As ambiguidades da medicina: quando aquilo que parecia verdade deixou de ser

 

Embora a ciência médica seja frequentemente celebrada por suas conquistas extraordinárias, há um reverso menos confortável em sua história: o legado de conceitos tidos como verdades absolutas que, posteriormente, a própria ciência desmistificou.

Durante séculos, médicos competentes, bem-intencionados e respeitados defenderam teorias e tratamentos que hoje nos parecem estranhos, inúteis ou até perigosos.

Alguns eram baseados em conhecimentos incompletos; outros, em observações mal interpretadas; alguns foram mantidos pela tradição; outros, pela autoridade de seus defensores.

E houve situações em que uma prática nova, que posteriormente se mostrou correta, foi inicialmente recebida com desconfiança ou até ridicularização.

Isso não significa que a medicina seja uma fraude ou que “a ciência não sabe nada”. Significa exatamente o contrário: a ciência é valiosa porque admite a possibilidade de estar errada.

 

Quando lavar as mãos parecia uma excentricidade

Poucas histórias ilustram melhor essa característica da medicina do que a de Ignaz Semmelweis.

Na década de 1840, a febre puerperal era uma das grandes causas de morte de mulheres após o parto. Semmelweis observou que a mortalidade era muito maior numa das clínicas obstétricas do Hospital Geral de Viena, onde mulheres eram examinadas por médicos e estudantes que também trabalhavam nas salas de autópsia.

Ele percebeu algo perturbador: quando os médicos lavavam as mãos com solução de cal clorada antes de examinar as parturientes, a mortalidade caía drasticamente. Entre 1847 e 1849, a diferença entre as clínicas praticamente desapareceu (Semmelweis, 1847–1849; Best; Neuhauser, 2004).

Hoje parece óbvio. Na época, não era. A teoria microbiana das doenças ainda não estava consolidada. A ideia de que as mãos de médicos poderiam transportar algo invisível de um cadáver para uma mulher saudável era difícil de aceitar. A proposta encontrou resistência, e a adoção rotineira da antissepsia obstétrica demorou décadas. O trabalho posterior de Joseph Lister e o desenvolvimento da teoria microbiana contribuíram decisivamente para a mudança da prática cirúrgica (Tröhler, 2015).

Lister publicou em 1867 seu trabalho clássico sobre o princípio antisséptico na cirurgia. Sua proposta também encontrou resistência e debate, especialmente na Grã-Bretanha. A aceitação não aconteceu de um dia para o outro.

A história costuma ser contada como se Semmelweis tivesse descoberto uma verdade evidente que médicos “burros” recusaram. A realidade é mais complexa. Ele tinha uma observação clínica extraordinariamente importante, mas ainda não possuía uma explicação microbiológica adequada.

Essa distinção é preciosa. Uma pessoa pode estar certa sobre um fenômeno e errada sobre sua explicação. Também pode acontecer o contrário: uma teoria aparentemente elegante pode sobreviver durante muito tempo sem produzir resultados clínicos verdadeiros.

 

Sangrar o paciente para curá-lo

Durante muitos séculos, a sangria foi uma das principais ferramentas terapêuticas da medicina ocidental. A retirada de sangue era empregada em numerosas doenças, apoiada por concepções fisiológicas que pareciam coerentes dentro do modelo médico de cada época.

Hoje sabemos que, para a maioria das condições em que era utilizada, a sangria era ineficaz ou potencialmente prejudicial.

A história é particularmente interessante porque seu abandono não aconteceu simplesmente quando alguém “descobriu a verdade”. Ele foi gradual e envolveu uma mudança profunda na maneira de compreender o organismo e a própria doença (Drakman, 2025).

A medicina contemporânea ainda utiliza retirada terapêutica de sangue em situações específicas, como hemocromatose e policitemia vera. Portanto, até mesmo a conclusão “sangria é ruim” seria simplista. A mesma intervenção pode ser inútil em uma doença e fundamental em outra. O contexto importa.

 

O cigarro que acalmava

Talvez seja difícil imaginar hoje, mas houve um período em que o tabaco não era simplesmente tolerado: ele foi considerado por séculos uma espécie de medicamento vegetal e chegou a ser utilizado por médicos para diversas finalidades terapêuticas (Greene, 2020).

Já no século XX, a publicidade da indústria do tabaco passou a utilizar médicos e sua autoridade para transmitir uma imagem de segurança. Nas décadas de 1930 e 1940, anúncios de cigarros faziam referência direta a médicos e procuravam associar determinadas marcas a menor irritação ou maior segurança (Gardner; Brandt, 2006).

Havia também uma percepção subjetiva que ajudava a sustentar essa ideia: fumar parecia acalmar.

