As Canetas Emagrecedoras Precisam Ser Usadas para Sempre?

 

Quando o medicamento ensina o corpo a viver sem ele. 

Disclaimer

Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui consulta médica. A decisão de iniciar, manter, reduzir ou interromper medicamentos para obesidade deve ser tomada individualmente, em conjunto com o médico assistente. Os exemplos apresentados são fictícios e têm apenas finalidade didática.

 

A pergunta que quase todo paciente faz

Desde que surgiram os novos medicamentos para emagrecer, uma dúvida aparece em praticamente todas as consultas: “Doutor, vou precisar tomar essa canetinha para o resto da vida?” A resposta mais honesta é: Depende.

Não porque os médicos não saibam responder, mas porque cada paciente tem uma história, uma biologia e um grau diferente de obesidade.

A obesidade é uma doença crônica, mas ela não se manifesta da mesma maneira em todas as pessoas. Algumas apresentam um excesso de peso relativamente recente, poucas doenças associadas e grande capacidade de mudar hábitos. Outras convivem há décadas com obesidade grave, diabetes, apneia do sono, hipertensão e inúmeras tentativas frustradas de emagrecimento.

Por isso, esperar que todos tenham exatamente a mesma evolução seria tão inadequado quanto imaginar que todos os pacientes com hipertensão ou diabetes possam suspender seus medicamentos após alguns meses de tratamento.

 

Uma janela de oportunidade

Os análogos das incretinas, como a semaglutida e a tirzepatida, produzem um efeito muito interessante.

Eles reduzem a fome. Aumentam a saciedade. Diminuem aquela sensação constante de pensar em comida. Muitos pacientes descrevem que, pela primeira vez em muitos anos, conseguem escolher os alimentos com calma, sem a ansiedade que antes parecia controlar suas decisões.

Talvez esse seja um dos maiores benefícios dessas medicações. Elas criam uma janela de oportunidade.

Durante esse período, enquanto o organismo oferece menos resistência ao emagrecimento, torna-se muito mais fácil implantar mudanças profundas na alimentação, iniciar atividade física, melhorar o sono, controlar o estresse e construir novos hábitos.

Em outras palavras, o medicamento pode facilitar aquilo que, antes, parecia impossível. É exatamente essa lógica que fundamenta os programas de Intensive Lifestyle Intervention (ILI), já consagrados em grandes estudos científicos, como o Look AHEAD, que demonstrou os benefícios de intervenções intensivas sobre alimentação, atividade física e comportamento (Look AHEAD Research Group, 2013).

Hoje, todas as principais diretrizes internacionais recomendam que a farmacoterapia seja sempre acompanhada por mudanças estruturadas no estilo de vida (Garvey et al., 2022).

 

Resumo Prático

A canetinha não ensina ninguém a viver de forma saudável.

Mas ela pode criar as condições biológicas para que essa aprendizagem finalmente aconteça.

 

Elizabeth: quando a medicação funciona como uma ponte

Imagine a história de Elizabeth (Personagem fictícia, inspirada em situações frequentes da prática clínica).

Elizabeth tinha obesidade grau I. Sua saúde era boa, mas ela carregava cerca de 17 quilos acima do peso considerado saudável. Já havia tentado inúmeras dietas, sempre com o mesmo resultado: perdia alguns quilos e depois recuperava tudo.

Ela sabia exatamente o que precisava fazer. O problema nunca foi falta de informação.  problema era conseguir manter as mudanças.

Depois de conversar com seu médico, iniciou um análogo das incretinas (canetas emagrecedoras) e, ao mesmo tempo, ingressou em um programa intensivo de mudança do estilo de vida.

Passou a caminhar regularmente. Descobriu o prazer da musculação. Aprendeu a organizar as refeições. Dormia melhor. Reduziu alimentos ultraprocessados. Voltou a cozinhar. A comida deixou de ocupar seus pensamentos o tempo todo.

Ao longo de quase um ano, perdeu os 17 quilos que a separavam do peso desejado. Mais importante do que isso: construiu uma nova rotina.

