“Medicina regenerativa” e “medicina da longevidade”:  avanços da ciência ou apenas promessas?

 

 O que realmente funciona, o que ainda é experimental e por que os hábitos mais simples continuam sendo nossos maiores aliados para viver mais e melhor.

 

Introdução: a busca pela juventude

Quem não gostaria de envelhecer preservando a vitalidade, a memória, a autonomia e a capacidade de aproveitar a vida?

Essa aspiração legítima movimenta uma área crescente da medicina: a chamada medicina da longevidade, frequentemente associada à medicina regenerativa.

Nos últimos anos, surgiram tratamentos que prometem retardar ou até reverter o envelhecimento: células-tronco, exossomos, reposição de NAD+, medicamentos que eliminariam células envelhecidas, terapias hormonais, suplementos sofisticados e infusões intravenosas anunciadas como verdadeiros “soros da juventude”.

Há descobertas científicas importantes por trás de algumas dessas propostas. Entretanto, existe uma distância considerável entre identificar um mecanismo do envelhecimento em laboratório e demonstrar que determinado tratamento realmente prolonga a vida humana com saúde.

Essa distinção é fundamental.

Como destacam Joshi, Singh e Rowley (2025), a medicina da longevidade precisa separar as inovações sustentadas por evidências das ofertas comerciais cuja eficácia ainda não foi demonstrada.

O aspecto mais interessante dessa discussão talvez seja justamente o menos espetacular: aquilo que comprovadamente faz diferença na saúde e na longevidade continua sendo, em grande parte, simples, acessível e conhecido há muito tempo.

Alimentar-se adequadamente, movimentar-se, dormir bem, administrar o estresse, cultivar relações humanas e prevenir doenças têm uma sustentação científica muito superior à maioria das intervenções comercializadas como antienvelhecimento.

 

  1. Afinal, o que é “medicina regenerativa”?

A assim chamada “medicina regenerativa” (não se trata de uma especialidade médica reconhecida) procura reparar, substituir ou restaurar tecidos e funções comprometidas por doenças ou lesões.

Ela é uma área legítima e promissora da ciência. O transplante de células-tronco hematopoéticas, utilizado em determinadas doenças do sangue, é um exemplo consolidado. Existem também tratamentos celulares para lesões específicas da superfície ocular e terapias gênicas para determinadas doenças hereditárias (EMA, 2026; FDA, 2023).

São conquistas importantes, mas precisam ser compreendidas corretamente: restaurar um tecido doente não significa rejuvenescer todo o organismo.

A medicina voltada para a promoção da longevidade, conhecida como “medicina da longevidade” (não existe uma especialidade médica reconhecida com esse nome) por sua vez, pretende compreender os mecanismos biológicos do envelhecimento e encontrar maneiras de preservar a saúde por mais tempo.

Seu objetivo mais relevante não deveria ser simplesmente aumentar o número de anos vividos, mas ampliar os anos vividos com saúde, independência e qualidade de vida — conceito conhecido como healthspan.

A ciência já identificou processos envolvidos no envelhecimento, incluindo inflamação crônica, alterações mitocondriais, senescência celular e modificações epigenéticas. O grande desafio é transformar esse conhecimento em tratamentos que comprovadamente beneficiem pessoas, e não apenas células de laboratório ou animais.

 

  1. As principais terapias: o que funciona e o que ainda é promessa?

Células-tronco e exossomos

Avaliação: eficácia comprovada em indicações específicas; rejuvenescimento geral não comprovado.

As células-tronco possuem capacidade de originar determinados tipos celulares e participar da reparação de tecidos. Os exossomos são pequenas vesículas liberadas pelas células, envolvidas na comunicação celular.

A possibilidade de utilizar esses mecanismos para reparar órgãos é fascinante.

Entretanto, aplicações de células-tronco ou exossomos para “rejuvenescer o organismo”, recuperar indiscriminadamente articulações, revitalizar órgãos ou prevenir doenças do envelhecimento ainda não possuem validação clínica suficiente.

A FDA alerta para a comercialização de produtos celulares e de exossomos sem aprovação para numerosas indicações, inclusive ortopédicas e neurológicas (FDA, 2020).

Perspectiva futura: promissora para doenças e tecidos específicos. A regeneração generalizada do organismo, contudo, permanece uma possibilidade muito mais distante.

Um exemplo ajuda a compreender: reparar uma córnea lesionada é um objetivo médico bem definido. Aplicar células-tronco intravenosamente em uma pessoa saudável prometendo rejuvenescer todos os seus órgãos é uma proposta completamente diferente, ainda sem demonstração convincente de benefício.

 

Plasma rico em plaquetas (PRP)

Avaliação: resultados variáveis conforme a indicação; não é tratamento comprovado para longevidade.

O PRP é preparado a partir do sangue do próprio paciente e concentra plaquetas que liberam substâncias envolvidas na reparação tecidual.

Existem estudos sugerindo benefícios em algumas condições musculoesqueléticas e dermatológicas, mas os resultados dependem da doença, do preparo e da técnica utilizada.

No estudo RESTORE, publicado no JAMA, 288 pacientes com osteoartrite do joelho foram avaliados. Após 12 meses, o PRP não demonstrou melhora significativa da dor ou preservação da cartilagem em comparação com placebo (Bennell et al., 2021).

Isso não encerra a discussão sobre todas as possíveis aplicações do PRP, mas mostra por que resultados promissores de estudos pequenos devem ser interpretados com cautela.