Hoje compreendemos melhor o fenômeno. A nicotina pode produzir alterações agudas de humor e reduzir temporariamente determinados sintomas desagradáveis, mas, em fumantes dependentes, parte importante da sensação de “relaxamento” corresponde à reversão dos sintomas de abstinência provocados pela própria dependência (Parrott, 2003).

O que parecia um ansiolítico podia, portanto, participar da criação do problema que depois parecia aliviar.

É uma lembrança importante para a medicina atual: uma melhora imediata de um sintoma não prova benefício em longo prazo.

 

Quando o refinamento dos alimentos parecia progresso

A história da alimentação também contém seus paradoxos. Com o desenvolvimento da moagem e do polimento industrial, alimentos como o arroz passaram a ser cada vez mais refinados. O arroz branco era visualmente mais atraente, tinha maior durabilidade e podia ser considerado um produto de qualidade superior.

Entretanto, o polimento removia camadas externas do grão que continham nutrientes essenciais.

O trabalho de Christiaan Eijkman, posteriormente reconhecido com o Prêmio Nobel, mostrou a relação entre arroz polido e uma doença semelhante ao beribéri em animais. Estudos posteriores demonstraram que o problema estava relacionado à ausência de um fator nutricional que hoje conhecemos como tiamina ou vitamina B1 (Eijkman, 1897; Carpenter, 1995).

O paradoxo é fascinante: a tecnologia havia produzido um alimento aparentemente mais “limpo”, mais refinado e mais valorizado, mas retirara justamente uma parte importante de seu valor nutricional.

Isso não significa que todo alimento refinado seja necessariamente ruim. Significa que aparência, palatabilidade, conservação, tecnologia e valor nutricional não são sinônimos. É uma distinção que continua extremamente atual.

 

O álcool e a longa história da “dose saudável”

Talvez nenhuma outra substância tenha produzido tanta ambiguidade na comunicação médica quanto o álcool.

Durante décadas, difundiu-se a ideia de que pequenas quantidades, especialmente de vinho, poderiam proteger o coração. Estudos observacionais encontravam associações entre consumo moderado e determinados desfechos cardiovasculares, contribuindo para a famosa curva em “J”.

O problema é que associação não significa necessariamente causalidade.  O grande estudo do Global Burden of Disease publicado no Lancet em 2018 avaliou dados de 195 países e concluiu que o risco global de dano aumenta com o consumo de álcool e que, considerando o conjunto de desfechos avaliados, o nível de consumo associado ao menor risco global foi zero (GBD 2016 Alcohol Collaborators, 2018).

Isso não significa que todo médico que anteriormente falou em “uma taça de vinho para o coração” fosse irresponsável. Significa que a interpretação das evidências mudou.

E existe aqui uma lição especialmente importante: uma recomendação médica pode parecer extremamente razoável em determinado momento histórico e, posteriormente, revelar-se inadequada quando métodos melhores permitem controlar melhor os vieses.

 

Medicamentos que pareciam promissores

A história farmacológica é ainda mais contundente. A talidomida, introduzida no final dos anos 1950 como sedativo, foi utilizada em diversos países e acabou associada a milhares de malformações congênitas. Nos Estados Unidos, a médica Frances Kelsey, da FDA, recusou-se a aprovar o medicamento por considerar insuficientes os dados de segurança. O episódio contribuiu para mudanças importantes na legislação norte-americana, incluindo a exigência de evidências de eficácia e maior rigor na avaliação dos medicamentos (FDA, 2023).

Outro exemplo foi o dietilestilbestrol (DES). Prescrito durante décadas a mulheres grávidas para prevenir aborto e parto prematuro, posteriormente demonstrou não ser eficaz para essas finalidades e foi associado a um risco aumentado de carcinoma de células claras de vagina e colo em mulheres expostas ainda no útero (NCI, 2026).

Não eram “poções de charlatães”. Eram medicamentos inseridos na medicina convencional. Isso deveria nos ensinar alguma coisa sobre a palavra convencional. Convencional significa aceito naquele momento. Não significa necessariamente definitivo.

 

Cirurgias que funcionavam — mas cobravam um preço alto demais

A história dos procedimentos médicos contém exemplos semelhantes. Na cirurgia da obesidade, o bypass jejunoileal, desenvolvido nas décadas de 1950 e 1960, produzia impressionante perda de peso porque provocava uma enorme redução da superfície intestinal funcional.

O problema foi que essa eficácia tinha um preço elevado: diarreia intensa, distúrbios eletrolíticos, deficiência nutricional, doença renal, doença hepática e outras complicações graves. O procedimento acabou abandonado (Kremen et al., 1954; Griffen, 1981).

Aqui aparece outro princípio fundamental da medicina: não basta que um tratamento produza o efeito desejado. É preciso saber a que custo. Uma intervenção pode reduzir um marcador, um sintoma ou até produzir uma grande perda de peso e, ainda assim, apresentar uma relação benefício-risco inadequada.