Quando esses hábitos já estavam sólidos, seu médico iniciou uma redução gradual da medicação.

Hoje, Elizabeth continua sendo acompanhada.Talvez nunca mais precise utilizar o medicamento. Talvez um dia precise voltar. Ninguém sabe. Mas isso deixou de ser a principal preocupação. O verdadeiro tratamento passou a ser seu novo estilo de vida.

 

Tânia: quando o tratamento precisa continuar

Agora imagine Tânia (também uma personagem fictícia).

Ela apresenta obesidade grave há muitos anos. Tem diabetes tipo 2. Hipertensão arterial. Apneia do sono. Dor nos joelhos. Esteatose hepática.

Já participou de inúmeros programas de emagrecimento. Perdia um pouco de peso. Recuperava tudo. Recomeçava. Seu organismo parece defender intensamente um peso elevado.

Após iniciar um agonista das incretinas (canetas emagrecedoras), Tânia também emagreceu. Sua glicemia melhorou. A pressão caiu. A disposição aumentou. Mas, ao tentar reduzir a medicação, a fome voltou de forma intensa e o peso começou novamente a subir.

Nesse caso, manter o tratamento por tempo prolongado talvez seja a decisão mais sensata. Isso não significa fracasso. Significa tratar uma doença crônica da mesma maneira que tratamos hipertensão, diabetes ou asma.

 

Resumo Prático

  • Nem todos os pacientes seguirão o mesmo caminho.
  • Alguns conseguirão manter os resultados apenas com hábitos saudáveis.
  • Outros precisarão de doses menores de manutenção.
  • E haverá aqueles que se beneficiarão do tratamento contínuo.

 

A medicina está caminhando para a personalização

Durante muitos anos, procurávamos uma única resposta para todos. Hoje sabemos que ela não existe. A tendência da medicina moderna é justamente a personalização.

Alguns pacientes utilizarão o medicamento como uma ponte para construir um novo estilo de vida. Outros precisarão dessa ponte por muito mais tempo.

O importante não é seguir uma regra fixa. É encontrar a estratégia que ofereça o maior benefício com o menor risco para cada pessoa.

 

Nossa Experiência na Lapinha

Na Lapinha, temos adotado essa filosofia de forma individualizada. Sempre que possível, o tratamento medicamentoso é iniciado simultaneamente a um Programa Intensivo de Intervenção no Estilo de Vida (Intensive Lifestyle Intervention – ILI). Quando os novos hábitos estão consolidados — geralmente após um período entre 6 e 18 meses, embora isso varie de pessoa para pessoa — pode-se considerar uma redução gradual da medicação, sempre com acompanhamento próximo da equipe.

Ainda não existem estudos robustos comprovando essa estratégia como rotina para todos os pacientes, mas ela se apoia em fundamentos fisiológicos consistentes e em uma ideia simples: aproveitar o período de maior saciedade proporcionado pelo medicamento para consolidar hábitos que possam sustentar os resultados no longo prazo. Se isso for possível, excelente. Se não for, o retorno ao tratamento medicamentoso não deve ser encarado como derrota, mas como parte do manejo de uma doença crônica.

 

O objetivo nunca foi abandonar a medicação

Existe um erro de perspectiva que merece ser evitado. O sucesso não deve ser medido por conseguir ou não interromper a canetinha. O verdadeiro sucesso é alcançar saúde.

Se isso acontecer sem medicamentos, ótimo. Se acontecer com doses baixas de manutenção, também é um excelente resultado.

Se exigir tratamento contínuo, mas com controle da obesidade, prevenção do diabetes, redução do risco cardiovascular e melhora da qualidade de vida, continua sendo um sucesso.

A medicina não deve perseguir metas ideológicas. Ela deve buscar aquilo que oferece mais saúde ao paciente.

 

Resumo Final

✔ Os análogos das incretinas podem criar uma janela de oportunidade para mudanças profundas no estilo de vida.

