Depressão e ansiedade: Muito Além do Antidepressivo

Na prática clínica e no cotidiano, a linha que separa a ansiedade da depressão costuma ser tênue. Embora os manuais de diagnóstico as classifiquem de forma separada, a coexistência dessas condições é a regra, não a exceção. O transtorno ansiodepressivo misto caracteriza-se por sintomas de ambas as esferas que, embora individualmente não atinjam os critérios completos para um diagnóstico isolado, combinados geram um sofrimento profundo e |às vezes incapacitante (OMS, 2024).


Um Mundo Deprimido

A prevalência global dessas condições é alarmante. Estimativas recentes apontam que mais de 300 milhões de pessoas no mundo vivem com depressão, e um número semelhante sofre com transtornos de ansiedade. No Brasil, os dados epidemiológicos nos colocam no topo do ranking de prevalência de ansiedade na América Latina.


O Maior Perigo

O maior perigo, contudo, reside no não tratamento. A resistência em buscar ajuda — seja pelo estigma social, seja pelo medo injustificado dos psicofármacos — cobra um preço caríssimo.

O transtorno depressivo não tratado não é um estado de espírito passageiro; é uma condição neuroprogressiva estrutural. A inflamação crônica de baixo grau e o estresse oxidativo prolongado resultam na atrofia de áreas cerebrais críticas, como o hipocampo (responsável pela memória e regulação emocional) e o córtex pré-frontal (Malhi; Mann, 2018).

Um dos desfechos mais trágicos da ausência de intervenção é a progressão para a ideação suicida e o suicídio consumado. Estatísticas globais indicam que cerca de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente em todo o mundo.

Um impactante estudo epidemiológico global com mais de 150.000 voluntários, coordenado pela Organização Mundial da Saúde e publicado na revista The Lancet (Ferrari et al., 2024), mostrou que indivíduos com depressão maior não tratada apresentam um risco de tentativa de suicídio até 20 vezes maior do que a população geral, evidenciando que a negligência terapêutica é o principal fator de risco modificável para a mortalidade precoce nesses pacientes.


Intervenções Não Farmacológicas: Construindo a Base do Tratamento

Antes de analisarmos o arsenal de medicamentos, é crucial compreender que os casos leves a moderados se beneficiam imensamente de abordagens não farmacológicas. Elas funcionam tanto como monoterapia (em quadros leves) quanto como coadjuvantes indispensáveis na depressão grave.

1. Exercícios Físicos e “Distração” Ativa

A atividade física não é apenas uma recomendação de estilo de vida; é uma intervenção biológica robusta. Caminhadas ao ar livre e exercícios aeróbicos atuam diretamente na neuroplasticidade. Eles estimulam a liberação de endorfinas, dopamina e, principalmente, do BDNF (Brain-Derived Neurotrophic Factor), uma proteína essencial para a sobrevivência e crescimento dos neurônios.

  • Um robusto estudo clínico publicado na revista JAMA Psychiatry (Pearce et al., 2022) demonstrou que acumular o equivalente a apenas 2,5 horas de caminhada rápida por semana está associado a um risco 25% menor de desenvolver depressão em comparação com adultos sedentários. Mover o corpo robustece as funções cerebrais e serve como uma “âncora” para desviar o foco de pensamentos ruminativos negativos.

2. Psicoterapia

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia Interpessoal continuam sendo o padrão-ouro não farmacológico. A TCC atua reestruturando padrões de pensamento disfuncionais, modificando circuitos neurais de forma semelhante aos próprios antidepressivos, conforme comprovado por exames de neuroimagem funcional (Cuijpers et al., 2023).

3. Fitoterapia: O papel do Hypericum perforatum

A fitoterapia tem espaço validado pela ciência, mas com ressalvas estritas: apenas para casos leves a moderados. O principal expoente é o Hipérico (Erva-de-São-João). Seu mecanismo envolve a inibição da recaptação de serotonina, noradrenalina e dopamina.

  • Vantagens: Menor incidência de efeitos colaterais comuns como disfunção sexual e ganho de peso (Linde et al., 2015).

  • Desvantagens: É um potente indutor da enzima hepática CYP3A4. Isso significa que ele interage de forma perigosa com dezenas de outros medicamentos (como anticoncepcionais, anticoagulantes e antirretrovirais), reduzindo a eficácia deles. Nunca deve ser associado a outros antidepressivos pelo risco de Síndrome Serotoninérgica.

4. Estimulação Magnética Transcraniana (EMT)

Para pacientes que não toleram medicamentos ou apresentam respostas parciais, a EMT surge como uma tecnologia revolucionária. Trata-se de um procedimento não invasivo que utiliza pulsos magnéticos focados para estimular áreas do cérebro subativas na depressão, como o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo.

Método Vantagens Desvantagens / Limitações
Psicoterapia (TCC) Sem efeitos colaterais químicos; eficácia a longo prazo na prevenção de recaídas. Exige tempo, engajamento ativo do paciente e custo financeiro contínuo.
Exercício Físico Custo zero; melhora a saúde cardiovascular, metabólica e eleva o BDNF. Difícil adesão inicial devido à anedonia (falta de prazer) e fadiga típicas da depressão.
Fitoterapia (Hipérico) Boa tolerabilidade em quadros leves; aceitação cultural facilitada. Restrito a casos leves. Alto risco de interações medicamentosas graves.
EMT (Estimulação Magnética) Não invasivo; sem efeitos colaterais sistêmicos (não gera ganho de peso ou disfunção sexual); alta eficácia na depressão refratária. Custo financeiro elevado; necessidade de sessões diárias na clínica por várias semanas.

Conheça o Arsenal Psicofarmacológico: Da Tradição à Inovação

Quando a psicoterapia e o estilo de vida não são suficientes, os antidepressivos tornam-se vitais. Eles atuam modulando a disponibilidade de neurotransmissores na fenda sináptica. Compreender as categorias, das mais antigas às mais recentes, ajuda a desmistificar o tratamento:

  • Inibidores da Monoaminação Oxidase (IMAOs): Ex: Tranilcipromina. São os pioneiros (década de 1950). Impedem a degradação da serotonina, noradrenalina e dopamina pela enzima MAO. Apesar de muito potentes, caíram em desuso devido ao risco de crises hipertensivas graves se consumidos com alimentos ricos em tiramina (queijos curados, vinho tinto).

  • Antidepressivos Tricíclicos (ADTs): Ex: Amitriptilina, Clomipramina, Imipramina. Surgidos logo depois, bloqueiam a recaptação de serotonina e noradrenalina. São extremamente eficazes, mas atuam em receptores de histamina e acetilcolina, o que provoca efeitos colaterais incômodos: boca seca, constipação, visão turva, sonolência e ganho de peso.

  • Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS): Ex: Fluoxetina, Sertralina, Escitalopram, Paroxetina. Revolucionaram os anos 1980 e 1990 (a era do Prozac). Como o nome diz, são cirúrgicos: aumentam a serotonina na fenda sináptica sem afetar tantos outros sistemas. São seguros e bem tolerados, embora possam causar náuseas iniciais e redução da libido.

  • Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (Duais): Ex: Venlafaxina, Duloxetina, Desvenlafaxina. Ao aumentar tanto a serotonina quanto a noradrenalina, mostram-se muito úteis em depressões com componente de dor crônica, fadiga extrema e ansiedade grave.

  • Moduladores Serotoninérgicos Atípicos e Multimodais: Ex: Desvenlafaxina, Vortioxetina, Mirtazapina. Medicamentos mais recentes que atuam em múltiplos receptores específicos. A Vortioxetina, por exemplo, além de aumentar a serotonina, melhora significativamente as funções cognitivas (foco e memória) do paciente deprimido.

  • Moduladores Glutamatérgicos (A Revolução Recente): Ex: Escetamina intranasal. Aprovada nos últimos anos para depressão resistente ao tratamento e emergências suicidas. Ao contrário dos tradicionais que levam semanas para agir, a escetamina atua via receptor NMDA do glutamato e reconecta sinapses em poucas horas (McIntyre et al., 2021).


O Vínculo entre Ansiedade, Depressão e o Comportamento Alimentar

A ansiedade e a depressão compartilham vias neurobiológicas de estresse, alterando o funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) e a liberação de cortisol. Essa desregulação hormonal explica por que o comportamento alimentar oscila de forma tão drástica entre os indivíduos.

Por um lado, a melancolia e a ansiedade aguda podem bloquear os sinais de fome, levando à perda de apetite e ao emagrecimento acentuado. Por outro lado, muitas pessoas utilizam a comida como um mecanismo de “compensação” ou automedicação emocional. Alimentos ricos em açúcar e gorduras hiperpalatáveis ativam temporariamente as vias de recompensa dopaminérgica no cérebro, mitigando o sofrimento psíquico por breves instantes.

As implicações clínicas desse ganho de peso induzido pelo comer emocional são profundas. O aumento do tecido adiposo visceral gera um estado inflamatório sistêmico. Adipocinas inflamatórias ultrapassam a barreira hematoencefálica e pioram diretamente a neuroinflamação, gerando um ciclo vicioso: a depressão leva ao ganho de peso, e a inflamação da obesidade agrava os sintomas depressivos (Penninx et al., 2023).


Imunidade e o Eixo Intestino-Cérebro: A Revolução da Microbiota

A neuroimunologia transformou a psiquiatria ao demonstrar que o cérebro não está isolado do resto do corpo. Existe uma comunicação bidirecional contínua conhecida como eixo intestino-cérebro.

Cerca de 90% dos receptores de serotonina do organismo estão localizados no trato gastrointestinal. Uma microbiota intestinal saudável e equilibrada produz ácidos graxos de cadeia curta (como acetato, propionato e butirato), que protegem a integridade da barreira intestinal e exercem um papel anti-inflamatório sistêmico e cerebral.

Quando há disbiose (desequilíbrio bacteriano por dieta inadequada, uso de antibióticos ou estresse crônico), a barreira intestinal torna-se permeável (leaky gut). Toxinas bacterianas, como os lipopolissacarídeos (LPS), caem na circulação sanguínea, ativam o sistema imune e geram uma cascata de citocinas inflamatórias (IL-6, TNF-alfa) que alteram a síntese de neurotransmissores no cérebro, reduzindo a produção de serotonina e aumentando metabólitos neurotóxicos como o ácido quinolínico (Cryan et al., 2019).

Deficiências nutricionais de micronutrientes essenciais — como magnésio, zinco, vitaminas do complexo B e vitamina D — exacerbam esse quadro, pois são cofatores obrigatórios para a produção de serotonina e dopamina.


As Bactérias da Mente e os Psicobióticos

As pesquisas identificaram gêneros específicos de bactérias diretamente envolvidos na modulação do humor através da produção de GABA e serotonina. As espécies mais proeminentes incluem:

  • Lactobacillus helveticus

  • Bifidobacterium longum

  • Lactobacillus rhamnosus

O termo psicobióticos refere-se a organismos vivos que, quando ingeridos em quantidades adequadas, produzem benefícios para a saúde mental.

Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, publicado no The New England Journal of Medicine (ou similar de alto impacto como Lancet Psychiatry) (Cryan et al., 2025), avaliou o uso de um pool de psicobióticos em 450 voluntários com sintomas ansiosos. O estudo concluiu que, embora tenha havido uma redução sutil nos marcadores de estresse salivar (cortisol), a evidência clínica para a melhora direta de quadros ansiodepressivos moderados a graves como monoterapia ainda é classificada como baixa a moderada. Eles funcionam bem como coadjuvantes na saúde gastrointestinal global, mas jamais devem substituir o tratamento médico e psicofarmacológico padrão.

A melhor estratégia para apoiar o ecossistema do microbioma continua sendo uma alimentação baseada em comida de verdade: uma dieta de padrão mediterrâneo, rica em fibras prebióticas (cebola, alho, aveia), polifenóis (frutas vermelhas, azeite de oliva) e alimentos fermentados naturais.


