-7.

 

 

QUANDO USAR TESTOSTERONA DE MODO SEGURO E CIENTIFICAMENTE EMBASADO?

 

 

Dra Jacy M. Alves, MD Endocrinologista e Dr Daniel S. F. Boarim, MD Nutrólogo

 

Certamente, você conhece alguém que faz reposição hormonal com testosterona ou talvez você mesmo a utilize. Mas você tem ideia dos verdadeiros riscos/benefícios por trás dessa prescrição, que virou moda nos últimos anos? Principalmente entre os que buscam um corpo escultural e musculoso, a testosterona acena como um recurso “promissor”. Mas você sabe a que preço?  Vale a pena?

 

Quando é indicada a terapia de reposição com testosterona? (TRT)

 

A terapia de reposição de testosterona (TRT) envolve riscos importantes, e por isso deve ser utilizada de forma muito criteriosa e baseada em evidências, considerando as diretrizes das Sociedades Médicas e recomendações atuais.

A TRT tem poucas indicações cientificamente seguras e aceitas. A mais reconhecida é para homens com hipogonadismo devidamente confirmado, que é caracterizado por níveis baixos de testosterona associados a sintomas clínicos, como disfunção sexual, perda de massa muscular, fadiga e diminuição da densidade óssea. [1-3]

 

Onde mora o perigo?

 

Aqui mora o perigo. Digamos que os seus níveis de testosterona estejam na faixa da normalidade e algum prescritor afirme que, “suplementando” para trazê-los mais para cima, você se sentirá muito melhor. Mesmo que isso fosse comprovado, os grandes riscos (principalmente aumento da morbimortalidade cardiovascular) não compensariam os discutíveis “benefícios”.

Como vimos, o uso seguro da testosterona requer confirmação do diagnóstico de hipogonadismo, que deve ser feito por meio de duas medições matinais de testosterona total, que mostrem níveis efetivamente reduzidos. [2-3] Confirmado o diagnóstico, a TRT, desde que corretamente conduzida, pode ser benéfica para melhorar a função sexual, o desejo sexual e a densidade óssea em homens com hipogonadismo. [4-5]

No entanto, os benefícios em outras condições, como função cognitiva, humor e capacidade física, são menos claros, necessitando estudos adicionais. Não se justifica o uso de testosterona apenas para “melhorar” o humor, a massa muscular e o desempenho físico ou mental, como se vem apregoando, estando seus níveis normais, ou seja, não havendo um diagnóstico confirmado de hipogonadismo masculino. [4-5]

 

É indicada na infertilidade? Quando é contraindicada?

 

Se o problema é infertilidade masculina, bom pontuar que a TRT é, ao contrário, contraindicada, pois pode interromper a espermatogênese normal.[3] Além disso, envolve riscos no caso de homens com câncer de próstata não tratado ou câncer de mama, e em pacientes que tiveram infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral.[1][3] A segurança cardiovascular da TRT ainda é uma área de preocupação, e a FDA nos EUA alerta para aumento do risco de complicações cardiovasculares.[2][5]

 

E para mulheres?

 

Para mulheres, a única indicação baseada em evidências para a terapia com testosterona é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (HSDD), e deve ser administrada com cuidado para atingir concentrações fisiológicas pré-menopáusicas.[6]

Não há dados suficientes para apoiar o uso de testosterona para outros sintomas ou condições clínicas em mulheres.[6] A terapia deve ser cuidadosamente monitorada para garantir que os níveis de testosterona no sangue permaneçam dentro das concentrações fisiológicas pré-menopáusicas. .[6]

O transtorno do desejo sexual hipoativo (HSDD) é diagnosticada com base em critérios clínicos bem estabelecidos. O HSDD é caracterizado pela ausência persistente ou falta de desejo por atividade sexual, que está associada a um sofrimento pessoal significativo e/ou dificuldades interpessoais. É crucial que esses sintomas não possam ser mais bem explicados por outro transtorno primário, medicação ou condição médica geral. [7-8]

Para o diagnóstico, é importante realizar uma avaliação biopsicossocial abrangente, que considere fatores biológicos, psicológicos e socioculturais, além de influências interpessoais.[7][9] Ferramentas de triagem validadas, como o Decreased Sexual Desire Screener, podem ser úteis para identificar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada.[7][10]

O diagnóstico também deve distinguir entre HSDD generalizado adquirido e outras formas de interesse sexual reduzido. A avaliação clínica deve incluir uma história médica e sexual detalhada e, em alguns casos, um exame físico. [11-12] A presença de sofrimento pessoal é um critério essencial para o diagnóstico, conforme estabelecido pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).[11]

O HSDD é uma condição reconhecida e tratável, com opções de tratamento que incluem intervenções não farmacológicas, como terapia sexual e psicoterapia, além de tratamentos farmacológicos aprovados, como a flibanserina e o bremelanotida, ambos aprovados pela FDA para mulheres pré-menopáusicas nos Estados Unidos. [7-9]

Um estudo sistemático e meta-análise envolvendo sete ensaios clínicos randomizados com 3.035 participantes demonstrou que o uso de testosterona transdérmica em mulheres pós-menopáusicas resultou em melhorias significativas na função sexual em comparação com o placebo. No entanto, o tratamento foi associado a eventos adversos androgênicos, como acne e crescimento de pelos.[13]

A literatura também destaca que, embora a testosterona seja uma ferramenta terapêutica valiosa, ainda há uma falta de dados sobre a segurança a longo prazo, especialmente em relação ao risco cardiovascular e de câncer.[15] [16-17] Além disso, não há preparações de testosterona aprovadas especificamente para mulheres, o que leva ao uso off-label de formulações destinadas a homens, com ajustes de dose para evitar níveis supra fisiológicos de testosterona. [6-17]

As diretrizes de consenso global indicam que a única indicação baseada em evidências para a terapia com testosterona em mulheres é o tratamento do HSDD. Recomenda-se que a avaliação clínica completa seja realizada para identificar e tratar outros fatores contribuintes para a disfunção sexual antes de iniciar a terapia com testosterona.[6]

A terapia com testosterona pode ser considerada para mulheres pós-menopáusicas com HSDD, desde que outras causas tenham sido minuciosamente excluídas. No entanto, devido à falta de dados sobre a segurança a longo prazo, é crucial que seu uso seja cauteloso, com monitoramento cuidadoso dos níveis hormonais e possíveis efeitos adversos. Uma abordagem cuidadosa e individualizada é essencial para garantir o tratamento eficaz e seguro do HSDD.

 

Como monitorar a reposição de testosterona em homens?

 

A monitorização dos pacientes em TRT é crucial, incluindo a avaliação da resposta clínica e a medição de testosterona total, hematócrito e antígeno prostático específico (PSA). [1-2] A escolha da formulação de testosterona (transdérmica ou intramuscular) deve considerar a eficácia clínica, os custos e as preferências do paciente.[5]

 

Efeitos colaterais

 

Há efeitos secundários bem conhecidos do excesso de testosterona, como aumento de pelos e espinhas, aumento da próstata em homens e atrofia das mamas em mulheres, insônia,  alteração de humor, irritabilidade, edema (inchaço geral), cólicas pélvicas ou até mesmo um retorno da menstruação. Altos níveis de testosterona também podem elevar os níveis de estrogênio, já que uma parte da testosterona é convertida em estrogênio [18]

 

Resumindo

 

O modismo de prescrever testosterona indiscriminadamente é irresponsável e implica enorme perigo à saúde, e essa indicação deve ser seriamente considerada apenas em casos de hipogonadismo confirmado nos homens e o transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres, com uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios, e monitorização contínua para garantir a segurança e eficácia do tratamento.

É crucial que a decisão de iniciar a terapia com testosterona seja baseada em uma avaliação clínica completa e que os pacientes sejam informados sobre os potenciais riscos e benefícios do tratamento. Além disso, a segurança a longo prazo da terapia com testosterona, especialmente em mulheres, ainda não foi estabelecida.

