EXISTE EMAGRECIMENTO ALÉM DAS CANETAS EMAGRECEDORAS? Conheça o método Lapinha que não exclui as “canetas”, mas muitas vezes as evita

 

 

O emagrecimento sustentável depende principalmente de uma mudança intensiva no estilo de vida, com alimentação adequada e menor consumo de calorias, preferência por alimentos in natura, exercícios — especialmente musculação para preservar a massa muscular — e mudanças de comportamento. As chamadas “canetas emagrecedoras”, como semaglutida e tirzepatida, podem ser úteis em alguns casos, mas não devem substituir esses pilares.

Uma estratégia possível proposta pelo LAPINHA SPA médico, é começar com até dois anos de mudanças intensivas no estilo de vida, com acompanhamento multiprofissional. Se houver pouca resposta ou um platô, pode-se considerar o uso de medicamentos, na menor dose eficaz, por aproximadamente um ano, aproveitando esse período para fortalecer os novos hábitos e a prática de exercícios. Depois, pode-se avaliar uma retirada gradual e supervisionada. Se houver reganho importante de peso ou piora metabólica após a suspensão, por se tratar de uma doença crônica, o tratamento medicamentoso prolongado poderá ser considerado, sempre de acordo com os riscos e benefícios para cada pessoa.

 

Uma revolução no tratamento da obesidade

O avanço da farmacoterapia voltada às desordens metabólicas transformou o tratamento da obesidade nos últimos anos. Medicamentos análogos do receptor de GLP-1 (glucagon-like peptide-1), como a semaglutida e a tirzepatida, ganharam notoriedade global por induzirem perdas ponderais de magnitude antes restrita à cirurgia bariátrica (Wilding et al., 2021; Jastreboff et al., 2022). Contudo, o que deveria permanecer circunscrito à prática clínica especializada converteu-se em um fenômeno cultural e estético desprovido de critérios.

Porém, lamentavelmente, a disseminação midiática impulsionou o consumo off-label por indivíduos sem sobrepeso de risco ou obesidade, motivados apenas pela perda estética rápida (Han et al., 2023). Essa banalização desconsidera a toxicidade e os riscos associados: além de distúrbios gastrointestinais frequentes (náuseas, vômito e constipação grave), o uso não monitorado amplia a probabilidade de gastroparesia severa (diminuição do esvaziamento gástrico), pancreatite aguda, litíase biliar e desidratação com lesão renal aguda (Sodhi et al., 2023). Soma-se a isso a perda acelerada de massa livre de gordura (músculo e osso), capaz de deflagrar sarcopenia funcional e redução drástica e não saudável do gasto metabólico de repouso (Neeland et al., 2024).

Paralelamente, a obesidade é reconhecida como uma doença neuroendócrina crônica, recidivante e progressiva (Bray et al., 2016). Os dados do estudo STEP 1 extension revelam que a interrupção abrupta da farmacoterapia resulta na recuperação de cerca de dois terços do peso perdido em apenas um ano, acompanhada do retorno dos fatores de risco cardiometabólicos aos níveis basais (Wilding et al., 2022). Portanto, as canetas não constituem uma cura pontual; o estilo de vida permanece como o esteio biológico insubstituível.

 

 

Intervenção Intensiva no Estilo de Vida (ILI): a base científica

Antes de qualquer escalonamento farmacológico, a literatura consagra a Intervenção Intensiva no Estilo de Vida (Intensive Lifestyle Intervention – ILI) como o padrão-ouro de modificação metabólica primária (Look AHEAD Research Group, 2014; Wadden et al., 2020). Grandes ensaios clínicos, como o Diabetes Prevention Program (DPP) e o estudo Look AHEAD, demonstraram que programas estruturados de ILI induzem perdas ponderais clinicamente significativas (≥ 5% a 10%), promovem remissão do diabetes tipo 2 inicial e atenuam marcadores inflamatórios sistêmicos de forma sustentada (Knowler et al., 2002; Look AHEAD Research Group, 2014).