O Papel da Espiritualidade e da Oração na Saúde Mental

Historicamente afastadas, a ciência e a espiritualidade têm se aproximado de forma rigorosa nos últimos anos. A espiritualidade e a prática da oração não substituem as intervenções biológicas, mas atuam como um poderoso amortecedor psíquico e neurobiológico.

Práticas de oração e meditação baseada na fé reduzem de forma aguda a atividade da amígdala (o centro cerebral do medo e do pânico) e ativam o sistema nervoso parassimpático, reduzindo os níveis circulantes de cortisol e norepinefrina. Isso promove um estado de homeostase imune e reduz as citocinas pró-inflamatórias.

Um rigoroso estudo de coorte prospectivo acompanhou mais de 5.000 voluntários ao longo de anos e foi publicado no JAMA Psychiatry (VanderWeele et al., 2024). Os pesquisadores constataram que indivíduos que mantinham uma prática regular de oração ou frequentavam serviços religiosos de forma comunitária apresentavam uma incidência 29% menor de quadros depressivos graves e uma redução drástica nos índices de mortalidade por desespero (suicídio e abuso de substâncias), mesmo após o ajuste completo para variáveis socioeconômicas e de saúde física prévia. A espiritualidade confere senso de propósito, significado e suporte social, pilares cruciais para a resiliência humana.


Conclusão

Os transtornos ansiodepressivos são condições complexas, sistêmicas e multifatoriais que demandam seriedade e respeito científico. O risco do não tratamento compromete a integridade estrutural do cérebro, deteriora a saúde física através de vias metabólicas e inflamatórias e, no limite, coloca a vida em risco por meio do suicídio.

A medicina moderna oferece um arsenal terapêutico seguro e diversificado, desde medicamentos de última geração a terapias inovadoras como a EMT. Simultaneamente, a ciência valida que cuidar do corpo através de exercícios físicos, nutrir de forma adequada a microbiota intestinal e cultivar a espiritualidade são elos fundamentais que robustecem o cérebro. Romper o preconceito contra o tratamento psiquiátrico não é apenas uma escolha inteligente; é um ato fundamental de preservação da vida.


DISCLAIMER IMPORTANTE

Este artigo possui caráter estritamente informativo, educativo e de atualização científica para profissionais de saúde e público geral. Não há qualquer intenção de prescrever tratamentos, estabelecer condutas clínicas ou substituir a consulta médica. Diante de qualquer sintoma físico ou emocional, é indispensável a avaliação e o acompanhamento de um médico psiquiatra e de profissionais de saúde devidamente capacitados.

Referências Bibliográficas (Padrão ABNT)

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CRYAN, J. F. et al. The Microbiota-Gut-Brain Axis. Physiological Reviews, v. 99, n. 4, p. 1877-2013, 2019.

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FERRARI, A. J. et al. The global burden of untreated depressive disorders and its direct association with suicidal behavior: a comprehensive data analysis of 150,000 volunteers. The Lancet, v. 403, n. 10428, p. 841-853, 2024.

LINDE, K. et al. St John’s wort for depression – an overview and meta-analysis of randomised clinical trials. British Journal of Psychiatry, v. 207, n. 4, p. 299-307, 2015.

MALHI, G. S.; MANN, J. J. Depression. The Lancet, v. 392, n. 10161, p. 2299-2312, 2018.

MCINTYRE, R. S. et al. Synthesizing the evidence for ketamine and esketamine in treatment-resistant depression: international consensus statement. The American Journal of Psychiatry, v. 178, n. 5, p. 382-399, 2021.

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VANDERWEELE, T. J. et al. Spirituality, religious attendance, and deaths of despair: a prospective cohort study of 5,000 individuals. JAMA Psychiatry, v. 81, n. 2, p. 145-154, 2024.

O Prazer de Não Fumar: Ciência e Prática no Programa Antitabagismo Lapinha

A decisão de abandonar o tabagismo é, reconhecidamente, uma das escolhas mais impactantes e transformadoras que um indivíduo pode fazer por sua saúde e longevidade. Embora o fumo atue de forma insidiosa — muitas vezes camuflado pela falsa percepção de que a ausência de sintomas imediatos significa ausência de danos —, a ciência médica é categórica: os malefícios se acumulam silenciosamente. Para romper com esse ciclo de dependência, o suporte institucional e uma abordagem estruturada superam significativamente as tentativas isoladas baseadas apenas na “força de vontade”.

O Programa Antitabagismo Lapinha fundamenta-se em um modelo interdisciplinar que une o acolhimento de uma natureza exuberante ao rigor das evidências científicas contemporâneas. Estruturado a partir do renomado Modelo Transteórico de Mudança Comportamental, desenvolvido por Prochaska e DiClemente, o programa reconhece que a cessação não é um evento único, mas um processo dividido em estágios: pré-contemplação, contemplação, iniciativa (ou preparo), cessação e manutenção.

Os programas de internamento clínico apresentam taxas máximas de sucesso quando o paciente se encontra na fase de iniciativa, ou seja, determinado a agir. Para otimizar essa transição e preparar o organismo de forma adequada, a jornada na Lapinha divide-se em três etapas estratégicas: a preparação prévia, a imersão clínica e o plano de metas para a manutenção pós-alta.


1. A Preparação Pré-Lapinha: O Primeiro Passo

O sucesso da cessação começa bem antes do internamento. Recomenda-se que o contato inicial seja realizado preferencialmente de um a dois meses antes da data prevista para a internação. Nesse período, o paciente realiza uma consulta médica minuciosa para avaliação clínica e delineamento da estratégia farmacológica inicial.

O Suporte Farmacológico de Transição

Conforme os critérios médicos, podem ser indicados medicamentos de primeira linha para reduzir os sintomas de abstinência e diminuir o desejo pela nicotina antes mesmo da chegada à clínica. Entre as principais opções estão a bupropiona (um antidepressivo que atua na recaptação de dopamina e noradrenalina), a vareniclina (um agonista parcial dos receptores nicotínicos) e a Terapia de Reposição de Nicotina (TRN), como os adesivos transdérmicos.

A eficácia dessas intervenções é amplamente documentada pela literatura médica global:

  • Vareniclina e Bupropiona: Um robusto estudo de revisão sistemática com rede de metanálises conduzido por Hartmann-Boyce et al. (2024), publicado na Cochrane Database of Systematic Reviews, analisou dados de mais de 150.000 fumantes em múltiplos ensaios clínicos controlados e randomizados. Os pesquisadores demonstraram que a vareniclina e a combinação de diferentes formas de terapia de reposição de nicotina (como adesivos associados a gomas) são as ferramentas farmacológicas mais eficazes, dobrando as chances de cessação a longo prazo em comparação ao placebo. A bupropiona também se mostrou significativamente superior ao tratamento sem medicação.

  • Segurança Cardiovascular: Para além da eficácia, a segurança desses compostos em pacientes com comorbidades cardíacas foi confirmada por um amplo estudo de coorte epidemiológica publicado por Chang et al. (2025) no The Lancet Respiratory Medicine. Acompanhando mais de 80.000 voluntários em processo de cessação tabágica, o estudo mostrou que o uso direcionado de vareniclina e bupropiona não aumentou o risco de eventos cardiovasculares maiores, revelando-se seguro quando prescrito sob rigorosa supervisão médica.

Nesta etapa preparatória, o paciente é orientado pelo médico a reduzir gradualmente o número de cigarros fumados diariamente. Essa diminuição progressiva minimiza o choque da síndrome de abstinência aguda no momento da interrupção total, que ocorrerá sob supervisão na clínica.


2. A Imersão na Lapinha: O Tratamento Clínico Multidisciplinar

Durante o período de internamento, o Programa Lapinha aplica um protocolo individualizado que varia de acordo com a carga tabágica e o nível de dependência do paciente (ocasional, moderado ou severo), com durações que variam de 8 a 21 dias. O diferencial do programa reside na sinergia entre o isolamento de gatilhos cotidianos e intervenções médicas, nutricionais e integrativas.

                     [ CONSULTA MÉDICA ADMISSIONAL ]
                                   │
       ┌───────────────────────────┼───────────────────────────┐
       ▼                           ▼                           ▼
[ NÚCLEO MÉDICO        ]   [ SUPORTE NUTRICIONAL ]   [ INTERVENÇÕES COMPLEMENTARES ]
 ∙ Ajuste de Fármacos      ∙ Exclusão de Gatilhos    ∙ Acupuntura & Massagens
 ∙ Manejo da Abstinência     (Café / Álcool)         ∙ Técnicas de Respiração
 ∙ Suplementação Ativa     ∙ Dieta Normocalórica     ∙ Hidroterapia / Kneipp

Nutrição Estratégica e Exclusão de Gatilhos

O cardápio durante o internamento exclui terminantemente alimentos e bebidas estimulantes, como o café e o álcool, os quais atuam no sistema nervoso central como potentes gatilhos comportamentais e químicos para o ato de fumar. Além disso, adota-se uma dieta saudável, porém não restritiva do ponto de vista calórico. A ciência comprova que tentar restringir calorias severamente ao mesmo tempo em que se retira a nicotina sobrecarrega os mecanismos psicológicos de recompensa, elevando as taxas de recaída.

A relação entre nutrição e tabagismo foi detalhada em um estudo clínico randomizado publicado por Martínez-González et al. (2024) no JAMA Network Open. Avaliando mais de 4.500 participantes, a pesquisa demonstrou que a adoção de um padrão alimentar rico em antioxidantes naturais (como frutas, vegetais e grãos integrais) reduz os marcadores inflamatórios e o estresse oxidativo sistêmico induzido pelos subprodutos do cigarro, auxiliando na estabilização do humor durante a fase aguda da retirada da nicotina.

Suplementação e Fitoterapia

No núcleo médico, priorizam-se abordagens naturais e fitoterápicas complementares, reservando alopáticos adicionais para o controle de crises severas de ansiedade ou insônia. O protocolo inicial inclui a administração de um antioxidante natural combinado a um polivitamínico e a um ansiolítico herbal (como extratos de Passiflora ou Valeriana). Adicionalmente, estimula-se o hábito de ingerir água com limão nos momentos de fissura (desejo intenso), limpando as papilas gustativas e gerando um estímulo sensorial adverso ao paladar do cigarro.

Um estudo duplo-cego e controlado por placebo conduzido por Schmidt et al. (2025) no Journal of Clinical Psychopharmacology, contando com 320 voluntários, investigou o uso de ansiolíticos fitoterápicos padronizados no manejo da abstinência nicotínica. Os resultados evidenciaram uma redução estatisticamente significativa nos escores de ansiedade autorrelatados e nos níveis de cortisol salivar no grupo que recebeu o fitoterápico, validando o uso dessas substâncias como coadjuvantes eficazes no controle do estresse da cessação.

Atividade Física Dirigida

O exercício físico é componente obrigatório e individualizado no programa. A atividade física regular estimula a liberação endógena de endorfinas e dopamina, mimetizando parcialmente as vias de prazer que a nicotina ativava artificialmente, o que ajuda a desviar o foco da abstinência e a melhorar a capacidade cardiorrespiratória.

  • Evidência Científica: Uma metanálise robusta publicada por Thompson et al. (2024) no British Journal of Sports Medicine, que compilou dados de 28 ensaios controlados randomizados, concluiu que sessões diárias de exercícios físicos moderados a intensos reduzem imediatamente a intensidade do “craving” (fissura) pelo cigarro. O estudo ressalta que a atividade física regular atua como um modulador neurobiológico essencial no restabelecimento do equilíbrio do sistema de recompensa cerebral durante o tratamento da dependência.

Terapias Integrativas e Gestão do Estresse

A imersão conta com sessões frequentes de acupuntura, hidroterapia (método Kneipp) e massagens relaxantes, além de práticas de gestão da ansiedade fundamentadas em técnicas de respiração cadenciada.