 

Referências

  1. EMAS Position Statement: Testosterone Replacement Therapy in Older Men. Kanakis GA, Pofi R, Goulis DG, et al. Maturitas. 2023;178:107854. doi:10.1016/j.maturitas.2023.107854.
  2. Testosterone Therapy: Review of Clinical Applications. Petering RC, Brooks NA. American Family Physician. 2017;96(7):441-449.
  3. Evaluation and Management of Testosterone Deficiency: AUA Guideline. Mulhall JP, Trost LW, Brannigan RE, et al. The Journal of Urology. 2018;200(2):423-432. doi:10.1016/j.juro.2018.03.115.
  4. Testosterone Therapy: What We Have Learned From Trials. Corona G, Torres LO, Maggi M. The Journal of Sexual Medicine. 2020;17(3):447-460. doi:10.1016/j.jsxm.2019.11.270.
  5. Testosterone Treatment in Adult Men With Age-Related Low Testosterone: A Clinical Guideline From the American College of Physicians. Qaseem A, Horwitch CA, Vijan S, et al. Annals of Internal Medicine. 2020;172(2):126-133. doi:10.7326/M19-0882.
  6. Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women. Davis SR, Baber R, Panay N, et al. The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. 2019;104(10):4660-4666. doi:10.1210/jc.2019-01603.
  7. Female Hypoactive Sexual Desire Disorder: A Practical Guide to Causes, Clinical Diagnosis, and Treatment. Kingsberg SA, Simon JA. Journal of Women’s Health (2002). 2020;29(8):1101-1112. doi:10.1089/jwh.2019.7865.
  8. Hypoactive Sexual Desire Disorder in Women: Physiology, Assessment, Diagnosis, and Treatment. Pettigrew JA, Novick AM. Journal of Midwifery & Women’s Health. 2021;66(6):740-748. doi:10.1111/jmwh.13283.
  9. Hypoactive Sexual Desire Disorder: International Society for the Study of Women’s Sexual Health (ISSWSH) Expert Consensus Panel Review. Goldstein I, Kim NN, Clayton AH, et al. Mayo Clinic Proceedings. 2017;92(1):114-128. doi:10.1016/j.mayocp.2016.09.018.
  10. Instruments for Screening, Diagnosis, and Management of Patients With Generalized Acquired Hypoactive Sexual Desire Disorder. Derogatis LR, Revicki DA, Clayton AH. Journal of Women’s Health (2002). 2020;29(6):806-814. doi:10.1089/jwh.2019.7917.
  11. Female Sexual Dysfunction: Focus on Low Desire. Kingsberg SA, Woodard T. Obstetrics and Gynecology. 2015;125(2):477-486. doi:10.1097/AOG.0000000000000620.
  12. The International Society for the Study of Women’s Sexual Health Process of Care for Management of Hypoactive Sexual Desire Disorder in Women. Clayton AH, Goldstein I, Kim NN, et al. Mayo Clinic Proceedings. 2018;93(4):467-487. doi:10.1016/j.mayocp.2017.11.002.
  13. Efficacy and Safety of Transdermal Testosterone in Postmenopausal Women With Hypoactive Sexual Desire Disorder: A Systematic Review and Meta-Analysis. Achilli C, Pundir J, Ramanathan P, et al. Fertility and Sterility. 2017;107(2):475-482.e15. doi:10.1016/j.fertnstert.2016.10.028.
  14. Systemic Testosterone for the Treatment of Female Sexual Interest and Arousal Disorder (FSIAD) in the Postmenopause.
  15. Ribera Torres L, Anglès-Acedo S, López Chardi L, Mension Coll E, Castelo-Branco C. Gynecological Endocrinology: The Official Journal of the International Society of Gynecological Endocrinology. 2024;40(1):2364220. doi:10.1080/09513590.2024.2364220.
  16. Androgen Therapy in Women.Vegunta S, Kling JM, Kapoor E. Journal of Women’s Health (2002). 2020;29(1):57-64. doi:10.1089/jwh.2018.7494.
  17. Risks of Testosterone for Postmenopausal Women. Pinkerton JV, Blackman I, Conner EA, Kaunitz AM. Endocrinology and Metabolism Clinics of North America. 2021;50(1):139-150. doi:10.1016/j.ecl.2020.10.007.
  18. Information on Testosterone Hormone Therapy, University of California, San Francisco, July 2020.

 

ENGLISH

 

WHEN TO USE TESTOSTERONE IN A SAFE AND SCIENTIFICALLY SUPPORTED WAY?

Dr. Jacy M. Alves MD, Dr Daniel S F Boarim MD

 

You certainly know someone who uses testosterone replacement therapy or perhaps you use it yourself. But do you have any idea of ​​the real risks/benefits behind this prescription, which has become fashionable in recent years? Especially among those seeking a sculpted and muscular body, testosterone beckons as a “promising” resource. But do you know the price? Is it worth it?

 

When is testosterone replacement therapy indicated? (TRT)

Testosterone replacement therapy (TRT) involves significant risks, and therefore must be used very carefully and based on evidence, considering the guidelines of Medical Societies and current recommendations.

TRT has few scientifically safe and accepted indications. The most recognized is for men with duly confirmed hypogonadism, which is characterized by low testosterone levels associated with clinical symptoms, such as sexual dysfunction, loss of muscle mass, fatigue and decreased bone density. [1-3]

 

Where does the danger lie?

 

Here lies the danger. Let’s say your testosterone levels are in the normal range and some prescriber claims that by “supplementing” to raise them further, you will feel much better. Even if this were proven, the great risks (mainly increased cardiovascular morbidity and mortality) would not compensate for the debatable “benefits”.

As we have seen, the safe use of testosterone requires confirmation of the diagnosis of hypogonadism, which should be done through two morning measurements of total testosterone, which show effectively reduced levels. [2-3] Once the diagnosis is confirmed, TRT, as long as it is correctly administered, can be beneficial in improving sexual function, sexual desire and bone density in men with hypogonadism. [4-5]

However, the benefits in other conditions, such as cognitive function, mood and physical capacity, are less clear and require additional studies. There is no justification for using testosterone just to “improve” mood, muscle mass and physical or mental performance, as has been claimed, if its levels are normal, that is, there is no confirmed diagnosis of male hypogonadism. [4-5]

Is it indicated for infertility? When is it contraindicated?

If the problem is male infertility, it is worth noting that TRT is, on the contrary, contraindicated, as it can interrupt normal spermatogenesis.[3] In addition, it involves risks in the case of men with untreated prostate cancer or breast cancer, and in patients who have had a myocardial infarction or stroke.[1][3] The cardiovascular safety of TRT is still an area of ​​concern, and the FDA in the US warns of an increased risk of cardiovascular complications.[2][5]

 

What about women?

 

For women, the only evidence-based indication for testosterone therapy is the treatment of hypoactive sexual desire disorder (HSDD), and it should be administered with caution to achieve premenopausal physiologic concentrations.[6]

There are insufficient data to support the use of testosterone for other symptoms or medical conditions in women.[6] Therapy should be carefully monitored to ensure that blood testosterone levels remain within premenopausal physiologic concentrations. .[6]

Hypoactive sexual desire disorder (HSDD) is diagnosed based on well-established clinical criteria. HSDD is characterized by the persistent or recurrent absence of sexual thoughts or fantasies and/or lack of desire for sexual activity, which is associated with significant personal distress and/or interpersonal difficulties. It is crucial that these symptoms cannot be better accounted for by another underlying disorder, medication, or general medical condition. [7-8]

A comprehensive biopsychosocial assessment that considers biological, psychological, and sociocultural factors, as well as interpersonal influences, is important for diagnosis.[7][9] Validated screening tools, such as the Decreased Sexual Desire Screener, may be helpful in identifying the need for further evaluation.[7][10]

Diagnosis should also distinguish between acquired generalized HSDD and other forms of decreased sexual interest. Clinical evaluation should include a detailed medical and sexual history and, in some cases, a physical examination.[11-12] The presence of personal distress is an essential criterion for diagnosis, as established by the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5).[11]

HSDD is a recognized and treatable condition, with treatment options that include nonpharmacologic interventions such as sex therapy and psychotherapy, as well as approved pharmacologic treatments such as flibanserin and bremelanotide, both of which are FDA-approved for premenopausal women in the United States. [7–9]

A systematic review and meta-analysis involving seven randomized controlled trials with 3,035 participants demonstrated that the use of transdermal testosterone in postmenopausal women resulted in significant improvements in sexual function compared to placebo. However, the treatment was associated with androgenic adverse events, such as acne and hair growth.[13]

The literature also highlights that although testosterone is a valuable therapeutic tool, there is still a lack of data on long-term safety, especially regarding cardiovascular and cancer risk.[15] [16-17] In addition, there are no testosterone preparations specifically approved for women, which leads to off-label use of formulations intended for men, with dose adjustments to avoid supraphysiological testosterone levels.[6-17]

Global consensus guidelines indicate that the only evidence-based indication for testosterone therapy in women is the treatment of HSDD. It is recommended that a thorough clinical evaluation be performed to identify and address other contributing factors to sexual dysfunction prior to initiating testosterone therapy.[6]

Testosterone therapy may be considered for postmenopausal women with HSDD, provided that other causes have been thoroughly excluded. However, due to the lack of data on long-term safety, it is crucial that its use be cautious, with careful monitoring of hormone levels and potential adverse effects. A careful and individualized approach is essential to ensure effective and safe treatment of HSDD.

How to monitor testosterone replacement therapy in men?

 

Monitoring of patients on TRT is crucial, including assessment of clinical response and measurement of total testosterone, hematocrit, and prostate-specific antigen (PSA).[1-2] The choice of testosterone formulation (transdermal or intramuscular) should consider clinical efficacy, cost, and patient preferences.[5]

 

In summary

 

The trend of prescribing testosterone indiscriminately is irresponsible and poses enormous health risks, and this indication should be seriously considered only in cases of confirmed hypogonadism in men and hypoactive sexual desire disorder in women, with a careful assessment of the risks and benefits, and ongoing monitoring to ensure the safety and efficacy of the treatment.