Perspectiva futura: razoável para algumas indicações localizadas; inexistem evidências consistentes de que retarde o envelhecimento geral.

 

NAD+ e seus precursores: NMN e NR

Avaliação: efeitos bioquímicos demonstrados; benefícios clínicos antienvelhecimento ainda não comprovados.

O NAD+ é uma molécula indispensável ao metabolismo energético celular. Seus níveis podem diminuir com a idade, despertando interesse em estratégias para aumentá-los.

Substâncias como NMN e nicotinamida ribosídeo (NR) conseguem elevar marcadores relacionados ao NAD+ no organismo.

Porém, aumentar a concentração de uma molécula não significa necessariamente melhorar a saúde ou prolongar a vida.

Uma revisão sistemática publicada em 2026, envolvendo 33 estudos de intervenção em humanos, encontrou resultados clínicos inconsistentes. Também não identificou ensaios elegíveis que demonstrassem benefícios antienvelhecimento de infusões de NAD+ intravenoso ou intramuscular (Gallagher; Emmanuel, 2026).

Perspectiva futura: biologicamente interessante, mas ainda incerta. Por enquanto, as infusões de NAD+ vendidas como terapias de longevidade estão muito mais próximas de uma promessa comercial do que de um tratamento validado.

 

Metformina, rapamicina e senolíticos

Avaliação: medicamentos com usos clínicos definidos ou pesquisas experimentais; prevenção geral do envelhecimento não comprovada.

A metformina, amplamente utilizada no diabetes, despertou interesse por seus possíveis efeitos em vias metabólicas relacionadas ao envelhecimento.

A rapamicina, utilizada em situações específicas, como imunossupressão, interfere em mecanismos celulares ligados ao crescimento e à sobrevivência.

Já os senolíticos procuram eliminar células senescentes — células que perderam a capacidade de se dividir, mas podem permanecer metabolicamente ativas e contribuir para processos inflamatórios.

Os resultados em animais estimularam grande entusiasmo.

Entretanto, uma revisão sistemática publicada em outubro de 2026 identificou apenas seis estudos clínicos humanos concluídos elegíveis envolvendo intervenções contra a senescência celular. Embora existam sinais preliminares de atividade biológica e possíveis benefícios funcionais, a eficácia clínica e a segurança de longo prazo permanecem insuficientemente estabelecidas (Trivedi et al., 2026).

Perspectiva futura: real e cientificamente relevante, especialmente para doenças relacionadas à idade. Mas isso não justifica seu uso indiscriminado em pessoas saudáveis.

A mesma cautela vale para compostos como espermidina e resveratrol, frequentemente promovidos como estimuladores de mecanismos celulares de longevidade: plausibilidade biológica não equivale a benefício clínico demonstrado.

 

Reposição hormonal e hormônio do crescimento

Avaliação: úteis quando existe indicação médica; não são tratamentos gerais de rejuvenescimento.

Algumas alterações hormonais acompanham o envelhecimento e podem contribuir para sintomas e doenças.

Em situações apropriadas, a terapia hormonal da menopausa pode melhorar sintomas importantes, enquanto a testosterona pode ser indicada em determinados casos de hipogonadismo comprovado.

Isso não significa que repor hormônios em qualquer pessoa mais velha seja uma estratégia de longevidade.

A Sociedade de Endocrinologia ressalta que intervenções com hormônio do crescimento em indivíduos idosos sem deficiência estabelecida não demonstraram benefícios que superem seus riscos (Cappola et al., 2023).

Perspectiva futura: a endocrinologia continuará avançando, mas corrigir uma deficiência é diferente de tentar transformar artificialmente o perfil hormonal de uma pessoa saudável em um suposto perfil juvenil.

 

Soroterapia, vitaminas intravenosas e suplementos da longevidade

Avaliação: indicações médicas específicas são válidas; rejuvenescimento e prevenção geral de doenças não são comprovados.

Misturas intravenosas contendo vitaminas, antioxidantes, minerais e outras substâncias passaram a ser oferecidas para aumentar energia, melhorar a imunidade, combater o estresse e retardar o envelhecimento.

Em julho de 2026, a Anvisa publicou um alerta esclarecendo que não existem evidências científicas que comprovem esses benefícios em pessoas saudáveis. Além disso, a administração intravenosa pode provocar infecções, reações alérgicas e outras complicações (ANVISA, 2026).

A reposição intravenosa é perfeitamente legítima quando existe indicação clínica, como certas deficiências graves, desidratação ou impossibilidade de absorção adequada. O mesmo raciocínio vale para suplementos por via oral.

Vitamina B12 em pessoas com deficiência, por exemplo, pode ser indispensável. Proteína suplementar pode auxiliar indivíduos que não conseguem atingir suas necessidades alimentares, e a creatina possui evidências de benefício para desempenho e força muscular, especialmente associada ao treinamento.

Mas suplementar uma necessidade comprovada é muito diferente de consumir dezenas de produtos na esperança de retardar o envelhecimento.

A força-tarefa americana de prevenção concluiu que não existem evidências suficientes para recomendar a maioria dos suplementos vitamínicos para prevenir câncer ou doenças cardiovasculares em adultos sem deficiências nutricionais. Para betacaroteno e vitamina E, recomenda não utilizá-los com essa finalidade (USPSTF, 2022). Consumidos através dos alimentos naturais, são indiscutivelmente saudáveis. Mas como suplementos e usados sem necessidade e sem indicação, podem exibir efeitos deletérios, até aumentando o risco de câncer, em vez de diminuir.