 

A lobotomia e o perigo da autoridade

Poucos exemplos são tão impressionantes quanto a lobotomia. A psicocirurgia desenvolvida por António Egas Moniz ganhou grande prestígio. Moniz recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1949 por suas contribuições à leucotomia pré-frontal. O procedimento foi posteriormente amplamente adotado em diferentes países.

Com o tempo, tornaram-se evidentes suas consequências graves: alterações irreversíveis de personalidade e comportamento, déficits neurológicos e complicações importantes. A introdução dos antipsicóticos na década de 1950 contribuiu para o rápido declínio da técnica (Mundalil Vasu; Bunch, 2014).

O episódio é particularmente desconfortável porque demonstra que até uma ideia suficientemente aceita para receber o maior reconhecimento científico pode posteriormente perder seu lugar na medicina. O prêmio não transformou uma hipótese em verdade eterna.

 

Quando o oxigênio também podia fazer mal

Outro episódio menos conhecido ocorreu na neonatologia. Durante parte do século XX, o oxigênio foi administrado de forma liberal a recém-nascidos prematuros. Posteriormente, percebeu-se a relação entre níveis elevados de oxigênio e a retinopatia da prematuridade.

A lição novamente é desconcertante: aquilo que salva vidas em determinada circunstância pode causar dano quando utilizado em excesso. Não é necessário transformar isso numa oposição entre “oxigênio bom” e “oxigênio ruim”.

A medicina real raramente funciona assim. Dose, momento, indicação, duração, população e contexto transformam o significado de uma intervenção. Até tratamentos que pareciam muito modernos tiveram de ser revistos

 

Terapia hormonal

Essa história não pertence apenas ao passado distante. Em 2002, o grande estudo da Women’s Health Initiative interrompeu precocemente o braço de terapia hormonal combinada com estrogênio e progestágeno porque os resultados mostraram aumento de risco de doença coronariana, acidente vascular cerebral, embolia pulmonar e câncer de mama. Em 2004, o braço de estrogênio isolado também foi interrompido, após aumento do risco de acidente vascular cerebral e ausência do benefício cardiovascular esperado (WHI, 2026).

Isso não significa que terapia hormonal seja simplesmente “ruim”. Significa que a pergunta correta nunca deveria ser apenas: “Esse tratamento funciona?” As perguntas precisam ser maiores:

  • Para quem?
  • Para qual indicação?
  • Em que idade?
  • Em qual dose?
  • Por quanto tempo?
  • Comparado a quê?
  • Quais são os benefícios?
  • Quais são os riscos?
  • Qual é o risco absoluto?
  • O que acontece depois de cinco, dez ou vinte anos?

 

Criticar a ciência não é atacá-la

É assim que a ciência e particularmente a medicina amadurecem. O problema não é apenas errar. É não perceber que podemos estar errando. Existe uma diferença importante entre ignorância e erro científico. A ignorância reconhece que ainda não sabemos. O erro científico ocorre quando acreditamos saber e, posteriormente, descobrimos que nossa conclusão estava equivocada.

O segundo é mais perigoso porque vem acompanhado de confiança. E a história mostra vários mecanismos que podem produzir essa confiança excessiva:

autoridade, quando acreditamos porque uma pessoa importante disse;

tradição, quando algo parece verdadeiro porque sempre foi feito;

experiência pessoal, quando poucos casos são tomados como prova geral;

mecanismo biológico, quando uma explicação parece elegante e, por isso, acreditamos que necessariamente funciona;

associação estatística, quando confundimos correlação com causalidade;

marcadores intermediários, quando melhorar um exame é interpretado como reduzir doença;

interesses comerciais, quando a divulgação de uma intervenção ultrapassa a força de suas evidências;

entusiasmo tecnológico, quando uma novidade parece automaticamente superior ao que existia antes.

A medicina contemporânea criou ferramentas justamente para tentar reduzir esses problemas: ensaios clínicos randomizados, grupos de controle, metanálises, revisões sistemáticas, farmacovigilância, registros de longo prazo, epidemiologia causal e análise de risco absoluto.

Mas nenhuma dessas ferramentas elimina completamente o erro. A ciência não é uma coleção de verdades absolutas Talvez essa seja a principal mensagem. Dizer que a ciência pode errar não é atacar a ciência. É compreender como ela funciona.

Uma teoria científica não precisa ser eterna para ser útil. Ela precisa ser a melhor explicação disponível diante das evidências atuais e permanecer aberta à revisão quando surgirem evidências melhores.

É justamente essa possibilidade de correção que diferencia ciência de dogma. O conhecimento médico é, portanto, provisório — mas isso não significa que todas as ideias tenham o mesmo valor.