It is crucial that the decision to initiate testosterone therapy be based on a thorough clinical evaluation and that patients are informed of the potential risks and benefits of treatment. Furthermore, the long-term safety of testosterone therapy, especially in women, has not yet been established.

 

References

  1. EMAS Position Statement: Testosterone Replacement Therapy in Older Men. Kanakis GA, Pofi R, Goulis DG, et al. Maturitas. 2023;178:107854. doi:10.1016/j.maturitas.2023.107854.
  2. Testosterone Therapy: Review of Clinical Applications. Petering RC, Brooks NA. American Family Physician. 2017;96(7):441-449.
  3. Evaluation and Management of Testosterone Deficiency: AUA Guideline. Mulhall JP, Trost LW, Brannigan RE, et al. The Journal of Urology. 2018;200(2):423-432. doi:10.1016/j.juro.2018.03.115.
  4. Testosterone Therapy: What We Have Learned From Trials. Corona G, Torres LO, Maggi M. The Journal of Sexual Medicine. 2020;17(3):447-460. doi:10.1016/j.jsxm.2019.11.270.
  5. Testosterone Treatment in Adult Men With Age-Related Low Testosterone: A Clinical Guideline From the American College of Physicians. Qaseem A, Horwitch CA, Vijan S, et al. Annals of Internal Medicine. 2020;172(2):126-133. doi:10.7326/M19-0882.
  6. Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women. Davis SR, Baber R, Panay N, et al. The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. 2019;104(10):4660-4666. doi:10.1210/jc.2019-01603.
  7. Female Hypoactive Sexual Desire Disorder: A Practical Guide to Causes, Clinical Diagnosis, and Treatment. Kingsberg SA, Simon JA. Journal of Women’s Health (2002). 2020;29(8):1101-1112. doi:10.1089/jwh.2019.7865.
  8. Hypoactive Sexual Desire Disorder in Women: Physiology, Assessment, Diagnosis, and Treatment. Pettigrew JA, Novick AM. Journal of Midwifery & Women’s Health. 2021;66(6):740-748. doi:10.1111/jmwh.13283.
  9. Hypoactive Sexual Desire Disorder: International Society for the Study of Women’s Sexual Health (ISSWSH) Expert Consensus Panel Review. Goldstein I, Kim NN, Clayton AH, et al. Mayo Clinic Proceedings. 2017;92(1):114-128. doi:10.1016/j.mayocp.2016.09.018.
  10. Instruments for Screening, Diagnosis, and Management of Patients With Generalized Acquired Hypoactive Sexual Desire Disorder. Derogatis LR, Revicki DA, Clayton AH. Journal of Women’s Health (2002). 2020;29(6):806-814. doi:10.1089/jwh.2019.7917.
  11. Female Sexual Dysfunction: Focus on Low Desire. Kingsberg SA, Woodard T. Obstetrics and Gynecology. 2015;125(2):477-486. doi:10.1097/AOG.0000000000000620.
  12. The International Society for the Study of Women’s Sexual Health Process of Care for Management of Hypoactive Sexual Desire Disorder in Women. Clayton AH, Goldstein I, Kim NN, et al. Mayo Clinic Proceedings. 2018;93(4):467-487. doi:10.1016/j.mayocp.2017.11.002.
  13. Efficacy and Safety of Transdermal Testosterone in Postmenopausal Women With Hypoactive Sexual Desire Disorder: A Systematic Review and Meta-Analysis. Achilli C, Pundir J, Ramanathan P, et al. Fertility and Sterility. 2017;107(2):475-482.e15. doi:10.1016/j.fertnstert.2016.10.028.
  14. Systemic Testosterone for the Treatment of Female Sexual Interest and Arousal Disorder (FSIAD) in the Postmenopause.
  15. Ribera Torres L, Anglès-Acedo S, López Chardi L, Mension Coll E, Castelo-Branco C. Gynecological Endocrinology: The Official Journal of the International Society of Gynecological Endocrinology. 2024;40(1):2364220. doi:10.1080/09513590.2024.2364220.
  16. Androgen Therapy in Women.Vegunta S, Kling JM, Kapoor E. Journal of Women’s Health (2002). 2020;29(1):57-64. doi:10.1089/jwh.2018.7494.
  17. Risks of Testosterone for Postmenopausal Women.Pinkerton JV, Blackman I, Conner EA, Kaunitz AM. Endocrinology and Metabolism Clinics of North America. 2021;50(1):139-150. doi:10.1016/j.ecl.2020.10.007.

 

 

 

 

SÓ PARA QUEM QUER VIVER MAIS E MELHOR

 

Marcielle Pereira, Nutricionista da Lapinha e Dr Daniel S. F. Boarim, Diretor Médico da Lapinha

Juntamos aqui, em poucas páginas, dicas das melhores sociedades médicas internacionais para uma vida mais longa e saudável. Também muito do que dizemos aqui, sobre os três níveis de autocuidado, vem do saber Lapinha, acumulado ao longo de mais de meio século. Saboreie, internalize e aplique!

 

CUIDADO DA ALIMENTAÇÃO

– Procure incluir boa variedade de alimentos na sua rotina. Ter sempre cinco cores diferentes no prato garante melhor nutrição e deixa a alimentação menos monótona.

– Cuide com os excessos, não tenha mais do que duas refeições ‘livres’ durante a semana.

-Os okinawenses (Japão) têm o costume dizer Hara hachi bu me (腹八分目/はらはちぶんめ), antes das refeições, um ensino confucionista que os lembra de não comer mais que 80%. Na prática, significa sempre sair da mesa com “um pouco de fome”, mas não faminto. Para mais detalhes leia nossa interessante matéria sobre as blue zones: https://bibliotecadeconhecimento.lapinha.com.br/segredos-dos-povos-mais-longevos-do-mundo/

– Coma devagar e mastigue muito bem cada bocado. Leve pelo menos 20 a 30 minutos para fazer as refeições irá garantir mais saciedade e menos desconforto digestivo.

– Mantenha uma boa hidratação: o ideal é fazer um cálculo de 30 a 35 ml x o peso corporal, e distribuir essa ingestão ao longo do dia, tomando menos líquido à noite. Quando o clima é quente e seco, a ingesta de água merece ainda mais atenção.

– Faça um planejamento das refeições: organize o menu da semana, a lista de compras e até elabore algumas preparações saudáveis e de rápido preparo para manter no freezer.  Isso irá facilitar sua rotina, diminuindo as chances de ‘sair do planejado’.

– Evite dietas muito restritas, exageradamente hipocalóricas! Procure fazer um acompanhamento nutricional sério para garantir o equilíbrio das suas refeições. Comer muito pouco por muito tempo, além de desnutrir, pode despertar o monstro da compulsão, tendo o efeito exatamente oposto – leva ao reganho de peso e maior engorda. Por isso, siga a orientação de uma nutricionista de orientação sensata. A Lapinha oferece um serviço de qualidade nessa área.

– A proteína é essencial à manutenção da massa muscular e equilíbrio nutricional. Porém, é crítico esclarecer que há muitas dietas da moda “para emagrecer” à base de proteínas, também chamadas “low carb”. Cuidado com essas dietas, que, embora levem a alguma perda de peso, são altamente pró-inflamatórias, estragando a microbiota do intestino e mostrando-se totalmente inadequadas! Não há base científica para recomendar tais dietas com elevados teores de proteína, muito acima do recomendado e necessário.  O equilíbrio é a chave da saúde. Para mais detalhes leia https://bibliotecadeconhecimento.lapinha.com.br/dieta-da-proteina-ajuda-a-emagrecer-ou-a-inflamar/

– Escolha “carboidratos do bem” para consumir no seu dia-a-dia: raízes como batata-doce, aipim, inhame, cereais integrais como aveia, arroz integral, quinoa, frutas e legumes – estas são as melhores fontes de carboidrato, proporcionando saciedade, energia e sensação de bem-estar. Consumir carboidratos refinados como guloseimas, refrigerantes e farinhas brancas fará com que aflore o desejo por açúcar e doces, roubando sua disposição e levando a ganho de peso.

– Se apesar da rotina saudável você comete um deslize ocasional, isso não significa que você ‘colocou tudo a perder’. Siga em frente com as melhores escolhas, na próxima refeição ou no dia seguinte.

– Suplementos podem ser úteis quando há deficiências e necessidades detectáveis, clínica e/ou laboratorialmente. Porém, há hoje uma tendência, pautada às vezes por modismo e mercenarismo, de prescrever suplementos demais, o que está longe do saudável. Infelizmente, essas práticas nada recomendáveis se ocultam às vezes sob as propostas da “medicina do estilo de vida”, “medicina integrativa” e até “nutrologia”, na verdade boas em sua essência.