Perspectiva futura: alguns compostos poderão revelar aplicações importantes, mas os coquetéis comerciais antienvelhecimento permanecem sem fundamentação clínica convincente.

 

Relógios biológicos, testes epigenéticos e telômeros

Avaliação: instrumentos científicos úteis para pesquisa; aplicação clínica individual ainda não validada.

Hoje existem exames capazes de estimar uma suposta idade biológica a partir de alterações químicas do DNA, conhecidas como marcas epigenéticas.

São ferramentas interessantes para estudar populações e investigar processos associados ao envelhecimento.

O problema surge quando pequenas mudanças nesses marcadores são apresentadas como prova de rejuvenescimento.

No estudo CALERIE, uma intervenção alimentar com restrição calórica produziu modesta alteração em um marcador da velocidade do envelhecimento, mas não melhorou significativamente outros relógios epigenéticos avaliados (Waziry et al., 2023).

Uma análise publicada em 2025 também apontou limitações importantes desses testes para orientar decisões médicas individuais (Apsley et al., 2025).

Perspectiva futura: promissora para pesquisa e possível estratificação de riscos, mas ainda não permite afirmar que alguém “rejuvenesceu cinco anos” porque determinado resultado laboratorial mudou.

 

Plasma jovem e outras intervenções sofisticadas

Avaliação: sem comprovação de rejuvenescimento humano.

Infusões de plasma de doadores jovens, oxigenoterapia hiperbárica com finalidade antienvelhecimento, crioterapia corporal e diversos procedimentos de biohacking são frequentemente apresentados com argumentos científicos sofisticados e atraentes.

Algumas dessas técnicas possuem aplicações médicas legítimas. A oxigenoterapia hiperbárica, por exemplo, tem indicações reconhecidas em condições específicas.

Entretanto, isso não demonstra que sua aplicação em pessoas saudáveis retarde o envelhecimento.

A FDA reafirmou, em 2024, que não conhece evidências demonstrando benefícios clínicos do plasma de doadores jovens para prevenir o envelhecimento ou doenças relacionadas à idade (FDA, 2024).

Perspectiva futura: variável, dependendo da técnica, mas distante de justificar promessas generalizadas de rejuvenescimento.

 

  1. Quando a medicina moderna realmente contribui para viver mais?

É importante evitar um equívoco: questionar procedimentos antienvelhecimento não significa rejeitar medicamentos ou tecnologias modernas.

O tratamento adequado da hipertensão, do colesterol elevado, do diabetes e da obesidade, assim como vacinas, rastreamentos apropriados e terapias eficazes contra doenças, pode prevenir complicações graves e preservar anos de vida.

Um exemplo contemporâneo é o estudo SELECT, no qual a semaglutida (que é um peptídeo, comercialmente conhecido como Ozempic) reduziu em aproximadamente 20% o risco relativo de eventos cardiovasculares maiores em pessoas com doença cardiovascular estabelecida e sobrepeso ou obesidade, sem diabetes (Kushner et al., 2024).

Esse é um benefício clínico mensurável em uma população definida, e não uma promessa genérica de rejuvenescimento.

A boa medicina da longevidade deve integrar prevenção, diagnóstico e tratamentos indicados, sem transformar o envelhecimento normal em uma doença que exija intervenções caras e permanentes.

 

  1. As Blue Zones: o que podemos aprender com quem vive mais?

Algumas regiões do mundo se tornaram conhecidas como Blue Zones, ou zonas azuis, pela presença de populações com elevada longevidade.

Não são comunidades reconhecidas por dependerem de soros da juventude, suplementação excessiva ou procedimentos regenerativos.

Entre os exemplos tradicionalmente divulgados estão Okinawa, no Japão; Sardenha, na Itália; Nicoya, na Costa Rica; Ikaria, na Grécia; e Loma Linda, nos Estados Unidos.

Uma revisão científica recente, destaca diferenças na qualidade das evidências demográficas. Okinawa, Ogliastra — na Sardenha — e Nicoya possuem documentação mais consistente, enquanto outras regiões exigem investigações adicionais. Algumas também perderam parte de sua vantagem de longevidade nas últimas décadas (Candal-Pedreira et al., 2026).

Fatores genéticos, condições sociais, ambiente e qualidade dos registros populacionais também influenciam os resultados.

Ainda assim, existe uma observação especialmente interessante: muitos hábitos tradicionais dessas comunidades são extraordinariamente simples.

A alimentação costuma apresentar forte presença de vegetais, leguminosas e alimentos pouco processados. O movimento integra as atividades cotidianas, como caminhar, cultivar hortas e realizar tarefas domésticas.

As relações familiares e comunitárias têm importância especial. Há espaço para convivência, descanso, espiritualidade ou senso de propósito, dependendo da cultura local.

O que chama atenção não é aquilo que essas pessoas acrescentaram à vida por meio de tratamentos sofisticados, mas a maneira como organizam o cotidiano.

Sua experiência sugere uma mensagem valiosa: a saúde pode ser favorecida por um ambiente em que viver bem seja parte natural de cada dia.

 

  1. Os verdadeiros pilares da longevidade

Alimentação: a intervenção diária mais poderosa

O alimento não oferece apenas calorias. Fornece nutrientes, fibras e compostos que participam da construção de uma microbiota intestinal saudável e manutenção e do funcionamento do organismo.