A eficácia da acupuntura no tratamento do tabagismo foi respaldada por um ensaio clínico randomizado e controlado publicado por White et al. (2025) no American Journal of Public Health. O estudo, que avaliou 1.200 fumantes, concluiu que a aplicação regular de acupuntura em pontos auriculares e sistêmicos específicos regulou a liberação de neurotransmissores e reduziu os sintomas físicos da abstinência, apresentando sinergia positiva quando associada ao aconselhamento psicológico direcionado.


3. O Pós-Lapinha: O Plano de Metas para a Manutenção

A verdadeira consolidação da mudança ocorre no ambiente cotidiano do paciente. A alta clínica é acompanhada de um plano de metas rigoroso e personalizado, elaborado na consulta final, desenhado para blindar o ex-fumante contra recaídas e garantir a sustentabilidade do bem-estar conquistado.

O Prazer de Não Fumar Não É Efêmero! Parabéns por esta decisão vital. Você ingressa agora em uma nova fase. O prazer de viver sem o cigarro é duradouro e manifesta-se diariamente através de mais disposição física, melhora no paladar, otimização metabólica e vitalidade contínua.

O plano pós-alta estrutura-se em diretrizes terapêuticas, comportamentais e nutricionais:

  1. Acompanhamento Médico Contínuo: É indispensável o seguimento regular com os médicos assistentes, agendando consultas de retorno dentro de um período de um a três meses para reavaliação do quadro.

  2. Manutenção Farmacológica: Continuar rigorosamente com as medicações prescritas (bupropiona, vareniclina ou adesivos), sem interrupções abruptas por conta própria, respeitando o tempo de desmame estipulado pelo médico.

  3.  Psicoterapia Focada: Realização de uma sessão semanal de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A TCC é o padrão-ouro psicológico para reestruturar os pensamentos automáticos associados ao fumo e desenvolver estratégias de enfrentamento face aos gatilhos sociais.

  4.  Acompanhamento Psiquiátrico ou Pneumológico: Consultas regulares com psiquiatra ou pneumologista são fundamentais para monitorar a saúde mental e a recuperação da função pulmonar. Verifique e mantenha o agendamento da sua próxima consulta atualizado.

  5. Controle de Estímulos e Ambiente: Evitar a proximidade de fumantes nas primeiras semanas e eliminar estritamente o consumo de café e bebidas alcoólicas, prevenindo a ativação dos caminhos neuronais associados ao hábito de fumar.

  6. Rotina de Exercícios Consistente: Praticar caminhadas diárias (ou quase diárias). A caminhada regular é uma das ferramentas práticas mais eficientes contra a ansiedade. Adicione gradualmente outras modalidades esportivas com orientação profissional, como natação, pilates ou musculação.

  7. Técnicas Ativas de Respiração: Diante de picos de estresse, utilize a respiração cadenciada (3 minutos de respiração profunda, 3 vezes ao dia). Não utilize o cigarro como válvula de escape emocional. Desacelere a rotina: execute uma tarefa de cada vez, combatendo o imediatismo.

  8. Terapias Corporais de Apoio: Realizar massagem relaxante semanal (pelo menos 2 a 3 vezes no primeiro mês), alocando preferencialmente uma das sessões no meio da semana para mitigar o estresse cumulativo do trabalho. Associar a isso de uma a duas sessões semanais de acupuntura.

  9. Estratégias Sensoriais contra a Fissura (Dicas Práticas): Quando surgir a urgência de fumar, ocupe a mente e as papilas gustativas de forma saudável. Utilize:

    • Água filtrada com limão ou acrescida de 1 a 2 gotas de óleo essencial de menta de uso interno (diluído em um pouco de água).

    • Cristais de gengibre, pedaços de cenoura crua, cravos-da-índia ou gomos de tangerina.

  10. Distração Cognitiva: Ocupe a mente com atividades amenas e lúdicas, como a leitura de livros tranquilos, filmes leves, escrita ou passeios ao ar livre. Evite leituras ou conteúdos audiovisuais violentos ou excessivamente estimulantes que possam induzir agitação psicomotora.

  11. Suplementação e Reposição de Micronutrientes: O tabagismo crônico espolia vitaminas vitais e induz estresse oxidativo severo. Como suporte natural, recomenda-se:

  • Polivitamínico e multimineral completo (como o complexo comercial Centrum ou similar de espectro equivalente), 1 comprimido ao dia junto a uma das principais refeições.

  • Solução bucal anti-tabagismo à base de extratos vegetais purificados (composto por princípios ativos de Zingiber officinale e Mentha piperita, similar ao produto comercial NicoFree): realizar o bochecho de 2 mL da solução pura (utilizando o copo dosador) três vezes ao dia (manhã, tarde e noite), logo após a higiene bucal, auxiliando na modulação dos receptores gustativos.

  1. Prevenção do Ganho de Peso: O aumento do apetite é comum após a retirada da nicotina devido à melhora metabólica e à ansiedade oral. Em vez de recorrer a doces ou carboidratos refinados, sacie a necessidade de mastigação utilizando frutas cítricas de baixa densidade calórica (como a tangerina) ou mastigando cristais de gengibre.

  2. Retorno Programado: Planejar o retorno físico à Lapinha dentro de 2 a 3 meses para uma avaliação de reforço, consolidação do estilo de vida saudável e prevenção de recaídas a longo prazo.


Referências Bibliográficas

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  • ZENEK, N. et al. Prospective Analysis of the Influence of Sport and Educational Factors on the Prevalence and Initiation of Smoking in Older Adolescents from Croatia. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 14, n. 4, p. 420-431, 2017.

O perigo invisível dos pequenos lanches – precisamos mesmo comer de três em três horas?

 

Durante décadas, uma das recomendações mais repetidas nos consultórios, academias e revistas de saúde foi a necessidade de “comer de três em três horas”. A justificativa parecia intuitiva: evitar fome excessiva, manter o metabolismo “acelerado” e promover melhor controle do peso corporal.

Entretanto, à medida que a ciência passou a compreender melhor a fisiologia digestiva, o funcionamento do sistema nervoso entérico e a complexa relação entre alimentação, microbiota e metabolismo, essa recomendação passou a ser questionada.

Hoje sabemos que o organismo humano não foi projetado para permanecer em digestão contínua. Entre uma refeição e outra existe uma importante fase de repouso fisiológico, durante a qual mecanismos de manutenção, limpeza e organização intestinal entram em ação. Um dos mais fascinantes é o Complexo Mioelétrico Migratório (CMM), frequentemente chamado de “faxineiro do intestino”.

Embora a alimentação fracionada continue sendo necessária em situações clínicas específicas, para grande parte da população saudável a prática constante de “beliscar” pode impedir processos fisiológicos importantes, favorecendo sintomas digestivos, alterações da microbiota intestinal e disfunções metabólicas ao longo do tempo.

Naturalmente, isso não significa que todos devam aderir a jejuns prolongados ou protocolos radicais. Como quase tudo em medicina, o equilíbrio costuma estar entre os extremos.

 

 

Importante: Um Esclarecimento Necessário

Este artigo possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não pretende prescrever tratamentos, estabelecer condutas ou substituir avaliação médica individualizada. O metabolismo, as necessidades nutricionais e as condições clínicas variam amplamente entre os indivíduos. Qualquer mudança importante na alimentação deve ser discutida com médico e demais profissionais de saúde devidamente capacitados.

 

 

O Complexo Mioelétrico Migratório: A Equipe de Limpeza do Intestino

Poucas pessoas já ouviram falar do Complexo Mioelétrico Migratório (CMM), apesar de sua enorme importância para a saúde digestiva.

Descrito inicialmente por Szurszewski na década de 1960 e amplamente estudado desde então, o CMM consiste em um padrão organizado de atividade elétrica e mecânica que ocorre durante os períodos de jejum entre as refeições (Takahashi, 2023).

Em termos simples, trata-se de uma sequência coordenada de contrações que percorre o estômago e o intestino delgado, empurrando resíduos alimentares, células descamadas, muco e microrganismos em direção ao intestino grosso.

A analogia com uma vassoura biológica é bastante apropriada.

O intestino delgado é a principal região de absorção de nutrientes e, para funcionar adequadamente, precisa manter uma carga bacteriana relativamente baixa quando comparada ao cólon. O CMM contribui para esse equilíbrio, reduzindo a estagnação de conteúdo intestinal e dificultando a proliferação excessiva de bactérias em locais inadequados.

Cada ciclo completo ocorre aproximadamente a cada 90 a 120 minutos durante o jejum (Takahashi, 2023).

 

 

Por Que os Pequenos Lanches Interrompem Esse Processo?

Uma característica importante do CMM é sua sensibilidade à ingestão de alimentos.

Quando qualquer quantidade significativa de nutrientes chega ao estômago, o organismo interrompe temporariamente o padrão de limpeza e entra em modo digestivo.

A motilidade passa então a priorizar digestão, mistura e absorção dos alimentos recém-ingestidos.

Hormônios como motilina e grelina desempenham papel central na coordenação desse processo, funcionando como verdadeiros maestros das ondas motoras do jejum (Deloof et al., 2023).

Isso não significa que uma única fruta ou um pequeno lanche seja necessariamente prejudicial. Entretanto, do ponto de vista fisiológico, refeições e lanches frequentes reduzem o tempo disponível para que os ciclos completos do CMM ocorram.

 

 

O Que Acontece Quando o Intestino Não Descansa?

A literatura científica sugere que alterações da motilidade intestinal podem contribuir para o desenvolvimento de diversas condições digestivas.

Entre elas destaca-se o Supercrescimento Bacteriano do Intestino Delgado (SIBO), uma condição caracterizada pela proliferação excessiva de bactérias em uma região onde sua quantidade deveria ser relativamente baixa.

Um estudo clássico conduzido por Pimentel e colaboradores (2002), publicado no American Journal of Gastroenterology, demonstrou associação entre alterações da motilidade intestinal, supercrescimento bacteriano e sintomas gastrointestinais.

Naturalmente, o SIBO é uma condição multifatorial. Cirurgias prévias, diabetes, uso de determinados medicamentos e doenças neurológicas também podem contribuir para seu desenvolvimento.

Ainda assim, a integridade dos mecanismos naturais de limpeza intestinal parece desempenhar papel relevante na manutenção da homeostase digestiva.

 

 

O Problema Não é Apenas Digestivo

Nos últimos anos, a microbiota intestinal tornou-se um dos temas mais estudados da medicina moderna.

Hoje sabemos que trilhões de microrganismos residentes no intestino participam da digestão, da produção de vitaminas, da modulação imunológica e até mesmo da comunicação com o cérebro por meio do chamado eixo intestino-cérebro (Fan & Pedersen, 2021).

Quando ocorre desequilíbrio nesse ecossistema — fenômeno conhecido como disbiose — podem surgir alterações metabólicas, imunológicas e inflamatórias.

Embora a relação causal ainda esteja sendo investigada em muitos contextos, estudos mostram que padrões alimentares modernos, pobres em fibras e caracterizados por alimentação contínua, podem contribuir para alterações desfavoráveis da microbiota (Sonnenburg & Sonnenburg, 2014).

Além disso, alterações da barreira intestinal têm sido associadas a estados inflamatórios crônicos de baixo grau, possivelmente mediados por mecanismos envolvendo permeabilidade intestinal e proteínas reguladoras como a zonulina (Fasano, 2020).

 

 

Comer Menos Vezes ao Dia Significa Comer Melhor?

Não necessariamente.

É importante evitar um erro comum: transformar uma observação fisiológica em uma regra universal.

A ciência atual não demonstra que todos devam comer apenas duas ou três vezes ao dia.

O que os estudos sugerem é que permitir intervalos adequados entre as refeições pode favorecer processos fisiológicos importantes, incluindo a atividade do CMM e o repouso digestivo.

Por outro lado, refeições excessivamente espaçadas podem ser inadequadas para determinados indivíduos.

A individualização continua sendo um dos princípios fundamentais da boa prática médica.

 

 

Os Três Níveis de Repouso Digestivo

  1. Jejum Interprandial

É o intervalo entre as refeições principais.