 

A eficácia do ILI reside no seu tripé metodológico:

  1. Déficit calórico planejado e qualidade nutricional: restrição calórica moderada (déficit de 500 a 750 kcal/dia), com priorização de alimentos in natura, adequação proteica e redução de ultraprocessados. Esclarecendo: isso não quer dizer dieta de 500 a 750 kcal, mas retirada de 500 a 750 kcal do valor total de calorias ingeridas, com adequações individuais;
  2. Atividade física multimodal regular: meta de ao menos 150 a 200 minutos semanais de exercícios aeróbios moderados associados ao treinamento resistido (musculação), crucial para preservação muscular;
  3. Terapia comportamental e automonitoramento: acompanhamento frequente (consultas regulares com equipe multiprofissional), registro alimentar, higiene do sono, controle do estresse e estímulo à autoeficácia e disciplina.

 

Proposta do SPA médico Lapinha de Protocolo Clínico Trifásico de Manejo do Peso

A abordagem terapêutica da obesidade exige escalonamento racional, respeitando a biologia individual e reservando a farmacoterapia para momentos de indicação precisa.

 

Fase 1: Dedicação Exclusiva ao ILI (Até 24 Meses)

  • Duração: de 6 a 24 meses de intervenção intensiva estruturada.
  • Objetivo: testar a capacidade adaptativa do paciente, estimular o autocontrole, restaurar a saciedade homeostática e consolidar rotinas alimentares e esportivas.
  • Parâmetros Práticos:
    • Nutrição: consumo de 1,0 a 1,4 g/kg de proteína diária para garantir saciedade (isso não significa abolir carboidratos saudáveis, mas priorizar proteínas de boa qualidade) e preservar a massa magra; densidade calórica reduzida com aumento de fibras vegetais solúveis e insolúveis.
    • Exercício: musculação de 3 a 4 vezes por semana combinada a 150–300 minutos de atividade cardiorrespiratória semanal.
    • Conduta: se o paciente atinge e sustenta a meta de peso e os parâmetros metabólicos (glicemia, perfil lipídico, pressão arterial) normalizam-se, permanece-se exclusivamente no ILI.

 

Fase 2: Introdução da Farmacoterapia e Consolidação da Janela de Oportunidade

  • Critério de Entrada: não conseguir atingir pelo menos perda de 5% do peso corporal após 6 meses de ILI bem executado, presença de platô precoce acompanhado de hiperfagia refratária, ou presença de comorbidades metabólicas graves que demandem intervenção rápida.
  • Estratégia de Dosagem: titulação progressiva e lenta do análogo de GLP-1, interrompendo a escalada assim que a Dose Mínima Efetiva (DME) for alcançada (isto é, a dose que restaura o controle do apetite sem gerar intolerância gastrointestinal, sem a obrigatoriedade de alcançar as doses máximas de bula).
  • Janela de Consolidação (cerca de 1 ano):
    • O fármaco funciona como um “freio de emergência” contra o ruído mental da comida (food noise), abrindo uma janela neurocomportamental para solidificar a rotina de exercícios resistidos e reeducação alimentar.
    • Treinamento de força obrigatório e aporte proteico monitorado para impedir a sarcopenia induzida por GLP-1.

