Cúrcuma: alimento, fitoterápico ou suplemento?

 

A cúrcuma (Curcuma longa L.), conhecida no Brasil como açafrão-da-terra, é uma das plantas medicinais mais estudadas dos últimos anos. Seu rizoma contém diversos compostos, entre eles os curcuminoides, dos quais a curcumina é o principal representante. Há interesse científico sobretudo por seus efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes, embora a qualidade das evidências varie bastante conforme a indicação e a formulação utilizada.

Mas existe uma distinção fundamental — e frequentemente esquecida: Uma coisa é usar cúrcuma como alimento. Outra, completamente diferente, é ingerir um extrato concentrado de curcuminoides em cápsulas. Essa diferença tornou-se ainda mais importante em 2026.

 

Cúrcuma na cozinha: talvez a forma mais simples de utilizá-la

A cúrcuma pode ser utilizada como tempero, adicionada a sopas, arroz, legumes, ovos, molhos, ensopados, caldos e preparações com leguminosas.

É uma maneira interessante de incorporar à alimentação um alimento rico em compostos bioativos, sem transformar a cúrcuma em uma “medicação natural”.

Pode-se utilizar o rizoma fresco, quando disponível, ou o tradicional pó de cúrcuma, facilmente encontrado no comércio.

Uma sugestão prática é incorporá-la regularmente às refeições, em pequenas quantidades, associada a uma alimentação predominantemente baseada em alimentos in natura ou minimamente processados.

Não é necessário transformar a cúrcuma em cápsulas para que ela faça parte de uma alimentação saudável.

E aqui está uma informação especialmente importante: a própria Anvisa esclarece que o risco de hepatotoxicidade identificado em 2026 não está relacionado ao uso habitual da cúrcuma como alimento ou tempero. Os casos descritos envolvem principalmente medicamentos, suplementos e extratos concentrados.

 

RESUMO PRÁTICO

Cúrcuma como alimento: use como tempero, dentro de uma alimentação saudável.
Cúrcuma em altas doses como extrato: já é outra história.

 

E os benefícios? O que realmente sabemos?

A cúrcuma e seus curcuminoides apresentam mecanismos anti-inflamatórios e antioxidantes biologicamente plausíveis. Mas mecanismo não é sinônimo de benefício clínico.

Entre as áreas em que existem estudos clínicos mais interessantes está a osteoartrite, particularmente a osteoartrite do joelho.

Uma revisão sistemática de 16 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 1.810 adultos, encontrou redução da dor e melhora da função com extratos de cúrcuma em comparação com placebo. Entretanto, os estudos eram relativamente curtos e heterogêneos, e apresentavam risco de viés moderado (Daily et al., 2021).

Uma revisão mais recente, publicada em 2024, reuniu 103 ensaios clínicos randomizados e encontrou efeitos favoráveis de suplementos de curcumina em alguns marcadores metabólicos, inflamatórios e antropométricos. Entretanto, a qualidade da evidência variou muito: para vários desfechos ela foi classificada como baixa ou muito baixa (Hewlings et al., 2024).

Portanto, é perfeitamente legítimo estudar a cúrcuma e utilizar determinados extratos em situações específicas. O que não é legítimo é transformar uma planta promissora em uma panaceia.

 

Alimento não é suplemento

Esta talvez seja a mensagem mais importante deste artigo. Quando colocamos cúrcuma na comida, estamos consumindo uma pequena quantidade do rizoma, dentro de uma matriz alimentar complexa.

Quando ingerimos uma cápsula contendo um extrato padronizado, podemos estar consumindo uma quantidade muito maior de determinados compostos.

E algumas formulações são desenvolvidas justamente para aumentar a biodisponibilidade da curcumina. É aqui que a história muda.

A Anvisa identificou um risco raro, mas potencialmente grave, de lesão hepática associado ao uso oral de produtos contendo extratos de Curcuma longa ou curcuminoides. O risco parece ser maior em produtos concentrados e em formulações que aumentam a absorção da curcumina.

Uma série clinicopatológica publicada por Papke et al. (2025), por exemplo, descreveu 11 casos de hepatite associada a suplementos de cúrcuma, todos com normalização dos exames após a retirada do produto.

Isso não significa que toda pessoa que utilize curcumina desenvolverá lesão hepática. Pelo contrário: trata-se de um evento incomum e aparentemente idiossincrásico. Mas significa que o conceito de “natural = absolutamente seguro” precisa ser abandonado.

 

Quanto mais biodisponível, melhor?