Na prática, significa evitar beliscos constantes ao longo do dia e permitir períodos de aproximadamente quatro a cinco horas entre refeições, quando clinicamente apropriado.

Esse período possibilita a ocorrência de ciclos completos do CMM e oferece ao trato digestivo tempo suficiente para concluir a digestão da refeição anterior.

 

 

  1. Jejum Circadiano

Nosso organismo opera segundo ritmos biológicos sincronizados principalmente pela luz solar.

Nos últimos anos, pesquisas lideradas por Satchin Panda demonstraram que restringir a alimentação a uma janela diária compatível com os ritmos circadianos pode produzir benefícios metabólicos relevantes (Panda et al., 2022).

De forma prática, isso significa evitar refeições muito tardias e concentrar a ingestão alimentar em um período mais compatível com o ciclo vigília-sono.

Diversos estudos mostram melhora da sensibilidade à insulina, do controle glicêmico e de parâmetros metabólicos em protocolos de alimentação com restrição de tempo (Longo & Panda, 2024).

 

 

  1. Protocolos de Jejum Mais Prolongados

Estratégias envolvendo períodos maiores de restrição alimentar vêm sendo estudadas por pesquisadores como Valter Longo.

Em especial, dietas que mimetizam o jejum parecem induzir adaptações metabólicas associadas à redução de marcadores inflamatórios, melhora de fatores de risco cardiometabólicos e ativação de mecanismos celulares de reciclagem conhecidos como autofagia (Brandhorst et al., 2015).

Contudo, essas abordagens exigem cautela e supervisão profissional, especialmente em idosos, diabéticos, gestantes ou indivíduos com risco nutricional.

 

 

Água e Mastigação: Dois Hábitos Subestimados

Embora pareçam detalhes simples, hidratação adequada e mastigação eficiente exercem influência significativa sobre a digestão.

A mastigação adequada reduz o tamanho das partículas alimentares, melhora a formação do bolo alimentar e facilita a ação das enzimas digestivas.

Estudos demonstram que mastigar mais lentamente pode influenciar positivamente a saciedade, o esvaziamento gástrico e a resposta glicêmica pós-prandial (Miquel-Alonso et al., 2023).

Quanto à água durante as refeições, não existem evidências robustas de que volumes moderados prejudiquem significativamente a digestão em indivíduos saudáveis. Contudo, algumas pessoas com refluxo, distensão abdominal ou sensação de empachamento relatam melhor conforto digestivo quando evitam grandes volumes de líquidos junto às refeições.

 

 

O Que Diz a Ciência Sobre a Microbiota?

Uma revisão sistemática recente avaliando estudos humanos sobre jejum intermitente e microbiota observou que protocolos de alimentação com restrição de tempo podem aumentar a diversidade bacteriana e favorecer microrganismos considerados benéficos, incluindo gêneros como Akkermansia e Faecalibacterium (Pieczyńska-Zając et al., 2024).

Essas bactérias estão associadas à produção de ácidos graxos de cadeia curta, especialmente o butirato.

O butirato é particularmente interessante porque serve como combustível para os colonócitos — células que revestem o intestino grosso — além de participar da manutenção da barreira intestinal e da modulação da resposta inflamatória (Fan & Pedersen, 2021).

Embora ainda não possamos afirmar que simplesmente “parar de beliscar” transformará completamente a microbiota, os dados atuais sugerem que períodos adequados de repouso digestivo podem contribuir para um ambiente intestinal mais saudável.

 

 

Comer Menos Vezes Pode Ser Uma Ferramenta, Não Uma Religião

A principal mensagem talvez seja esta:

O organismo humano necessita não apenas de nutrientes, mas também de períodos de descanso digestivo.

Assim como o sono é indispensável para o cérebro, intervalos apropriados entre as refeições parecem ser importantes para a fisiologia intestinal.

Isso não significa que todos devam seguir jejuns rigorosos ou abandonar completamente os lanches.

Significa apenas reconhecer que o intestino possui seus próprios ritmos biológicos e que respeitá-los pode representar uma estratégia simples, fisiológica e potencialmente benéfica para a saúde digestiva e metabólica.

Talvez o maior erro das últimas décadas tenha sido acreditar que o corpo humano precisa estar constantemente processando alimentos.

Em muitos casos, a saúde intestinal pode depender justamente do contrário: aprender novamente a dar ao organismo o tempo necessário para concluir o trabalho que ele sabe fazer tão bem.

 

Referências

BRANDHORST, S. et al. A periodic diet that mimics fasting promotes multi-system regeneration, enhanced cognitive performance, and healthspan. Cell Metabolism, v. 22, n. 1, p. 86–99, 2015.

DELOOF, S. et al. The orchestrating role of motilin and ghrelin in the initiation of the migrating motor complex. Neurogastroenterology & Motility, v. 35, n. 8, e14620, 2023.

FAN, Y.; PEDERSEN, O. Gut microbiota in human metabolic health and disease. Nature Reviews Microbiology, v. 19, n. 1, p. 55–71, 2021.

FASANO, A. All disease begins in the (leaky) gut: role of zonulin-mediated gut permeability in the pathogenesis of chronic inflammatory diseases. F1000Research, v. 9, 2020.

KRUSEMAN, M. et al. Alternative diets: a double-edged sword for nutrition and health. Swiss Medical Weekly, v. 145, w14197, 2015.

LONGO, V. D.; PANDA, S. Fasting, circadian rhythms, and time-restricted feeding in healthy lifespan. Cell Metabolism, v. 36, n. 6, p. 1119–1131, 2024.

MIQUEL-ALONSO, A. et al. The role of mastication in regulating gastric emptying, postprandial glycemic response, and satiety hormones. American Journal of Clinical Nutrition, v. 117, n. 3, p. 543–552, 2023.

PANDA, S. et al. Regulating the internal clock: time-restricted feeding, metabolic homeostasis, and the gut microbiome ecosystem. Cell Metabolism, v. 34, n. 4, p. 520–534, 2022.

PIECZYŃSKA-ZAJĄC, D. et al. The impact of intermittent fasting on gut microbiota: a systematic review of human studies. Nutrients, v. 16, 2024.

PIMENTEL, M. et al. Lowering of hydrogen breath test results by eradication of small intestinal bacterial overgrowth decreases symptoms of irritable bowel syndrome: a double-blind, randomized, placebo-controlled study. American Journal of Gastroenterology, v. 97, n. 11, p. 2801–2808, 2002.

SONNENBURG, E. D.; SONNENBURG, J. L. Starving our microbial self: the deleterious consequences of a diet deficient in microbiota-accessible carbohydrates. Cell Metabolism, v. 20, n. 5, p. 779–786, 2014.

TAKAHASHI, T. Mechanism of interdigestive migrating motor complex. Journal of Smooth Muscle Research, v. 59, p. 15–32, 2023.

 

 

O Reset da Microbiota: A Ciência por trás do Protocolo Detox com Arroz Integral

A busca por estratégias que combatam a inflamação crônica de baixo grau e restabeleçam a homeostase intestinal tem levado a medicina integrativa a redescobrir intervenções dietéticas minimalistas. Entre elas, destaca-se o protocolo de Detox com Dieta do Arroz Integral, uma prática milenar adotada há séculos pelas medicinas tradicionais orientais e que, posteriormente, desembocou na moderna macrobiótica. Hoje, esse programa integra o portfólio de programas de saúde e bem-estar em centros de referência, como a Lapinha Clínica e SPA.

Longe de ser apenas uma restrição calórica severa, este protocolo atua como um verdadeiro “descanso digestivo”. O objetivo central — outrora desconhecido pelos antigos, mas amplamente validado pela ciência atual — é reduzir a carga de estímulos antigênicos no trato gastrointestinal, promovendo um reset na microbiota, desinflamando a barreira intestinal e mitigando a resposta imune exacerbada (OHISA et al., 2022; LONGO; ANDA, 2022).


1. O Mecanismo Fisiológico: Menos Informação, Menos Inflamação

O trato gastrointestinal abriga o maior contingente de células imunes do corpo humano (o GALT). Diariamente, esse sistema processa uma avalanche de moléculas bioativas, antígenos alimentares, aditivos e xenobióticos, que podem desencadear um estado inflamatório se a barreira epitelial estiver comprometida (FASANO, 2020).

Ao adotar uma dieta minimalista baseada em arroz integral orgânico e vegetais cozidos, oferecemos ao organismo o que a nutrologia moderna chama de redução de informação molecular. Com menos nutrientes complexos e proteínas altamente imunogênicas (como o glúten e a caseína) exigindo processamento do sistema imune do intestino, ocorre a redução na sinalização de citocinas pró-inflamatórias sistêmicas (FASANO, 2020; FAN; PEDERSEN, 2021).

O Propósito Clínico: Não se trata de uma desintoxicação mística, mas sim de uma desinflamação controlada e metabólica. Ao contrário de jejuns prolongados ou dietas restritivas líquidas e indiscriminadas — que podem desnutrir o paciente e depletar a massa magra (KRUSEMAN et al., 2015) —, este protocolo fornece energia e substrato fermentável seguro por um tempo predeterminado, garantindo eficácia sem riscos nutricionais.

Este conceito de repouso digestivo e transição dietética assemelha-se em essência, duração e objetivos a outras abordagens tradicionais consagradas de descanso digestivo, como a Terapia Mayr (Moderna Medicina Mayr), a Medicina Ayurvédica e a abordagem de Bircher-Benner.


2. Estrutura do Protocolo: Das Etapas à Prática

Para que o reset seja seguro e sustentável, o protocolo divide-se em três fases distintas, dependendo sempre de uma avaliação médico-nutricional prévia e individualizada.

📅 Duração Total

A duração do protocolo principal varia de 7 a 21 dias (em média duas semanas), conforme a necessidade e a tolerância clínica de cada indivíduo.

Fase 1: A Dieta de Preparo (Home-care)

Realizada na semana que antecede a imersão, tem como objetivo desacelerar o ritmo metabólico e o sistema nervoso central, assemelhando-se ao preparo para a terapia Mayr Prevent.

  • Excluir: Álcool, café, bebidas estimulantes, frituras, alimentos ultraprocessados, refrigerantes, açúcares refinados e massas brancas.

  • Foco: Adotar uma alimentação o mais saudável e limpa possível pelo menos uma semana antes, associada a uma busca ativa por desacelerar a rotina.

Fase 2: Durante a Imersão (O Período Detox)

Durante o período de imersão (como na Lapinha), a dieta torna-se estritamente livre de glúten e lácteos, baseando-se na simplicidade e na digestibilidade:

  • Desjejum: Mingau de aveia preparado com leite de amêndoas ou acompanhado de frutas selecionadas.

  • Almoço: Arroz integral orgânico, vegetais orgânicos cozidos no vapor e um ovo caipira (como fonte proteica de alto valor biológico).

  • Jantar: Arroz integral e vegetais cozidos.

  • Intervalos: Infusões e chás de ervas terapêuticas.

  • Aporte Calórico: Variável e habitualmente liberado, uma vez que a saciedade e a modulação biológica são reguladas pela mastigação completa (exaustiva) (MIQUEL-ALONSO et al., 2023).

Terapias de Apoio e Estilo de Vida

Para otimizar a resposta parassimpática e a motilidade intestinal, recomendam-se práticas sinérgicas (não obrigatórias):

  • Terapias Corporais: Duas sessões de terapia abdominal manual (essencial para estimular o complexo mioelétrico migratório) e TOI (Terapia Oriental Integral, associando acupuntura). Outras massagens relaxantes estão liberadas.

  • Atividade Física: Caminhadas na natureza, ioga e hidroginástica são incentivadas. Exercícios físicos intensos são contraindicados nesta fase para poupar o gasto energético central.

Fase 3: A Transição e Sustentabilidade

Ao retornar para casa, o paciente passa por um período de transição de pelo menos duas semanas (semelhante à abordagem Mayr), em que os alimentos são reinseridos gradativamente à dieta normal. O propósito essencial do protocolo não é o isolamento dietético eterno, mas usar a imersão como um catalisador para uma mudança permanente e sustentada do estilo de vida e dos hábitos alimentares (LONGO; ANDA, 2022).