Há uma diferença enorme entre uma hipótese sem evidências e uma conclusão apoiada por dezenas de ensaios clínicos consistentes. Humildade científica não significa relativismo científico.

Não precisamos colocar a medicina baseada em evidências no mesmo plano que qualquer opinião encontrada nas redes sociais. Precisamos, sim, reconhecer que até as melhores evidências possuem limites.

 

Prudência não deve significar fechamento

Existe uma tentação compreensível depois de conhecer esses episódios históricos: desconfiar de toda novidade. Seria outro erro.

Se os médicos do passado tivessem simplesmente rejeitado qualquer ideia nova porque “a medicina já sabe tudo”, talvez a antissepsia, a vacinação, os antibióticos, a anestesia moderna, a cirurgia cardíaca, a terapia intensiva e inúmeras outras conquistas nunca tivessem avançado.

A postura mais madura está entre dois extremos: nem acreditar em tudo que é novo, nem rejeitar tudo que é novo. É preciso curiosidade com prudência. Uma nova hipótese merece ser ouvida. Uma nova intervenção merece ser estudada. Uma observação inesperada merece investigação.

Mas uma hipótese não deve ser transformada imediatamente em tratamento, e um tratamento não deve ser transformado imediatamente em recomendação universal. O verdadeiro progresso talvez esteja em poder mudar de opinião

Há uma qualidade particularmente valiosa na medicina: a capacidade de dizer “estávamos errados”. Não deveria ser motivo de vergonha descobrir que uma prática antiga não funciona.

Vergonhoso seria continuar praticando algo prejudicial apenas porque é antigo, popular ou defendido por autoridades.

Semmelweis estava certo sobre a importância da higiene das mãos, embora sua explicação ainda fosse incompleta.

A sangria perdeu seu espaço quando seu fundamento terapêutico deixou de resistir às evidências. O tabaco deixou de ser visto como medicamento quando seus danos ficaram suficientemente demonstrados.

A talidomida e o DES mostraram a necessidade de uma avaliação de segurança muito mais rigorosa. O bypass jejunoileal mostrou que eficácia sem segurança não é boa medicina.

A terapia hormonal demonstrou como grandes ensaios clínicos podem modificar conclusões construídas durante décadas. E o álcool nos lembra que até recomendações aparentemente inocentes podem mudar quando aprendemos a enxergar melhor os vieses dos estudos observacionais.

 

A medicina do futuro também poderá corrigir a medicina de hoje

É inevitável pensar que algumas das nossas certezas atuais serão modificadas. Talvez algumas recomendações nutricionais hoje consideradas sólidas sejam revistas.

Talvez determinadas intervenções farmacológicas sejam consideradas excessivas em determinados grupos.

Talvez alguns marcadores laboratoriais hoje valorizados revelem menor importância clínica do que imaginamos.

Talvez determinados procedimentos sejam substituídos por outros.

Talvez novas tecnologias mostrem que algumas doenças que hoje agrupamos sob um mesmo diagnóstico são, na realidade, várias doenças diferentes. Isso não deve nos assustar. É assim que o conhecimento avança.

O médico precisa, portanto, de duas virtudes aparentemente contraditórias: abertura e prudência. Abertura para ouvir o novo. Prudência para não adotá-lo antes da hora. Humildade para reconhecer os limites do conhecimento.

Coragem para abandonar uma prática quando as evidências mostrarem que ela não deve continuar. E rigor para não confundir novidade com progresso.

 

Uma medicina suficientemente humilde para continuar aprendendo

Depois de mais de um século de grandes descobertas, talvez a medicina tenha aprendido uma de suas lições mais importantes: não existe vergonha em mudar de opinião quando as evidências mudam.

A ciência não é uma estátua de mármore. É um processo. Não é uma coleção de certezas imutáveis.

É uma construção permanente. E justamente porque sabemos que podemos errar, devemos investigar melhor, comparar alternativas, acompanhar os pacientes por mais tempo, medir resultados relevantes e desconfiar tanto das velhas certezas quanto das novas modas.

A medicina precisa conservar o espírito crítico que permitiu substituir a sangria, abandonar procedimentos perigosos, reconhecer os danos do tabaco, retirar medicamentos inadequados e incorporar a antissepsia.

O melhor cientista não é aquele que acredita nunca estar errado. É aquele que constrói sua prática de maneira que consiga descobrir o mais cedo possível quando estiver.

Essa talvez seja uma das formas mais honestas de respeitar a ciência — e, sobretudo, o paciente.

 

Disclaimer

Este artigo tem finalidade educativa e de reflexão histórica. A história da medicina é apresentada de forma necessariamente resumida e não deve ser utilizada para interromper, iniciar ou modificar tratamentos médicos. O fato de uma prática ter sido abandonada ou modificada historicamente não significa que todas as suas aplicações contemporâneas sejam inadequadas. Decisões clínicas devem considerar indicação, evidências atuais, características individuais do paciente, benefícios, riscos e acompanhamento profissional.

