O Eixo Intestino–Pele (Gut–Skin Axis): Como Alimentação, Emoções e Estilo de Vida Conversam com a Sua Pele

Durante muito tempo, a medicina observou a pele quase como um órgão isolado. Acne era tratada apenas com cremes. Rosácea parecia um problema puramente cutâneo. Dermatites eram vistas sobretudo como doenças locais. No entanto, a ciência moderna vem revelando algo muito mais complexo e fascinante: a pele conversa intensamente com o intestino, o sistema imunológico, o cérebro e até com o estilo de vida.

Esse conceito ficou conhecido como eixo intestino–pele, ou gut–skin axis.

Em termos simples, trata-se de uma comunicação bidirecional entre microbiota intestinal, sistema imunológico, metabolismo, inflamação e saúde cutânea. O que acontece no intestino pode repercutir na pele — e vice-versa.

Hoje sabemos que alterações da microbiota intestinal, inflamação crônica de baixo grau, alimentação ultraprocessada, privação de sono, estresse emocional e sedentarismo podem afetar significativamente doenças como acne, psoríase, rosácea, dermatite atópica e envelhecimento cutâneo precoce.


O Que é a Microbiota?

O intestino humano abriga trilhões de microrganismos — bactérias, fungos, vírus e arqueias — formando um ecossistema extremamente complexo chamado microbiota intestinal.

Longe de serem apenas “germes”, muitos desses microrganismos exercem funções essenciais:

  • ajudam na digestão;
  • produzem vitaminas;
  • participam do metabolismo;
  • modulam o sistema imunológico;
  • produzem neurotransmissores e metabólitos anti-inflamatórios;
  • influenciam o humor e o cérebro.

Uma microbiota equilibrada tende a favorecer um ambiente anti-inflamatório. Já desequilíbrios, conhecidos como disbiose intestinal, podem contribuir para aumento da permeabilidade intestinal, ativação imune inadequada e inflamação sistêmica.

E a pele frequentemente “reflete” esse cenário interno.


A Ciência Moderna do Eixo Intestino–Pele

Um interessante conjunto de revisões sistemáticas publicadas nos últimos anos reforçou que pacientes com acne, rosácea e psoríase frequentemente apresentam alterações específicas da microbiota intestinal quando comparados a controles saudáveis (Zhang et al., 2024).

Outro dado impressionante surgiu de estudos envolvendo psoríase. Uma metanálise publicada no Journal of the American Academy of Dermatology demonstrou associação consistente entre disbiose intestinal e maior atividade inflamatória sistêmica nesses pacientes (Ding et al., 2023).

Mais recentemente, uma revisão publicada no The Lancet Gastroenterology & Hepatology destacou que metabólitos produzidos pela microbiota — especialmente ácidos graxos de cadeia curta como butirato — exercem importante efeito anti-inflamatório tanto intestinal quanto cutâneo (Valdes et al., 2024).

Em outras palavras: o intestino pode influenciar diretamente a “temperatura inflamatória” da pele.


A Alimentação Moderna e a Inflamação da Pele

Poucas áreas da medicina mudaram tanto nos últimos anos quanto a nutrição. Hoje existe evidência robusta de que padrões alimentares podem modular inflamação, microbiota e saúde cutânea.

Ultraprocessados e inflamação

Dietas ricas em:

  • açúcar refinado,
  • refrigerantes,
  • farinha branca,
  • fast food,
  • excesso de gorduras trans,
  • emulsificantes industriais,
  • e produtos ultraprocessados

parecem favorecer disbiose intestinal e inflamação sistêmica.

Um grande estudo prospectivo francês com mais de 24 mil participantes encontrou associação significativa entre maior consumo de ultraprocessados e aumento do risco de sintomas depressivos e inflamatórios (Adjibade et al., 2019). Embora o foco principal não fosse pele, mecanismos inflamatórios semelhantes parecem participar do eixo intestino–pele.