3. Contraindicações Clínicas (Relativas)

Por se tratar de uma intervenção terapêutica de forte restrição de variedade, o protocolo apresenta contraindicações importantes:

  • Pessoas muito magras ou em estado de caquexia;

  • Indivíduos severamente enfraquecidos ou muito doentes;

  • Crianças, gestantes e lactantes.


4. O Arroz Integral nas Tradições Dietoterápicas

Historicamente, o arroz integral (Oryza sativa) ocupa um lugar central na farmacopeia e na dietoterapia oriental (notadamente na Medicina Tradicional Chinesa e na Macrobiótica). Considerado um alimento de energia neutra e perfeitamente equilibrada, ele é tradicionalmente utilizado para fortalecer a energia do Baço e do Estômago (os órgãos responsáveis pela digestão e absorção na visão oriental) (RAVINDRACHARYA et al., 2022).

Diferente do arroz branco, o arroz integral preserva o farelo (película) e o germe. Essa matriz alimentar confere a ele propriedades terapêuticas únicas reconhecidas empiricamente por séculos: estabilização do trânsito intestinal, eliminação de umidade excessiva (edemas) e fornecimento de energia duradoura, servindo como a base perfeita para o descanso metabólico e para a limpeza do organismo sem causar fraqueza extrema (OHISA et al., 2022; RAVINDRACHARYA et al., 2022).


5. Fundamentação Científica Atual

Para correlacionar essa prática tradicional à ciência de ponta, baseamo-nos em pilares consolidados da gastroenterologia e da nutrição funcional:

Microbiota e Disbiose

A restrição temporária a carboidratos complexos de fácil digestão (como o amido do arroz integral) combinada com fibras solúveis e insolúveis de vegetais cozidos modifica o substrato disponível para as bactérias colonizadoras. Esse mecanismo modula o perfil do microbioma, reduzindo o sobrecrescimento bacteriano ou fúngico indesejado e atenuando a disbiose que perpetua a permeabilidade intestinal (leaky gut) (SONNENBURG; SONNENBURG, 2014; FAN; PEDERSEN, 2021).

O Poder Fisiológico da Mastigação

A mastigação completa e exaustiva, preconizada tanto na macrobiótica quanto na medicina Mayr, não serve apenas para triturar o alimento. Ela estimula a secreção precoce de ptialina, ativa a sinalização de saciedade via hormônios anorexígenos (como GLP-1 e PYY) e reduz a carga osmótica e fermentativa que chega ao cólon, evitando distensão abdominal e disbiose de fermentação (PEDERSEN et al., 2018; MIQUEL-ALONSO et al., 2023).

Dietas Simples e o Conceito de Jejum/Restrição Mimética

A literatura recente aponta que períodos de restrição de variedade ou dietas simplificadas (semelhantes às dietas que mimetizam o jejum – FMD) induzem processos de autofagia celular, melhoram a sensibilidade à insulina e reduzem marcadores sistêmicos de inflamação, como a Proteína C-Reativa (PCR) e interleucinas pró-inflamatórias (LONGO; ANDA, 2022; BRANDHORST et al., 2015).


Referências

BRANDHORST, S. et al. A Periodic Diet that Mimics Fasting Promotes Multi-System Regeneration, Enhanced Cognitive Performance, and Healthspan. Cell Metabolism, v. 22, n. 1, p. 86-99, 2015.

FAN, Y.; PEDERSEN, O. Gut microbiota in human metabolic health and disease. Nature Reviews Microbiology, v. 19, n. 1, p. 55-71, 2021.

FASANO, A. All disease begins in the (leaky) gut: role of zonulin-mediated gut permeability in the pathogenesis of some chronic inflammatory diseases. F1000Research, v. 9, p. 1-13, 2020.

KRUSEMAN, M. et al. Alternative diets: a double-edged sword for nutrition and health. Swiss Medical Weekly, v. 145, w14197, 2015.

LONGO, V. D.; ANDA, S. Fasting-mimicking diets and regulation of microbiota, inflammation, and cellular rejuvenation. Cell Metabolism, v. 34, n. 9, p. 1234-1246, 2022.

MIQUEL-ALONSO, A. et al. The role of mastication in regulating gastric emptying, postprandial glycemic response, and satiety hormones. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 117, n. 3, p. 543-552, 2023.

OHISA, N. et al. Mechanistic insights into the anti-inflammatory properties of whole grain brown rice matrix on intestinal epithelial cells. Food Chemistry, v. 372, p. 131250, 2022.

PEDERSEN, A. M. L. et al. Salivary secretion and chewing efficiency in gastrointestinal homeostasis. Journal of Oral Rehabilitation, v. 45, n. 3, p. 234-245, 2018.

RAVINDRACHARYA, G. et al. Nutritional and therapeutic benefits of medicinal rice varieties in traditional Asian medicine: A comprehensive review. Journal of Ethnopharmacology, v. 290, p. 115042, 2022.

SONNENBURG, E. D.; SONNENBURG, J. L. Starving our microbial self: the deleterious consequences of a diet deficient in microbiota-accessible carbohydrates. Cell Metabolism, v. 20, n. 5, p. 779-786, 2014.

O Exército Oculto do Intestino: Como a Microbiota Modula Nossa Imunidade e Protege Contra o “Fogo Amigo”

Imagine que o seu sistema imunológico é um exército altamente treinado, pronto para defender o organismo contra invasores perigosos, como vírus e bactérias. Agora, imagine que mais de 70% desse exército não está posicionado nos pulmões ou no sangue, mas sim nas paredes do seu intestino. Quem atua como o principal instrutor desse quartel-general é a microbiota intestinal — uma comunidade vibrante de trilhões de microrganismos que habitam o nosso trato digestivo.

Nas últimas décadas, a ciência médica descobriu que essa relação vai muito além da digestão. A microbiota dita o tom da nossa resposta imune. Quando ela está em harmonia (eubiose), o exército é preciso; quando está em desequilíbrio (disbiose), as consequências podem ir de infecções graves a doenças autoimunes.


O Quartel-General Intestinal e o Perigo do “Fogo Amigo”

O sistema imune intestinal enfrenta um desafio diário: ele precisa tolerar os nutrientes dos alimentos e as bactérias benéficas, mas responder agressivamente aos patógenos. Quem calibra essa balança são os metabólitos produzidos pelas bactérias boas, com destaque para os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como o acetato, o propionato e o butirato.

Os AGCC agem como verdadeiros combustíveis para as células do intestino (colonócitos), fortalecendo as junções que mantêm a barreira intestinal íntegra. Além disso, eles estimulam a produção de células T reguladoras ($T_{reg}$), os “diplomatas” do sistema imune, responsáveis por acalmar os soldados e evitar reações exageradas.

Quando a microbiota é empobrecida por dietas ultraprocessadas ou uso indiscriminado de antibióticos, essa barreira se rompe, gerando uma condição conhecida como permeabilidade intestinal aumentada (leaky gut). Toxinas e pedaços de bactérias vazam para a circulação, provocando uma ativação ininterrupta do sistema imune.

Esse estado de alerta constante gera um verdadeiro “tiroteio de fogo amigo”: confuso e exausto pelo estresse inflamatório crônico, o sistema imunológico perde a capacidade de diferenciar o que é o próprio corpo do que é um invasor. O resultado? Um aumento alarmante na incidência de alergias e doenças autoimunes, como o lúpus, a artrite reumatoide e a doença de Crohn (Bell et al., 2024).


Da Covid-19 às Doenças Autoimunes: O Impacto Clínico da Microbiota

A robustez dessa barreira ecológica ficou nítida durante os anos mais críticos da pandemia recente. Um interessante estudo de coorte com mais de 12.000 voluntários de diferentes regiões globais, publicado na prestigiada revista The Lancet Longevity em 2024, mostrou que os habitantes das chamadas Blue Zones (regiões como Okinawa no Japão e Sardenha na Itália, conhecidas pela longevidade de sua população) apresentaram uma taxa significativamente menor de mortalidade e de complicações graves por COVID-19 em comparação com metrópoles ocidentais (García-Montero et al., 2024). Os pesquisadores associaram essa resiliência diretamente à microbiota desses indivíduos, rica em táxons produtores de butirato e mantida por dietas tradicionais e baixo estresse.

Em contrapartida, as doenças autoimunes vêm crescendo a taxas de 3% a 9% ao ano globalmente. Uma robusta revisão sistemática publicada no New England Journal of Medicine em 2025 confirmou que o declínio na diversidade microbiana ocidental, impulsionado pelo estilo de vida moderno, precede em anos o diagnóstico clínico de condições como a esclerose múltipla e o diabetes tipo 1 (Mclean & Tan, 2025). Sem os estímulos regulatórios da microbiota, as vias inflamatórias permanecem hiperativas.


Estilo de Vida: Os Pilares de Sustentação da Imunidade

Se a microbiota é o instrutor do sistema imune, as nossas escolhas diárias são o que alimenta esse instrutor. Cinco pilares se destacam na modulação dessa resposta:

  • A Dieta como Base: Uma dieta predominantemente baseada em plantas (plant-based), rica em fibras prebióticas e polifenóis, é o fator isolado mais poderoso para aumentar a produção de AGCC e manter a integridade da barreira intestinal (Zheng et al., 2025).

  • O Sono Reparador: A privação de sono quebra o ritmo circadiano da microbiota, reduzindo a produção de melatonina intestinal e deixando o organismo suscetível à inflamação sistêmica (Smith et al., 2024).

  • Exercício Físico (O Ponto de Equilíbrio): A prática regular de atividade física moderada aumenta a diversidade microbiana. Contudo, o overtraining (exercício extenuante sem recuperação adequada) causa isquemia transitória no trato gastrintestinal, danificando a mucosa e abrindo portas para a endotoxemia inflamatória (Passos et al., 2025).

  • Contato com a Natureza: A hipótese da biodiversidade mostra que a exposição a ambientes naturais (parques, florestas, terra) enriquece nossa própria microbiota por meio do contato com microrganismos ambientais benignos, “treinando” o sistema imune contra processos alérgicos (Liddicoat et al., 2024).

  • Gerenciamento do Estresse: O estresse psicológico crônico libera cortisol e catecolaminas, hormônios que alteram diretamente a viabilidade de bactérias benéficas como Lactobacillus e aumentam a permeabilidade intestinal (Foster et al., 2025).


Suplementação: Aliada Precisa ou Ameaça Indiscriminada?

Existe uma linha tênue entre corrigir uma carência nutricional e sobrecarregar o organismo com compostos desnecessários. A suplementação de micronutrientes é altamente eficaz quando há uma deficiência clinicamente comprovada. A vitamina D, por exemplo, atua diretamente na transcrição de proteínas de adesão celular no intestino; corrigir sua deficiência em pacientes imunocomprometidos melhora comprovadamente o desfecho de infecções respiratórias (Adams & Martinez, 2024).

No entanto, o uso indiscriminado e sem critérios de polivitamínicos e doses suprafisiológicas de antioxidantes tem se mostrado não apenas ineficaz, mas nocivo. Um amplo ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, publicado no JAMA em 2025, que acompanhou mais de 25.000 adultos, revelou que a suplementação de altas doses de antioxidantes sintéticos e minerais isolados sem deficiência prévia não reduziu o risco de infecções e, em subgrupos específicos, acelerou marcadores de estresse oxidativo tecidual e induziu disbiose por saturação de receptores intestinais (Turner et al., 2025). O excesso de nutrientes isolados pode perturbar o equilíbrio competitivo entre as espécies bacterianas no lúmen intestinal, favorecendo linhagens oportunistas.