✔ Em alguns pacientes, essas mudanças poderão permitir a redução gradual ou até a suspensão da medicação.

✔ Em outros, o tratamento prolongado continuará sendo a melhor opção.

✔ A decisão deve ser sempre individualizada, baseada na resposta clínica, nas comorbidades e na capacidade de manter hábitos saudáveis.

✔ O objetivo não é abandonar o medicamento a qualquer custo, mas alcançar o melhor estado possível de saúde e qualidade de vida.

 

Conclusão

Talvez a pergunta mais importante não seja “Vou precisar usar essa canetinha para sempre?”, mas sim “O que farei enquanto ela estiver me ajudando?”.

Se esse período for aproveitado para transformar a alimentação, fortalecer os músculos, melhorar o sono, controlar o estresse e construir uma rotina saudável, o medicamento terá cumprido um papel que vai muito além da perda de peso: terá servido como uma ponte para uma vida diferente.

Alguns pacientes conseguirão atravessar essa ponte e seguir em frente apenas com seus novos hábitos. Outros precisarão continuar contando com o apoio da farmacoterapia para manter os benefícios conquistados. Ambas as situações são legítimas. O que realmente importa é que o tratamento seja seguro, individualizado e baseado nas melhores evidências disponíveis.

No fim das contas, a maior vitória não é retirar a medicação. É devolver ao paciente a saúde, a autonomia e a confiança de que uma mudança duradoura é possível. Talvez esse seja o verdadeiro significado da medicina do estilo de vida: utilizar todos os recursos científicos disponíveis — inclusive os medicamentos, quando bem indicados — para que, um dia, o protagonista da história deixe de ser a canetinha e passe a ser o próprio paciente.

 

Referências

GARVEY, W. T. et al. American Association of Clinical Endocrinology Clinical Practice Guideline for Comprehensive Medical Care of Patients with Obesity. Endocrine Practice, v. 28, n. 5, p. 528–562, 2022.

LOOK AHEAD RESEARCH GROUP. Cardiovascular effects of intensive lifestyle intervention in type 2 diabetes. New England Journal of Medicine, Boston, v. 369, n. 2, p. 145–154, 2013.

RUBINO, D. et al. Definition and diagnostic criteria of clinical obesity. The Lancet Diabetes & Endocrinology, v. 13, 2025.

WILDING, J. P. H. et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: the STEP 1 trial extension. Diabetes, Obesity and Metabolism, Hoboken, v. 24, n. 8, p. 1553–1564, 2022.

WHARTON, S. et al. Obesity in adults: a clinical practice guideline. Canadian Medical Association Journal (CMAJ), Ottawa, v. 192, n. 31, p. E875–E891, 2020.

 

 

 

 

A Revolução das “Canetinhas” Emagrecedoras – Quatro décadas de uma longa espera – PARTE 1

 

Da frustração ao entusiasmo: como os novos medicamentos transformaram o tratamento da obesidade — e por que ainda precisamos de equilíbrio

 

 Disclaimer

Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui consulta médica. Medicamentos para tratamento da obesidade devem ser prescritos apenas após avaliação individualizada, considerando benefícios, riscos, contraindicações e acompanhamento contínuo. Nenhum medicamento substitui uma alimentação saudável, atividade física regular e outras mudanças no estilo de vida.

 

Confesso: durante muitos anos tratar a obesidade era frustrante

Há mais de quarenta anos acompanho pessoas que desejam emagrecer. Ao longo desse período, vi milhares de histórias. Algumas extremamente bem-sucedidas.

Muitas, infelizmente, repetiam o mesmo roteiro. O paciente conseguia perder alguns quilos. Sentia-se motivado. Depois surgiam as dificuldades da rotina. A fome aumentava. O organismo reagia. O peso voltava. Frequentemente maior do que antes.

Era o conhecido efeito sanfona. Como médico, poucas situações produziam tanta frustração.