 

Fase 3: Desmame Gradual Guiado ou Manutenção Crônica Individualizada

  • Desmame (Tapering): após a estabilização clínica e a consolidação de novos padrões comportamentais durante o período medicamentoso, inicia-se a redução lenta e escalonada da dose sob estrita supervisão médica (ex.: espaçamento entre aplicações ou redução fracionada dos miligramas a cada 4–8 semanas).
  • A Virada de Chave: o paciente que utilizou a fase 2 para construir reservas musculares, aprender a selecionar alimentos e praticar o autocontrole ganha condições biológicas e cognitivas de sustentar o peso e “andar com as próprias pernas”, dispensando a molécula sintética.
  • Avaliação de Risco-Benefício e Cronicidade: a obesidade é uma patologia crônica e heterogênea. Se durante o desmame ocorrer recidiva descontrolada da fome e reganho ponderal clinicamente significativo, o retorno à DME ou a permanência do tratamento medicamentoso por tempo indeterminado (long-term/forever) deve ser encarado com naturalidade clínica e sem estigma, balanceando custo, tolerabilidade e prevenção de desfechos cardiovasculares.

 

Referências

BRAY, George A. et al. Management of obesity. The Lancet, Londres, v. 387, n. 10031, p. 1947-1956, 2016.

HAN, Sarah H. et al. Public interest in novel antiobesity medications on social media: a cross-sectional study. Annals of Internal Medicine, Filadélfia, v. 176, n. 10, p. 1438-1440, 2023.

JASTREBOFF, Ania M. et al. Tirzepatide once weekly for the treatment of obesity. The New England Journal of Medicine, Boston, v. 387, n. 3, p. 205-216, 2022.

KNOWLER, William C. et al. Reduction in the incidence of type 2 diabetes with lifestyle intervention or metformin. The New England Journal of Medicine, Boston, v. 346, n. 6, p. 393-403, 2002.

LOOK AHEAD RESEARCH GROUP. Eight-year weight losses with an intensive lifestyle intervention: the Look AHEAD study. Obesity, Silver Spring, v. 22, n. 1, p. 5-13, 2014.

PMC – NIH

NEELAND, Ian J. et al. Body composition changes with weight loss therapies: clinical implications and practical guidance. The Lancet Diabetes & Endocrinology, Londres, v. 12, n. 5, p. 339-351, 2024.

Hims

SODHI, Mohit et al. Risk of serious adverse gastrointestinal events associated with glucagon-like peptide 1 receptor agonists for weight loss. JAMA, Chicago, v. 330, n. 18, p. 1795-1797, 2023.

WADDEN, Thomas A. et al. Lifestyle modification for obesity: new developments in diet, physical activity, and behavior change. Circulation, Dallas, v. 142, n. 21, p. 2014-2024, 2020.

WILDING, John P. H. et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity. The New England Journal of Medicine, Boston, v. 384, n. 11, p. 989-1002, 2021.

PMC – NIH

WILDING, John P. H. et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: the STEP 1 trial extension. Diabetes, Obesity and Metabolism, Oxford, v. 24, n. 8, p. 1553-1564, 2022.

Emagreça e Continue Magro: na era das canetas, o protagonista continua sendo o estilo de vida

 

 O programa de emagrecimento sustentável da Lapinha combina intervenção intensiva sobre o estilo de vida, acompanhamento médico e, quando necessário, o uso criterioso das novas medicações para obesidade.

As chamadas “canetas emagrecedoras” mudaram profundamente o tratamento da obesidade. Semaglutida e tirzepatida podem produzir perdas de peso que, até poucos anos atrás, eram difíceis de alcançar apenas com medicamentos. No estudo SURMOUNT-1, por exemplo, a tirzepatida produziu perda média de até 20,9% do peso corporal em 72 semanas; no STEP 1, a semaglutida 2,4 mg associada à intervenção sobre o estilo de vida produziu perda média próxima de 15% em 68 semanas (Jastreboff et al., 2022; Wilding et al., 2021).

 

Mas, na Lapinha, não enxergamos essas medicações como concorrentes do nosso programa de emagrecimento. Enxergamos como aliadas. Por quê?

A eventual expectativa de que as novas medicações reduziriam a procura pelo programa “Emagreça e Continue Magro” não se confirmou. Há, primeiro, uma razão simples: a Lapinha oferece muito mais do que emagrecimento. Programas como Redução do Estresse, Bem Dormir Lapinha, Esporte e Performance, Saúde Sênior, Mayr Prevent, Detox, Saúde Personalizada e Antitabagismo, entre outros, têm objetivos próprios e continuam sendo procurados por pessoas que desejam, acima de tudo, mais saúde e qualidade de vida.

