Qual é o seu risco de sofrer um infarto ou um derrame? – O futuro da prevenção cardiovascular – Parte 4

 

 

“A medicina do século XX tratava doenças. A medicina do século XXI procura identificar riscos antes que a doença apareça.”

Durante muito tempo, a prevenção cardiovascular baseou-se em poucos fatores: colesterol, pressão arterial, diabetes, tabagismo e idade. Esses continuam sendo pilares fundamentais, mas a ciência avança rapidamente para uma abordagem muito mais personalizada.

Hoje, além dos exames tradicionais, começam a ganhar espaço ferramentas capazes de revelar predisposições genéticas, identificar marcadores inflamatórios, compreender o papel da microbiota intestinal e utilizar algoritmos de inteligência artificial para estimar riscos com precisão cada vez maior. Estamos entrando na era da Medicina de Precisão.

 

Da Medicina baseada em médias para a Medicina personalizada

Até poucas décadas atrás, as decisões médicas eram tomadas principalmente com base em médias populacionais. Por exemplo: “Pacientes com LDL acima de determinado valor apresentam maior risco.”

Essa informação continua verdadeira. Entretanto, ela não explica por que duas pessoas com o mesmo colesterol podem evoluir de maneira completamente diferente. Hoje compreendemos que cada indivíduo possui uma combinação única de fatores:

  • genética;
  • microbiota intestinal;
  • composição corporal;
  • metabolismo;
  • hábitos de vida;
  • fatores ambientais;
  • história familiar.

É justamente essa combinação que a Medicina de Precisão procura compreender.

 

Medicina Genômica: quando o DNA ajuda a prever o futuro

Nos últimos anos, o custo do sequenciamento genético caiu drasticamente. Isso permitiu que testes antes restritos aos laboratórios de pesquisa passassem a fazer parte da prática clínica.

Na Cardiologia, um dos exemplos mais conhecidos é a hipercolesterolemia familiar, doença genética caracterizada por níveis muito elevados de LDL desde o nascimento. Esses pacientes apresentam risco significativamente maior de infarto precoce e costumam necessitar de tratamento intensivo desde jovens. Identificar esses indivíduos precocemente pode literalmente salvar vidas.

 

Escores de risco poligênico: uma nova camada de informação

Enquanto algumas doenças dependem de uma única mutação importante, a maioria dos casos de doença cardiovascular resulta da interação de centenas ou milhares de pequenas variações genéticas. Daí surgiram os chamados escores de risco poligênico (Polygenic Risk Scores – PRS).

Esses testes combinam milhares de variantes do DNA para estimar uma predisposição genética ao desenvolvimento de determinadas doenças. No caso da doença arterial coronariana, alguns estudos demonstram que indivíduos situados entre os maiores escores genéticos apresentam risco comparável ao de pessoas portadoras de mutações clássicas de hipercolesterolemia familiar (Khera et al., 2018).

Ainda não se recomenda seu uso universal, mas essa tecnologia poderá desempenhar papel crescente na prevenção personalizada.

 

Farmacogenômica: o medicamento certo para a pessoa certa

Outra área em rápida expansão é a farmacogenômica. Ela procura responder perguntas como:

  • Por que um medicamento funciona muito bem em uma pessoa e pouco em outra?
  • Por que alguns pacientes apresentam efeitos adversos enquanto outros não? Na Cardiologia já existem aplicações práticas. Por exemplo: SLCO1B1

Algumas variantes desse gene aumentam a probabilidade de sintomas musculares relacionados a determinadas estatinas.

Seu conhecimento pode auxiliar na escolha da medicação mais adequada em pacientes selecionados.

Outro exemplo envolve genes relacionados ao metabolismo de antiagregantes plaquetários, como o CYP2C19, que influenciam a resposta ao clopidogrel em determinadas situações clínicas.

 

A lipoproteína(a): provavelmente ouviremos falar muito dela

Na Parte II discutimos a Lp(a). Ela merece nova menção porque representa uma das áreas mais promissoras da Cardiologia Preventiva. Até recentemente pouco podia ser feito para reduzir seus níveis.

Hoje diversos medicamentos específicos encontram-se em estudos avançados, incluindo terapias baseadas em RNA de interferência e oligonucleotídeos antissenso.