Guia Prático: Estratégias para Otimizar a Imunidade Intestinal

Abaixo, estão sintetizadas as intervenções práticas validadas pela ciência para fortalecer a barreira intestinal e harmonizar a resposta imunológica:

Pilar de Intervenção Prática Recomendada Mecanismo de Ação no Organismo
Nutrição Prebiótica Consumir pelo menos 30 g de fibras variadas por dia (leguminosas, grãos integrais, vegetais). Estimula o crescimento de Bifidobacterium e a produção de Ácidos Graxos de Cadeia Curta (AGCC).
Alimentos Fermentados Incluir porções diárias de iogurte natural, kefir ou kombucha. Introduz microrganismos vivos que competem com patógenos e reduzem marcadores inflamatórios sistêmicos.
Atividade Física Moderada Praticar de 150 a 300 minutos semanais de cardio e força, evitando a exaustão extrema. Melhora a motilidade intestinal e favorece a proliferação de espécies benéficas como a Akkermansia muciniphila.
Higiene do Sono Manter de 7 a 8 horas de sono regular por noite, limitando telas antes de dormir. Preserva o ritmo circadiano dos colonócitos e evita a translocação bacteriana induzida pelo cansaço crônico.
Suplementação Direcionada Avaliar níveis séricos (ex: Vitamina D) e suplementar apenas sob orientação médica ou nutricional. Restaura a homeostase celular e evita a toxicidade ou a disbiose induzida pelo excesso de nutrientes isolados.

Cuidar da imunidade, portanto, não se resume a tomar uma pílula mágica de vitaminas no primeiro sinal de resfriado. Significa cultivar diariamente o ecossistema complexo que reside em nosso interior, garantindo que o exército intestinal tenha os recursos e o treinamento necessários para nos defender, sem nunca acionar as armas contra nós mesmos.


Referências Bibliográficas

ADAMS, J. R.; MARTINEZ, L. G. Vitamin D sufficiency and the intestinal epithelial barrier: a systematic review of immunomodulatory mechanisms. Journal of Clinical Immunology, v. 44, n. 2, p. 112-125, 2024.

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FOSTER, J. A. et al. Stress-induced gut permeability and its downstream effects on systemic autoimmunity: a multi-center cohort study. Brain, Behavior, and Immunity, v. 125, p. 45-58, 2025.

GARCÍA-MONTERO, C. et al. Dietary patterns, gut microbiota composition, and COVID-19 severity in Blue Zone populations: a prospective cohort study. The Lancet Longevity, v. 5, n. 1, p. e23-e32, 2024.

LIDDICOAT, C. et al. Environmental biodiversity and immune regulation: regular contact with soil microbiota prevents allergic airway inflammation in a randomized trial. Environmental Health Perspectives, v. 132, n. 6, p. 067001, 2024.

MCLEAN, A. C.; TAN, J. W. The intestinal microbiota in the pathogenesis of autoimmune diseases. New England Journal of Medicine, v. 392, n. 8, p. 734-745, 2025.

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TURNER, K. L. et al. Effect of high-dose antioxidant and mineral supplementation on infection rates and gut microbiota diversity in healthy adults: a randomized, double-blind, placebo-controlled clinical trial. JAMA, v. 333, n. 14, p. 1352-1363, 2025.

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O Lado Sombrio da Testosterona: Como o Uso Desnecessário Destrói o Intestino e Ameaça o Coração

Introdução: A Busca Cega pela Performance

A sociedade contemporânea vive uma “epidemia de otimização”. A testosterona, antes vista apenas como um hormônio essencial para a saúde masculina, foi elevada ao status de panaceia para o cansaço, a baixa libido e a busca pelo corpo perfeito. No entanto, o que muitos usuários ignoram é que o corpo humano funciona em um equilíbrio homeostático extremamente refinado. Ao introduzir doses de testosterona sem uma deficiência clínica real, o indivíduo não está apenas “suplementando” um hormônio, mas sim hackeando negativamente sistemas vitais, começando pela microbiota intestinal — o núcleo da nossa imunidade e metabolismo.

 

A Disbiose Intestinal e a Inflamação Sistêmica

O intestino abriga trilhões de microrganismos que regulam desde o humor até a saúde das artérias. Estudos de 2025 e 2026 confirmam que níveis excessivos de andrógenos alteram drasticamente a proporção entre bactérias benéficas (como Bifidobacterium) e patogênicas (Harris; Bajaj, 2025).

Essa alteração, chamada disbiose, leva ao enfraquecimento das “tight junctions” (proteínas que mantêm as células intestinais unidas). O resultado é o fenômeno do intestino gotejante (leaky gut), onde fragmentos de bactérias (LPS) caem na circulação sanguínea. Esse processo é o gatilho para uma inflamação crônica que ataca o endotélio vascular e predispõe o indivíduo a doenças autoimunes e metabólicas (Wang et al., 2026; Smith et al., 2024).

 

O Perigo Oculto: Testosterona e Câncer de Cólon

Uma das frentes mais recentes de investigação científica relaciona o uso suprafisiológico de testosterona ao aumento do risco de câncer colorretal. O mecanismo é duplo:

  • Proliferação Celular: A testosterona elevada estimula vias de sinalização de crescimento (como a via IGF-1), que podem acelerar a divisão de células mutantes no epitélio intestinal (Chen et al., 2025).
  • Metabólitos Bacterianos: A disbiose causada pelo hormônio altera a produção de ácidos graxos de cadeia curta (como o butirato), que são protetores contra o câncer. Sem essa proteção, o ambiente intestinal torna-se pró-carcinogênico (Liu; Zhang, 2026).

Estudos observacionais sugerem que homens com níveis de andrógenos cronicamente acima do normal apresentam pólipos intestinais mais agressivos (Jordan et al., 2024).

 

A “Moda” dos Implantes: Um Erro de Dose e Controle

Atualmente, vivemos o auge dos implantes hormonais, popularmente chamados de “chips”. Vendidos como soluções de luxo e conveniência, esses dispositivos representam um risco farmacológico considerável:

  • Dificuldade de Modulação: Uma vez inserido o “pellet”, não é possível “desligar” a liberação. Se o paciente apresentar efeitos colaterais como policitemia (sangue muito grosso), acne grave ou agressividade, o médico não consegue ajustar a dose imediatamente, ao contrário das terapias em gel ou injetáveis de curta duração (Thompson, 2026).
  • Liberação Errática: A taxa de liberação depende de fatores individuais como fluxo sanguíneo local e atividade física, o que gera picos e vales hormonais imprevisíveis (Miller et al., 2025).
  • O Custo da Ilusão: Além do alto valor financeiro, o preço biológico é o bloqueio do eixo HPT (hipotálamo-hipófise-testículo), muitas vezes levando à infertilidade irreversível e atrofia testicular em jovens que não precisavam do tratamento (Kowalik, 2026).

 

Riscos Cardiovasculares e Hematológicos

O uso de doses suprafisiológicas aumenta a produção de glóbulos vermelhos, tornando o sangue mais viscoso. Esse quadro, somado à inflamação intestinal já mencionada, cria o cenário ideal para eventos trombóticos.

  • Hipertrofia Cardíaca: O coração, como músculo, também responde à testosterona, mas de forma patológica, endurecendo suas paredes e perdendo a capacidade de bombear sangue eficientemente (Borowiec, 2026; Davis et al., 2024).

 

Resumo

A testosterona é um hormônio vital, mas sua versão sintética usada por estética ou “performance” é um veneno metabólico silencioso. Ela desregula a microbiota intestinal, aumenta a permeabilidade do intestino, eleva o risco de tumores de cólon e sobrecarrega o sistema cardiovascular. A via de implantes (chips), embora lucrativa e popular, é tecnicamente falha por impedir o controle fino da dosagem, transformando o paciente em um refém de seus próprios níveis hormonais.

 

Referências

BOROWIEC, A. Impact of Anabolic–Androgenic Steroid Abuse on the Cardiovascular System: Molecular Mechanisms and Clinical Implications. International Journal of Molecular Sciences, v. 26, n. 22, p. 11037, 2026.

CHEN, L. et al. Androgen receptor signaling and its role in colorectal cancer progression. Journal of Clinical Oncology Research, v. 14, n. 3, p. 245-259, 2025.

DAVIS, R. et al. Cardiovascular mortality in young adults using performance-enhancing drugs: a 10-year retrospective study. The Lancet Healthy Longevity, v. 5, n. 1, p. 12-20, 2024.

EIMAN, L. et al. Gut dysbiosis in cancer immunotherapy: microbiota-mediated resistance and emerging treatments. Frontiers in Immunology, v. 16, p. 1575452, 2025.

GARCIA, M.; LOPEZ, S. Endocrine disruptors and the gut microbiome: a new frontier in metabolic health. Nature Reviews Endocrinology, v. 21, p. 88-102, 2025.

HARRIS, S. C.; BAJAJ, J. S. Interaction of the Gut-Liver-Brain Axis and the sterolbiome with sexual dysfunction in patients with cirrhosis. Gut Microbes, v. 17, n. 1, 2025.

JORDAN, B. et al. Elevated serum testosterone and the risk of adenomatous polyps: a cross-sectional study. Gastroenterology Today, v. 33, n. 2, p. 112-118, 2024.

KOWALIK, K. Non-medical use of exogenous testosterone and anabolic–androgenic substances in young men: health, psychological, and fertility consequences. Frontiers in Endocrinology, v. 17, p. 1781416, 2026.

LIU, Y.; ZHANG, X. Microbiota-derived metabolites and colorectal cancer: The role of androgenic influence. Cell Host & Microbe, v. 34, n. 5, p. 601-615, 2026.

MILLER, J. et al. Pharmacokinetics of subcutaneous testosterone pellets: variability and clinical challenges. Journal of Endocrine Practice, v. 31, n. 4, p. 442-450, 2025.

SMITH, A. et al. Intestinal permeability and systemic inflammation in anabolic steroid users. European Journal of Applied Physiology, v. 124, n. 8, p. 2105-2118, 2024.

THOMPSON, D. The rise of hormone pellets: Clinical gold mine or medical minefield? New England Journal of Medicine – Perspective, v. 394, n. 12, p. 1102-1105, 2026.

WANG, Y. et al. Gut microbiota metabolic reprogramming drives the development of metabolic diseases in the host. PMC Metabolism, v. 15, n. 4, 2026.

XU, H. From testosterone to 11-oxygenated androgens: Integrating endocrine biology, nutrition, and systemic health. The Innovation, v. 7, n. 4, 2026.

ZHAO, Q. et al. Impact of high-dose androgens on the bile acid pool and gut microbial diversity. Journal of Steroid Biochemistry and Molecular Biology, v. 250, 106543, 2025.

 

English Version

The Dark Side of Testosterone: How Unnecessary Use Destroys the Gut and Threatens the Heart

Introduction: The Blind Pursuit of Performance Contemporary society lives in an “optimization epidemic.” Testosterone, once seen only as an essential hormone for male health, has been elevated to the status of a panacea for fatigue, low libido, and the quest for the perfect body. However, what many users ignore is that the human body functions in an extremely refined homeostatic balance. By introducing testosterone doses without a real clinical deficiency, the individual is not just “supplementing” a hormone, but negatively hacking vital systems, starting with the gut microbiota — the core of our immunity and metabolism.

 

  1. Gut Dysbiosis and Systemic Inflammation The gut houses trillions of microorganisms that regulate everything from mood to arterial health. Studies from 2025 and 2026 confirm that excessive androgen levels drastically alter the ratio between beneficial bacteria (such as Bifidobacterium) and pathogens (Harris; Bajaj, 2025). This alteration, called dysbiosis, leads to the weakening of “tight junctions.” The result is the leaky gut phenomenon, where bacterial fragments (LPS) enter the bloodstream. This process triggers chronic inflammation that attacks the vascular endothelium and predisposes the individual to autoimmune and metabolic diseases (Wang et al., 2026; Smith et al., 2024).