Mas existe uma segunda razão, mais profunda: a Lapinha nunca ensinou simplesmente a perder peso. Ensinamos a viver de maneira que o peso perdido possa ser mantido.

 

O medicamento pode abrir a janela. Quem precisa atravessá-la é o paciente.

A obesidade não é apenas um problema de força de vontade. Apetite, sono, estresse, ambiente alimentar, sedentarismo, relógio biológico, comportamento e metabolismo participam da sua manutenção.

Por isso, nosso programa utiliza a Intensive Lifestyle Intervention (ILI) — intervenção intensiva sobre o estilo de vida, baseada nas Medidas do Estilo de Vida (MEV):

  • alimentação saudável e individualizada;
  • atividade física adequada à condição e às preferências de cada pessoa;
  • sono adequado;
  • respeito ao ritmo circadiano e aos horários das refeições;
  • redução do estresse;
  • e, talvez o mais importante, a mudança da “chavinha mental”.

 

A caneta pode diminuir a fome. Mas ela não ensina, sozinha, a viver melhor.

É justamente aí que pode estar uma das grandes oportunidades proporcionadas pelos medicamentos incretínicos: ao reduzir o apetite e facilitar o emagrecimento, eles podem criar uma janela de oportunidade para que novos comportamentos sejam aprendidos, praticados e incorporados à vida.

 

Como funciona o “Emagreça e Continue Magro”

Nossa proposta é deliberadamente diferente de uma estratégia centrada exclusivamente na medicação.

Primeira etapa — estilo de vida.
O paciente inicia uma Intensive Lifestyle Intervention (ILI) estruturada, com acompanhamento e aplicação das Medidas do Estilo de Vida (MEV). O objetivo não é apenas perder peso, mas modificar as condições que levaram ao ganho de peso. Essa etapa pode se estender por pelo menos um ano.

Segunda etapa — quando necessário, apoio farmacológico.
Se, apesar de uma intervenção adequada sobre o estilo de vida, o paciente não consegue controlar o apetite, aderir ao plano ou atingir uma perda de peso clinicamente adequada, a farmacoterapia pode ser incorporada. Não substituímos as MEV pela medicação: acrescentamos a medicação às MEV. Em geral, esse apoio é mantido por pelo menos seis meses a um ano, com acompanhamento médico, avaliação de eficácia, tolerabilidade e segurança.

Terceira etapa — autonomia.
Quando possível, reduzimos progressivamente a dependência da medicação e reforçamos as MEV. Se o paciente consegue “voar sozinho”, mantendo as conquistas, segue sem medicamento. Se isso não for possível, a farmacoterapia pode ser retomada ou prolongada, de maneira individualizada e baseada em evidências.

O objetivo não é usar a maior quantidade possível de medicamento. É obter o máximo de benefício com o mínimo necessário.

 

E as novas medicações?

Hoje dispomos de diferentes agonistas incretínicos utilizados no tratamento do diabetes e/ou da obesidade, entre eles liraglutida, semaglutida e tirzepatida, além de outros agonistas do receptor de GLP-1 utilizados principalmente no diabetes, conforme indicação.

E a próxima geração já está chegando. Estão no radar moléculas como retatrutida, um agonista triplo de GIP/GLP-1/glucagon, CagriSema (cagrilintida + semaglutida), survodutida e outras estratégias em desenvolvimento. A retatrutida, por exemplo, apresentou resultados extraordinários nos estudos de fase 3 divulgados em 2026, com perdas de peso superiores a 20% em diferentes populações, mas ainda é investigacional e não deve ser confundida com medicamento disponível para uso clínico rotineiro.