Padrões alimentares com elevada presença de verduras, frutas, leguminosas, cereais integrais, oleaginosas e gorduras de boa qualidade são consistentemente associados a melhores resultados de saúde.

O clássico estudo PREDIMED, republicado após correções metodológicas, demonstrou redução de eventos cardiovasculares importantes com padrões de dieta mediterrânea em pessoas de elevado risco cardiovascular (Estruch et al., 2018).

Não é necessário seguir uma alimentação exótica, comprar produtos caros nem fazer uso de suplementos sofisticados sem indicação precisa, por via oral ou muito menos parenteral (na veia ou músculo).

Um prato com feijão, arroz integral, verduras, legumes, uma fonte adequada de proteína e frutas pode representar uma escolha nutricionalmente excelente. O mais importante é a qualidade e a constância das escolhas.

Uma alimentação saudável repetida durante anos provavelmente oferece muito mais à saúde do que ciclos ocasionais de dietas milagrosas ou infusões de vitaminas.

 

Exercício físico: uma verdadeira intervenção sobre o envelhecimento

Se existe uma estratégia capaz de produzir benefícios simultâneos sobre coração, músculos, ossos, metabolismo, cognição e saúde mental, ela é o movimento.

Uma revisão abrangendo mais de 20 milhões de observações encontrou associação consistente entre melhor aptidão cardiorrespiratória e menor risco de mortalidade e doenças (Lang et al., 2024).

A Organização Mundial da Saúde recomenda, para adultos, pelo menos 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, além de exercícios de fortalecimento muscular em dois ou mais dias por semana. Para idosos, exercícios de equilíbrio também são particularmente importantes (OMS, 2020). A combinação é fundamental.

Caminhar favorece a aptidão cardiovascular. O treinamento de força preserva músculos e capacidade funcional. Exercícios de mobilidade e equilíbrio ajudam a manter a autonomia e reduzir o risco de quedas.

Uma pessoa de 70 anos que consegue caminhar, subir escadas, levantar-se de uma cadeira e carregar suas compras preserva algo muito mais valioso do que uma idade biológica aparentemente reduzida em um exame sofisticado: preserva independência.

 

Gestão do estresse: cuidar da mente também é cuidar do corpo

O estresse crônico pode comprometer o sono, favorecer escolhas alimentares inadequadas, aumentar a tensão muscular e dificultar o controle de problemas como hipertensão, ansiedade e depressão.

Aprender a administrar o estresse não significa eliminá-lo, mas desenvolver recursos para enfrentá-lo sem permanecer continuamente em estado de alerta.

Atividade física, contato com a natureza, respiração lenta, meditação, práticas contemplativas, psicoterapia quando indicada e relações afetivas saudáveis podem contribuir para esse processo.

Embora não existam evidências de que uma técnica isolada de relaxamento prolongue diretamente a vida humana, seus benefícios sobre sintomas, bem-estar e diferentes aspectos da saúde são relevantes.

O sono também merece atenção. Para a maioria dos adultos, dormir regularmente cerca de sete a nove horas, com boa qualidade e regularidade, constitui uma meta saudável.

E há outro componente frequentemente esquecido: a convivência. Ter com quem conversar, compartilhar dificuldades e encontrar sentido na vida é parte essencial do bem-estar.

 

A continuidade vale mais que a intensidade

No conhecido e antigo estudo de prevenção do diabetes, realizado com 3.234 participantes de alto risco, mudanças estruturadas de alimentação, atividade física e peso corporal reduziram em 58% a incidência de diabetes tipo 2 em relação ao grupo placebo, durante aproximadamente três anos (Knowler et al., 2002).

Essa é uma demonstração concreta de benefícios que surgem de comportamentos relativamente simples, embora sua manutenção nem sempre seja fácil.

Imagine duas pessoas de 60 anos. A primeira investe grandes quantias em suplementos, exames de idade biológica e infusões antienvelhecimento, mas permanece sedentária, dorme pouco e se alimenta mal.

A segunda realiza acompanhamento médico adequado, caminha regularmente, pratica exercícios de força, alimenta-se de maneira equilibrada e procura preservar seu sono e sua saúde emocional.

Não podemos prever individualmente qual delas viverá mais. Entretanto, a segunda está adotando estratégias com evidências clínicas muito mais sólidas de proteção à saúde. Esse é o ponto central.

A medicina não deveria medir seu sucesso pela complexidade dos procedimentos oferecidos, mas pela capacidade de produzir benefícios reais e duradouros.

 

  1. O futuro merece entusiasmo, mas também prudência

É possível que as próximas décadas tragam avanços importantes no tratamento de doenças associadas ao envelhecimento.

Terapias celulares, medicamentos dirigidos à senescência, intervenções genéticas e novas ferramentas diagnósticas poderão ampliar as possibilidades médicas.

Devemos acompanhar essas descobertas com interesse e espírito científico.

Mas precisamos distinguir três situações: aquilo que já funciona, aquilo que está sendo testado e aquilo que é oferecido comercialmente antes de existir demonstração convincente de benefício.

A ausência atual de comprovação não significa que uma tecnologia jamais funcionará. Também não autoriza anunciá-la como eficaz.

Os melhores tratamentos do futuro serão aqueles que conseguirem demonstrar segurança e resultados clinicamente relevantes em estudos rigorosos.

Até lá, gastar mais não significa necessariamente cuidar melhor.

 

Conclusão: a longevidade começa muito antes de qualquer tratamento

Talvez um dos maiores equívocos da medicina contemporânea seja associar qualidade de cuidado à sofisticação tecnológica.