Caso os resultados finais confirmem a redução de eventos cardiovasculares, a Lp(a) poderá transformar-se em um dos principais alvos terapêuticos da próxima década.

 

A microbiota intestinal muda a maneira de enxergar o coração

Durante décadas acreditava-se que intestino e coração pertenciam a universos completamente diferentes. Hoje sabemos que existe uma intensa comunicação entre eles.

Uma alimentação rica em fibras favorece o crescimento de bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs), especialmente butirato, propionato e acetato. Esses metabólitos parecem contribuir para:

  • redução da inflamação;
  • melhora da função endotelial;
  • maior integridade da barreira intestinal;
  • modulação imunológica;
  • melhor metabolismo glicídico.

Por outro lado, dietas muito ricas em alimentos ultraprocessados e carnes processadas podem favorecer a formação de metabólitos como o TMAO, associado em diversos estudos observacionais ao aumento do risco cardiovascular.

Ainda existem muitas perguntas sem resposta. Mas dificilmente a Cardiologia Preventiva do futuro ignorará a microbiota intestinal.

 

Metabolômica: uma fotografia dinâmica do metabolismo

Outro campo emergente é a metabolômica. Enquanto a genética mostra predisposições, a metabolômica procura identificar o que realmente está acontecendo naquele momento no organismo.

Ela avalia centenas de metabólitos presentes no sangue ou na urina, permitindo compreender alterações relacionadas ao metabolismo energético, ao estresse oxidativo, à função mitocondrial e às interações com a microbiota.

Embora ainda não faça parte da rotina da maioria dos consultórios e careça de validação clínica atualmente, representa uma ferramenta promissora tanto para ajudar a nortear condutas como para a Medicina Preventiva.

 

Inteligência Artificial: uma nova aliada do médico

A Inteligência Artificial não substitui o médico. Mas pode ajudá-lo a integrar uma quantidade gigantesca de informações. Algoritmos modernos já conseguem combinar:

  • exames laboratoriais;
  • eletrocardiograma;
  • tomografia;
  • ecocardiograma;
  • genética;
  • histórico clínico;
  • estilo de vida;
  • dados de dispositivos vestíveis (wearables).

Esses modelos tendem a estimar riscos de forma cada vez mais precisa e personalizada. O desafio continuará sendo interpretar esses resultados dentro do contexto clínico de cada paciente.

 

Como poderá ser um check-up cardiovascular daqui a dez anos?

Imagine uma consulta em um futuro próximo. Além da pressão arterial e do colesterol, o médico poderá dispor de informações como:

  • escore genético de risco;
  • perfil metabolômico;
  • composição da microbiota intestinal;
  • nível de atividade física registrado continuamente por dispositivos eletrônicos;
  • qualidade do sono;
  • variabilidade da frequência cardíaca;
  • glicemia monitorada continuamente;
  • inteligência artificial integrando todos esses dados.

Em vez de simplesmente dizer: “Seu colesterol está alto.” Talvez seja possível afirmar:

“Seu risco de desenvolver doença cardiovascular nas próximas duas décadas é baixo, moderado ou elevado, e estes são os fatores específicos que mais contribuem para esse risco.” Essa é a essência da Medicina de Precisão.

 

O que já é realidade e o que ainda está em construção?

É importante distinguir ciência consolidada de perspectivas futuras. Já fazem parte da prática clínica:

  • cálculo do risco cardiovascular;
  • metas individualizadas de LDL;
  • estatinas;
  • ezetimiba;
  • ácido bempedoico;
  • inibidores de PCSK9;
  • inclisirana;
  • dosagem da Lp(a) em pacientes selecionados;
  • testes genéticos para hipercolesterolemia familiar.

 

Estão em rápida expansão:

  • farmacogenômica;
  • escores de risco poligênico;
  • integração da microbiota à prática clínica;
  • metabolômica;
  • inteligência artificial aplicada à prevenção.

 

Essas ferramentas ainda evoluirão muito, mas apontam claramente para uma Medicina cada vez mais personalizada.

 

 

Conclusão prática

A prevenção cardiovascular vive um momento extraordinário. Nunca soubemos tanto sobre as causas da aterosclerose, nunca dispusemos de tantas estratégias eficazes para reduzir o risco de infarto e AVC, e nunca estivemos tão próximos de individualizar verdadeiramente a prevenção.