Sabíamos orientar alimentação. Incentivávamos atividade física. Tratávamos ansiedade quando necessário. Prescrevíamos os medicamentos disponíveis. Mesmo assim, grande parte dos pacientes não conseguia manter resultados duradouros.

Hoje compreendemos que isso não acontecia por falta de força de vontade. A ciência mudou profundamente nossa compreensão da obesidade.

 

A maior mudança foi compreender que obesidade é uma doença

Durante muitos anos a obesidade foi interpretada quase exclusivamente como consequência de escolhas individuais.

Quem engordava era frequentemente visto como alguém sem disciplina. Esse pensamento mostrou-se profundamente simplista.

Hoje sabemos que a obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial, influenciada por genética, ambiente, hormônios, microbiota intestinal, sono, estresse, saúde mental, disponibilidade de alimentos ultraprocessados e inúmeros outros fatores (Rubino et al., 2025).

O cérebro possui sistemas extremamente sofisticados para defender as reservas de energia.

Quando uma pessoa emagrece, o organismo frequentemente responde aumentando a fome, reduzindo o gasto energético e estimulando mecanismos biológicos que favorecem a recuperação do peso.

Em outras palavras: o corpo humano foi programado para evitar perder peso, não para evitar ganhar peso. Essa descoberta mudou completamente a forma como encaramos o tratamento.

 

Resumo Prático

Obesidade não é simplesmente falta de força de vontade. É uma doença crônica na qual fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais interagem continuamente.

 

Uma breve história dos medicamentos para emagrecer

A busca por medicamentos capazes de reduzir o peso corporal acompanha a medicina há muitas décadas. Alguns trouxeram benefícios importantes. Outros acabaram abandonados por falta de eficácia ou por problemas de segurança.

Conhecer essa história ajuda a entender por que as chamadas “canetinhas” representam um momento tão especial.

 

Os primeiros anorexígenos: muito entusiasmo, muitos problemas

Na década de 1940 começaram a surgir os derivados anfetamínicos. Eles reduziam o apetite estimulando diretamente o sistema nervoso central. Inicialmente pareciam revolucionários.

Entretanto, logo ficaram evidentes diversos problemas:

  • aumento da pressão arterial;
  • insônia;
  • ansiedade;
  • taquicardia;
  • risco de dependência;
  • abuso recreativo.

Muitos desses medicamentos foram posteriormente retirados do mercado ou tiveram seu uso severamente restringido. Eles ensinaram uma importante lição: reduzir o apetite não basta; o tratamento também precisa ser seguro.

 

Sibutramina: um avanço importante, mas limitado

No final da década de 1990 surgiu a sibutramina. Seu mecanismo de ação era diferente. Ela aumentava a disponibilidade cerebral de serotonina e noradrenalina, promovendo maior sensação de saciedade. Durante muitos anos representou um dos principais tratamentos farmacológicos da obesidade.

Ainda hoje permanece disponível em diversos países, inclusive no Brasil, com critérios rigorosos de prescrição.

Embora muitos pacientes apresentassem boa resposta, a perda média de peso costumava situar-se entre 5% e 10% do peso corporal, além de haver preocupações quanto ao uso em pacientes com doença cardiovascular estabelecida, especialmente após a publicação do estudo SCOUT (James et al., 2010). Para muitos indivíduos, ainda era pouco.

 

Orlistate: uma estratégia completamente diferente

Enquanto os medicamentos anteriores atuavam principalmente sobre o cérebro, o orlistate passou a agir no intestino.

Seu mecanismo consiste em bloquear parte da ação das lipases pancreáticas, reduzindo a absorção de aproximadamente 30% da gordura ingerida. A estratégia mostrou-se segura do ponto de vista cardiovascular.

Entretanto, os efeitos colaterais gastrointestinais — como evacuações oleosas, urgência evacuatória e flatulência com eliminação de gordura — limitaram bastante sua aceitação. Mesmo assim, permanece uma alternativa útil em situações específicas.