 

CUIDADO DO CORPO

– Equilibre exercícios aeróbicos, musculação e alongamento. Assim como na dieta é necessário balanceamento, um exercício desequilibrado pode favorecer a ocorrência de lesões e não garante o melhor resultado.

– Busque sempre orientação e liberação médica para as atividades físicas, especialmente se você tem alguma condição patológica de fundo cardio-respiratório, metabólico ou ortopédico.

– Procure também uma orientação de um professor de educação física, e caso haja alguma limitação ortopédica, inclua um fisioterapeuta entre seus orientadores.

– Em geral se recomendam 30 minutos de exercícios planejados e orientados 5x por semana, e para emagrecer uma hora 5x por semana. Mas, veja bem, se você ainda não conseguiu atingir essa meta cientificamente estabelecida, saiba que sair do sedentarismo e começar com 2, 3 ou 4x por semana, desde que você tenha conte com boa orientação, já é um bom começo! Procure evoluir, avançar!

– Cuide do seu sono, mantenha uma rotina mais tranquila no final do dia e procure jantar algo leve, preferencialmente três horas antes de dormir. Isso garantirá um sono mais tranquilo e restaurador.

– O sono, aliás, é o mais importante regulador do biorritmo e participa da homeostase do corpo e da mente. Sono ruim aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e até obesidade!

– Não postergue seu check up médico! Siga a periodicidade recomendada por seu médico e não negligencie os exames preventivos, como mamografia, US mamário, exames de próstata, screening laboratorial, etc.

– Preste atenção na saúde da sua coluna vertebral! Sente-se e caminhe ereto, corrija sua postura.

– Manter o peso saudável, com boa composição corporal (massa magra x massa gorda) é, por unanimidade, essencial à qualidade de vida. Emagrecer requer, todo mundo sabe, atenção plena ao binômio alimentação-exercícios. Mas há um terceiro fator, sem o qual não se consegue sustentar qualquer avanço ou conquista: estamos falando de estratégias comportamentais, que implicam uma virada pra valer na “chavinha mental”. Conheça nosso programa “Emagreça e continue magro”, baseado no consagrado protocolo do Intensive Lifestyle Intervention. Idealmente, entre contato conosco semanas ou meses antes de vir, para já ir se preparando! O resultado é bem melhor assim, e vai requerer também acompanhamento de longo prazo!

– A abstinência de vícios, drogas ilícitas, álcool e fumo, é reconhecidamente condição para desfrutar boa qualidade de vida. Embora a Lapinha NÃO trate dependências químicas como drogadição nem alcoolismo, tratamos sim o tabagismo, DESDE que não haja outras dependências sobrepostas. Importante entrar em contato conosco pelo menos um mês antes, para fazer uma consulta com o médico responsável pelo programa e começar o tratamento antes de vir – esse é o protocolo baseado no melhor resultado! Entender, nesses casos, que você precisa de ajuda, é o primeiro passo rumo à superação!

– O jejum intermitente é uma prática saudável para o corpo e a mente, desde que adotado de forma sensata. Cuidado! As mídias vêm vandalizando esse assunto. Para informações sérias, com embasamento científico leia: https://bibliotecadeconhecimento.lapinha.com.br/jejum-intermitente-beneficios-e-insanidades/

 

CUIDADO DA MENTE

– Vivemos o tempo todo sob intenso bombardeio de estressores. A prevalência atual de transtornos emocionais e mentais é algo sem precedentes na história médica. Pecamos por dedicar pouco tempo à saúde, ao descanso mental e ao equilíbrio espiritual. Aliás, a maioria de nós só se preocupa com saúde quando cai doente! Aqui mora uma das principais causas de sofrimento tanto do corpo como da mente, que funcionam como uma unidade inseparável!

– O que pode nos ajudar a lidar com tantos estressores e alcançar equilíbrio emocional? Tudo o que listamos anteriormente, dentro do cuidado da alimentação e do corpo, são meios de fortalecer a unidade corpo-mente, nossa resistência e resiliência. Exercícios, alimentação saudável, e práticas de gestão do estresse merecem o primeiro lugar na nossa agenda. Lembre-se do óbvio negligenciado: Sem saúde, sem os cuidados que a saúde pede, nossa produtividade e alegria de viver caem drasticamente. Não compensa colocar tudo isso em segundo ou terceiro plano!

– Respirar fisiologicamente, separando pelo menos dois momentos no dia para praticar exercícios respiratórios, é uma das dicas mais simples e eficazes para enfrentamento do estresse! A respiração correta é essencial à boa oxigenação e nutrição do corpo e da mente. Ajuda a conter a ansiedade, mantendo-nos mais calmos, além de promover boa digestão e homeostase metabólica.

– Vale reforçar aqui o papel de destaque do sono na manutenção e recuperação da saúde integral! A maioria das pessoas dorme mal por questões perfeitamente corrigíveis. A higiene do sono é, nesse caso, um dos primeiros passos para as pazes com a saúde. A Lapinha oferece um programa muito bem desenhado, denominado “BEM DORMIR LAPINHA”. Entre em contato conosco pelo menos um mês antes de vir, para você receber orientações e, ao ingressar no programa, ser atendido por nossa médica especialista em medicina do sono e já começar o tratamento. Fazendo assim, os resultados são bem melhores. É um tratamento de longo prazo!

– Religiosidade e fé no Ser Superior, funcionam comprovadamente como poderosas blindagens anti-estresse. Pesquisas revelam que pessoas religiosas vivem mais e melhor.

– Práticas regulares de gestão do estresse, além da respiração, como massoterapia e acupuntura, podem fazer a diferença.

– Não hesite – e isso é muitas vezes indispensável – em procurar ajuda de um psicoterapeuta e de um psiquiatra, profissionais da saúde mental.

 

ENGLISH

 

ONLY FOR THOSE WHO WANT TO LIVE LONGER AND BETTER

 

Marcielle Pereira, Nutritionist at Lapinha and Dr. Daniel S. F. Boarim, Medical Director at Lapinha

 

Here, in just a few pages, we have gathered tips from the best international medical societies for a longer and healthier life. Much of what we say here about the three levels of self-care also comes from Lapinha’s knowledge, accumulated over more than half a century. Savor it, internalize it and apply it!

 

FOOD CARE

– Try to include a good variety of foods in your routine. Always having five different colors on your plate ensures better nutrition and makes your diet less monotonous.

– Be careful not to overindulge, don’t have more than two ‘free’ meals during the week.

-Okinawa residents (Japan) have the custom of saying Hara hachi bu me (腹八分目/はらはちぶんめ) before meals, a Confucian teaching that reminds them not to eat more than 80%. In practice, this means always leaving the table feeling “a little hungry”, but not famished. For more details, read our interesting article on blue zones: https://bibliotecadeconhecimento.lapinha.com.br/segredos-dos-povos-mais-longevos-do-mundo/

– Eat slowly and chew each mouthful very well. Taking at least 20 to 30 minutes to eat your meals will ensure greater satiety and less digestive discomfort.

– Stay well hydrated: the ideal is to calculate 30 to 35 ml x body weight, and distribute this intake throughout the day, drinking less liquid at night. When the weather is hot and dry, water intake deserves even more attention.

– Plan your meals: organize the menu for the week, the shopping list and even prepare some healthy and quick-to-prepare meals to keep in the freezer. This will make your routine easier, reducing the chances of ‘going off plan’.

– Avoid very restrictive, excessively low-calorie diets! Try to get serious nutritional monitoring to ensure that your meals are balanced. Eating too little for too long, in addition to causing malnutrition, can awaken the binge-eating monster, having exactly the opposite effect – it leads to weight regain and greater fat gain. Therefore, follow the advice of a sensible nutritionist. Lapinha offers a quality service in this area.

– Protein is essential for maintaining muscle mass and nutritional balance. However, it is important to clarify that there are many fad “weight loss” diets based on proteins, also called “low carb”. Be careful with these diets, which, although they lead to some weight loss, are highly pro-inflammatory, damaging the intestinal microbiota and proving to be totally inadequate! There is no scientific basis for recommending such diets with high protein levels, far above what is recommended and necessary. Balance is the key to health. For more details, read https://bibliotecadeconhecimento.lapinha.com.br/dieta-da-proteina-ajuda-a-emagrecer-ou-a-inflamar/

– Choose “good carbohydrates” to consume in your daily life: roots such as sweet potatoes, cassava, yams, whole grains such as oats, brown rice, quinoa, fruits and vegetables – these are the best sources of carbohydrates, providing satiety, energy and a feeling of well-being. Consuming refined carbohydrates such as sweets, soft drinks and white flour will cause you to crave sugar and sweets, robbing you of energy and leading to weight gain.

– If, despite a healthy routine, you make an occasional slip-up, this does not mean that you have ‘blown everything away’. Move on with the best choices, at your next meal or the following day.