A tecnologia é indispensável quando bem indicada. Porém, uma intervenção não se torna eficaz simplesmente porque utiliza equipamentos modernos, moléculas complexas ou procedimentos caros.

A ciência da longevidade está avançando, mas os benefícios mais consistentes para preservar a saúde continuam ligados àquilo que fazemos repetidamente ao longo da vida.

Comer bem. Mover o corpo. Preservar o sono. Administrar o estresse. Cultivar vínculos humanos. Evitar o tabagismo. Prevenir e tratar adequadamente doenças.

Nenhuma dessas medidas oferece uma promessa espetacular de juventude eterna.

Oferecem algo muito mais importante: uma possibilidade realista, acessível e cientificamente fundamentada de viver mais anos com saúde, autonomia e qualidade de vida.

Talvez a verdadeira medicina da longevidade não esteja em tentar apagar a idade, mas em aprender a envelhecer melhor.

 

Em resumo

  • O que já funciona: alimentação saudável, exercício físico, sono adequado, gestão do estresse, prevenção e tratamento correto das doenças, além de terapias regenerativas para indicações específicas.
  • O que é promissor, mas ainda experimental: senolíticos, estratégias de modulação do envelhecimento celular, algumas aplicações de células-tronco, exossomos e intervenções metabólicas.
  • O que ainda carece de comprovação para longevidade: NAD+ intravenoso, coquetéis de vitaminas, suplementação indiscriminada, hormônios usados para rejuvenescimento e testes de idade biológica utilizados como prova de eficácia.
  • O que merece maior desconfiança: promessas de reversão do envelhecimento, rejuvenescimento generalizado ou prolongamento da vida sem ensaios clínicos robustos.

A principal mensagem é simples: não existe um soro que substitua um estilo de vida saudável. Os hábitos que realmente fazem diferença são aqueles que conseguimos incorporar e manter.

 

Referências bibliográficas

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Nota ao leitor: este artigo apresenta informações científicas para educação em saúde. Não substitui avaliação médica individualizada. Tratamentos, medicamentos e suplementos devem ser indicados conforme as necessidades e condições clínicas de cada pessoa.

SEGREDOS DOS POVOS MAIS LONGEVOS DO MUNDO – REVISITANDO O TEMA

Vêm surgindo críticas ao manejo e interpretação dos dados provenientes das assim chamadas “blue zones”. Seria falácia a existência de regiões privilegiadas, onde as pessoas vivem vidas significativamente mais longas e saudáveis? Ou as “blue zones”, espalhadas pelo planeta, do Oriente ao Ocidente, teriam realmente seus “segredos” em grande parte revelados pela ciência médica? O que é verdade, o que é mito?

 

Erros de origem?

 

Kevin E. G. Perry do U S Lifestyle, citando o famoso Dr. Saul Newman, não poupa críticas ao conceito das blue zones. Aqui resumimos as principais e a nossa conclusão. 

1. “As pessoas querem que haja uma ilha exótica e distante onde tudo esteja bem”. As zonas azuis seriam, então, uma criação fantasiosa, lugares mágicos de longevidade & felicidade? Quando atrelamos a boa vida dessas pessoas meramente ao lugar onde vivem,  realmente soa até hollywoodiano. Dan Buettner, que cunhou a expressão, sem subestimar seu mérito, não era médico nem cientista, e de fato, cometeu alguns equívocos de interpretação, hoje reconhecidos, ao idealizar sua “fórmula de longevidade” para os habitantes desses locais. E Kevin não perdoa, é incisivo.
2. Um dos principais erros, hoje admitidos pela ciência, foi o de recomendar usar vinho diariamente como um dos “segredos da longevidade” dos habitantes do Mediterrâneo. Notem o que diz o artigo: “as alegações sobre os benefícios à saúde do suposto estilo de vida da Zona Azul perdem toda a credibilidade quando você entende o quão sem suporte a premissa é por dados empíricos… o mais surpreendente é que uma das diretrizes é que você deve beber todos os dias… essa é uma receita para o alcoolismo. É uma loucura que esteja sendo impulsionado como um conselho de saúde. Se você fosse um médico dizendo ao seu paciente para beber todos os dias, você perderia sua licença.”
3. PORÉM consideramos exagerado afirmar que o conceito “perde toda a credibilidade”.  Além da crítica à recomendação para beber álcool, há também períodos de vida superestimados, datas de nascimento erradas, alegações contraditórias sobre qualidade de vida em Okinawa, entre outras alegações passíveis de crítica. Mas nada disso anula a notável associação entre um número considerável de habitantes dessas regiões e seu modo devida,  e a verdade científica disso pode ser apoiada em 3 pontos principais: (1) Há muitos estudos sérios que relacionam o ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL com a longevidade nessas regiões, principalmente em Loma Linda, onde há um Centro de Pesquisa reconhecido. (2) Os parâmetros dessa equação são repetidamente endossados pela ciência médica, com ênfase aos três níveis de autocuidado (corpo, mente e alimentação). (3) Na covid 19, a morbimortalidade nessas regiões foi mais baixa, com P valor significativo. Não foi por acaso. Outros estudos relacionaram também a microbiota do intestino dessas regiões com um padrão bioquímico imunoprotetor, com aumento do betahidroxibutirato entérico, o que foi muito claramente associado com o estilo de vida saudável das assim chamadas “blue zones”.
4. CONCLUINDO – Por causa desses erros de origem, a expressão “blue zone” cunhada por alguém considerado “aventureiro”, e que acabou se consagrando e popularizando em muitas publicações não científicas, inclusive num documentário da Netflix, começa a ser ridicularizada, o que nos convida a REVISITAR o tema. Pesquisas médicas são sempre exaustivas e complexas, e como envolvem numerosas variáveis e facetas, ao cruzarmos e categorizarmos dados envolvendo populações, é preciso redobrada atenção para não supervalorizar fatos empíricos em detrimento da análise científica, como ficou claro no erro da recomendação absurda de ingerir bebidas alcoólicas como “fator de saúde e longevidade”, também na coleta de dados com estimativas exageradas para o tempo de vida, entre outras afirmações infundadas e equivocadas.