 

Referências

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CARPENTER, K. J. Eijkman’s contribution to the discovery of vitamins. The Journal of Nutrition, v. 125, n. 2, p. 155–163, 1995. DOI: 10.1093/jn/125.2.155.

DRAKMAN, A. The open body closed: a rationale for the abandonment of bloodletting, based on nineteenth-century Swedish medicine. Social History of Medicine, v. 38, n. 2, p. 270–290, 2025. DOI: 10.1093/shm/hkae069.

GBD 2016 ALCOHOL COLLABORATORS. Alcohol use and burden for 195 countries and territories, 1990–2016: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. The Lancet, v. 392, n. 10152, p. 1015–1035, 2018. DOI: 10.1016/S0140-6736(18)31310-2.

GARDNER, M. N.; BRANDT, A. M. “The doctors’ choice is America’s choice”: the physician in US cigarette advertisements, 1930–1953. American Journal of Public Health, v. 96, n. 2, p. 222–232, 2006.

GREENE, J. A. The rise and fall of tobacco as a botanical medicine. Journal of Herbal Medicine, 2020.

KREMEN, A. J. et al. An experimental evaluation of the nutritional effects of extensive intestinal bypass. 1954. [Referência histórica do desenvolvimento do bypass jejunoileal].

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MUNDALIL VASU, N.; BUNCH, S. António Egas Moniz (1874–1955): lobotomy pioneer and Nobel laureate. Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, 2014.

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SEMМELWEIS, I. Die Ätiologie, der Begriff und die Prophylaxis des Kindbettfiebers. Pest: C. A. Hartleben, 1861. [Obra histórica].

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WOMEN’S HEALTH INITIATIVE. About the Women’s Health Initiative: hormone therapy trials. 2026.

 

Álcool: não existe dose segura — entre o mito da taça de vinho e a realidade dos danos

 

Durante muitos anos, uma ideia ganhou enorme popularidade na medicina e na sociedade: uma pequena dose diária de vinho, especialmente vinho tinto, faria bem ao coração. A chamada “dose da saúde”, muitas vezes apresentada como uma taça de vinho por dia, parecia encontrar respaldo em estudos observacionais que identificavam menor incidência de algumas doenças cardiovasculares entre “consumidores moderados”. Essa interpretação ajudou a construir a imagem do álcool como uma substância que, em pequenas quantidades, poderia até ser benéfica. Hoje, porém, a compreensão científica é diferente. O grande estudo do Global Burden of Disease publicado no The Lancet em 2018, analisando 195 países e territórios e 23 desfechos relacionados ao álcool, concluiu que o nível de consumo que minimizava o risco global para a saúde era zero (GBD 2016 Alcohol Collaborators, 2018). O próprio comentário editorial que acompanhou o trabalho foi intitulado, de forma muito clara, No level of alcohol consumption improves health (BURTON; SHERON, 2018).

A Organização Mundial da Saúde afirma que não existe forma de consumo de álcool isenta de risco e que até níveis baixos podem trazer danos (WHO, 2024). O álcool contém etanol, uma substância psicoativa, tóxica e capaz de produzir dependência. Portanto, não é o tipo de bebida — vinho, cerveja, destilado ou qualquer outra — que elimina o problema: o agente tóxico é o álcool.

 

O velho argumento da “dose para o coração”

Estudos mais recentes e robustos passaram a desvendar vieses na suposta proteção cardiovascular da pequena quantidade de álcool. Uma gigante meta-análise publicada no JAMA Network Open, com 107 estudos de coorte e mais de 4,8 milhões de participantes, não encontrou redução estatisticamente significativa da mortalidade global entre consumidores ocasionais ou de baixo volume quando os principais vieses eram considerados (ZHAO et al., 2023), desmentindo suposições anteriores.

Uma revisão abrangente de revisões sistemáticas publicada em 2024 chegou a conclusão semelhante: os estudos que mostram uma curva em J são particularmente suscetíveis a problemas metodológicos, enquanto a melhor evidência disponível não demonstra qualquer benefício do consumo leve de álcool (SARICH et al., 2024).

Por isso, considero inadequado, do ponto de vista preventivo, recomendar que uma pessoa que não bebe comece a beber para proteger o coração. Também não considero coerente tratar “beba com moderação” como se fosse uma orientação médica simples, universal e sem riscos. Afinal, o que é “moderação”? Uma dose por dia? Duas? Apenas nos fins de semana? O problema é que a resposta não é biológica nem comportamentalmente tão simples. Para uma pessoa vulnerável ao desenvolvimento de dependência, aquela primeira “dose saudável” pode representar o início de uma trajetória nefasta.