Já um estudo publicado no JAMA Dermatology mostrou associação entre dietas de alto índice glicêmico e piora da acne inflamatória (Park et al., 2024).

O mecanismo parece envolver:

  • aumento de IGF-1,
  • hiperestimulação sebácea,
  • maior inflamação,
  • alterações hormonais,
  • e desequilíbrio microbiológico.

Açúcar, Insulina e Acne

A relação entre dieta e acne foi negligenciada durante décadas. Hoje, entretanto, ela é muito mais aceita cientificamente.

Uma metanálise publicada em 2025 no Nutrients concluiu que dietas de alta carga glicêmica estão consistentemente associadas à piora da acne inflamatória (Reynolds et al., 2025).

Picos frequentes de glicose e insulina parecem estimular:

  • produção sebácea;
  • proliferação de queratinócitos;
  • inflamação;
  • atividade hormonal androgênica.

Isso ajuda a explicar por que alguns pacientes percebem piora importante após excesso de doces, refrigerantes ou farinhas refinadas.


O Papel das Fibras e dos Alimentos Naturais

Enquanto ultraprocessados parecem alimentar inflamação, alimentos naturais tendem a favorecer uma microbiota mais saudável.

Fibras alimentares presentes em:

  • vegetais,
  • frutas,
  • leguminosas,
  • sementes,
  • aveia,
  • e alimentos minimamente processados

funcionam como “combustível” para bactérias benéficas.

Essas bactérias produzem substâncias anti-inflamatórias importantes, especialmente o butirato.

Uma revisão publicada em 2024 no Gut Microbes reforçou que maior diversidade alimentar está associada a maior diversidade microbiana — um marcador importante de saúde intestinal e imunológica (Wilson et al., 2024).


Probióticos Funcionam?

Essa é uma pergunta frequente.

A resposta científica mais honesta hoje é: “em alguns casos, possivelmente sim”.

Uma metanálise envolvendo pacientes com acne demonstrou melhora modesta com determinadas cepas probióticas, principalmente quando associadas ao tratamento convencional (Lee et al., 2024).

Já em dermatite atópica, algumas revisões sistemáticas sugerem benefício discreto, especialmente em crianças (Kim et al., 2023).

Porém:

  • os resultados ainda são heterogêneos;
  • diferentes cepas têm efeitos distintos;
  • e ainda não existe um “probiótico universal” para pele.

A área é promissora, mas ainda em evolução.


O Intestino “Vaza”? O Debate Sobre Permeabilidade Intestinal

O termo “intestino permeável” ganhou enorme popularidade, muitas vezes de maneira exagerada. Entretanto, a medicina reconhece que aumento da permeabilidade intestinal realmente pode ocorrer em determinadas situações.

Quando a barreira intestinal fica comprometida:

  • fragmentos bacterianos,
  • endotoxinas,
  • e mediadores inflamatórios

podem alcançar a circulação, ativando respostas imunes sistêmicas.

Esse fenômeno parece participar de doenças inflamatórias crônicas, incluindo algumas dermatológicas.

Uma revisão publicada no Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology destacou que alterações da barreira intestinal podem contribuir para doenças inflamatórias extraintestinais, inclusive manifestações cutâneas (Camilleri et al., 2024).


Emoções, Estresse e Pele: A Neuroinflamação Cutânea

Talvez um dos aspectos mais fascinantes do eixo intestino–pele seja a ligação entre emoções e saúde cutânea.

A pele e o sistema nervoso possuem íntima relação embriológica e imunológica. Não por acaso:

  • ansiedade pode piorar acne;
  • estresse pode desencadear psoríase;
  • privação de sono agrava dermatites;
  • sofrimento emocional frequentemente piora coceira, rosácea e inflamação.

Um estudo publicado no JAMA Psychiatry mostrou associação importante entre inflamação sistêmica, depressão e alterações imunológicas mediadas pelo eixo intestino-cérebro (Miller & Raison, 2023).