– Supplements can be useful when there are deficiencies and needs that can be detected clinically and/or in the laboratory. However, there is a tendency today, sometimes driven by fads and merchandising, to prescribe too many supplements, which is far from healthy. Unfortunately, these not very recommendable practices are sometimes hidden under the proposals of “lifestyle medicine”, “integrative medicine” and even “nutriology”, which are actually good in their essence.

 

BODY CARE

– Balance aerobic exercises, weight training and stretching. Just as with diet, balance is necessary, unbalanced exercise can lead to injuries and does not guarantee the best results.

– Always seek medical guidance and approval for physical activities, especially if you have any underlying cardio-respiratory, metabolic or orthopedic conditions.

– Also seek guidance from a physical education teacher, and if you have any orthopedic limitations, include a physiotherapist among your advisors.

– In general, 30 minutes of planned and guided exercises are recommended 5 times a week, and for weight loss, one hour is recommended 5 times a week. But, remember, if you have not yet managed to reach this scientifically established goal, know that leaving a sedentary lifestyle and starting with 2, 3 or 4 times a week, as long as you have good guidance, is already a good start! Try to evolve, move forward!

– Take care of your sleep, maintain a calmer routine at the end of the day and try to have a light dinner, preferably three hours before going to bed. This will ensure a more restful and restorative sleep.

– Sleep, in fact, is the most important regulator of biorhythms and participates in the homeostasis of the body and mind. Poor sleep increases the risk of cardiovascular diseases, diabetes and even obesity!

– Don’t postpone your medical check-up! Follow the frequency recommended by your doctor and do not neglect preventive exams, such as mammograms, breast ultrasounds, prostate exams, laboratory screenings, etc.

– Pay attention to the health of your spine! Sit and walk upright, correct your posture.

– Maintaining a healthy weight, with good body composition (lean mass x fat mass) is, unanimously, essential to quality of life. Losing weight requires, as everyone knows, full attention to the diet-exercise binomial. But there is a third factor, without which no progress or achievement can be sustained: we are talking about behavioral strategies, which imply a real change in the “mental switch”. Learn about our “Lose weight and stay thin” program, based on the renowned Intensive Lifestyle Intervention protocol. Ideally, contact us weeks or months before coming, so that you can start preparing yourself! The results are much better this way, and it will also require long-term monitoring!

– Abstinence from addictions, illicit drugs, alcohol and tobacco, is a recognized condition for enjoying a good quality of life. Although Lapinha does NOT treat chemical dependencies such as drug addiction or alcoholism, we do treat smoking, AS LONG AS there are no other overlapping dependencies. It is important to contact us at least a month in advance, to make an appointment with the doctor responsible for the program and begin treatment before coming – this is the protocol based on the best results! Understanding, in these cases, that you need help is the first step towards overcoming!

– Intermittent fasting is a healthy practice for the body and mind, as long as it is adopted sensibly. Be careful! The media has been vandalizing this subject. For serious information, with scientific basis, read: https://bibliotecadeconhecimento.lapinha.com.br/jejum-intermitente-beneficios-e-insanidades/

 

MENTAL CARE

 

– We live under an intense bombardment of stressors all the time. The current prevalence of emotional and mental disorders is unprecedented in medical history. We are guilty of dedicating little time to our health, mental rest and spiritual balance. In fact, most of us only worry about our health when we get sick! This is one of the main causes of suffering in both the body and the mind, which function as an inseparable unit!

– What can help us deal with so many stressors and achieve emotional balance? Everything we listed above, within the scope of food and body care, are ways to strengthen the body-mind unity, our resistance and resilience. Exercise, healthy eating and stress management practices deserve to be at the top of our agenda. Remember the obvious: Without health, without the care that health requires, our productivity and joy of life drop drastically. It is not worth putting all of this on the back burner!

– Breathing physiologically, setting aside at least two moments a day to practice breathing exercises, is one of the simplest and most effective tips for dealing with stress! Proper breathing is essential for good oxygenation and nutrition of the body and mind. It helps to control anxiety, keeping us calmer, in addition to promoting good digestion and metabolic homeostasis.

– It is worth emphasizing here the important role of sleep in maintaining and recovering overall health! Most people sleep poorly for perfectly correctable reasons. Sleep hygiene is, in this case, one of the first steps towards peace with your health. Lapinha offers a very well-designed program, called “BEM SORMIR LAPINHA”. Contact us at least one month before coming, so that you can receive guidance and, upon joining the program, be seen by our doctor specializing in sleep medicine and start treatment right away. Doing so, the results are much better. It is a long-term treatment!

– Religiosity and faith in the Higher Being have proven to work as powerful anti-stress shields. Research shows that religious people live longer and better.

– Regular stress management practices, in addition to breathing, such as massage therapy and acupuncture, can make a difference.

– Do not hesitate – and this is often essential – to seek help from a psychotherapist and a psychiatrist, mental health professionals.

A MAYR KUR E O JEJUM INTERMITENTE

 

Dr. Daniel S. F. Boarim, MD

Lapinha SPA, Lapa, PR Brazil

 

Quando os seres humanos viviam em ambientes em que a comida era relativamente escassa, seu organismo aperfeiçoou mecanismos metabólicos que deveriam funcionar com o máximo de eficiência. Por isso desenvolvemos um genótipo poupador. Poupador e estocador de energia para os tempos de escassez, sazonais nos tempos primitivos.

Hoje, no mundo industrializado, há comida demais o tempo todo, com excedente de calorias. Por isso nosso ambiente tornou-se intensamente obesogênico. Pior que isso, o padrão alimentar ocidental é, reconhecidamente, um caldo de cultura ideal para a quase totalidade das doenças crônicas.

Em geral comemos demais, em várias refeições. Comemos errado e com frequência exagerada. Virou até tradição ensinar que precisamos comer de três em três horas, até 6 refeições ao dia, ensinamento que, embora tenha se tornado tradicional até nos meios acadêmicos, carece de base científica!

A MAYR PREVENT preconiza um período de repouso metabólico caracterizado por jejum assistido sem desnutrição, catarse intestinal monitorada e reeducação do estilo de vida, o que na prática clínica vem contribuindo de modo animador para mudanças sustentáveis, como reordenamento alimentar, que envolve aspectos quantitativos, qualitativos, modais e fracionais. Em outras palavras, a MAYR PREVENT vem contribuindo para melhora geral da saúde e prevenção de doenças que envolvem fatores modificáveis do estilo de vida. E isso representa a maior parte das doenças que hoje superlotam nossos hospitais. Certamente, um benefício considerável para a nossa qualidade de vida, e que mereceria mais atenção dos pesquisadores e médicos.

Outro aspecto a pontuar aqui é a relação entre o jejum fisiológico cíclico e a microbiota do intestino, cujo equilíbrio previne a inflamação crônica de baixo grau, fortemente associada às doenças crônicas. Essa é, sem dúvida, mais um componente dessa complexa equação que ajuda a explicar, com sólida base científica, os notáveis benefícios clínicos obtidos pela MAYR PREVENT. Em outra publicação, pretendemos abordar especificamente o badalado tema da microbiota do intestino (Matias Perez D. et al, 2022).

 

O jejum intermitente desafia o metabolismo e aumenta nossa resistência a doenças

Quando mudamos nosso hábito, diminuímos as calorias e adotamos um programa sensato de jejum intermitente fisiológico, sem desnutrição, que ajuda a regular os ciclos alimentação-jejum e sono-vigília, colocando nosso metabolismo de novo “nos eixos”, finalmente desafiando mente e corpo a voltarem ao peso normal e à saúde ideal. E isso é feito com louvor pela MAYR PREVENT.

Explicando melhor, todos os organismos, inclusive o nosso, estão programados para desenvolver meios de autopreservação, tanto mentais como corporais, que funcionem cada vez com mais eficiência. E o jejum é um desafio que, de acordo com as pesquisas, parece aperfeiçoar esses meios de autopreservação.

Podemos afirmar hoje, a partir de numerosos estudos, que o jejum intermintente desafia o cérebro e os vários sistemas de controle nutroneurometabólicos, que respondem adaptativamente às condições “adversas” (o nome técnico disso é HORMESE), melhorando as habilidades do indivíduo e otimizando o desempenho de suas funções, o que aumenta a resiliência ao estresse e às doenças (Mattson et al., 2017).

 

MAYR PREVENT – um programa assistido de jejum intermitente

A MAYR PREVENT é, sem dúvida, um tipo de jejum intermitente, pois não só diminui as calorias totais por um período de 2 a 3 semanas, mas também as variedades de alimento nas refeições, e diminui o período de alimentação diurna, com jejum entre a primeira e última refeção que pode ir de 14 a 16 horas, conforme o plano alimentar. E é exatamente essa a práxis do jejum intermitente (Mattson et al., 2017).

Por falar em 3 semanas de jejum intermitente, estudos revelaram que esse período intensivo de três a quatro semanas parecia adequado, em modelos experimentais, para otimizar os marcadores metabólicos de saúde, ao passo que períodos muito longos podem ser deletérios (Cerqueira et al., 2011). Interessantemente, o Dr Mayr recomendava a princípio períodos de 3 semanas de dieta, que hoje sabemos ser adequado inclusive para propiciar mudanças sustentáveis no microbioma intestinal.