Entretanto, é importante lembrar que nenhuma tecnologia substitui os fundamentos. A alimentação continua importando. A atividade física continua importando. O sono continua importando. O controle do estresse continua importando. O abandono do cigarro continua importando. Os medicamentos corretamente indicados continuam salvando vidas.

As novas tecnologias não substituem esses pilares. Elas ajudam a identificar quem mais se beneficiará de cada intervenção. Essa talvez seja a maior mudança da Cardiologia moderna: deixar de tratar apenas doenças para cuidar, de forma personalizada, das pessoas e de seus riscos.

 

Resumo prático

  • A prevenção cardiovascular está migrando de uma abordagem baseada em médias populacionais para uma Medicina de Precisão.
  • A genética já permite identificar indivíduos com maior predisposição a doenças cardiovasculares e orientar o tratamento em situações específicas.
  • A farmacogenômica começa a auxiliar na escolha de medicamentos mais adequados para determinados pacientes.
  • A microbiota intestinal e a metabolômica representam áreas promissoras, embora muitas aplicações ainda estejam em desenvolvimento.
  • A Inteligência Artificial tende a integrar informações clínicas, laboratoriais e genéticas para estimativas de risco cada vez mais refinadas.
  • Apesar de todos esses avanços, os pilares da prevenção permanecem os mesmos: alimentação saudável, atividade física, abandono do tabagismo, controle dos fatores de risco e tratamento medicamentoso quando indicado.

 

Referências

FERENCE, B. A. et al. Low-density lipoproteins cause atherosclerotic cardiovascular disease. European Heart Journal, v. 38, p. 2459–2472, 2017.

KHERA, A. V. et al. Genome-wide polygenic scores for common diseases identify individuals with risk equivalent to monogenic mutations. Nature Genetics, v. 50, p. 1219–1224, 2018.

MACH, F. et al. 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias. European Heart Journal, v. 41, p. 111–188, 2020.

NISSEN, S. E. et al. Bempedoic Acid and Cardiovascular Outcomes in Statin-Intolerant Patients. New England Journal of Medicine, v. 388, p. 1353–1364, 2023.

TANG, W. H. W. et al. Intestinal microbial metabolism of phosphatidylcholine and cardiovascular risk. New England Journal of Medicine, v. 368, p. 1575–1584, 2013.

VALDES, A. M.; WALTER, J.; SEGAL, E.; SPECTOR, T. D. Role of the gut microbiota in nutrition and health. BMJ, v. 361, k2179, 2018.

WORLD HEART FEDERATION. Lipoprotein(a): Clinical Guidance and Consensus Statement. 2022.

Medicina Genômica Personalizada na Lapinha – Parte 1

 

 

Como os testes genéticos podem ajudar na prevenção de doenças e na individualização dos tratamentos?

A genética pode revelar predisposições importantes, mas não determina o seu destino. Na maioria das vezes, o estilo de vida continua sendo o principal fator capaz de modificar o risco de adoecer.

A genética informa. O estilo de vida transforma!

 

 

A medicina está entrando em uma nova era

Durante muitos anos, a medicina baseou-se principalmente nos sintomas apresentados pelo paciente e nos resultados de exames laboratoriais e de imagem. Esse modelo continua sendo extremamente importante, mas um novo recurso vem ampliando nossa capacidade de compreender as diferenças entre as pessoas: a medicina genômica.

Os testes genéticos permitem identificar pequenas variações no DNA que podem influenciar o risco de desenvolver determinadas doenças, a forma como cada organismo responde a alguns medicamentos e, em situações específicas, orientar estratégias mais individualizadas de prevenção e tratamento.

Essa abordagem faz parte do conceito de medicina personalizada, também chamada de medicina de precisão, cujo objetivo é adaptar as decisões médicas às características de cada indivíduo (Collins; Varmus, 2015).

Entretanto, é importante esclarecer um aspecto fundamental: um teste genético não prevê o futuro. Na maioria das doenças comuns, como diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e depressão, dezenas ou centenas de genes interagem entre si e, principalmente, com fatores ambientais, como alimentação, atividade física, qualidade do sono, tabagismo, estresse e exposição a agentes ambientais.

