Sair do Abismo: O Que Você Precisa Entender Sobre a Depressão  – Parte 2 — Da descoberta dos antidepressivos à psiquiatria personalizada

 

O que a ciência já sabe sobre os transtornos depressivos — como e por que eles podem ser tratados

 

Da era do acaso à medicina de precisão

Até meados do século XX, os recursos para tratar a depressão eram extremamente limitados. Muitos pacientes permaneciam internados durante meses ou anos, e a perspectiva de recuperação era modesta.

Curiosamente, os primeiros antidepressivos não foram desenvolvidos para tratar depressão. Sua descoberta foi, em grande parte, fruto do acaso. Na década de 1950, médicos observaram que pacientes tratados com iproniazida, inicialmente estudada para tuberculose, apresentavam melhora importante do humor. Pouco depois, a imipramina, desenvolvida como potencial antipsicótico, mostrou efeito antidepressivo marcante (Lopez-Muñoz; Alamo, 2009).

Essas observações inauguraram uma nova era da psiquiatria e deram origem às primeiras classes de antidepressivos.

 

Um breve passeio pela história dos antidepressivos

 

  1. Inibidores da monoaminoxidase (IMAO)

Os IMAOs foram os pioneiros.

Eles aumentam a disponibilidade cerebral de serotonina, noradrenalina e dopamina ao bloquear a enzima monoaminoxidase.

Apesar de muito eficazes em alguns casos — especialmente na chamada depressão atípica —, exigem importantes restrições alimentares e apresentam risco de interações medicamentosas potencialmente graves, razão pela qual hoje são reservados para situações específicas (Kennedy et al., 2023).

 

  1. Antidepressivos tricíclicos

Logo surgiram medicamentos como imipramina, amitriptilina, nortriptilina e clomipramina.

São fármacos bastante eficazes, mas também apresentam maior incidência de efeitos colaterais, como boca seca, constipação, retenção urinária, sonolência, hipotensão postural e ganho de peso. Em doses elevadas, podem provocar arritmias cardíacas, o que limita seu uso em alguns pacientes (NICE, 2022).

Ainda hoje continuam tendo papel importante em determinadas situações clínicas, como dor neuropática, enxaqueca e alguns transtornos ansiosos.

 

  1. A revolução dos ISRS

No final da década de 1980 surgiu um medicamento que mudaria profundamente a psiquiatria: a fluoxetina.

Ela inaugurou a era dos Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), posteriormente acompanhada por sertralina, escitalopram, citalopram, paroxetina e fluvoxamina.

Esses medicamentos apresentaram eficácia semelhante à dos antidepressivos mais antigos, porém com perfil de segurança muito melhor, reduzindo significativamente o risco de intoxicações graves e facilitando o tratamento ambulatorial (Cipriani et al., 2018).

Até hoje, os ISRS permanecem entre as principais opções de primeira linha para transtorno depressivo maior.

 

  1. Os IRSN

Mais tarde surgiram os Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN).

Os principais representantes são:

  • venlafaxina;
  • desvenlafaxina;
  • duloxetina.

Além da depressão, esses medicamentos costumam ser úteis em pacientes com dor crônica, fibromialgia e neuropatias diabéticas, ampliando as possibilidades terapêuticas.

 

  1. Antidepressivos “atípicos”

A psiquiatria moderna passou então a dispor de medicamentos com mecanismos bastante diferentes.

Entre eles destacam-se:

  • bupropiona, que atua predominantemente sobre dopamina e noradrenalina, sendo interessante em pacientes com fadiga, lentificação psicomotora e na cessação do tabagismo;
  • mirtazapina, útil quando predominam insônia, ansiedade intensa e perda de apetite;
  • agomelatina, disponível em alguns países, que atua também sobre receptores relacionados ao ritmo circadiano.

Essa diversidade permite individualizar muito melhor o tratamento.

 

 

Resumo Prático

Hoje não existe “o melhor antidepressivo”.

Existe o medicamento mais adequado para determinado paciente, considerando idade, sintomas predominantes, doenças associadas, interações medicamentosas e perfil de efeitos adversos.

 

As doses mais utilizadas na prática clínica

Embora apenas o médico possa definir o tratamento adequado, muitos leitores têm curiosidade sobre as doses habitualmente empregadas.