Estudos recentes também pontuam que, a mudança do microbioma intestinal é uma das principais bases do benefício sistêmico do jejum intermitente em muitas doenças, como a esclerose múltipla (Cignarella F et al, 2018).

A moral da história é que, prolongar o jejum por tempo excessivo, ou não dar tempo suficiente para a natureza agir através das suas vias de sinalização metabólica, resultam em resultados falhos. E excesso de restrição para pessoas idosas e debilitadas, pode gerar desnutrição e sintomas de má adaptação, além de favorecer perda de massa muscular.

Quando, porém, adequadamente indicado e conduzido, o jejum intermitente conta com numerosos estudos científicos que apóiam seus benefícios.

A Mayr Kur é, documentadamente, uma das modalidades de jejum intermitente mais praticadas e aprimoradas na atualidade, contando com numerosas clínicas médicas na Europa e outras partes do mundo (no Brasil, a Lapinha) que o aplicam com criterioso acompanhamento médico, e individualização de conduta.

 

Quais os benefícios do jejum intermitente?

Nos estudos científicos, os diferentes tipos de jejum intermitente apresentaram efeitos benéficos sobre vários indicadores de saúde em animais experimentais, e também em humanos (Anton SD et al., 2018).

Foram documentados benefícios significativos em doenças relacionadas com a idade, como diabetes, males cardiovasculares, hipertensão arterial, Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, obesidade, entre muitas outras patologias (Mattson et al, 2017, Jeong JH et al 2018, Mc Carty MF, 2015).

Entre os indicadores fisiológicos de saúde que apresentam nítida melhora como resultado do jejum intermitente, tanto em modelos  animais como em humanos, podemos destacar:

  1. Os níveis de insulina e leptina diminuem, e isso acontece paralelamente ao aumento da sensibilidade a ambos os hormônios;
  2. A gordura corporal diminui;
  3. Os níveis de cetona aumentam;
  4. A freqüência cardíaca e a pressão arterial de repouso diminuem, e a variabilidade da freqüência cardíaca aumenta (resultante do aumento do tonus parassimpático), que é um indicador de saúde cardiovascular;
  5. A inflamação sistêmica diminui, provavelmente via mudança da microbiota intestinal para um padrão mais simbiôntico;
  6. O cérebro e o coração ficam mais resistentes ao estresse (por exemplo, verificou-se uma redução do dano tecidual e uma melhoria do resultado funcional após acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio);
  7. Maior resistência ao diabetes;
  8. O início e a progressão da disfunção e degeneração neuronal em modelos animais são retardados, o que melhora o prognóstico das doenças de Alzheimer, Parkinson e Huntington nesses modelos experimentais.

Hoje há vários estudos estão começando a desvendar os mecanismos celulares e moleculares pelos quais o jejum aumenta a resistência das células, tecidos e órgãos ao estresse e às doenças comuns, associadas ao envelhecimento e a estilos de vida sedentários e exagerados.

Os resultados de estudos em humanos, nos quais vários indicadores de saúde são medidos no início e após o jejum, sugerem que o jejum intermitente pode proteger contra a síndrome metabólica e os vários distúrbios associados, incluindo diabetes e doença cardiovascular.

Estudos sobre o pacientes com câncer (Safdie et al., 2009) e esclerose múltipla (Choi et al., 2016) produziram resultados muito promissores. Tudo isso constitui forte razão para avançar com testes clínicos mais amplos em pacientes com desordens relacionadas a cronicidade e à obesidade.

 

Qual é o mecanismo pelo qual o jejum intermitente melhora a saúde e combate a doença?

Os estudos científicos estão revelando mais e mais rotas ativadas e/ou inibidas pelo jejum, que ajudam a entender o porquê dos benefícios. De modo simplificado, são ativadas numerosas vias de sinalização adaptativas de resposta ao estresse celular, que levam a três resultados finais:

  1. Aumentam a capacidade mitocondrial de produzir energia,
  2. Reparam o DNA e
  3. Promovem a autofagia (que leva à renovação da célula, em vez de sua morte por apoptose).

O jejum intermitente também promove a regeneração de células tronco e produz efeitos metabólicos de longa duração, além de notáveis ações neuroprotetoras (Mattson et al, 2018).

Nossos sistemas metabólico, endócrino e nervoso apresentam altos níveis de desempenho físico e mental quando no estado de jejum assistido, em condições adequadas. Estudos de animais de laboratório ajudaram a explicar os mecanismos celulares e moleculares pelos quais os indivíduos respondem ao jejum de maneiras que podem aumentar sua aptidão geral, sua resistência a lesões e a uma grande variedade de doenças (Longo and Matson, 2014).

A maioria dos ensaios clínicos randomizados controlados em humanos envolveram uma restrição de energia de 60 e 75% (500-800 kcal) em dias alternados ou em dois dias consecutivos por semana. Embora os resultados possam diferir quantitativamente, dependendo do padrão de jejum intermitente, todos os regimes resultaram em alterações metabólicas semelhantes (Johnson et al., 2007; Wan et al., 2010), a saber:

  1. Manutenção dos níveis de glicose no sangue na faixa normal baixa;
  2. Depleção ou redução de estoques de glicogênio;
  3. Mobilização de ácidos graxos e geração de cetonas (fatore de neuroproteção);
  4. Redução da leptina circulante (e isso previne o câncer);
  5. Muitas vezes, elevação dos níveis de adiponectina (“hormônio do bem” produzido quando o tecido adiposo está nas proporções adequadas);
  6. Elevação do BDNF ou fator neurotrópico derivado do cérebro (fator de proteção e regeneração do sistema nervoso).

Alterações comportamentais que ocorrem durante o período de jejum incluem maior alerta ou excitação, e aumento da acuidade mental (Fond et al., 2013).Tanto a mudança metabólica para a utilização de cetona, quanto respostas do cérebro e do sistema nervoso autônomo à privação, desempenham papéis importantes na promoção da saúde e resistência à doença.

Em ratos hiperfágicos (“gulosos”) e obesos, o jejum intermitente inverte a tendência de resistência à insulina, reduzindo os níveis circulantes de insulina e leptina (Duan et al., 2003a). Isso é ótimo na prevenção das complicações da obesidade, principalmente o diabetes e o câncer.

 

Relação entre câncer e obesidade, e o papel preventivo do jejum intermitente

O controle do peso reduz o risco de incidência de treze tipos de câncer que têm sido associados à obesidade (Renehan et al., 2008, WCRF, 2014; Goodwin et al., 2015). Evidências de que o jejum intermitente pode reduzir o risco de câncer vêm de seus efeitos sobre vários biomarcadores de risco de câncer, como insulina, citocinas, moléculas relacionadas à inflamação, leptina e adiponectina, relacionados à adiposidade e ingestão excessiva de energia (Hursting et al., 2012; Wei et al., 2016).

Reduções em um hormônio que estimula o crescimento celular chamado IGF-1 (redução de 15%) foram reportadas em indivíduos normais e com sobrepeso que tinham seguido o jejum intermitente de uma dieta baixa em proteínas e baixa energia, por tempo limitado (0,25 g proteína/kg peso, 34-54% do normal ingestão de energia) (Brandhorst et al., 2015). Os efeitos do jejum intermitente em relação à resistência à insulina e risco de diabetes podem ter um importante papel na proteção contra cânceres relacionados à obesidade (Goodwin et al., 2015).

A leptina, produzida pelo tecido adiposo, está relacionada à progressão do câncer. A principal função da leptina é regular o balanço de energia. No entanto, indivíduos obesos rotineiramente desenvolvem resistência à leptina, resultando no acúmulo desse hormônio. Portanto, os níveis de leptina são muitas vezes cronicamente elevados na obesidade humana. Níveis elevados de leptina estão relacionados a maior incidência, maior progressão e pior prognóstico de vários cânceres humanos.

Além do tecido adiposo, as células cancerosas também podem secretar leptina e superexpressar os receptores de leptina. Sabe-se que a leptina atua como um factor mitogênico (faz o câncer crescer), inflamatório e pró-angiogênico (aumenta a nutrição do tumor), que induz a proliferação de células cancerígenas e a angiogênese tumoral. Além disso, a sinalização da leptina induz as células-tronco cancerígenas, que estão envolvidas na recorrência do câncer e na resistência aos medicamentos (LIpsey CC et al, 2016).

 

Conclusão

Estamos vivenciando um momento memorável de grandes e novas revelações científicas sobre velhos axiomas médicos. O jejum como instrumento de cura é tão antigo como a humanidade.

Mas a medicina contemporânea preferiu por muito tempo ignorar esse marco da sabedoria milenar, até que uma avalanche de estudos científicos – especialmente após o prêmio nobel de medicina Dr Yoshinuri Oshumi, – reuniram evidências contundentes sobre a validade desse método já testado e aprovado desde tempos imemoriais. Aqui só apresento uma amostra muito pequena de trabalhos científicos sobre o assunto, que hoje se contabilizam às centenas.