Em outras palavras, os genes representam uma predisposição, e não uma sentença. Mesmo pessoas que apresentam maior risco genético podem reduzir significativamente suas chances de adoecer adotando hábitos saudáveis.

 

O que um teste genético pode — e o que ele não pode — revelar?

Nos últimos anos surgiram centenas de testes genéticos comercializados diretamente ao consumidor. Alguns oferecem informações realmente úteis; outros apresentam resultados interessantes do ponto de vista científico, mas ainda sem aplicação prática na medicina.

Na Lapinha, optamos por disponibilizar apenas exames que apresentam fundamentação biológica consistente e algum potencial de modificar a conduta clínica, sempre respeitando o nível atual das evidências científicas.

De forma geral, um teste genético pode ajudar a responder perguntas como:

  • Existe predisposição aumentada para determinadas doenças hereditárias?
  • Determinado medicamento pode causar mais efeitos colaterais em mim?
  • Posso precisar de doses diferentes de alguns medicamentos?
  • Tenho maior risco de desenvolver doença cardiovascular do que os exames tradicionais sugerem?
  • Existe alguma condição hereditária importante que possa beneficiar também meus familiares?

Por outro lado, nenhum teste genético consegue responder com segurança perguntas como:

  • “Vou desenvolver Alzheimer?”
  • “Com certeza terei diabetes?”
  • “Qual antidepressivo irá funcionar para mim?”
  • “Qual esporte devo praticar?”
  • “Minha genética impede que eu emagreça?”

Essas afirmações, infelizmente comuns em propagandas, não são sustentadas pelas melhores evidências científicas disponíveis.

 

Por que o protocolo Lapinha propõe consulta médica antes e depois do exame?*

Um exame genético isolado raramente fornece respostas completas. Seu verdadeiro valor está na interpretação dos resultados à luz da história clínica, dos antecedentes familiares, dos hábitos de vida e dos demais exames do paciente.

Por esse motivo, todos os testes genéticos oferecidos pela Lapinha são acompanhados por consulta médica antes da solicitação, para verificar se realmente existe indicação para o exame, e por uma consulta de devolutiva, na qual os resultados são interpretados de forma individualizada e transformados em orientações práticas.

Essa abordagem evita interpretações equivocadas e permite integrar a informação genética às demais estratégias de promoção da saúde, sempre dentro dos princípios da medicina baseada em evidências.

 

Os painéis genéticos oferecidos pela Lapinha*

Após ampla revisão da literatura científica, selecionamos oito painéis que apresentam os melhores níveis atuais de evidência e aplicabilidade clínica. Alguns já podem modificar diretamente a escolha de medicamentos, enquanto outros auxiliam principalmente na estratificação de risco e no planejamento preventivo.

* Em fase de implantação.

 

  1. Farmacogenômica Cardiovascular

Genes principais: SLCO1B1

 

O que esse exame avalia?

As estatinas estão entre os medicamentos mais utilizados para reduzir o colesterol e prevenir infarto e acidente vascular cerebral. Embora sejam seguras para a grande maioria das pessoas, alguns pacientes apresentam maior predisposição genética para desenvolver dores musculares ou, raramente, lesões musculares mais importantes.

O principal gene envolvido nesse processo é o SLCO1B1, responsável pelo transporte das estatinas para o interior das células do fígado.

 

Quando esse exame pode mudar a conduta médica?

Pacientes que apresentam variantes de menor atividade desse gene possuem maior risco de efeitos musculares, especialmente quando utilizam sinvastatina. Nesses casos, o médico pode optar por reduzir a dose ou preferir outras estatinas, como pravastatina ou rosuvastatina, que apresentam menor influência desse mecanismo (CPIC; Pirmohamed, 2023).

 

Para quem pode ser indicado?

  • Pessoas que necessitam iniciar tratamento com estatinas.
  • Pacientes que apresentaram dores musculares durante o uso desses medicamentos.
  • Indivíduos com necessidade de tratamento prolongado para redução do colesterol.

 

Nível atual de evidência: Muito alto.

Esse é um dos testes farmacogenômicos mais bem estabelecidos da medicina atual.