O estresse crônico aumenta:

  • cortisol;
  • catecolaminas;
  • inflamação;
  • permeabilidade intestinal;
  • e desregulação imunológica.

Tudo isso repercute também na pele.


Sono Ruim Também Aparece na Pele

Dormir mal não afeta apenas disposição mental. A pele também sofre.

Um interessante estudo clínico publicado no Clinical and Experimental Dermatology demonstrou que indivíduos privados cronicamente de sono apresentavam:

  • pior função de barreira cutânea;
  • recuperação mais lenta da pele;
  • maior perda de água transepidérmica;
  • e sinais mais precoces de envelhecimento (Oyetakin-White et al., 2015).

O sono é um dos principais reguladores de:

  • reparo tecidual;
  • imunidade;
  • controle hormonal;
  • e inflamação.

Exercício Físico e Microbiota

Atividade física moderada parece beneficiar tanto intestino quanto pele.

Uma revisão sistemática publicada no Sports Medicine demonstrou que exercício regular aumenta diversidade microbiana intestinal e reduz marcadores inflamatórios sistêmicos (Karl et al., 2024).

Além disso:

  • melhora circulação;
  • favorece sensibilidade à insulina;
  • reduz estresse;
  • melhora sono;
  • e modula resposta imunológica.

Tudo isso pode impactar positivamente o eixo intestino–pele.


Álcool, Tabaco e Pele

Poucos hábitos envelhecem tanto a pele quanto tabagismo e excesso de álcool.

O cigarro:

  • aumenta estresse oxidativo;
  • reduz circulação;
  • degrada colágeno;
  • e favorece inflamação.

Já o álcool em excesso:

  • altera microbiota;
  • aumenta permeabilidade intestinal;
  • desidrata;
  • e intensifica processos inflamatórios.

Uma grande revisão publicada no The Lancet reforçou os múltiplos impactos sistêmicos do álcool sobre inflamação e microbiota intestinal (Shield et al., 2024).


Psoríase: Muito Além da Pele

Talvez nenhuma doença demonstre tão bem o conceito de inflamação sistêmica quanto a psoríase.

Hoje sabemos que pacientes com psoríase possuem maior risco de:

  • síndrome metabólica;
  • obesidade;
  • resistência à insulina;
  • depressão;
  • ansiedade;
  • doença cardiovascular.

Uma importante revisão publicada no New England Journal of Medicine destacou que a psoríase deve ser entendida como doença imunometabólica sistêmica — e não apenas dermatológica (Griffiths et al., 2024).

Isso ajuda a explicar por que:

  • alimentação;
  • peso corporal;
  • sono;
  • exercício;
  • e saúde emocional

podem influenciar tanto a evolução clínica.


Rosácea e o Intestino

A rosácea talvez seja uma das doenças mais diretamente associadas ao eixo intestino–pele.

Estudos encontraram associação entre rosácea e:

  • supercrescimento bacteriano intestinal;
  • disbiose;
  • gastrite por Helicobacter pylori;
  • e doenças intestinais inflamatórias.

Uma revisão sistemática publicada em 2025 no Dermatology and Therapy reforçou que intervenções intestinais podem beneficiar subgrupos de pacientes com rosácea (Fernandes et al., 2025).


O Futuro: Medicina Baseada em Evidências Integrativas

O conceito de eixo intestino–pele não significa abandonar dermatologia tradicional nem substituir tratamentos médicos por “dietas milagrosas”.

Na verdade, a tendência moderna é justamente integrar:

  • dermatologia;
  • nutrição;
  • psiquiatria;
  • medicina do estilo de vida;
  • gastroenterologia;
  • e saúde mental.

A pele parece funcionar quase como um “espelho biológico” do organismo.

E talvez uma das maiores lições da ciência recente seja esta:
o que fazemos diariamente — comer, dormir, movimentar-se, lidar com emoções, respirar, desacelerar — conversa silenciosamente com nossa biologia.

Inclusive com a pele.