 

O álcool não prejudica apenas quem bebe

O álcool é particularmente traiçoeiro porque seu dano ultrapassa o corpo de quem o consome. A OMS estima que 2,6 milhões de mortes foram atribuíveis ao álcool em 2019: aproximadamente 1,6 milhão por doenças não transmissíveis, 700 mil por lesões e 300 mil por doenças transmissíveis (WHO, 2024). O álcool foi associado causalmente a mais de 200 doenças, lesões e outras condições de saúde. É fator de risco para doença hepática, doenças cardiovasculares, transtornos mentais e diversos cânceres. Em 2019, aproximadamente 401 mil mortes por câncer foram atribuídas ao álcool; ele é reconhecido como carcinógeno e aumenta o risco de câncer de mama, fígado, cabeça e pescoço, esôfago e intestino, entre outros (WHO, 2024).

O fígado talvez seja o órgão mais lembrado, mas está longe de ser o único. O álcool pode contribuir para esteatose hepática, hepatite alcoólica, cirrose, pancreatite, hipertensão, arritmias, câncer, alterações neurológicas e comprometimento cognitivo. Pode ainda agravar depressão, ansiedade, distúrbios do sono e problemas familiares e profissionais. A própria OMS destaca problemas financeiros, conflitos familiares, dificuldades no trabalho e desemprego entre as consequências sociais do consumo prejudicial (WHO, 2024).

 

Trânsito: quem não bebe também pode pagar a conta

Talvez um dos aspectos mais chocantes seja o dano causado a pessoas que nem sequer beberam. Em 2019, foram estimadas 298 mil mortes em colisões rodoviárias relacionadas ao álcool. Destas, aproximadamente 156 mil ocorreram em razão do consumo de álcool por outra pessoa, e não pela própria vítima (WHO, 2024). Portanto, dirigir alcoolizado não é apenas uma decisão pessoal: envolve colocar a vida de terceiros em risco.

E o álcool é enganoso justamente porque muitas pessoas acreditam estar “bem para dirigir”. O raciocínio costuma ser: “eu conheço meu limite”, “foram só duas taças”, “estou acostumado”, “não estou bêbado”. Mas a capacidade de julgamento, atenção, coordenação e tempo de reação pode ser prejudicada antes de a própria pessoa perceber que está alterada. A OMS enfatiza que o risco de acidente começa a aumentar mesmo em níveis baixos de alcoolemia e cresce significativamente em níveis mais elevados (WHO, 2026).

Quem trabalha há décadas com pacientes não precisa depender apenas de estatísticas para compreender isso. Já testemunhei situações nas quais a bebida esteve associada a acidentes graves, conflitos familiares, perda de emprego, deterioração da saúde e destruição de vínculos afetivos. Lembro especialmente de uma família amiga, com várias crianças, cuja vida foi tragicamente ceifada, quase toda a família, por um acidente de trânsito provocado por um motorista alcoolizado. O álcool não havia sido consumido pelas vítimas, mas entrou na história da única sobrevivente para sempre.

 

Violência: o álcool pode transformar conflitos em tragédias

A relação entre álcool e violência é igualmente importante. O álcool reduz a capacidade de julgamento e autocontrole e pode aumentar comportamentos agressivos, impulsivos e de risco. Estudos epidemiológicos mostram associação importante entre consumo do parceiro e violência no relacionamento. Em uma análise de 28 países de baixa e média renda, envolvendo mais de 109 mil casais, o uso de álcool pelo parceiro esteve associado a 2,55 vezes mais chances de violência por parceiro íntimo no último ano, embora a magnitude variasse entre os países (GREENE et al., 2021). Isso não significa que álcool seja a única causa da violência doméstica — violência é um fenômeno multifatorial —, mas mostra que o álcool pode ser um importante fator associado e agravante.

A violência interpessoal também aparece entre os danos atribuíveis ao álcool. Estimativas globais anteriores da OMS apontaram dezenas de milhares de mortes por violência interpessoal relacionadas ao álcool, além de suicídios, acidentes, quedas, afogamentos, queimaduras e outros traumatismos (WHO, 2018). Em outras palavras, parte expressiva do dano do álcool não aparece em um consultório como “doença do bebedor”; aparece como acidente, fratura, agressão, violência familiar, morte de um inocente ou sofrimento de uma criança.

 

O álcool e o negacionismo: “Eu estou no controle”

Um dos maiores obstáculos ao tratamento é a dificuldade de reconhecer o problema. O indivíduo costuma dizer: “eu paro quando quiser”, “não sou alcoólatra”, “todo mundo bebe”, “só bebo socialmente”, “não bebo durante a semana”, “nunca tive um problema por causa da bebida”.