Não necessariamente. Durante anos, uma parte importante do mercado de suplementos procurou aumentar a absorção da curcumina, utilizando diferentes tecnologias e associações.

A piperina, por exemplo, tornou-se conhecida internacionalmente por aumentar a biodisponibilidade da curcumina. Outras formulações utilizam sistemas micelares, fitossomais, nanoparticulados ou outras tecnologias.

Mas aumentar a exposição sistêmica também pode modificar o perfil de segurança.

A Anvisa chamou especificamente atenção para esse problema e informou que, no Brasil, estratégias destinadas a ampliar a biodisponibilidade — incluindo piperina e determinadas tecnologias — não foram avaliadas ou autorizadas para suplementos de cúrcuma dentro da regulamentação correspondente.

Em abril de 2026, a Agência atualizou a regulamentação dos suplementos contendo cúrcuma e determinou, entre outras medidas, novos critérios de rotulagem e advertências. A rotulagem passou a exigir alerta para gestantes, lactantes, crianças, pessoas com doenças hepáticas ou biliares e pessoas que utilizam medicamentos.

 

RESUMO PRÁTICO

Maior absorção não significa automaticamente maior benefício. Na medicina, precisamos perguntar: Maior absorção para quê? Em que dose? Durante quanto tempo? E a que custo em termos de segurança?

 

E os medicamentos fitoterápicos?

No Brasil existem medicamentos registrados contendo Curcuma longa. Entre eles estão Motore® e Cumiah®, identificados pela própria Anvisa em seu alerta de farmacovigilância.

O Motore®, por exemplo, é um medicamento fitoterápico à base de extrato seco de Curcuma longa, indicado como coadjuvante no tratamento da osteoartrite. A apresentação de 500 mg contém extrato equivalente a 100 mg de curcuminoides. Sua bula atualmente alerta para o risco de lesão hepática e determina acompanhamento médico e exames laboratoriais periódicos durante o uso.

Isso é muito diferente de dizer que “tomar cúrcuma faz mal ao fígado”. A afirmação correta é:

O consumo alimentar habitual da cúrcuma não está associado ao alerta de hepatotoxicidade; o problema está principalmente nos produtos orais concentrados, especialmente em determinadas formulações.

 

O problema das fórmulas “naturais” cada vez mais complexas

A cúrcuma é apenas um exemplo de um problema maior. É comum encontrarmos suplementos que reúnem cinco, dez ou até mais ingredientes em uma única cápsula, frequentemente com alegações de que todos são “naturais”, “sinérgicos” ou capazes de potencializar uns aos outros.

Mas cada substância acrescentada pode significar:

  • uma nova interação farmacológica;
  • uma nova possibilidade de efeito adverso;
  • uma alteração na absorção de outro componente;
  • dificuldade para identificar qual substância causou determinado sintoma;
  • e maior exposição total a compostos biologicamente ativos.

O prescritor precisa conhecer a fórmula inteira, e não apenas o ingrediente que aparece em letras grandes no rótulo.

No caso da cúrcuma, a própria Anvisa recomenda cautela em pessoas com doenças hepáticas ou biliares e em indivíduos que utilizam determinados medicamentos, incluindo anticoagulantes e alguns imunossupressores e antineoplásicos.

Isso reforça uma regra simples da medicina: Natural não significa inerte. Fitoterápico também é farmacologia.

 

É preciso acompanhar o fígado?

Quando se utiliza um medicamento ou extrato concentrado de cúrcuma com finalidade terapêutica, especialmente por períodos prolongados ou em pacientes com fatores de risco, a avaliação médica torna-se particularmente importante.

A bula atual do Motore® recomenda acompanhamento médico estrito e exames laboratoriais periódicos para controle da função hepática.

Não existe, entretanto, uma regra universal dizendo que toda pessoa que consome cúrcuma como tempero precisa fazer exames de fígado. Não precisa. A situação é completamente diferente quando falamos de extratos concentrados.

É razoável que o médico considere, conforme o contexto clínico, exames como: ALT/TGP, AST/TGO, GGT, fosfatase alcalina e bilirrubinas.

E sintomas como icterícia, urina escura, náuseas persistentes, cansaço inexplicável, perda de apetite ou dor abdominal devem levar à interrupção do produto e avaliação médica.

 

A cúrcuma merece ser abandonada?

De maneira alguma. Ela merece ser compreendida.

A cúrcuma como alimento pode continuar fazendo parte de uma alimentação saudável. Os extratos de cúrcuma e curcuminoides também apresentam evidências clínicas interessantes para algumas condições, particularmente no campo da dor e da osteoartrite, embora ainda existam limitações importantes na literatura. (Daily et al., 2021; Bideshki et al., 2024).