Considerações Finais

A saúde da pele vai muito além dos cosméticos e tratamentos tópicos. Cada vez mais, a medicina reconhece que alimentação, microbiota intestinal, qualidade do sono, manejo do estresse e estilo de vida exercem papel profundo sobre inflamação e equilíbrio imunológico.

Embora ainda existam muitas perguntas em aberto, o eixo intestino–pele já representa uma das áreas mais fascinantes e promissoras da medicina contemporânea.

Talvez o futuro da dermatologia seja menos focado apenas em “combater lesões” e mais em compreender o organismo como um sistema integrado.

A pele, afinal, pode ser uma janela visível daquilo que acontece silenciosamente dentro de nós.


Referências

ADJIBADE, M. et al. Prospective association between ultra-processed food consumption and incident depressive symptoms. BMC Medicine, 2019.

CAMILLERI, M. et al. Intestinal barrier function and disease. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, 2024.

DING, X. et al. Gut microbiota and psoriasis: systematic review and meta-analysis. Journal of the American Academy of Dermatology, 2023.

FERNANDES, L. et al. Gut-skin axis in rosacea: systematic review. Dermatology and Therapy, 2025.

GRIFFITHS, C. et al. Psoriasis. New England Journal of Medicine, 2024.

KARL, J. et al. Exercise and gut microbiota: systematic review. Sports Medicine, 2024.

KIM, J. et al. Probiotics in atopic dermatitis: systematic review. Allergy, 2023.

LEE, Y. et al. Probiotics and acne vulgaris: meta-analysis. Journal of Cosmetic Dermatology, 2024.

MILLER, A.; RAISON, C. Inflammation and depression. JAMA Psychiatry, 2023.

OYETAKIN-WHITE, P. et al. Does poor sleep quality affect skin ageing? Clinical and Experimental Dermatology, 2015.

PARK, S. et al. High glycemic diet and acne severity. JAMA Dermatology, 2024.

REYNOLDS, T. et al. Dietary glycemic load and acne vulgaris: meta-analysis. Nutrients, 2025.

SHIELD, K. et al. Alcohol and systemic inflammation. The Lancet, 2024.

VALDES, A. et al. Gut microbiota and systemic inflammation. The Lancet Gastroenterology & Hepatology, 2024.

WILSON, A. et al. Dietary diversity and gut microbiome. Gut Microbes, 2024.

ZHANG, Y. et al. Gut microbiota alterations in inflammatory skin diseases. Frontiers in Immunology, 2024.

A “MEDICINA FAST HEALTHY”

 

Dra Jacy M. Alves, Médica da Lapinha, especialista em Endocrinologia e Metabologia

A Medicina não é uma ciência exata – isso todos sabem. As verdades podem ser transitórias. Mas vemos cada vez mais pessoas, principalmente as mais abastadas, procurando uma “Medicina Fast Healthy”, onde no anseio de terem vitalidade, função sexual compatível com atores de filmes adultos, a juventude eterna, o não sofrimento a qualquer custo, engolem diariamente pílulas “mágicas” ou compostos injetáveis (muitas vezes pagam uma verdadeira fortuna por isso) que prometem ser a cura para a sua insatisfação com a vida e seus propósitos. Existe certo ou errado? Sinceramente acredito que cada pessoa escolhe seus caminhos e tem autonomia, portanto, talvez essa dicotomia entre certo ou errado não seja a maneira mais correta de expressão, sendo que existem apenas escolhas diferentes, mas uma vez definindo o rumo é preciso aceitar as possíveis consequências.

 

A busca eterna do ser humano pela longevidade é justa?