 

Novas combinações: tentando aumentar a eficácia

Nas décadas seguintes surgiram associações medicamentosas buscando atuar simultaneamente sobre diferentes mecanismos cerebrais envolvidos no apetite.

Entre elas destacam-se:

  • Fentermina + Topiramato, aprovada em diversos países e capaz de produzir perdas de peso superiores às observadas com muitos medicamentos anteriores.
  • Naltrexona + Bupropiona, combinação que atua sobre centros cerebrais relacionados tanto à fome quanto ao comportamento alimentar, sendo particularmente útil para alguns pacientes com episódios de compulsão alimentar.

 

Lorcaserina – acabou sendo retirada do mercado

Outro medicamento que despertou grande interesse foi a lorcaserina, agonista seletivo dos receptores serotoninérgicos 5-HT2C.

Inicialmente considerada bastante promissora, acabou sendo retirada do mercado norte-americano em 2020 após análises sugerirem um possível aumento da incidência de alguns tipos de câncer em estudos de acompanhamento prolongado.

Até hoje, essa decisão continua sendo discutida na literatura científica, mas ilustra um princípio fundamental da farmacoterapia: a segurança em longo prazo é tão importante quanto a eficácia (FDA, 2020).

 

Apesar dos avanços, ainda faltava alguma coisa…

Todos esses medicamentos ajudaram milhares de pessoas. Mas havia um problema. Na maioria dos casos, a perda de peso permanecia modesta. Muitos pacientes continuavam frustrados. Era comum observar reduções de 5%, 8% ou 10% do peso corporal.

Esses resultados já produziam benefícios metabólicos importantes. Mas ainda estavam muito distantes das perdas frequentemente observadas após uma cirurgia bariátrica.

Foi então que a endocrinologia encontrou um caminho completamente diferente. Em vez de apenas reduzir artificialmente o apetite, pesquisadores passaram a estudar um sofisticado sistema hormonal que o próprio organismo utiliza diariamente para controlar fome, saciedade e metabolismo.

Esses hormônios receberam o nome de incretinas. Poucos imaginavam que eles iniciariam uma das maiores revoluções da história do tratamento da obesidade.

 

Resumo da Parte I

✔ Durante décadas, os médicos conviveram com resultados modestos no tratamento farmacológico da obesidade.

✔ A maior mudança científica foi reconhecer que a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, e não uma simples falta de disciplina.

✔ Diversos medicamentos contribuíram para a evolução do tratamento, mas apresentavam eficácia limitada ou problemas de segurança.

✔ A verdadeira transformação começou quando a pesquisa voltou sua atenção para hormônios naturalmente produzidos pelo intestino: as incretinas.

✔ Sempre vale lembrar e enfatizar que os medicamente jamais substituem as mudanças comportamentais, um estilo de vida saudável.

Na Parte II, conheceremos os hormônios GLP-1 e GIP, entenderemos como nasceram as “canetinhas emagrecedoras” e veremos por que medicamentos como liraglutida, semaglutida, tirzepatida e, futuramente, retatrutida estão mudando a história do tratamento da obesidade.

 

Referências – Parte 1

FOOD AND DRUG ADMINISTRATION (FDA). FDA requests the withdrawal of the weight-loss drug Belviq (lorcaserin) from the market. Silver Spring: FDA, 2020.

JAMES, W. P. T. et al. Effect of sibutramine on cardiovascular outcomes in overweight and obese subjects. New England Journal of Medicine, Boston, v. 363, n. 10, p. 905–917, 2010.

RUBINO, D. et al. (em nome das principais sociedades internacionais de obesidade). Definition and diagnostic criteria of clinical obesity. The Lancet Diabetes & Endocrinology, 2025.

YANOVSKI, S. Z.; YANOVSKI, J. A. Long-term drug treatment for obesity: a systematic and clinical review. JAMA, Chicago, v. 311, n. 1, p. 74–86, 2014.

WEINTRAUB, M. Long-term weight control study: conclusions. Clinical Pharmacology & Therapeutics, v. 51, n. 5, p. 642–646, 1992.

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