O que precisamos abandonar é a ideia de que: “Se uma pequena quantidade faz bem, uma concentração cem vezes maior fará muito melhor.” A farmacologia não funciona assim.

Dose, formulação, biodisponibilidade, duração do tratamento, características do paciente e interações medicamentosas fazem toda a diferença.

 

RESUMO FINAL — cúrcuma em cinco regras

  1. Na cozinha, sim.
    Use cúrcuma como tempero e parte de uma alimentação saudável.
  2. Alimento ≠ suplemento.
    Não extrapole a segurança do uso culinário para extratos concentrados.
  3. “Mais biodisponível” não significa necessariamente “melhor”.
    Formulações que aumentam muito a absorção podem também modificar o perfil de segurança.
  4. Fitoterápico também exige conhecimento farmacológico.
    Interações, contraindicações e efeitos adversos precisam ser considerados.
  5. Quando houver uso terapêutico de extratos concentrados, especialmente prolongado, o acompanhamento médico pode ser necessário. A nova regulamentação e os alertas da Anvisa de 2026 tornam essa cautela ainda mais importante.

Uma última mensagem

A melhor maneira de usar uma planta medicinal não é transformá-la em uma promessa. É saber quando ela é alimento, quando é fitoterápico, quando pode ser útil — e quando sua concentração começa a exigir o mesmo respeito que dedicamos a qualquer medicamento.

 

Disclaimer

Este texto tem finalidade educativa e informativa e não substitui avaliação médica individualizada. Medicamentos fitoterápicos e suplementos alimentares não devem ser iniciados, modificados ou combinados sem considerar diagnóstico, medicamentos em uso, contraindicações e possíveis interações. Pessoas com doença hepática ou biliar, gestantes, lactantes, crianças e pessoas em uso de medicamentos devem buscar orientação profissional antes de utilizar produtos concentrados de cúrcuma. Diante de sintomas sugestivos de lesão hepática, o produto deve ser interrompido e deve-se procurar avaliação médica. As informações regulatórias foram atualizadas com base nas normas e alertas da Anvisa disponíveis em 2026.

 

Referências

BIDESHKI, M. V. et al. The efficacy of curcumin in relieving osteoarthritis: a meta-analysis of meta-analyses. Phytotherapy Research, v. 38, n. 6, p. 2875–2891, 2024. DOI: 10.1002/ptr.8153.

DAILY, J. W. et al. Efficacy and safety of turmeric extracts for the treatment of knee osteoarthritis: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. Journal of Medicinal Food, 2021.

HEWLINGS, S. J. et al. Curcumin on human health: a comprehensive systematic review and meta-analysis of 103 randomized controlled trials. Phytotherapy Research, 2024. DOI: 10.1002/ptr.8340.

PAPKE, D. J. Jr. et al. Turmeric supplement-associated hepatitis: a clinicopathological series of 11 cases highlighting pan-lobular and zone 3 injury. Histopathology, v. 86, n. 3, p. 410–422, 2025. DOI: 10.1111/his.15333.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Anvisa alerta para risco de danos ao fígado por medicamentos e suplementos de cúrcuma. Brasília, 2026.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Anvisa atualiza regras para suplementos que contêm cúrcuma. Brasília, 2026.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Alerta 04/2026: risco de ocorrência de danos hepáticos após o uso oral de medicamentos e suplementos alimentares contendo extratos de Curcuma longa. Brasília, 2026.

 

Taiuiá: tradição, amargor e ciência de uma raiz brasileira

O Fenômeno da Berberina: O que a Ciência Realmente Diz sobre o “Ozempic Natural”

 

Nos últimos anos, a berberina ganhou enorme destaque nas redes sociais e passou a ser divulgada como o chamado “Ozempic natural”. Extraída de plantas como Berberis aristata e utilizada há séculos na medicina tradicional chinesa, ela despertou o interesse de milhões de pessoas em busca de emagrecimento, controle da glicemia e melhora da saúde metabólica.

Entretanto, essa comparação merece cautela. Embora a berberina compartilhe alguns efeitos metabólicos indiretos com medicamentos como a semaglutida, seus mecanismos de ação são completamente diferentes. Ela não é um agonista do receptor de GLP-1, como o Ozempic, nem produz perdas de peso comparáveis às observadas com esses medicamentos. O apelido tornou-se popular principalmente como estratégia de marketing, e não como uma descrição científica precisa.