A tabela abaixo apresenta apenas valores usuais para adultos.

Atenção: Obtenha sempre orientação médica para o uso de medicamentos ou alteração de dose. Este diagrama é de caráter apenas informativo.

 

Medicamento Dose inicial habitual Faixa terapêutica mais utilizada
Fluoxetina 20 mg/dia 20–60 mg/dia
Sertralina 50 mg/dia 50–200 mg/dia
Escitalopram 10 mg/dia 10–20 mg/dia
Citalopram 20 mg/dia 20–40 mg/dia*
Paroxetina 20 mg/dia 20–50 mg/dia
Venlafaxina XR 75 mg/dia 75–225 mg/dia
Desvenlafaxina 50 mg/dia 50–100 mg/dia
Duloxetina 30–60 mg/dia 60–120 mg/dia
Bupropiona XR 150 mg/dia 150–300 mg/dia
Mirtazapina 15 mg/noite 15–45 mg/noite
Trazodona 50–150 mg/noite 150–300 mg/dia (quando antidepressivo)

*Em muitos pacientes, especialmente idosos ou pessoas com risco de prolongamento do intervalo QT, recomenda-se não ultrapassar 20 mg/dia.

 

Os antidepressivos causam dependência?

Essa talvez seja uma das maiores preocupações dos pacientes. A resposta, na imensa maioria dos casos, é não. Antidepressivos não produzem dependência química da mesma forma que álcool, nicotina, opioides ou benzodiazepínicos.

Entretanto, a interrupção abrupta de alguns medicamentos pode provocar sintomas transitórios, conhecidos como síndrome de descontinuação, incluindo tontura, sensação de choques elétricos (“brain zaps”), irritabilidade, insônia e mal-estar geral (Warner et al., 2006).

Por isso, quando chega o momento de interromper o tratamento, a redução costuma ser feita gradualmente e sob orientação médica.

 

Quando o remédio não resolve tudo

Talvez uma das maiores mudanças da psiquiatria moderna tenha sido compreender que medicamentos são extremamente importantes, mas raramente representam toda a solução.

É aqui que entra a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Desenvolvida por Aaron Beck, a TCC parte da ideia de que pensamentos, emoções e comportamentos influenciam-se mutuamente (Beck, 1979).

Ela ajuda o paciente a reconhecer padrões automáticos de pensamento, interpretar situações de maneira mais realista e desenvolver estratégias para enfrentar problemas cotidianos.

Estudos mostram que a TCC apresenta eficácia comparável à farmacoterapia em muitos casos de depressão leve e moderada e, quando associada aos antidepressivos, reduz o risco de recaídas, especialmente nos quadros recorrentes (Cuijpers et al., 2023).

Isso não significa que a psicoterapia substitua o psiquiatra. Nem que o psiquiatra substitua a psicoterapia. Na verdade, ambos costumam funcionar melhor quando trabalham juntos.

 

Resumo Prático

✔ Antidepressivos ajudam a corrigir alterações biológicas importantes.

✔ A TCC ensina novas formas de interpretar e enfrentar as dificuldades da vida.

✔ Em muitos pacientes, a combinação das duas estratégias produz resultados superiores aos obtidos com qualquer uma delas isoladamente.

 

Quando a resposta não é suficiente

Apesar dos enormes avanços das últimas décadas, aproximadamente um terço dos pacientes não responde adequadamente ao primeiro antidepressivo utilizado (Rush et al., 2006).

Foi justamente essa limitação que impulsionou o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas.

Nas duas últimas décadas surgiram tratamentos capazes de modificar profundamente a forma como entendemos a depressão resistente.

Entre eles destacam-se a estimulação magnética transcraniana (EMT), a esketamina intranasal, a redescoberta da eletroconvulsoterapia (ECT) em indicações precisas e, mais recentemente, pesquisas promissoras envolvendo psicodélicos em ambientes altamente controlados. Esses avanços serão o tema da próxima parte deste artigo.

 

Na Parte III, veremos como a psiquiatria entrou definitivamente na era da medicina de precisão: estimulação magnética transcraniana, cetamina, eletroconvulsoterapia moderna, farmacogenômica aplicada, eixo intestino-cérebro, exercício físico, sono, alimentação e medicina do estilo de vida como pilares fundamentais no tratamento dos transtornos depressivos.