 

Onde vivem esses povos longevos e saudáveis?

 

O termo “Blue Zones” ou “Zonas Azuis”, como vimos, foi cunhado por Dan Buettner, bolsista da National Geographic e autor de best-sellers do New York Times, um deles intitulado “Blue Zones”, cuja primeira edição foi lançada em 2008. Desde então, apesar das críticas, o assunto vem ganhando grande popularidade internacionalmente. As cinco regiões mapeadas e mais conhecidas no momento são Okinawa (Japão), Península de Nicoya (Costa Rica), Icaria (Grécia), Ogliastra (Sardenha, Itália) e Loma Linda (Califórnia, EUA) [1-2].

Esta última é uma das mais estudadas, até porque lá existe uma Faculdade de Medicina e um reconhecido Centro de Pesquisa, que há anos vem publicando sobre a qualidade de vida de seus habitantes e seus baixos índices de doenças. Seus números de longevidade seus incríveis, muito acima de seus conterrâneos norte-americanos, atingindo não raro a marca dos 90 e 100 anos [3]. Não é incomum você encontrar um Lomalindense nonagenário ou até centenário frequentando academia, dirigindo seu automóvel e até cuidando de seu jardim. Embora haja diferenças culturais marcantes de região para região, as pesquisas identificaram vários pontos comuns no estilo de vida de todas as blue zones. Destacam-se também fatores ambientais que contribuem para a longevidade e saúde de seus residentes.

Mas há uma nota recente e lamentável nisso tudo: Novas gerações nas blue zones estão perdendo parte da cultura de seus antepassados saudáveis e longevos, aderindo aos hábitos ocidentais de alimentação, o que traz incertezas sobre o futuro.

 

Como explicar tanta saúde e vida tão longa?

 

Como afirma Dan Buettner, “não existem soluções mágicas para uma vida longa.” Os principais fatores destacados na equação cientificamente estudada para a longevidade e bem-estar, embora não deixe de fora a contribuição genética, inclui uma dieta predominantemente baseada em vegetais, baixa ingestão calórica, porém sem desnutrição, atividade física regular, religiosidade, fortes conexões sociais e um senso de propósito [1-2]. A ingestão calórica moderada vem sendo desde longa data associada à longevidade [4], e é talvez o vetor mais forte. Um fato inegável é que o homem moderno, a maioria de nós, come exageradamente, e por isso convivemos com uma pandemia de obesidade sem precedentes, com suas consequências deletérias.

 

Você é disciplinado para comer?

 

Se você está acima do peso adequado para seu biotipo e altura, provavelmente está comendo mais que gasta. Isso é importante, mas não é só o que conta. Os habitantes das blue zones notabilizam-se por sua disciplina alimentar como um todo, mantendo vários hábitos alimentares saudáveis, como ingerir mais vegetais, frutas e grãos (plant based diet), nunca sair da mesa “empanturrado” e jantar cedo. Os okinawenses (Japão) têm o costume dizer Hara hachi bun me (腹八分目/はらはちぶんめ), (ou hara hachi bu) antes das refeições, um ensino confucionista que os lembra de não comer mais que 80%. Na prática, significa sempre sair da mesa com “um pouco de fome”, mas não faminto.

 

Mas é possível viver como nas blue zones, ou seria apenas uma curiosidade inalcançável?

 

O que podemos aprender com as Zonas Azuis? É possível incorporar alguns dos seus costumes para aumentar nossa expectativa e qualidade de vida? Ou se trata de algo muito particular dessas regiões, privilégio genético, utópico para nós, inacessível à vida moderna? Estudos demonstraram que os referidos fatores de estilo de vida podem ser traduzidos em práticas perfeitamente adequáveis a vida moderna, para melhorar os resultados de saúde pública, que, diga-se de passagem, não são nada animadores. Por exemplo, o Projeto Zonas Azuis nos Estados Unidos implementou mudanças ambientais e políticas baseadas nestes princípios, resultando no aumento da esperança de vida e na redução das taxas de obesidade e doenças crónicas [1, 5]. Enfim, essas mudanças podem perfeitamente ser incorporadas à nossa rotina, pelo menos em parte, com alguma disciplina e foco.

 

“Blue zone brasileira”

 

Na Lapinha, oferecemos aos nossos hóspedes uma imersão que se assemelha em muitos aspectos ao modo de vida nessas regiões, pois contempla exatamente os três níveis de autocuidado que essas pessoas longevas têm: cuidado da alimentação, cuidado do corpo (atividade física e biorritmo) e cuidado da mente (incluindo saúde espiritual). Por isso, nossos clientes nos chamam carinhosamente de “blue zone brasileira”.  