Também surgem alternativas não injetáveis, como o orforglipron, um agonista oral de GLP-1 que já apresentou resultados de fase 3.

 

Perder peso sem perder saúde

Existe, entretanto, um lado da moeda que não pode ser ignorado. Perder peso não é necessariamente sinônimo de perder gordura.

Uma parte do peso perdido com medicamentos incretínicos pode corresponder à massa magra. No subestudo de composição corporal do SURMOUNT-1, aproximadamente 75% do peso perdido com tirzepatida correspondeu a gordura e 25% a massa magra. Isso não significa que a tirzepatida “cause perda muscular excessiva” — a proporção foi semelhante à observada no placebo —, mas mostra por que preservar músculo precisa fazer parte de qualquer programa sério de emagrecimento (Lundgren et al., 2025).

Por isso, na Lapinha, o acompanhamento não olha apenas para a balança. Avaliamos composição corporal, alimentação, atividade física e, especialmente, treinamento de força e adequada ingestão proteica, quando indicados.

Também acompanhamos cuidadosamente os efeitos adversos. Náuseas, vômitos, constipação e outros sintomas gastrointestinais são frequentes, sobretudo durante a escalada das doses. E existe uma questão que merece atenção especial: doenças da vesícula e das vias biliares. Uma grande metanálise de 76 ensaios clínicos encontrou aumento do risco desses eventos com agonistas de GLP-1, particularmente em doses maiores e tratamentos voltados à perda de peso (He et al., 2022).

Por isso, medicação eficaz não significa medicação inofensiva. A indicação, a dose, a duração, os exames e o acompanhamento precisam ser individualizados.

 

A filosofia da Lapinha

As canetas representam uma das maiores evoluções recentes no tratamento da obesidade. Não somos contra elas. Somos contra seu uso sem propósito.

Não queremos simplesmente produzir um número menor na balança. Queremos que a pessoa emagreça, preserve sua massa muscular, melhore seus marcadores metabólicos, durma melhor, movimente-se mais, coma melhor e adquira autonomia para cuidar da própria saúde.

É por isso que as canetas podem ser aliadas do “Emagreça e Continue Magro”, e não suas inimigas.

Perder peso sem perder a saúde.

Usar o medicamento quando ele é necessário — e não quando ele pode ser evitado.
Transformar a janela de oportunidade criada pela redução do apetite em uma mudança permanente de estilo de vida.

Porque, no final, a grande conquista não é apenas emagrecer. É viver melhor, com mais saúde e mais anos de vida com qualidade.

 

Referências

JASTREBOFF, A. M. et al. Tirzepatide once weekly for the treatment of obesity. New England Journal of Medicine, v. 387, p. 205-216, 2022. DOI: 10.1056/NEJMoa2206038.

WILDING, J. P. H. et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity. New England Journal of Medicine, v. 384, p. 989-1002, 2021. DOI: 10.1056/NEJMoa2032183.

HE, L. et al. Association of glucagon-like peptide-1 receptor agonist use with risk of gallbladder and biliary diseases: a systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials. JAMA Internal Medicine, v. 182, n. 5, p. 513-519, 2022. DOI: 10.1001/jamainternmed.2022.0338.

LUNDGREN, J. R. et al. Body composition changes during weight reduction with tirzepatide in the SURMOUNT-1 study of adults with obesity or overweight. Diabetes, Obesity and Metabolism, 2025. DOI: 10.1111/dom.16275.

JASTREBOFF, A. M. et al. Triple-hormone-receptor agonist retatrutide for obesity: a phase 2 trial. New England Journal of Medicine, v. 389, p. 514-526, 2023. DOI: 10.1056/NEJMoa2301972.

GARVEY, W. T. et al. Coadministered cagrilintide and semaglutide in adults with overweight or obesity. New England Journal of Medicine, v. 393, p. 635-647, 2025. DOI: 10.1056/NEJMoa2502081.

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