É importante fazer uma distinção: negar ou minimizar o problema não é, por si só, prova de dependência. Porém, também não devemos aceitar a autopercepção do paciente como evidência suficiente de controle. Perda de controle, desejo intenso de beber, dificuldade de reduzir o consumo e continuidade do uso apesar de consequências físicas, familiares ou profissionais são sinais clínicos muito mais relevantes.

Tenho acompanhado ao longo de décadas pessoas que começaram acreditando estar absolutamente no controle. Lembro de uma paciente, entre muitas outras com histórias semelhantes, que durante anos negou a possibilidade de dependência. Desenvolveu esteatose e posteriormente cirrose. Após tratamento, conseguiu melhorar durante alguns anos. Depois voltou a beber. Apesar das advertências reiteradas da equipe médica, continuava convencida de que controlava o consumo. A doença hepática progrediu até a necessidade de transplante. Ela acabou falecendo pouco tempo depois, ainda relativamente jovem.

Não se trata de contar essa história para produzir medo. Trata-se de mostrar que o álcool pode produzir uma falsa sensação de segurança. A pessoa pensa que controla a bebida enquanto, progressivamente, a bebida passa a controlar sua vida.

 

“Beber socialmente” pode ser uma armadilha

Outra expressão que merece reflexão é “beber socialmente”. Ela transmite a ideia de que existe uma categoria especial de consumo sem consequências porque ocorre em festas, restaurantes, reuniões familiares ou encontros com amigos. Mas o organismo não reconhece o conceito social de uma bebida.

A cultura torna o álcool familiar, elegante e aceitável. Ele aparece em comemorações, publicidade, televisão, esportes, restaurantes e eventos sociais. Isso faz com que seus riscos sejam frequentemente subestimados. A OMS chama atenção justamente para esse processo de normalização social: o álcool é parte rotineira do cenário social de muitas populações, o que pode facilitar que seus danos sejam ignorados ou minimizados (WHO, 2024).

É precisamente aí que o álcool se torna uma substância particularmente perigosa do ponto de vista populacional: é tóxico e pode causar dependência, mas também é legal, amplamente disponível e culturalmente aceito. Essa combinação reduz a percepção de risco.

 

E o resveratrol? Não é melhor comer uvas?

Durante algum tempo, o resveratrol foi apresentado como uma das possíveis explicações para o suposto benefício cardiovascular do vinho tinto. A hipótese era biologicamente interessante, mas acabou extrapolada muito além do que os estudos permitiam. O resveratrol realmente está presente em uvas e outros vegetais, mas também pode ser encontrado em diversas fontes alimentares, como frutas vermelhas, ameixas e amendoim. Além disso, revisões da literatura clínica questionaram se a quantidade obtida pelo vinho teria qualquer efeito relevante sobre saúde ou mortalidade (PRASAD et al., 2016).

Portanto, não faz sentido usar o possível benefício de um polifenol como justificativa para ingerir uma substância tóxica e carcinogênica. Não precisamos beber álcool para obter compostos bioativos presentes em alimentos. Podemos consumir uvas, frutas, verduras e outros alimentos vegetais sem a necessidade de acrescentar etanol ao organismo.

 

Álcool e cigarro: uma comparação importante

A OMS atribui ao álcool aproximadamente 2,6 milhões de mortes em 2019, enquanto o tabaco causa atualmente mais de 7 milhões de mortes por ano, além de mais de 1,6 milhão entre não fumantes expostos à fumaça passiva (WHO, 2024; WHO, 2026).

Isso, entretanto, não diminui a gravidade do álcool. O tabaco produz enorme mortalidade por doenças crônicas; o álcool combina doença crônica, dependência e um componente agudo muito poderoso de acidentes, violência e comportamento de risco. No caso do álcool, uma única noite pode produzir uma consequência irreversível.

A analogia com o tabagismo, portanto, é útil. Durante muito tempo, fumar também foi socialmente aceito e até associado a sofisticação. A medicina levou tempo para abandonar algumas ambiguidades. Hoje ninguém recomendaria que uma pessoa começasse a fumar “moderadamente” para relaxar. Para mim, a mesma coerência deve orientar a abordagem do álcool: não é radical reconhecer um risco; radical seria ignorar o que a evidência mostra.

 

E quando a pessoa já está bebendo?

Aqui é fundamental evitar julgamento moral. Dependência de álcool é um problema médico tratável. A pessoa pode precisar de ajuda médica, psicológica, familiar e social. Existem tratamentos comportamentais eficazes e medicamentos que podem ser utilizados em determinados pacientes, entre eles naltrexona, acamprosato e dissulfiram, sempre prescritos por médico de acordo com avaliação clínica individual (NIAAA, 2025).