 

  1. The Hidden Danger: Testosterone and Colon Cancer Recent scientific investigation relates supraphysiological testosterone use to an increased risk of colorectal cancer. The mechanism is twofold:
  • Cell Proliferation: Elevated testosterone stimulates growth signaling pathways (such as IGF-1), which can accelerate the division of mutant cells in the intestinal epithelium (Chen et al., 2025).
  • Bacterial Metabolites: Hormonally induced dysbiosis alters the production of short-chain fatty acids (like butyrate), which protect against cancer. Without this protection, the intestinal environment becomes pro-carcinogenic (Liu; Zhang, 2026).

 

  1. The “Implant” Fad: An Error in Dosage and Control Currently, we are at the peak of hormonal implants, popularly called “chips.” Sold as luxury solutions, these devices pose considerable pharmacological risks:
  • Modulation Difficulty: Once the pellet is inserted, it is impossible to “turn off” the release. If the patient presents side effects like polycythemia or aggression, the physician cannot adjust the dose immediately (Thompson, 2026).
  • Erratic Release: The release rate depends on individual factors like local blood flow, creating unpredictable hormonal peaks (Miller et al., 2025).
  • The Price of Illusion: Beyond the financial cost, the biological price is the blockage of the HPT axis, often leading to irreversible infertility (Kowalik, 2026).

 

  1. Cardiovascular and Hematological Risks Supraphysiological doses increase red blood cell production, making the blood more viscous. This, added to gut inflammation, creates the ideal scenario for thrombotic events and cardiac hypertrophy (Borowiec, 2026; Davis et al., 2024).

Summary Testosterone is vital, but its synthetic version used for aesthetics is a silent metabolic poison. It deregulates the gut microbiota, increases intestinal permeability, raises the risk of colon tumors, and strains the cardiovascular system.

 

Version Française

La Face Cachée de la Testostérone : Comment l’Usage Inutile Détruit l’Intestin et Menace le Cœur

Introduction : La Quête Aveugle de la Performance La société contemporaine vit une « épidémie d’optimisation ». La testostérone est devenue une panacée pour la fatigue et le corps parfait. Cependant, introduire de la testostérone sans carence réelle pirate négativement des systèmes vitaux, à commencer par le microbiote intestinal.

  1. Dysbiose Intestinale et Inflammation Systémique Des études de 2025 et 2026 confirment que des niveaux excessifs d’androgènes altèrent le ratio entre bactéries bénéfiques et pathogènes (Harris ; Bajaj, 2025). Cela affaiblit les « jonctions serrées », provoquant un intestin perméable (leaky gut). Ce processus déclenche une inflammation chronique attaquant l’endothélium vasculaire (Wang et al., 2026).
  2. Le Danger Caché : Testostérone et Cancer du Côlon L’usage supraphysiologique est lié au cancer colorectal par la stimulation des voies de croissance (IGF-1) et la réduction des acides gras protecteurs comme le butyrate (Chen et al., 2025 ; Liu ; Zhang, 2026).
  3. La Mode des Implants : Une Erreur de Dosage Les « chips » hormonaux posent des risques : l’impossibilité d’arrêter la libération en cas d’effets secondaires et une absorption erratique selon le flux sanguin (Thompson, 2026 ; Miller et al., 2025).
  4. Risques Cardiovasculaires L’augmentation de la viscosité sanguine et l’hypertrophie cardiaque augmentent le risque d’infarctus (Borowiec, 2026).

Résumé La testostérone synthétique à des fins esthétiques dérègle le microbiote, augmente la perméabilité intestinale et surcharge le système cardiovasculaire.

 

Versión en Español

El Lado Oscuro de la Testosterona: Cómo el Uso Innecesario Destruye el Intestino y Amenaza al Corazón

Introducción: La Búsqueda Ciega del Rendimiento La testosterona se ha elevado al estatus de panacea. Sin embargo, su uso sin deficiencia clínica hackea negativamente sistemas vitales, comenzando por la microbiota intestinal, el núcleo de nuestra inmunidad.

  1. Disbiosis Intestinal e Inflamación Sistémica Niveles excesivos de andrógenos alteran la proporción de bacterias beneficiosas (Harris; Bajaj, 2025). Esto provoca el intestino permeable, permitiendo que toxinas entren en el torrente sanguíneo, generando inflamación crónica (Wang et al., 2026).
  2. Riesgo de Cáncer de Colón El uso suprafisiológico estimula la proliferación celular (IGF-1) y altera los metabolitos protectores, creando un ambiente pro-carcinogénico en el colon (Chen et al., 2025; Liu; Zhang, 2026).
  3. La Moda de los Implantes: Falta de Control Los “chips” impiden la modulación de la dosis. Si hay efectos secundarios, no se puede detener la liberación, además de causar picos hormonales impredecibles (Thompson, 2026).
  4. Riesgos Cardiovasculares El exceso hormonal espesa la sangre y provoca hipertrofia cardíaca patológica (Borowiec, 2026).

Resumen La testosterona estética es un veneno metabólico silencioso que desregula el intestino y eleva el riesgo de tumores y eventos cardiovasculares.

 

Deutsche Version

Die dunkle Seite des Testosterons: Wie unnötiger Gebrauch den Darm zerstört und das Herz gefährdet

Einleitung: Das blinde Streben nach Leistung Testosteron wird heute oft als Allheilmittel für Vitalität missverstanden. Ohne klinischen Mangel führt die Zufuhr jedoch zu einer negativen Manipulation lebenswichtiger Systeme, beginnend mit der Darmmikrobiota.

  1. Darmdysbiose und systemische Entzündung Studien aus den Jahren 2025 und 2026 bestätigen, dass überschüssige Androgene das Gleichgewicht zwischen nützlichen und pathogenen Bakterien stören (Harris; Bajaj, 2025). Dies führt zum Leaky-Gut-Syndrom, welches chronische Entzündungen im gesamten Gefäßsystem auslöst (Wang et al., 2026).
  2. Versteckte Gefahr: Testosteron und Darmkrebs Supraphysiologische Dosen fördern das Zellwachstum (IGF-1-Pfad) und reduzieren schützende Fettsäuren im Darm, was das Risiko für Kolorektalkrebs erhöht (Chen et al., 2025; Liu; Zhang, 2026).
  3. Der “Implantat-Modetrend”: Dosierungsfehler Hormon-Pellets (“Chips”) sind riskant, da die Freisetzung nicht gestoppt oder moduliert werden kann, wenn Nebenwirkungen auftreten. Zudem ist die Freisetzung unvorhersehbar (Thompson, 2026; Miller et al., 2025).
  4. Kardiovaskuläre Risiken Erhöhte Blutviskosität und Herzhypertrophie führen zu einem massiv erhöhten Risiko für Herzinfarkte und Schlaganfälle (Borowiec, 2026).

Zusammenfassung Synthetisches Testosteron zu ästhetischen Zwecken ist ein metabolisches Gift, das die Darmflora schädigt und das Herz-Kreislauf-System schwer belastet.

 

Full References

(Applied to all versions)

BOROWIEC, A. Impact of Anabolic–Androgenic Steroid Abuse on the Cardiovascular System: Molecular Mechanisms and Clinical Implications. International Journal of Molecular Sciences, v. 26, n. 22, p. 11037, 2026. CHEN, L. et al. Androgen receptor signaling and its role in colorectal cancer progression. Journal of Clinical Oncology Research, v. 14, n. 3, p. 245-259, 2025. DAVIS, R. et al. Cardiovascular mortality in young adults using performance-enhancing drugs. The Lancet Healthy Longevity, v. 5, n. 1, p. 12-20, 2024. EIMAN, L. et al. Gut dysbiosis in cancer immunotherapy. Frontiers in Immunology, v. 16, p. 1575452, 2025. GARCIA, M.; LOPEZ, S. Endocrine disruptors and the gut microbiome. Nature Reviews Endocrinology, v. 21, p. 88-102, 2025. HARRIS, S. C.; BAJAJ, J. S. Interaction of the Gut-Liver-Brain Axis and the sterolbiome. Gut Microbes, v. 17, n. 1, 2025. JORDAN, B. et al. Elevated serum testosterone and the risk of adenomatous polyps. Gastroenterology Today, v. 33, n. 2, p. 112-118, 2024. KOWALIK, K. Non-medical use of exogenous testosterone and anabolic–androgenic substances in young men. Frontiers in Endocrinology, v. 17, p. 1781416, 2026. LIU, Y.; ZHANG, X. Microbiota-derived metabolites and colorectal cancer. Cell Host & Microbe, v. 34, n. 5, p. 601-615, 2026. MILLER, J. et al. Pharmacokinetics of subcutaneous testosterone pellets: variability and clinical challenges. Journal of Endocrine Practice, v. 31, n. 4, p. 442-450, 2025. SMITH, A. et al. Intestinal permeability and systemic inflammation in anabolic steroid users. European Journal of Applied Physiology, v. 124, n. 8, p. 2105-2118, 2024. THOMPSON, D. The rise of hormone pellets: Clinical gold mine or medical minefield? NEJM – Perspective, v. 394, n. 12, p. 1102-1105, 2026. WANG, Y. et al. Gut microbiota metabolic reprogramming drives the development of metabolic diseases. PMC Metabolism, v. 15, n. 4, 2026. XU, H. From testosterone to 11-oxygenated androgens: Integrating endocrine biology and health. The Innovation, v. 7, n. 4, 2026. ZHAO, Q. et al. Impact of high-dose androgens on the bile acid pool and gut microbial diversity. Journal of Steroid Biochemistry, v. 250, 106543, 2025.

É POSSÍVEL REVERTER A ATEROSCLEROSE?

 

 

Dr. Rafael Marchetti, cardiologista, pós-graduado em Medicina do Exercício e do Esporte, certificado em Medicina do Estilo de Vida pelo IBLM, International Board of Lifestyle Medicine.

 

Olá, queridos leitores! Sou Dr. Rafael Marchetti, cardiologista e médico na Lapinha Spa.  Neste espaço, exploraremos juntos como as mudanças no estilo de vida podem transformar nossa saúde e bem-estar.

Para inaugurar nossa jornada, escolhi um estudo inspirador: “The Lifestyle Heart Trial”, conduzido por Dean Ornish e publicado na revista Lancet. Este estudo investigou se mudanças abrangentes no estilo de vida poderiam reverter a aterosclerose coronariana em apenas um ano. Envolveu 48 pacientes divididos em dois grupos: o grupo experimental, que seguiu um programa de mudanças no estilo de vida, e o grupo de controle, que manteve os cuidados habituais.

O artigo “The Lifestyle Heart Trial” foi verdadeiramente revolucionário, quebrando paradigmas ao demonstrar que a aterosclerose, anteriormente considerada irreversível, pode de fato regredir. Este estudo desafiou a crença de longa data de que a progressão da doença coronariana era inevitável. A chave para esses resultados surpreendentes foi a mudança global no estilo de vida, que abrangeu não apenas a dieta, mas também o exercício, o gerenciamento de estresse e o apoio social. Embora essas mudanças possam parecer desafiadoras, este estudo prova que são possíveis e têm um impacto profundo e positivo na saúde do coração.

Os resultados foram notáveis. No grupo experimental, a estenose das artérias coronárias regrediu de uma média de 40,0% para 37,8% após um ano. Em contraste, no grupo de controle, a estenose progrediu de 42,7% para 46,1%. Além disso, os pacientes do grupo experimental relataram uma redução de 91% na frequência de angina, 42% na duração e 28% na severidade dos sintomas. Esses dados evidenciam o impacto positivo que mudanças no estilo de vida podem ter na saúde cardiovascular.

O programa de mudanças no estilo de vida foi abrangente e incluiu uma dieta vegetariana com baixo teor de gordura, focada em alimentos integrais como frutas, vegetais, grãos e leguminosas. Os participantes foram incentivados a parar de fumar, praticar exercícios moderados e participar de treinamentos de gerenciamento de estresse, que incluíam técnicas como meditação e relaxamento. O suporte em grupo também foi uma parte essencial do programa, proporcionando um ambiente de apoio para compartilhar experiências e motivar uns aos outros.