A questão realmente importante é outra: o que as melhores evidências científicas mostram sobre a berberina?

 

Como a Berberina Atua no Organismo?

Diferentemente de muitos medicamentos sintéticos, que agem sobre um único alvo molecular, a berberina apresenta uma ação multifatorial, influenciando diversas vias metabólicas simultaneamente.

Seu mecanismo mais bem estabelecido é a ativação da AMPK (proteína quinase ativada por AMP), frequentemente chamada de “interruptor metabólico” das células. Quando ativada, essa enzima favorece a utilização de energia, melhora a resposta dos tecidos à insulina e reduz a produção excessiva de glicose pelo fígado (ZHANG et al., 2008).

Entre seus principais efeitos estão:

  • Melhora da sensibilidade à insulina: aumenta a captação de glicose pelo músculo esquelético por meio dos transportadores GLUT4, utilizando uma via parcialmente independente da insulina (LEE et al., 2006).
  • Redução da produção hepática de glicose: diminui a gliconeogênese, contribuindo para o controle da glicemia de jejum.
  • Melhora do perfil lipídico: aumenta a expressão dos receptores hepáticos de LDL por um mecanismo diferente daquele utilizado pelas estatinas, favorecendo a remoção do colesterol LDL da circulação (KONG et al., 2004).

Nos últimos anos, novos estudos também demonstraram que seus efeitos vão além da AMPK. A berberina parece modular processos inflamatórios, melhorar a função mitocondrial, influenciar proteínas relacionadas ao metabolismo energético, como a SIRT1, e exercer efeitos sobre o eixo intestino-microbiota.

Outro aspecto interessante é sua baixa biodisponibilidade oral: menos de 5% da substância é absorvida diretamente. Isso faz com que grande parte permaneça no intestino, onde interage com a microbiota intestinal. Estudos experimentais e alguns estudos clínicos sugerem que essa modulação da microbiota possa contribuir para seus benefícios metabólicos, embora esse mecanismo ainda precise ser melhor esclarecido em seres humanos (ZHANG et al., 2012).

 

O Que Dizem os Estudos Clínicos?

  1. Diabetes Tipo 2 — Evidência Forte

É na diabetes tipo 2 que a berberina apresenta o conjunto mais consistente de evidências.

Um dos estudos clínicos mais conhecidos demonstrou que pacientes tratados com 500 mg de berberina, três vezes ao dia, apresentaram reduções da hemoglobina glicada (HbA1c) e da glicemia semelhantes às observadas com a metformina naquele estudo (YIN; XING; YE, 2008).

Diversas revisões sistemáticas publicadas posteriormente confirmaram melhora da glicemia de jejum, da HbA1c e da resistência à insulina, especialmente quando a berberina é utilizada como tratamento complementar e não como substituta da terapia convencional.

  1. Dislipidemia e Síndrome Metabólica — Evidência Moderada a Forte

Outra indicação bastante promissora é o tratamento da dislipidemia.

Meta-análises envolvendo diversos ensaios clínicos demonstram reduções significativas do colesterol total, colesterol LDL e triglicerídeos, acompanhadas de discreto aumento do colesterol HDL (JU et al., 2018).

Esses resultados tornam a berberina uma alternativa interessante como terapia complementar, principalmente em indivíduos com dislipidemia leve ou naqueles que apresentam intolerância às estatinas.

  1. Emagrecimento — Evidência Moderada

É justamente nesse ponto que existe maior distância entre o entusiasmo das redes sociais e a realidade científica.

Embora alguns estudos mostrem redução do peso corporal, da circunferência abdominal e da gordura visceral, os resultados são modestos quando comparados aos obtidos com agonistas modernos do GLP-1.

As revisões sistemáticas mais recentes sugerem uma perda média entre 1,5 e 2,5 kg, geralmente após aproximadamente 12 semanas de suplementação, variando conforme a população estudada e as intervenções associadas (ASBAGHI et al., 2020).

Isso indica que a berberina pode contribuir para o emagrecimento principalmente ao melhorar a resistência à insulina, reduzir a inflamação metabólica e favorecer um ambiente hormonal mais saudável. Entretanto, ela está longe de representar uma solução isolada para obesidade.

 

Outras Aplicações Promissoras

Além das indicações já estabelecidas, a berberina vem sendo investigada em outras condições metabólicas.

Entre elas destacam-se:

  • resistência à insulina;
  • pré-diabetes;
  • síndrome dos ovários policísticos (SOP);
  • doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (esteatose hepática).