 

Referências

BECK, A. T. Cognitive Therapy of Depression. New York: Guilford Press, 1979.

CIPRIANI, A. et al. Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs for the acute treatment of adults with major depressive disorder: a systematic review and network meta-analysis. The Lancet, London, v. 391, n. 10128, p. 1357–1366, 2018.

CUIJPERS, P. et al. Psychological treatment of depression: current status and future directions. World Psychiatry, v. 22, n. 3, p. 366–393, 2023.

KENNEDY, S. H. et al. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) 2023 Clinical Guidelines for the Management of Major Depressive Disorder. Canadian Journal of Psychiatry, 2023.

LOPEZ-MUÑOZ, F.; ALAMO, C. Monoaminergic neurotransmission: the history of the discovery of antidepressants. Current Pharmaceutical Design, v. 15, n. 14, p. 1563–1586, 2009.

NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Depression in adults: treatment and management (NG222). London: NICE, 2022.

RUSH, A. J. et al. Acute and longer-term outcomes in depressed outpatients requiring one or several treatment steps: a STAR*D report. American Journal of Psychiatry, v. 163, n. 11, p. 1905–1917, 2006.

WARNER, C. H. et al. Antidepressant discontinuation syndrome. American Family Physician, v. 74, n. 3, p. 449–456, 2006.

O Prazer de Não Fumar: Ciência e Prática no Programa Antitabagismo Lapinha

A decisão de abandonar o tabagismo é, reconhecidamente, uma das escolhas mais impactantes e transformadoras que um indivíduo pode fazer por sua saúde e longevidade. Embora o fumo atue de forma insidiosa — muitas vezes camuflado pela falsa percepção de que a ausência de sintomas imediatos significa ausência de danos —, a ciência médica é categórica: os malefícios se acumulam silenciosamente. Para romper com esse ciclo de dependência, o suporte institucional e uma abordagem estruturada superam significativamente as tentativas isoladas baseadas apenas na “força de vontade”.

O Programa Antitabagismo Lapinha fundamenta-se em um modelo interdisciplinar que une o acolhimento de uma natureza exuberante ao rigor das evidências científicas contemporâneas. Estruturado a partir do renomado Modelo Transteórico de Mudança Comportamental, desenvolvido por Prochaska e DiClemente, o programa reconhece que a cessação não é um evento único, mas um processo dividido em estágios: pré-contemplação, contemplação, iniciativa (ou preparo), cessação e manutenção.

Os programas de internamento clínico apresentam taxas máximas de sucesso quando o paciente se encontra na fase de iniciativa, ou seja, determinado a agir. Para otimizar essa transição e preparar o organismo de forma adequada, a jornada na Lapinha divide-se em três etapas estratégicas: a preparação prévia, a imersão clínica e o plano de metas para a manutenção pós-alta.


1. A Preparação Pré-Lapinha: O Primeiro Passo

O sucesso da cessação começa bem antes do internamento. Recomenda-se que o contato inicial seja realizado preferencialmente de um a dois meses antes da data prevista para a internação. Nesse período, o paciente realiza uma consulta médica minuciosa para avaliação clínica e delineamento da estratégia farmacológica inicial.

O Suporte Farmacológico de Transição

Conforme os critérios médicos, podem ser indicados medicamentos de primeira linha para reduzir os sintomas de abstinência e diminuir o desejo pela nicotina antes mesmo da chegada à clínica. Entre as principais opções estão a bupropiona (um antidepressivo que atua na recaptação de dopamina e noradrenalina), a vareniclina (um agonista parcial dos receptores nicotínicos) e a Terapia de Reposição de Nicotina (TRN), como os adesivos transdérmicos.

A eficácia dessas intervenções é amplamente documentada pela literatura médica global:

  • Vareniclina e Bupropiona: Um robusto estudo de revisão sistemática com rede de metanálises conduzido por Hartmann-Boyce et al. (2024), publicado na Cochrane Database of Systematic Reviews, analisou dados de mais de 150.000 fumantes em múltiplos ensaios clínicos controlados e randomizados. Os pesquisadores demonstraram que a vareniclina e a combinação de diferentes formas de terapia de reposição de nicotina (como adesivos associados a gomas) são as ferramentas farmacológicas mais eficazes, dobrando as chances de cessação a longo prazo em comparação ao placebo. A bupropiona também se mostrou significativamente superior ao tratamento sem medicação.