 

  1. Farmacogenômica Psiquiátrica

Genes principais: CYP2D6 e CYP2C19

 

O que esse exame avalia?

Cada pessoa metaboliza antidepressivos em velocidade diferente. Enquanto alguns indivíduos eliminam esses medicamentos lentamente, aumentando o risco de efeitos colaterais, outros os metabolizam rapidamente, podendo obter menor benefício com as doses habituais.

Os genes CYP2D6 e CYP2C19 são responsáveis por grande parte dessas diferenças.

 

Quando esse exame pode mudar a conduta médica?

O resultado pode orientar o médico na escolha do antidepressivo e no ajuste da dose de medicamentos como escitalopram, citalopram, sertralina, paroxetina, fluoxetina, venlafaxina, duloxetina, amitriptilina e nortriptilina, reduzindo a probabilidade de efeitos adversos ou de resposta insuficiente (CPIC).

É importante destacar que o exame não determina qual antidepressivo será o melhor, mas fornece informações que podem facilitar a individualização do tratamento.

 

Para quem pode ser indicado?

  • Pacientes com depressão ou transtornos de ansiedade que apresentaram efeitos adversos importantes.
  • Pessoas com dificuldade para encontrar um antidepressivo eficaz.
  • Casos em que se prevê necessidade de tratamento prolongado.

 

Nível atual de evidência: Alto.

 

 

  1. Farmacogenômica do Folato na Depressão Resistente

Gene principal: MTHFR

O que esse exame avalia?

O gene MTHFR participa da conversão do ácido fólico em sua forma biologicamente ativa, o L-metilfolato, essencial para a produção de neurotransmissores envolvidos no funcionamento cerebral.

Algumas variantes desse gene reduzem parcialmente a atividade da enzima. Entretanto, isso não significa que a pessoa desenvolverá depressão, nem que todos os portadores necessitem de suplementação.

 

Quando esse exame pode mudar a conduta médica?

Em pacientes com transtorno depressivo maior resistente ao tratamento, especialmente quando existem alterações no metabolismo do folato, o resultado pode reforçar a indicação do uso de L-metilfolato como terapia complementar ao antidepressivo.

Estudos clínicos demonstraram melhora significativa da resposta terapêutica com 15 mg/dia de L-metilfolato em pacientes com depressão resistente (Papakostas et al., 2012).

 

Para quem pode ser indicado?

  • Pacientes com depressão resistente.
  • Pessoas que não responderam adequadamente a diferentes antidepressivos.
  • Casos selecionados, sempre associados à avaliação clínica e laboratorial.

 

Nível atual de evidência: Moderado.

 

  1. Gene APOE: Avaliação do Risco Genético para Doença de Alzheimer

Gene principal: APOE

 

O que esse exame avalia?

Entre todos os genes conhecidos relacionados à doença de Alzheimer de início tardio, o APOE, especialmente seu alelo ε4, é o marcador genético isolado com maior respaldo científico.

Pessoas portadoras de uma ou duas cópias desse alelo apresentam maior probabilidade de desenvolver a doença ao longo da vida. Entretanto, muitas jamais apresentarão sintomas, enquanto outras pessoas sem esse alelo também podem desenvolver Alzheimer.

 

Quando esse exame pode mudar a conduta médica?

Embora o resultado não estabeleça o diagnóstico, ele pode auxiliar na estratificação de risco, orientar o acompanhamento de indivíduos com forte histórico familiar e contribuir para decisões clínicas em centros especializados, especialmente na era das terapias modificadoras da doença (Alzheimer’s Association, 2025).

Além disso, conhecer esse risco pode estimular intervenções precoces sobre fatores modificáveis, como controle da pressão arterial, atividade física, alimentação, qualidade do sono e estímulo cognitivo, medidas reconhecidamente associadas à redução do risco de demência (Livingston et al., 2024).

 

Para quem pode ser indicado?

  • Pessoas com forte histórico familiar de doença de Alzheimer.
  • Indivíduos interessados em programas personalizados de prevenção.
  • Casos selecionados após aconselhamento médico.

 

Nível atual de evidência: Alto, embora sua interpretação exija cautela e sempre deva ser acompanhada de aconselhamento médico.

(Continua na Parte 2.)

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