A MAYR PREVENT, como técnica de jejum assistido e individualizado, atende bem aos atuais reclamos da prática médica, oportunizando, pela primeira vez em séculos, no universo da cura pelo jejum, um salutar diálogo entre o saber ancestral e a academia contemporânea.

Por que não começarmos a introduzir, com bom senso e segurança, a cultura do jejum intermitente em nosso plano pessoal de saúde, com vistas à longevidade e qualidade de vida? Desde que aplicado com sensatez, equilíbrio e não haja contra-indicação, não há motivo para duvidar dos benefícios que podemos auferir.

A Lapinha,  que há q 50 anos trabalha com várias modalidades de jejum, com ênfase à MAYR PREVENT, reúne uma casuística cada vez mais robusta de centenas de pacientes que experimentaram e continuam experimentando de modo inequívoco os benefícios que a ciência hoje atribui ao jejum intermitente e á melhora da microbiota do intestino.

 

 

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Wan, R., Ahmet, I., Brown, M., Cheng, A., Kamimura, N., Talan, M., Mattson, M.P.,2010. Cardioprotective effect of intermittent fasting is associated with anelevation of adiponectin levels in rats. J. Nutr. Biochem. 21, 413–417.

Wei, T., Ye, P., Peng, X., Wu, L.L., Yu, G.Y., 2016. Circulating adiponectin levels invarious malignancies: an updated meta-analysis of 107 studies. Oncotarget.

 

ENGLISH

 

MAYR PREVENT AND INTERMITTENT FASTING

 

Dr. Daniel S.F. Boarim, MD

Lapinha clinic and medical SPA,

Lapa, PR Brazil

 

Abstract

 

When humans lived in environments where food was relatively scarce, their bodies perfected metabolic mechanisms that were supposed to function at maximum efficiency. That’s why we developed a thrifty genotype. Energy saver and storer for times of scarcity, seasonal in primitive times.

Today, in the industrialized world, there is too much food all the time, with excess calories. So our environment has become intensely obesogenic. Worse than that, the Western dietary pattern is, admittedly, an ideal breeding ground for almost all chronic diseases.

We usually eat too much at several meals. We eat wrong and too often. It has even become a tradition to teach that we need to eat every three hours, up to 6 meals a day, a teaching that, although it has become traditional even in academic circles, lacks a scientific basis!

MAYR PREVENT advocates a period of metabolic rest characterized by assisted fasting without malnutrition, monitored intestinal catharsis and lifestyle reeducation, which in clinical practice has been encouragingly contributing to sustainable changes, such as dietary reordering, which involves quantitative and qualitative aspects , modal and fractional. In other words, MAYR PREVENT has contributed to the general improvement of health and the prevention of diseases that involve modifiable lifestyle factors. And that accounts for most of the diseases that overcrowd our hospitals today. Certainly, a considerable benefit for our quality of life, and one that would deserve more attention from researchers and physicians.

Another aspect to point out here is the relationship between cyclic physiological fasting and the gut microbiota, whose balance prevents low-grade chronic inflammation, strongly associated with chronic diseases. This is, without a doubt, another component of this complex equation that helps to explain, with solid scientific basis, the remarkable clinical benefits obtained by MAYR PREVENT. In another publication, we intend to specifically address the popular topic of the gut microbiota.

 

Intermittent fasting challenges metabolism and increases our resistance to disease

 

When we change our habit, we cut calories and adopt a sensible program of physiological intermittent fasting, without malnutrition, that helps regulate the food-fasting and sleep-wake cycles, putting our metabolism back on track, finally challenging mind and body. return to normal weight and ideal health. And this is done with honor by MAYR PREVENT.

To put it better, all organisms, including ours, are programmed to develop means of self-preservation, both mental and bodily, that work more and more efficiently. And fasting is a challenge that, according to research, appears to enhance these means of self-preservation.

We can state today, from numerous studies, that intermittent fasting challenges the brain and the various nutroneurometabolic control systems, which adaptively respond to “adverse” conditions (the technical name for this is HORMESE), improving the individual’s abilities and optimizing the performance of their functions, which increases resilience to stress and illness (Mattson et al., 2017).

 

MAYR PREVENT – an assisted intermittent fasting program

 

MAYR PREVENT is a modality of intermittent fasting, as it not only decreases total calories for a period of 2 to 3 weeks, but also food varieties at meals, and decreases the daytime eating period, with fasting between the first and last meal, which can last from 14 to 16 hours, depending on the meal plan. And this is exactly the practice of intermittent fasting (Mattson et al., 2017).

Speaking of 3 weeks of intermittent fasting, studies have revealed that this intensive period of three to four weeks seemed adequate, in experimental models, to optimize metabolic markers of health, whereas very long periods can be deleterious (Cerqueira et al., 2011). Interestingly, Dr Mayr initially recommended periods of 3 weeks of diet, which we now know to be adequate even to provide sustainable changes in the gut microbiome.

Recent studies also point out that changing the gut microbiome is one of the main bases of the systemic benefit of intermittent fasting and caloric restriction in many diseases, such as multiple sclerosis (Cignarella F et al, 2018, Di Giosia P et al, 2022).

The moral of the story is that prolonging the fast for too long, or not giving nature enough time to work through its metabolic signaling pathways, results in flawed results. And excess restriction for elderly and debilitated people can generate malnutrition and symptoms of poor adaptation, in addition to favoring loss of muscle mass.

However, when properly indicated and conducted, intermittent fasting has numerous scientific studies that support its benefits.

Mayr Kur is documented as one of the most practiced and improved forms of intermittent fasting today, with numerous medical clinics in Europe and other parts of the world (in Brazil, Lapinha) that apply it with careful medical monitoring and individualization of conduct.

 

What are the benefits of intermittent fasting?

 

In scientific studies, different types of intermittent fasting have shown beneficial effects on various health indicators in experimental animals, as well as in humans (Anton SD et al., 2018).

Significant benefits have been documented in age-related diseases such as diabetes, cardiovascular disease, high blood pressure, Parkinson’s, Alzheimer’s, multiple sclerosis, obesity, among many other pathologies (Mattson et al, 2017, Jeong JH et al 2018, Mc Carty MF, 2015).

Among the physiological health indicators that clearly improve as a result of intermittent fasting, both in animal and human models, we can highlight:

  1. Insulin and leptin levels decrease, and this happens in parallel with increased sensitivity to both hormones;
  2. Body fat decreases;
  3. Ketone levels increase;
  4. Resting heart rate and blood pressure decrease, and heart rate variability increases (resulting from increased parasympathetic tone), which is an indicator of cardiovascular health;
  5. Systemic inflammation subsides, probably via shift of the gut microbiota to a more symbiotic pattern;
  6. The brain and heart are more resistant to stress (eg, there has been a reduction in tissue damage and an improvement in functional outcome after stroke and myocardial infarction);
  7. Greater resistance to diabetes;
  8. The onset and progression of neuronal dysfunction and degeneration in animal models is delayed, which improves the prognosis of Alzheimer’s, Parkinson’s and Huntington’s diseases in these experimental models.

Today, several studies are beginning to unravel the cellular and molecular mechanisms by which fasting increases the resistance of cells, tissues and organs to stress and common diseases associated with aging and sedentary and exaggerated lifestyles.

Results from human studies, in which various health indicators are measured at the beginning and after fasting, suggest that intermittent fasting may protect against metabolic syndrome and the various associated disorders, including diabetes and cardiovascular disease.

Studies on patients with cancer (Safdie et al., 2009) and multiple sclerosis (Choi et al., 2016) have produced very promising results. All this is a strong reason to move forward with broader clinical trials in patients with chronic and obesity-related disorders.

What is the mechanism by which intermittent fasting improves health and fights disease?

 

Scientific studies are revealing more and more pathways activated and/or inhibited by fasting, which help to understand why the benefits. Simply put, numerous adaptive signaling pathways in the cellular stress response are activated, leading to four end results:

  1. Increase the mitochondrial ability to produce energy,
  2. Optimizes the gut microbiota (Matias Perez D. et al, 2022).
  3. Repair DNA and
  4. Promote autophagy (which leads to cell renewal rather than death by apoptosis).

Intermittent fasting also promotes stem cell regeneration and produces long-lasting metabolic effects, as well as notable neuroprotective actions (Mattson et al, 2018).

Our metabolic, endocrine and nervous systems show high levels of physical and mental performance when in the state of assisted fasting, under appropriate conditions. Studies of laboratory animals have helped to explain the cellular and molecular mechanisms by which individuals respond to fasting in ways that can increase their overall fitness, their resistance to injury, and to a wide variety of diseases (Longo and Matson, 2014).