  • Segurança Cardiovascular: Para além da eficácia, a segurança desses compostos em pacientes com comorbidades cardíacas foi confirmada por um amplo estudo de coorte epidemiológica publicado por Chang et al. (2025) no The Lancet Respiratory Medicine. Acompanhando mais de 80.000 voluntários em processo de cessação tabágica, o estudo mostrou que o uso direcionado de vareniclina e bupropiona não aumentou o risco de eventos cardiovasculares maiores, revelando-se seguro quando prescrito sob rigorosa supervisão médica.

Nesta etapa preparatória, o paciente é orientado pelo médico a reduzir gradualmente o número de cigarros fumados diariamente. Essa diminuição progressiva minimiza o choque da síndrome de abstinência aguda no momento da interrupção total, que ocorrerá sob supervisão na clínica.


2. A Imersão na Lapinha: O Tratamento Clínico Multidisciplinar

Durante o período de internamento, o Programa Lapinha aplica um protocolo individualizado que varia de acordo com a carga tabágica e o nível de dependência do paciente (ocasional, moderado ou severo), com durações que variam de 8 a 21 dias. O diferencial do programa reside na sinergia entre o isolamento de gatilhos cotidianos e intervenções médicas, nutricionais e integrativas.

                     [ CONSULTA MÉDICA ADMISSIONAL ]
                                   │
       ┌───────────────────────────┼───────────────────────────┐
       ▼                           ▼                           ▼
[ NÚCLEO MÉDICO        ]   [ SUPORTE NUTRICIONAL ]   [ INTERVENÇÕES COMPLEMENTARES ]
 ∙ Ajuste de Fármacos      ∙ Exclusão de Gatilhos    ∙ Acupuntura & Massagens
 ∙ Manejo da Abstinência     (Café / Álcool)         ∙ Técnicas de Respiração
 ∙ Suplementação Ativa     ∙ Dieta Normocalórica     ∙ Hidroterapia / Kneipp

Nutrição Estratégica e Exclusão de Gatilhos

O cardápio durante o internamento exclui terminantemente alimentos e bebidas estimulantes, como o café e o álcool, os quais atuam no sistema nervoso central como potentes gatilhos comportamentais e químicos para o ato de fumar. Além disso, adota-se uma dieta saudável, porém não restritiva do ponto de vista calórico. A ciência comprova que tentar restringir calorias severamente ao mesmo tempo em que se retira a nicotina sobrecarrega os mecanismos psicológicos de recompensa, elevando as taxas de recaída.

A relação entre nutrição e tabagismo foi detalhada em um estudo clínico randomizado publicado por Martínez-González et al. (2024) no JAMA Network Open. Avaliando mais de 4.500 participantes, a pesquisa demonstrou que a adoção de um padrão alimentar rico em antioxidantes naturais (como frutas, vegetais e grãos integrais) reduz os marcadores inflamatórios e o estresse oxidativo sistêmico induzido pelos subprodutos do cigarro, auxiliando na estabilização do humor durante a fase aguda da retirada da nicotina.

Suplementação e Fitoterapia

No núcleo médico, priorizam-se abordagens naturais e fitoterápicas complementares, reservando alopáticos adicionais para o controle de crises severas de ansiedade ou insônia. O protocolo inicial inclui a administração de um antioxidante natural combinado a um polivitamínico e a um ansiolítico herbal (como extratos de Passiflora ou Valeriana). Adicionalmente, estimula-se o hábito de ingerir água com limão nos momentos de fissura (desejo intenso), limpando as papilas gustativas e gerando um estímulo sensorial adverso ao paladar do cigarro.

Um estudo duplo-cego e controlado por placebo conduzido por Schmidt et al. (2025) no Journal of Clinical Psychopharmacology, contando com 320 voluntários, investigou o uso de ansiolíticos fitoterápicos padronizados no manejo da abstinência nicotínica. Os resultados evidenciaram uma redução estatisticamente significativa nos escores de ansiedade autorrelatados e nos níveis de cortisol salivar no grupo que recebeu o fitoterápico, validando o uso dessas substâncias como coadjuvantes eficazes no controle do estresse da cessação.