Embora os resultados iniciais sejam animadores, ainda são necessários estudos maiores e de longo prazo para definir seu verdadeiro papel nessas situações.

 

Segurança e Possíveis Interações

Por ser um composto de origem vegetal, muitas pessoas acreditam que a berberina seja totalmente isenta de riscos. Essa ideia é equivocada.

Os efeitos adversos mais frequentemente observados são gastrointestinais e incluem:

  • constipação;
  • diarreia;
  • desconforto abdominal;
  • cólicas;
  • flatulência;
  • náuseas.

Em geral, esses sintomas tendem a ser leves e dependem da dose utilizada (YIN; XING; YE, 2008).

Outro aspecto importante diz respeito às interações medicamentosas.

Estudos demonstram que a berberina pode inibir enzimas do sistema citocromo P450 — especialmente CYP3A4, CYP2D6 e CYP2C9 — além de interferir na glicoproteína P. Como consequência, alguns medicamentos podem permanecer por mais tempo na circulação, aumentando o risco de efeitos adversos.

Por esse motivo, pacientes que utilizam anticoagulantes, imunossupressores, antiarrítmicos, hipoglicemiantes ou outros medicamentos de uso contínuo devem utilizar a berberina somente com acompanhamento profissional.

 

Afinal, Vale a Pena Utilizar?

A resposta mais equilibrada é: sim, quando existe uma indicação clínica bem definida.

As evidências atuais sustentam seu uso como terapia complementar em pacientes com resistência à insulina, pré-diabetes, diabetes tipo 2 e dislipidemia leve, sempre integrada a mudanças no estilo de vida e ao tratamento convencional quando necessário.

Entretanto, seu potencial costuma ser exagerado nas redes sociais. A berberina não substitui alimentação adequada, atividade física, controle do sono nem medicamentos prescritos quando estes são realmente indicados.

Em outras palavras, ela não é uma “pílula mágica” para emagrecer. É uma ferramenta terapêutica interessante, respaldada por evidências científicas, mas que deve ser utilizada dentro de uma estratégia abrangente de cuidado metabólico.

Aviso Importante (Disclaimer): Este artigo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui avaliação médica individualizada. Embora seja um fitoterápico, a berberina possui atividade farmacológica significativa e pode interagir com diversos medicamentos, além de influenciar o metabolismo da glicose e do fígado. Seu uso deve ser orientado por profissional habilitado, especialmente em pessoas com doenças crônicas, e deve ser evitado por gestantes, lactantes e pacientes que utilizam vários medicamentos de uso contínuo.

 

Referências

ASBAGHI, Omid et al. The effects of berberine supplementation on cardiovascular risk factors in adults: A systematic review and dose-response meta-analysis of randomized controlled trials. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, v. 60, n. 18, p. 3105–3125, 2020.

JU, Jianping et al. Efficacy and safety of berberine for dyslipidaemia: A systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials. Phytomedicine, v. 50, p. 25–34, 2018.

KONG, Weijia et al. Berberine is a novel cholesterol-lowering drug working through a unique mechanism distinct from statins. Nature Medicine, v. 10, n. 12, p. 1344–1351, 2004.

LEE, Min-Seok et al. Berberine stimulates glucose transport through a mechanism distinct from insulin. Diabetes, v. 55, n. 8, p. 2256–2264, 2006.

YIN, Jun; XING, Huili; YE, Jianping. Efficacy of berberine in patients with type 2 diabetes mellitus. Metabolism, v. 57, n. 5, p. 712–717, 2008.

ZHANG, Yan et al. Treatment of type 2 diabetes and dyslipidemia with the natural plant alkaloid berberine. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 93, n. 7, p. 2559–2565, 2008.

ZHANG, Xu et al. Structural changes of gut microbiota during berberine-mediated prevention of obesity and insulin resistance in high-fat diet-fed rats. PLoS ONE, v. 7, n. 8, e42529, 2012.

Receba nosso conteúdo

Tenha acesso em primeira mão às nossas novidades e programações especiais

A Lapinha se compromete em proteger e respeitar sua privacidade. Usaremos suas informações pessoais apenas para administrar sua conta e fornecer os produtos e serviços que você nos solicitou. Ocasionalmente, gostaríamos de entrar em contato sobre nossas ofertas, bem como sobre outros conteúdos que possam ser de seu interesse. Você pode optar por desinscrever-se de nosso mailing a qualquer momento.

Lar Lapeano de Saúde LTDA - CNPJ 75.189.597/0001-63. Todos os direitos reservados.