Most randomized controlled clinical trials in humans involved an energy restriction of 60 and 75% (500-800 kcal) on alternate days or two consecutive days per week. Although results may differ quantitatively depending on the intermittent fasting pattern, all regimens resulted in similar metabolic changes (Johnson et al., 2007; Wan et al., 2010), namely:

  1. Maintenance of blood glucose levels in the low normal range;
  2. Depletion or reduction of glycogen stores;
  3. Mobilization of fatty acids and generation of ketones (neuroprotection factor);
  4. Reduction of circulating leptin (and this prevents cancer);
  5. Often, elevation of adiponectin levels (“good hormone” produced when adipose tissue is in adequate proportions);
  6. Elevation of BDNF or brain-derived neurotropic factor (factor for protection and regeneration of the nervous system).

Behavioral changes that occur during the period of fasting include increased alertness or arousal, and increased mental acuity (Fond et al., 2013). Both the metabolic shift to ketone utilization and brain and autonomic nervous system responses to deprivation , play important roles in health promotion and disease resistance.

In hyperphagic (“greedy”) and obese rats, intermittent fasting reverses the trend toward insulin resistance by reducing circulating levels of insulin and leptin (Duan et al., 2003a). This is great in preventing the complications of obesity, especially diabetes and cancer.

 

Relationship between cancer and obesity, and the preventive role of intermittent fasting

 

Weight control reduces the risk of incidence of thirteen cancers that have been associated with obesity (Renehan et al., 2008, WCRF, 2014; Goodwin et al., 2015). Evidence that intermittent fasting can reduce cancer risk comes from its effects on several cancer risk biomarkers, such as insulin, cytokines, inflammation-related molecules, leptin and adiponectin, related to adiposity and excessive energy intake (Hursting et al. ., 2012; Wei et al., 2016).

Reductions in a hormone that stimulates cell growth called IGF-1 (15% reduction) were reported in normal and overweight individuals who had followed intermittent fasting on a low-protein, low-energy diet for a limited time (0.25 g protein/kg weight, 34-54% of normal energy intake) (Brandhorst et al., 2015). The effects of intermittent fasting on insulin resistance and diabetes risk may play an important role in protecting against obesity-related cancers (Goodwin et al., 2015).

Leptin, produced by adipose tissue, is linked to cancer progression. The main function of leptin is to regulate energy balance. However, obese individuals routinely develop leptin resistance, resulting in the accumulation of this hormone. Therefore, leptin levels are often chronically elevated in human obesity. Elevated levels of leptin are related to higher incidence, greater progression and worse prognosis of several human cancers.

In addition to adipose tissue, cancer cells can also secrete leptin and overexpress leptin receptors. It is known that leptin acts as a mitogenic (makes cancer grow), inflammatory and pro-angiogenic (increases tumor nutrition) factor, which induces cancer cell proliferation and tumor angiogenesis. Furthermore, leptin signaling induces cancer stem cells, which are involved in cancer recurrence and drug resistance (LIpsey CC et al, 2016).

Mayr experience at Lapinha Clinic

 

Lapinha has half a century of experience in assisted fasting without malnutrition, such as the Bircher Benner method, oriental detox (diet based on brown rice and vegetables), minimalist diets and, in the last two decades, Mayr Prevent. Over all these years we have accumulated knowledge following thousands of cases with encouraging results. Particularly at Mayr Prevent we have observed an adherence relatively easier than in other types of detoxifying plan, such as fruit diets and raw food plans, observing subjective and objective improvement (confirmed through laboratory tests) for several chronic diseases associated with factors of modifiable lifestyle.

Especially in diseases such as migraine, obesity, nonalcoholic fatty liver disease, diabetes mellitus, arterial hypertension, certain autoimmune diseases such as rheumatoid arthritis and metabolic syndrome, an improvement in symptoms and laboratory markers is notable. Our understanding is that, by promoting a modulation of the microbiota through adequate caloric restriction, healthy and organic foods, complete chewing and intermittent fasting, we reduce the level of systemic inflammation, which is the etiological basis of these diseases (Michel N et al 2022; Cantoni C et al, 2022; Al Bander Z et al 2020).

However it is very important to point out that when the patient satisfactorily adheres to the preparation, immersion and post-lapinha (transition) guidelines, making correct use of the indicated supplements, practicing complete mastication, not violating the food plan, respecting the eating- fasting cycle and also the sleep-wake cycle, there is a significant improvement in general health in the long term. We even observed a gradual gain in muscle mass after Mayr, which suggests better assimilation and nutritional metabolism, a likely result of a more symbiotic microbiome.

But it is necessary to remember that, for a patient who intends to treat a chronic pathology, more immersion time and continued attention is necessary, and that the adaptation to Mayr can lead to the so-called “healing crises”, when some symptoms may reappear, but usually in a mild and transient way. The “healing crisis” is a well-known event and indicates a catharsis, a mobilization of toxic disruptors, which happens not only in detoxifying food plans but in other complementary therapies such as reflexology and acupuncture (Mackereth PA, 1999).

If this moment in the health restoration process is well understood by the patient and well managed by the physician, with proper management of the diet, the treatment as a whole and the patient in a individualized way, we will be facing considerable chances of therapeutic success.

The healing crisis must be well managed by the doctor, who must carefully observe the limits of each patient, not exposing him to exaggeratedly restrictive diets, or the opposite, when necessary, minimizing varieties and calories, or increasing the fasting period. Caution is needed to ensure nutritional status on the one hand and on the other hand not to confuse an untimely worsening with a healing crisis. But fortunately, these events are rare. With good screening, preparation and guidance of patients, the management of the detoxification process has been increasingly efficient.

Another aspect of our experience that should be highlighted is that patients who do not understand the Mayr proposal, mistakenly considering it a simple weight loss diet or a trivial detox, join the program and end up not taking advantage of it. The Mayr plan certainly helps to lose weight and decrease abdominal circumference, which is very desirable for many people. And it can also aid in a shift from an obesogenic microbiota to a healthy microbiota, which will help with weight maintenance. But it should not be understood as like any other weight loss diet.

Yet another point to highlight in our experience is the fact that patients with eating disorders such as bulimia, anorexia and orthorexia sometimes come to plans like Mayr motivated by a psychically altered condition of self-awareness, which must obviously not be the motivation for join Mayr. That’s why Lapinha has been developing a process of prior election and guidance, before hospitalization, to help the patient always make the best choice and identify any possible contraindication. Pre-lapinha has proved to be an essential strategy for success, as it raises awareness of Mayr’s essential focus, among other health routes we offer, undoing inappropriate ideas and calibrating expectations. And when the patient is discharged, we have increasingly valued follow-up and programmed return as essential ingredients for success.

The results of this approach certainly invite us to devote more time and attention to Dr Mayr’s visionary proposal, who insisted that health and disease begin in the gut. And exactly what he said about a century ago is today a current and true statement.

 

Conclusion

 

The eating-fasting cycle is as physiological as the sleep-wake cycle. We need time to eat and not eat, which provides a “rest” for metabolism, a time of natural detoxification and stimulation of autophagy, resulting in optimized mitochondrial biogenesis, as many studies have shown. Physiological intermittent fasting is usually related to an overnight period of at least 12-14 hours without eating. But we can get additional benefits for monitored periods of a few weeks of reduced feeding and increased interprandial fasting time, in which catharsis and regeneration are promoted, as in the Mayr therapy. As simple as it seems to understand that proper fasting can be a physiological necessity, we live in a time marked by food exaggeration, haste and stress, and as a result, microbiota imbalance, obesity and many chronic diseases that massacre our quality of life. It’s time to review paradigms and understand that there is a simpler and more effective way to improve our health, our immunity and decongest our overcrowded hospitals. It is the way to return to a healthy lifestyle, which respects the cycles of nature and a vital balance between nutrition (that nothing is lacking in the diet) and detoxification (that nothing is left over in the diet), today misunderstood and actually lost.We are experiencing a memorable moment of great and new scientific revelations about old medical axioms. Fasting as a healing tool is as old as humanity.

But contemporary medicine preferred for a long time to ignore this milestone of ancient wisdom, until an avalanche of scientific studies – especially after the Nobel Prize in Medicine Dr Yoshinuri Oshumi, – gathered compelling evidence on the validity of this method already tested and approved since time immemorial. Here I only present a very small sample of scientific works on the subject, which today number in the hundreds.

MAYR PREVENT, as an assisted and individualized fasting technique, responds well to the current demands of medical practice, providing, for the first time in centuries, in the universe of fasting cure, a healthy dialogue between ancestral knowledge and contemporary academia.

Why not start introducing, with common sense and safety, the culture of intermittent fasting into our personal health plan, with a view to longevity and quality of life? As long as it is applied sensibly, balanced and there is no contraindication, there is no reason to doubt the benefits we can obtain.

Lapinha, which for 50 years has been working with various types of fasting, with emphasis on MAYR PREVENT, brings together an increasingly robust series of hundreds of patients who have experienced and continue to experience unequivocally the benefits that science today attributes to intermittent fasting. and improvement of the gut microbiota.

 

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