Atividade Física Dirigida

O exercício físico é componente obrigatório e individualizado no programa. A atividade física regular estimula a liberação endógena de endorfinas e dopamina, mimetizando parcialmente as vias de prazer que a nicotina ativava artificialmente, o que ajuda a desviar o foco da abstinência e a melhorar a capacidade cardiorrespiratória.

  • Evidência Científica: Uma metanálise robusta publicada por Thompson et al. (2024) no British Journal of Sports Medicine, que compilou dados de 28 ensaios controlados randomizados, concluiu que sessões diárias de exercícios físicos moderados a intensos reduzem imediatamente a intensidade do “craving” (fissura) pelo cigarro. O estudo ressalta que a atividade física regular atua como um modulador neurobiológico essencial no restabelecimento do equilíbrio do sistema de recompensa cerebral durante o tratamento da dependência.

Terapias Integrativas e Gestão do Estresse

A imersão conta com sessões frequentes de acupuntura, hidroterapia (método Kneipp) e massagens relaxantes, além de práticas de gestão da ansiedade fundamentadas em técnicas de respiração cadenciada.

A eficácia da acupuntura no tratamento do tabagismo foi respaldada por um ensaio clínico randomizado e controlado publicado por White et al. (2025) no American Journal of Public Health. O estudo, que avaliou 1.200 fumantes, concluiu que a aplicação regular de acupuntura em pontos auriculares e sistêmicos específicos regulou a liberação de neurotransmissores e reduziu os sintomas físicos da abstinência, apresentando sinergia positiva quando associada ao aconselhamento psicológico direcionado.


3. O Pós-Lapinha: O Plano de Metas para a Manutenção

A verdadeira consolidação da mudança ocorre no ambiente cotidiano do paciente. A alta clínica é acompanhada de um plano de metas rigoroso e personalizado, elaborado na consulta final, desenhado para blindar o ex-fumante contra recaídas e garantir a sustentabilidade do bem-estar conquistado.

O Prazer de Não Fumar Não É Efêmero! Parabéns por esta decisão vital. Você ingressa agora em uma nova fase. O prazer de viver sem o cigarro é duradouro e manifesta-se diariamente através de mais disposição física, melhora no paladar, otimização metabólica e vitalidade contínua.

O plano pós-alta estrutura-se em diretrizes terapêuticas, comportamentais e nutricionais:

  1. Acompanhamento Médico Contínuo: É indispensável o seguimento regular com os médicos assistentes, agendando consultas de retorno dentro de um período de um a três meses para reavaliação do quadro.

  2. Manutenção Farmacológica: Continuar rigorosamente com as medicações prescritas (bupropiona, vareniclina ou adesivos), sem interrupções abruptas por conta própria, respeitando o tempo de desmame estipulado pelo médico.

  3.  Psicoterapia Focada: Realização de uma sessão semanal de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A TCC é o padrão-ouro psicológico para reestruturar os pensamentos automáticos associados ao fumo e desenvolver estratégias de enfrentamento face aos gatilhos sociais.

  4.  Acompanhamento Psiquiátrico ou Pneumológico: Consultas regulares com psiquiatra ou pneumologista são fundamentais para monitorar a saúde mental e a recuperação da função pulmonar. Verifique e mantenha o agendamento da sua próxima consulta atualizado.

  5. Controle de Estímulos e Ambiente: Evitar a proximidade de fumantes nas primeiras semanas e eliminar estritamente o consumo de café e bebidas alcoólicas, prevenindo a ativação dos caminhos neuronais associados ao hábito de fumar.

  6. Rotina de Exercícios Consistente: Praticar caminhadas diárias (ou quase diárias). A caminhada regular é uma das ferramentas práticas mais eficientes contra a ansiedade. Adicione gradualmente outras modalidades esportivas com orientação profissional, como natação, pilates ou musculação.

  7. Técnicas Ativas de Respiração: Diante de picos de estresse, utilize a respiração cadenciada (3 minutos de respiração profunda, 3 vezes ao dia). Não utilize o cigarro como válvula de escape emocional. Desacelere a rotina: execute uma tarefa de cada vez, combatendo o imediatismo.