 

Resumindo

 

A relação entre as Zonas Azuis, longevidade e alegria de viver pode ser explicada por uma combinação de fatores, com destaque a hábitos alimentares saudáveis, atividade física, engajamento social e fatores ambientais. Tudo isso resulta não apenas em vida longa, mas menos adoecimento. Diga-se de passagem, durante a pandemia de covid 19, os habitantes das blue zones estiveram em parte protegidos por seu “escudo” de ótima saúde [6, 7]. E podemos tirar daqui várias aplicações práticas.

 

Referências

 

  1. Blue Zones: Lessons From the World’s Longest Lived. Buettner D, Skemp S. American Journal of Lifestyle Medicine. 2016 Sep-Oct;10(5):318-321.
  2. A Narrative Review Exploring the Similarities Between Cilento and the Already Defined “Blue Zones” in Terms of Environment, Nutrition, and Lifestyle: Can Cilento Be Considered an Undefined “Blue Zone”?. Aliberti SM, Donato A, Funk RHW, Capunzo M. Nutrients. 2024;16(5):729. doi:10.3390/nu16050729.
  3. https://www.cnbc.com/2023/09/26/loma-linda-ca-what-the-only-blue-zone-in-the-us-does-for-longevity.html. Acesso em 26/06/2024.
  4. https://sitn.hms.harvard.edu/flash/2020/can-calorie-restriction-extend-your-lifespan/. Acesso em 26/06/2024.
  5. Micro Nudges: A Systems Approach to Health. Buettner D. American Journal of Health Promotion : AJHP. 2021;35(4):593-596. doi:10.1177/08901171211002328d
  6. Extremely reduced COVID-19 mortality in a “Blue Zone”: an observational cohort study. Christodoulos Stefanadis at al. Hellenic J Cardiol.2022 November-December; 68: 60–62. Published online 2022 Sep 22. 
  7. https://about.sharecare.com/blue-zones-project-inspires-resilient-responses-to-covid-19/ . Acesso em 26/06/2024
  8. https://us06web.zoom.us/j/7227453729 pwd=UVJGR2RlQzZqWExjd1o5VFFseXpBZz09

 

ENGLISH

 

SECRETS OF THE LONGEST-LIVED PEOPLE IN THE WORLD – REVISITING THE TOPIC

 

Dr Daniel S F Boarim, – Medical Director of Lapinha

 

Criticism has been mounting regarding the handling and interpretation of data from the so-called “blue zones”. Could it be that there are privileged regions where people live significantly longer and healthier lives? Or could the “blue zones”, spread across the planet, from East to West, really have their “secrets” largely revealed by medical science? What is true, what is myth?

 

Errors of origin?

 

Kevin E. G. Perry from U S Lifestyle, quoting the famous Dr. Saul Newman, does not hold back on criticizing the concept of blue zones. Here we summarize the main ones and our conclusion.

1. “People want there to be an exotic, far-off island where everything is fine”. Would blue zones, then, be a fantasy creation, magical places of longevity and happiness? When we link the good life of these people merely to the place where they live, it really does sound like Hollywood. Dan Buettner, who coined the expression, without underestimating its merit, was neither a doctor nor a scientist, and in fact, he made some mistakes of interpretation, now recognized, when devising his “longevity formula” for the inhabitants of these places. And Kevin does not forgive, he is incisive.
2. One of the main mistakes, now admitted by science, was to recommend drinking wine daily as one of the “secrets of longevity” of the inhabitants of the Mediterranean. Note what the article says: “the claims about the health benefits of the supposed Blue Zone lifestyle lose all credibility when you understand how unsupported the premise is by empirical data… most surprising is that one of the guidelines is that you should drink every day… this is a recipe for alcoholism. It is crazy that it is being promoted as health advice. If you were a doctor telling your patient to drink every day, you would lose your license.”
3. HOWEVER, we consider it an exaggeration to say that the concept “loses all credibility”. In addition to criticism of the recommendation to drink alcohol, there are also overestimated life spans, incorrect birth dates, contradictory claims about quality of life in Okinawa, among other claims that are open to criticism. But none of this nullifies the notable association between a considerable number of inhabitants of these regions and their way of life, and the scientific truth of this can be supported by 3 main points: (1) There are many serious studies that relate HEALTHY LIFESTYLE with longevity in these regions, especially in Loma Linda, where there is a recognized Research Center. (2) The parameters of this equation are repeatedly endorsed by medical science, with emphasis on the three levels of self-care (body, mind and diet). (3) In covid 19, morbidity and mortality in these regions was lower, with a significant P value. This was not by chance. Other studies have also linked the intestinal microbiota of these regions to an immunoprotective biochemical pattern, with increased enteric beta-hydroxybutyrate, which was very clearly associated with the healthy lifestyle of the so-called “blue zones”.
4. CONCLUSION – Because of these errors of origin, the expression “blue zone” coined by someone considered “adventurous”, and which ended up becoming consecrated and popularized in many non-scientific publications, including a Netflix documentary, is beginning to be ridiculed, which invites us to REVISIT the topic. Medical research is always exhaustive and complex, and since it involves numerous variables and facets, when we cross-reference and categorize data involving populations, we need to be extra careful not to overvalue empirical facts to the detriment of scientific analysis, as was clear in the error of the absurd recommendation to drink alcoholic beverages as a “health and longevity factor”, also in the collection of data with exaggerated estimates for life expectancy, among other unfounded and mistaken statements.

 

Where do these long-lived and healthy people live?