Claro, afinal a grande maioria das pessoas não pensa muito sobre a finitude da vida, apesar de todos saberem da sua existência. Durante a era renascentista essa busca se limitava ao desejo de forma milagrosas de rejuvenescimento, como o banho na fonte da juventude. Houve uma guinada científica em 1889 com a publicação das auto-experiências de Brown-Séquart com extrato de testículos de animais, o que aparentemente melhorou sua vitalidade, força física e cognição. Este extrato, comercializado como o “Elixir da Vida”, foi vendido por décadas na Europa e América do Norte. No entanto, a replicação dos experimentos de Brown-Séquart demonstrou que tal extrato apresentava apenas concentrações homeopáticas de testosterona, insuficientes para exercer qualquer efeito biológico. Assim, o nascimento da Andrologia começou com um efeito placebo. Nas últimas décadas, a busca por compostos que possam a levar ao rejuvenescimento ganhou força, com a testosterona em primeiro plano. O diagnóstico de hipogonadismo masculino requer a presença de sintomas clínicos como libido baixa, disfunção erétil e fadiga, além da dosagem de testosterona realizada no mínimo em duas ocasiões no período da manhã, na ausência de doenças agudas ou graves. Embora as diretrizes de prática clínica das principais Sociedades Médicas do mundo defendam o tratamento com testosterona em homens com hipogonadismo orgânico, a testosterona continua a ser comercializada com uma droga maravilhosa com efeitos rejuvenescedores na função sexual, vitalidade e uma séries de outros supostos benefícios, não comprovados. Além disso, a epidemia crescente de obesidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, condições que sabidamente podem associadas a menores níveis de testosterona, trouxe mais uma vez esse hormônio para o palco de discussões e centro de atenção. Embora o número de prescrições de testosterona tenha aumentado de forma avassaladora nas últimas duas décadas, estudos clínicos randomizados cuidadosamente conduzidos sugerem benefícios apenas modestos com o tratamento e em casos de hipogonadismo funcional, como muitas vezes ocorre na obesidade, diabetes tipo 2, essa alteração pode ser revertida tratando as doenças de base e com a mudança de estilo de vida, sem necessidade da reposição de testosterona, numa boa parte dos casos. Em relação à prescrição da testosterona, quando necessária, nos casos de hipogonadismo orgânico, permanecem as preocupações com a segurança, principalmente em homens idosos.

 

Nas mulheres, o abuso do uso de testosterona é ainda mais preocupante…

A situação onde esse hormônio poderia ser indicado seria o Transtorno do Interesse/Excitação Sexual Feminino. E vemos hoje a prescrição desse hormônio sem critérios e muitas vezes sem nenhuma indicação, para fins puramente estéticos, para aumentar a libido ou como uma “nova” forma de terapia hormonal da menopausa, em que muitas vezes não há sequer o uso adequado do estrogênio e progesterona (progesterona para mulheres que possuem útero, pois nas mulheres submetidas à histerectomia o uso de estrogênio não precisa ser acompanhado pelo uso de progesterona). A sexualidade feminina é complexa e não somente relacionada a hormônios como a testosterona. Fatores psicossociais como cultura, crenças religiosas, autoestima, depressão, traumas sexuais como abuso, tipo de relacionamento afetivo, estilo de vida, estresse, doenças e o uso de medicamentos influenciam a sexualidade feminina. O diagnóstico de perda do interesse nas relações sexuais e/ou falta de excitação se baseia na Classificação do DSM 5 e requer critérios bem específicos e precisam estar presentes no mínimo por 6 meses e devem causar angústia à paciente. O diagnóstico desta síndrome, o Transtorno do Interesse/ Excitação Sexual Femininoé realizado com base em critérios exclusivamente clínicos. A dosagem de testosterona não está indicada para o diagnóstico do Transtorno do Interesse/ Excitação Sexual Feminino, nem para avaliação de baixa função ovariana ou adrenal porque o método de dosagem utilizado mundialmente só permite discriminar o excesso de produção de testosterona, como para o diagnóstico de tumores e/ou outras doenças que levam a acne, hirsutismo e virilização. Testosterona total e sobretudo livre só devem ser dosadas na avaliação de hiperandrogenismo. Vale lembrar que no Brasil não existe testosterona para mulher que seja aprovada por órgãos de vigilância sanitária (ANVISA). Mundialmente, não é recomendado o uso de formulações masculinas para mulheres. O uso de Testosterona por mulheres, sem indicação e com medicamentos inadequados, pode levar a efeitos a curto e a longo prazo, dose-dependentes como acne, excesso de pelos, queda de cabelo, aumento do risco cardiovascular, engrossamento da voz, aumento do clitóris, além de dependência psicológica como depressão após a retirada, transtorno da imagem corporal (dismorfofobia, vigorexia) e transtornos alimentares (ortorexia). Essa é a informação que temos até hoje, com maior robustez de evidências, mas claro, cada um continua tendo o livre arbítrio para escolher os seus caminhos.