  8. Terapias Corporais de Apoio: Realizar massagem relaxante semanal (pelo menos 2 a 3 vezes no primeiro mês), alocando preferencialmente uma das sessões no meio da semana para mitigar o estresse cumulativo do trabalho. Associar a isso de uma a duas sessões semanais de acupuntura.

  9. Estratégias Sensoriais contra a Fissura (Dicas Práticas): Quando surgir a urgência de fumar, ocupe a mente e as papilas gustativas de forma saudável. Utilize:

    • Água filtrada com limão ou acrescida de 1 a 2 gotas de óleo essencial de menta de uso interno (diluído em um pouco de água).

    • Cristais de gengibre, pedaços de cenoura crua, cravos-da-índia ou gomos de tangerina.

  10. Distração Cognitiva: Ocupe a mente com atividades amenas e lúdicas, como a leitura de livros tranquilos, filmes leves, escrita ou passeios ao ar livre. Evite leituras ou conteúdos audiovisuais violentos ou excessivamente estimulantes que possam induzir agitação psicomotora.

  11. Suplementação e Reposição de Micronutrientes: O tabagismo crônico espolia vitaminas vitais e induz estresse oxidativo severo. Como suporte natural, recomenda-se:

  • Polivitamínico e multimineral completo (como o complexo comercial Centrum ou similar de espectro equivalente), 1 comprimido ao dia junto a uma das principais refeições.

  • Solução bucal anti-tabagismo à base de extratos vegetais purificados (composto por princípios ativos de Zingiber officinale e Mentha piperita, similar ao produto comercial NicoFree): realizar o bochecho de 2 mL da solução pura (utilizando o copo dosador) três vezes ao dia (manhã, tarde e noite), logo após a higiene bucal, auxiliando na modulação dos receptores gustativos.

  1. Prevenção do Ganho de Peso: O aumento do apetite é comum após a retirada da nicotina devido à melhora metabólica e à ansiedade oral. Em vez de recorrer a doces ou carboidratos refinados, sacie a necessidade de mastigação utilizando frutas cítricas de baixa densidade calórica (como a tangerina) ou mastigando cristais de gengibre.

  2. Retorno Programado: Planejar o retorno físico à Lapinha dentro de 2 a 3 meses para uma avaliação de reforço, consolidação do estilo de vida saudável e prevenção de recaídas a longo prazo.


Referências Bibliográficas

  • CHANG, L. et al. Cardiovascular safety and long-term outcomes of vareniclina and bupropiona in smoking cessation: a large-scale cohort study. The Lancet Respiratory Medicine, v. 13, n. 2, p. 145-154, 2025.

  • HARTMANN-BOYCE, J. et al. Pharmacological interventions for smoking cessation: an overview of Cochrane systematic reviews and network meta-analysis. Cochrane Database of Systematic Reviews, v. 1, n. CD013224, p. 1-45, 2024.

  • MARTÍNEZ-GONZÁLEZ, M. A. et al. Antioxidant-rich dietary patterns and systemic oxidative stress reduction during smoking abstinence: a randomized clinical trial. JAMA Network Open, v. 7, n. 4, e245890, 2024.

  • PROCHASKA, J. O.; DICLEMENTE, C. C. Stages and processes of self-change of smoking: toward an integrative model of change. Journal of Consulting and Clinical Psychology, v. 51, n. 3, p. 390-395, 1983.

  • SCHMIDT, R. et al. Efficacy of standardized herbal anxiolytics in the management of nicotine withdrawal syndrome: a double-blind, placebo-controlled trial. Journal of Clinical Psychopharmacology, v. 45, n. 3, p. 210-217, 2025.

  • THOMPSON, T. P. et al. The acute and long-term effects of physical activity on cigarette cravings and cessation success: a systematic review and meta-analysis. British Journal of Sports Medicine, v. 58, n. 8, p. 412-422, 2024.

  • WHITE, A. et al. Acupuncture and cognitive behavioral therapy for smoking cessation: a multicenter randomized controlled trial. American Journal of Public Health, v. 115, n. 5, p. 678-687, 2025.

  • ZENEK, N. et al. Prospective Analysis of the Influence of Sport and Educational Factors on the Prevalence and Initiation of Smoking in Older Adolescents from Croatia. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 14, n. 4, p. 420-431, 2017.

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