 

The term “Blue Zones” or “Blue Zones”, as we have seen, was coined by Dan Buettner, a National Geographic fellow and author of New York Times best-sellers, one of which was entitled “Blue Zones”, the first edition of which was released in 2008. Since then, despite criticism, the subject has gained great popularity internationally. The five most well-known and mapped regions at the moment are Okinawa (Japan), Nicoya Peninsula (Costa Rica), Ikaria (Greece), Ogliastra (Sardinia, Italy) and Loma Linda (California, USA) [1-2].

 

The latter is one of the most studied, especially because there is a School of Medicine and a renowned Research Center there, which has been publishing for years on the quality of life of its inhabitants and their low rates of disease. Their longevity figures are incredible, far above those of their fellow North Americans, often reaching the 90 and 100 year mark [3]. It is not uncommon to find a nonagenarian or even centenarian from Lomalinda going to the gym, driving a car and even taking care of their garden. Although there are marked cultural differences from region to region, research has identified several common points in the lifestyle of all blue zones. Environmental factors that contribute to the longevity and health of their residents also stand out.

But there is a recent and regrettable note in all this: New generations in the blue zones are losing part of the culture of their healthy and long-lived ancestors, adopting Western eating habits, which brings uncertainty about the future.

 

How can we explain so much health and such a long life?

 

As Dan Buettner states, “there are no magic solutions for a long life.” The main factors highlighted in the scientifically studied equation for longevity and well-being, although it does not exclude genetic contribution, include a predominantly plant-based diet, low calorie intake but without malnutrition, regular physical activity, religiosity, strong social connections and a sense of purpose [1-2]. Moderate calorie intake has long been associated with longevity [4], and is perhaps the strongest vector. An undeniable fact is that modern man, most of us, eats excessively, and that is why we live with an unprecedented obesity pandemic, with its deleterious consequences.

 

Are you disciplined about eating?

 

If you are overweight for your body type and height, you are probably eating more than you burn. This is important, but it is not the only thing that counts. The inhabitants of the Blue Zones are known for their overall dietary discipline, maintaining several healthy eating habits, such as eating more vegetables, fruits and grains (plant-based diet), never leaving the table “stuffed” and eating dinner early. The Okinawans (Japan) have the custom of saying Hara hachi bun me (腹八分目/はらはちぶんめ), (or hara hachi bu) before meals, a Confucian teaching that reminds them not to eat more than 80%. In practice, this means always leaving the table “a little hungry”, but not ravenous.

But is it possible to live like in the Blue Zones, or is it just an unattainable curiosity?

What can we learn from the Blue Zones? Is it possible to incorporate some of their customs to increase our life expectancy and quality of life? Or is it something very particular to these regions, a genetic privilege, utopian for us, inaccessible to modern life? Studies have shown that these lifestyle factors can be translated into practices that are perfectly suited to modern life, to improve public health outcomes, which, by the way, are not at all encouraging. For example, the Blue Zones Project in the United States implemented environmental and political changes based on these principles, resulting in increased life expectancy and reduced rates of obesity and chronic diseases [1, 5]. Ultimately, these changes can be perfectly incorporated into our routine, at least in part, with some discipline and focus.

 

“Brazilian Blue Zone”

 

At Lapinha, we offer our guests an immersion that resembles in many ways the way of life in these regions, as it encompasses exactly the three levels of self-care that these long-lived people have: taking care of their diet, taking care of their body (physical activity and biorhythms) and taking care of their mind (including spiritual health). That is why our guests affectionately call us the “Brazilian Blue Zone”.

 

In short

 

The relationship between Blue Zones, longevity and joy of life can be explained by a combination of factors, with emphasis on healthy eating habits, physical activity, social engagement and environmental factors. All of this results not only in a longer life, but also less illness. Incidentally, during the Covid-19 pandemic, the inhabitants of the Blue Zones were partly protected by their “shield” of excellent health [6, 7]. And we can draw several practical applications from this.

 

References

 

  1. Blue Zones: Lessons From the World’s Longest Lived. Buettner D, Skemp S. American Journal of Lifestyle Medicine. 2016 Sep-Oct;10(5):318-321.
  2. A Narrative Review Exploring the Similarities Between Cilento and the Already Defined “Blue Zones” in Terms of Environment, Nutrition, and Lifestyle: Can Cilento Be Considered an Undefined “Blue Zone”?. Aliberti SM, Donato A, Funk RHW, Capunzo M. Nutrients. 2024;16(5):729. doi:10.3390/nu16050729.
  3. https://www.cnbc.com/2023/09/26/loma-linda-ca-what-the-only-blue-zone-in-the-us-does-for-longevity.html. Acesso em 26/06/2024.
  4. https://sitn.hms.harvard.edu/flash/2020/can-calorie-restriction-extend-your-lifespan/. Acesso em 26/06/2024.
  5. Micro Nudges: A Systems Approach to Health. Buettner D. American Journal of Health Promotion : AJHP. 2021;35(4):593-596. doi:10.1177/08901171211002328d
  6. Extremely reduced COVID-19 mortality in a “Blue Zone”: an observational cohort study. Christodoulos Stefanadis at al. Hellenic J Cardiol.2022 November-December; 68: 60–62. Published online 2022 Sep 22. 
  7. https://about.sharecare.com/blue-zones-project-inspires-resilient-responses-to-covid-19/ . Acesso em 26/06/2024
  8. https://us06web.zoom.us/j/7227453729 pwd=UVJGR2RlQzZqWExjd1o5VFFseXpBZz09

 

 

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