 

Em homens, a testosterona também não deve ser usada para libido baixa e depressão sem o diagnóstico de hipogonadismo.

O uso de testosterona para ganho de massa muscular é considerado doping em atletas profissionais e ilegal em amadores. Pode levar a efeitos adversos graves e irreversíveis como: aumento do coração e morte súbita, infertilidade, ginecomastia, problemas de fígado, policitemia e risco aumentado de trombose, edema, retenção urinária para pessoas com hipertrofia prostática, distúrbio do sono, supressão transitória ou definitiva da função testicular com parada da produção de testosterona endógena e necessidade de reposição de testosterona em longo prazo.

Você quer ter uma vida com maior bem-estar, sem limitações e mais saudável? O básico segue funcionando: alimentar-se de maneira saudável, praticar exercício físico regularmente, prezar pelo sono de qualidade, gerenciar o estresse, manter relacionamentos/conexões sociais saudáveis, não fumar e consumir bebida alcoólica com moderação, além de praticar a espiritualidade, de alguma forma, fazendo o bem.

 

ENGLISH

 

“FAST HEALTHY MEDICINE”

 

Dr. Jacy M. Alves, Lapinha, specialist in Endocrinology

 

Medicine is not an exact science – everyone knows that. Truths can be temporary. But we see more and more people, especially the wealthiest, looking for a “Fast Healthy Medicine”, where in the desire to have vitality, sexual function compatible with adult film actors, eternal youth, and not to suffer at any cost, they swallow “magic” pills or injectable compounds every day (often paying a fortune for this) that promise to be the cure for their dissatisfaction with life and their goals. Is there right or wrong? I sincerely believe that each person chooses their own path and has autonomy, therefore, perhaps this dichotomy between right and wrong is not the most correct way of expressing it, since there are only different choices, but once the path is defined, it is necessary to accept the possible consequences.

 

Is the eternal search of human beings for longevity fair?

 

Of course, after all, the vast majority of people do not think much about the finiteness of life, despite everyone knowing about its existence. During the Renaissance era, this search was limited to the desire for miraculous forms of rejuvenation, such as bathing in the fountain of youth. There was a scientific shift in 1889 with the publication of Brown-Séquart’s self-experiments with animal testicle extract, which apparently improved his vitality, physical strength and cognition. This extract, marketed as the “Elixir of Life”, was sold for decades in Europe and North America. However, replication of Brown-Séquart’s experiments demonstrated that this extract only presented homeopathic concentrations of testosterone, insufficient to exert any biological effect. Thus, the birth of Andrology began with a placebo effect. In recent decades, the search for compounds that could lead to rejuvenation has gained momentum, with testosterone at the forefront. The diagnosis of male hypogonadism requires the presence of clinical symptoms such as low libido, erectile dysfunction and fatigue, in addition to testosterone levels measured at least twice in the morning, in the absence of acute or serious illnesses. Although clinical practice guidelines from the world’s leading medical societies advocate testosterone treatment in men with organic hypogonadism, testosterone continues to be marketed as a wonder drug with rejuvenating effects on sexual function, vitality and a host of other unproven supposed benefits. In addition, the growing epidemic of obesity, type 2 diabetes and metabolic syndrome, conditions that are known to be associated with low testosterone levels, has once again brought this hormone into the spotlight and into the spotlight. Although the number of testosterone prescriptions has increased dramatically over the past two decades, carefully conducted randomized clinical trials suggest only modest benefits from treatment, and in cases of functional hypogonadism, as often occurs in obesity and type 2 diabetes, this change can be reversed by treating the underlying diseases and changing lifestyle, without the need for testosterone replacement in most cases. Regarding the prescription of testosterone, when necessary, in cases of organic hypogonadism, concerns about safety remain, especially in elderly men.