Também é importante uma advertência: uma pessoa com consumo pesado e prolongado não deve simplesmente interromper o álcool sozinha sem avaliação médica. A síndrome de abstinência pode provocar tremores, sudorese, ansiedade, insônia, alterações autonômicas, convulsões e, nos casos graves, delirium. O Ministério da Saúde orienta que pacientes com transtorno por uso de álcool moderado ou grave sejam avaliados quanto ao risco de síndrome de abstinência e, quando necessário, façam desintoxicação em ambiente apropriado (BRASIL, Ministério da Saúde).

No Brasil, a Unidade Básica de Saúde pode ser a porta de entrada, com encaminhamento, quando indicado, para os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD). O SUS dispõe de uma rede destinada ao cuidado contínuo dessas pessoas e de suas famílias (BRASIL, 2026).

 

O que dizer, na prática?

Não beber é a única forma de eliminar o risco atribuível ao álcool. Para quem não bebe, não existe benefício médico comprovado que justifique começar. Para quem bebe, vale a pena perguntar com honestidade: “Eu realmente controlo o álcool ou estou apenas acostumado a acreditar que controlo?” Assim como acontece com o cigarro, o objetivo ideal deve ser sempre a interrupção total do consumo. Sob orientação médica, no caso de risco de abstinência.

Não é necessário esperar uma cirrose, um acidente, uma briga, a perda do emprego ou a destruição da família para procurar ajuda. Quanto antes o problema for reconhecido, maior a possibilidade de interromper essa trajetória.

 

Resumo prático

  1. Não existe dose de álcool totalmente segura. Mesmo pequenas quantidades podem aumentar determinados riscos.
  2. Não recomendamos começar a beber para “proteger o coração”. O antigo conceito da “taça saudável de vinho” não é uma justificativa médica consistente diante da evidência atual.
  3. “Moderado” não é sinônimo de seguro. É uma cilada, na maioria das vezes. A maior carga de dano ocorre nos consumos elevados, mas risco zero não existe.
  4. O álcool está relacionado a câncer, doença hepática, doenças cardiovasculares, transtornos mentais, dependência, acidentes e lesões.
  5. O dano pode atingir pessoas que não bebem. Em 2019, 156 mil mortes por colisões relacionadas ao álcool foram atribuídas ao consumo de outra pessoa.
  6. Nunca é aceitável dirigir depois de beber. A própria pessoa pode não perceber adequadamente a redução de seus reflexos e julgamento.
  7. Violência doméstica e álcool estão fortemente associados. Isso não significa que o álcool explique sozinho a violência, mas ele pode ser importante fator de risco e agravamento.
  8. “Eu paro quando quiser” merece investigação, não simplesmente aceitação. Perda de controle e continuidade apesar dos danos são sinais que precisam ser avaliados.
  9. Dependência de álcool tem tratamento. Psicoterapia, acompanhamento multiprofissional, grupos de apoio e medicamentos podem fazer parte da abordagem.
  10. Quem bebe pesadamente há muito tempo não deve interromper o consumo sozinho sem orientação médica. A abstinência pode ser perigosa.
  11. O resveratrol não é motivo para beber vinho. Seus possíveis benefícios não justificam a exposição ao álcool e seus riscos.
  12. Procurar ajuda cedo é sinal de prudência, não de fraqueza.

 

Uma palavra final

Depois de décadas acompanhando pessoas e famílias, minha impressão clínica tornou-se cada vez mais clara: o álcool promete prazer, relaxamento, sociabilidade e celebração, mas pode cobrar um preço extraordinariamente alto.

Não poucos perderão progressivamente o controle. O problema é que ninguém recebe, na primeira taça, um certificado dizendo que estará seguro.

Por isso, não considero prudente incentivar o consumo de álcool sob o falso e ultrapassado argumento de que “uma pequena dose faz bem”. Assim como fizemos com o tabaco, precisamos aprender a separar o que é socialmente aceito do que é biologicamente benéfico. Não se trata de radicalismo. Trata-se de coerência com os fatos.

E, quando alguém já perdeu o controle, a resposta não deve ser condenação. Deve ser ajuda.

Nota institucional — Lapinha: a Lapinha não realiza tratamento de alcoolismo nem de dependências químicas. A exceção é o tratamento do tabagismo, desde que não existam outras dependências químicas associadas. Pacientes com transtorno por uso de álcool devem ser encaminhados para serviços habilitados, conforme a gravidade e as necessidades individuais.

 

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Centros de Atenção Psicossocial. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/desmad/raps/caps. Acesso em: 28 set. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Transtornos por uso de álcool no adulto: planejamento terapêutico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/transtornos-por-uso-de-alcool-no-adulto/unidade-de-atencao-primaria/planejamento-terapeutico/. Acesso em: 28 set. 2026.

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PRASAD, Sushil et al. Resveratrol: how much wine do you have to drink to stay healthy? Medical Principles and Practice, Basel, v. 25, n. 1, p. 41-46, 2016. DOI: 10.1159/000441505.

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