 

In women, the abuse of testosterone is even more worrying…

 

The situation where this hormone could be indicated would be Female Sexual Interest/Arousal Disorder. And today we see the prescription of this hormone without criteria and often without any indication, for purely aesthetic purposes, to increase libido or as a “new” form of hormone therapy for menopause, in which there is often not even adequate use of estrogen and progesterone (progesterone for women who have a uterus, since in women who have undergone hysterectomy the use of estrogen does not need to be accompanied by the use of progesterone). Female sexuality is complex and not only related to hormones like testosterone. Psychosocial factors such as culture, religious beliefs, self-esteem, depression, sexual traumas like abuse, type of emotional relationship, lifestyle, stress, diseases and the use of medications influence female sexuality. The diagnosis of loss of interest in sexual relations and/or lack of arousal is based on the DSM 5 classification and requires very specific criteria that must be present for at least 6 months and must cause distress to the patient. The diagnosis of this syndrome, Female Sexual Interest/Arousal Disorder, is made based exclusively on clinical criteria. Testosterone levels are not indicated for the diagnosis of Female Sexual Interest/Arousal Disorder, nor for the evaluation of low ovarian or adrenal function because the measurement method used worldwide only allows the discrimination of excess testosterone production, as for the diagnosis of tumors and/or other diseases that lead to acne, hirsutism and virilization. Total and especially free testosterone should only be measured in the evaluation of hyperandrogenism. It is worth remembering that in Brazil there is no testosterone for women that is approved by health surveillance agencies (ANVISA). Worldwide, the use of male formulations for women is not recommended. The use of testosterone by women, without indication and with inappropriate medications, can lead to short- and long-term, dose-dependent effects such as acne, excess hair, hair loss, increased cardiovascular risk, deepening of the voice, enlargement of the clitoris, as well as psychological dependence such as depression after withdrawal, body image disorder (dysmorphophobia, vigorexia) and eating disorders (orthorexia). This is the information we have to date, with greater robustness of evidence, but of course, each person continues to have free will to choose their own path.

 

In men, testosterone should also not be used for low libido and depression without a diagnosis of hypogonadism.

 

The use of testosterone to gain muscle mass is considered doping in professional athletes and illegal in amateurs. It can lead to serious and irreversible adverse effects such as: heart enlargement and sudden death, infertility, gynecomastia, liver problems, polycythemia and increased risk of thrombosis, edema, urinary retention for people with prostatic hypertrophy, sleep disorders, temporary or permanent suppression of testicular function with cessation of endogenous testosterone production and the need for long-term testosterone replacement.

Do you want to have a life with greater well-being, without limitations and healthier? The basics still work: eat healthily, exercise regularly, value quality sleep, manage stress, maintain healthy relationships/social connections, do not smoke and consume alcohol in moderation, in addition to practicing spirituality, in some way, doing good.

 

Receba nosso conteúdo

Tenha acesso em primeira mão às nossas novidades e programações especiais

A Lapinha se compromete em proteger e respeitar sua privacidade. Usaremos suas informações pessoais apenas para administrar sua conta e fornecer os produtos e serviços que você nos solicitou. Ocasionalmente, gostaríamos de entrar em contato sobre nossas ofertas, bem como sobre outros conteúdos que possam ser de seu interesse. Você pode optar por desinscrever-se de nosso mailing a qualquer momento.

Lar Lapeano de Saúde LTDA - CNPJ 75.189.597/0001-63. Todos os direitos reservados.