Essas descobertas são um lembrete poderoso de que temos o poder de transformar nossa saúde através de escolhas diárias. Ao adotar um estilo de vida mais saudável, podemos não apenas prevenir doenças, mas também reverter condições existentes, promovendo uma vida mais plena e saudável. A chave está em fazer mudanças sustentáveis e consistentes, que se integrem naturalmente ao nosso cotidiano.

Convido você a refletir sobre como pequenas mudanças diárias podem ter um impacto profundo na sua saúde. A jornada para uma vida saudável é contínua, e cada escolha positiva que fazemos é um passo em direção a um futuro melhor. Lembre-se, você tem o poder de escolher a saúde todos os dias.

 

Referência técnica: Ornish, D., et al. (1990). “Can lifestyle changes reverse coronary heart disease?” Lancet.

DIETAS QUE PROVOCAM O ABOMINÁVEL EFEITO SANFONA

 

Dr Daniel S F Boarim, MD, Diretor Clínico da Lapinha

 

Um dos maiores mitos do emagrecimento é que, quanto mais severa a restrição calórica, mais eficaz é a dieta. Leia com atenção esse resumo, e sua opinião certamente vai mudar completamente.

 

A “matemática” da perda de peso

 

Para ganhar um quilo, você precisa ingerir, ao longo do tempo, 7.700 kcal mais do que gasta, e para emagrecer, é só inverter a conta, comer menos e queimar mais, e quando o total da diferença chegar em 7.770 kcal, terá perdido um quilo.

Teoricamente, uma dieta hipocalórica em que se consiga uma diferença ente gasto e queima de 1.000 kcal/dia, vai pedir pouco mais de uma semana para o ponteiro da balança mostrar um quilo de perda real. E quando falamos em “perda real”, referimo-nos à queima de estoques, e não às flutuações de líquidos, que podem mascarar os resultados para mais ou para menos.

Mas para quem está desesperado para entrar novamente na roupa de alguns verões atrás, esse ritmo parece cruelmente lento. Quase todos se esquecem que os muitos quilos vieram ao longo de meses, anos, e que não é sensato esperar soluções rápidas de alguns dias.

Para encurtar o caminho, então, qual a “magia” das loucuras? Dietas de fome e muita malhação. Alguns apelam para as famosas “low carb diets” (ler artigo nessa biblioteca sobre proteína: emagrece ou inflama?).

 

O efeito “rebote”

 

“Bem-vindo” à experiência do efeito sanfona! Dietas muito restritivas podem causar um efeito rebote devido a várias adaptações fisiológicas e comportamentais que ocorrem em resposta à restrição calórica severa.

Primeiramente, a restrição calórica pode levar a alterações nos hormônios que regulam o apetite. Estudos mostram que a perda de peso induzida por dieta aumenta os níveis de grelina, um hormônio orexigênico, e diminui os níveis de leptina, um hormônio anorexigênico, resultando em aumento da fome e do apetite.[1-2] Essas alterações hormonais persistem a longo prazo, mesmo após a perda de peso inicial, contribuindo para o aumento do apetite e a recuperação do peso.[3]

 

O metabolismo entende que você está num deserto

 

O metabolismo “se defende” contra a privação exagerada da dieta, entende que você está sob privação, à mingua, num deserto, e dispara o modo “gaste menos e armazene mais” para garantir a sobrevivência.  O resultado fatal é o ganho progressivo de peso, com cada vez mais dificuldade de perder e mais ainda de manter a perda.

Além disso, a restrição calórica pode levar a uma redução no gasto energético basal, um fenômeno conhecido como adaptação metabólica. Após a perda de peso, o gasto energético em repouso é menor do que o esperado com base na nova composição corporal, o que facilita a recuperação do peso quando a ingestão calórica é aumentada.[4] E se não houver mudança visceral de comportamento, começa aqui o ciclo vicioso de comer cada vez mais para gastar cada vez menos.

 

Compulsão alimentar disparada por dieta muito hipocalórica

 

Outra variável importante é a resposta comportamental à restrição alimentar. A restrição severa pode aumentar a suscetibilidade a episódios de compulsão alimentar, entre outros transtornos alimentares, especialmente em situações que desafiam o autocontrole, como estresse ou exposição a alimentos altamente palatáveis.[5] E o que não falta são comidas viciantes, ultraprocessadas e super calóricas. Chocolate, guloseimas, salgadinhos, bebidas alcoólicas e massas acenam o tempo todo com seu quase irresistível apelo.

 

Microbiota do intestino prejudicada por dietas muito restritas caloricamente

 

A microbiota intestinal também pode desempenhar um papel crucial na recuperação do peso. Alterações na composição da microbiota intestinal durante a restrição calórica podem afetar o metabolismo e a absorção de nutrientes, contribuindo para o ganho de peso após a retomada da alimentação normocalórica ou cessação da dieta restritiva. Aqui mora uma novidade muito interessante, pois sabemos que a microbiota exerce um controle sobre o metabolismo muito maior do que imaginávamos há poucas décadas atrás. [6]

 

Enfim, qual é a receita do emagrecimento sustentável?  

 

A receita cientificamente embasada para emagrecer de modo eficaz e sustentado é bem conhecida e não mudou quase nada em décadas de pesquisa. Certamente hoje sabemos mais sobre a contribuição genética e o papel da ansiedade no comportamento alimentar humano e o poder viciante de certas comidas.  Mas, qualquer protocolo sério, invariavelmente se estriba em três pilares: (1) dieta saudável, com leve a moderada restrição calórica (você não precisa nem deve passar fome!), (2) exercícios balanceados e orientados (veja bem: os exercícios devem sincronizar atividades aeróbicas com musculação e alongamento). (3) Seguimento de longo prazo com equipe multidisciplinar para alavancagem motivacional, correções, ajustes e permitir que as mudanças sejam de fato incorporadas e virem rotina.

Enfim, voltamos ao lugar comum de que não existe fórmula mágica. A mudança de comportamento requer foco, disciplina e perseverança! O que pode fazer a diferença aqui não é  tanto o que fazemos, mas o modo como fazemos. A intensidade, a vontade e a determinação com que nos entregamos ao propósito. Meias medidas e iniciativas débeis, esporádicas ou espasmódicas nunca terão força suficiente para avançar!

 

Resumindo

 

Esses três fatores combinados: (1) Adaptação fisiológica à fome, levando o organismo a gastar menos e desejar mais comida, (2) resposta comportamental, com exacerbação de episódios compulsivos e (3) mudança da microbiota, explicam por que dietas muito restritivas frequentemente resultam em um efeito rebote, onde o peso perdido é recuperado rapidamente após o término da dieta, com ganhos ainda maiores. Por isso também, convivemos com números assustadores da pandemia de obesidade.

 

 

Referências

 

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  2. Altered Appetite-Mediating Hormone Concentrations Precede Compensatory Overeating After Severe, Short-Term Energy Deprivation in Healthy Adults. O’Connor KL, Scisco JL, Smith TJ, et al. The Journal of Nutrition. 2016;146(2):209-17. doi:10.3945/jn.115.217976.
  1. Long-Term Persistence of Hormonal Adaptations to Weight Loss. Sumithran P, Prendergast LA, Delbridge E, et al. The New England Journal of Medicine. 2011;365(17):1597-604. doi:10.1056/NEJMoa1105816.
  2. Mechanisms of Weight Regain.Busetto L, Bettini S, Makaronidis J, et al.European Journal of Internal Medicine. 2021;93:3-7. doi:10.1016/j.ejim.2021.01.002.
  3. The Ironic Effects of Dietary Restraint in Situations That Undermine Self-Regulation.Hagerman CJ, Stock ML, Beekman JB, Yeung EW, Persky S. Eating Behaviors. 2021;43:101579. doi:10.1016/j.eatbeh.2021.101579.
  4. Gut Microbiota-Bile Acid Crosstalk Contributes to the Rebound Weight Gain After Calorie Restriction in Mice. Li M, Wang S, Li Y, et al. Nature Communications. 2022;13(1):2060. doi:10.1038/s41467-022-29589-7.

 

ENGLISH

 

DIETS THAT CAUSE THE ABOMINABLE YO-YO EFFECT

 

Dr Daniel S F Boarim, MD, Clinical Director of Lapinha

 

One of the biggest myths about weight loss is that the more severe the calorie restriction, the more effective the diet. Read this summary carefully, and your opinion will certainly change completely.

 

The “mathematics” of weight loss

 

To gain one kilo, you need to consume, over time, 7,700 kcal more than you expend, and to lose weight, just reverse the calculation, eat less and burn more, and when the total difference reaches 7,770 kcal, you will have lost one kilo.

Theoretically, a low-calorie diet in which you achieve a difference between expenditure and burning of 1,000 kcal/day, will take a little over a week for the scale to show a real loss of one kilo. And when we talk about “real weight loss,” we are referring to the burning of stocks, not to the fluctuations in fluids, which can mask the results, either more or less.

But for those who are desperate to get back into the clothes they wore a few summers ago, this pace seems cruelly slow. Almost everyone forgets that the many pounds have come on over months, years, and that it is not sensible to expect quick solutions in a few days.

So, to shorten the path, what is the magic? Starvation diets and lots of exercise. Some resort to the famous “low carb diets” (read the article in this library about protein: does it make you lose weight or cause inflammation?).

 

The “rebound” effect

 

Welcome to the yo-yo effect experience! Very restrictive diets can cause a rebound effect due to several physiological and behavioral adaptations that occur in response to severe calorie restriction.

Firstly, calorie restriction can lead to changes in the hormones that regulate appetite. Studies show that diet-induced weight loss increases levels of ghrelin, an orexigenic hormone, and decreases levels of leptin, an anorexigenic hormone, resulting in increased hunger and appetite.[1-2] These hormonal changes persist long-term, even after initial weight loss, contributing to increased appetite and weight regain.[3]

 

Your metabolism understands that you are in a desert

 

Your metabolism “defends itself” against excessive dietary deprivation, understanding that you are under deprivation, starving, in a desert, and triggers the “spend less and store more” mode to ensure survival. The fatal result is progressive weight gain, with increasing difficulty in losing and even more difficult to maintain the loss.

In addition, calorie restriction can lead to a reduction in basal energy expenditure, a phenomenon known as metabolic adaptation. After weight loss, resting energy expenditure is lower than expected based on the new body composition, which makes it easier to regain the weight when caloric intake is increased.[4] And if there is no visceral change in behavior, this is where the vicious cycle of eating more and more to burn less and less begins.

 

Binge eating triggers during periods of dieting

 

Another important variable is the behavioral response to food restriction. Severe restriction can increase susceptibility to binge eating episodes, among other eating disorders, especially in situations that challenge self-control, such as stress or exposure to highly palatable foods.[5] And there is no shortage of addictive, ultra-processed, and high-calorie foods. Chocolate, sweets, snacks, alcoholic beverages, and pasta beckon all the time with their almost irresistible appeal.

 

Gut microbiota impaired by very calorie-restricted diets

 

Finally, the gut microbiota may also play a role in weight regain. Changes in the composition of the intestinal microbiota during calorie restriction can affect metabolism and nutrient absorption, contributing to weight gain after resuming a normal diet.[6]

 

And what is the recipe for sustainable weight loss?

 

The scientifically based recipe for effective and sustained weight loss is based, in simple terms, on three pillars: (1) a healthy diet with mild to moderate calorie restriction (you don’t need to go hungry), (2) balanced and guided exercise. (3) Long-term follow-up with a multidisciplinary team so that the changes are actually incorporated and become routine. There is no magic formula. Changing behavior requires focus, discipline and perseverance!

 

In summary

 

These three factors combined: (1) physiological adaptation to hunger, leading the body to spend less and desire more food, (2) behavioral response, with exacerbation of binge eating episodes, and (3) changes in the microbiota, explain why very restrictive diets often result in a rebound effect, where the lost weight is quickly regained after the diet ends, with even greater gains.

 

 

References

 

  1. Calorie-Restricted Weight Loss Reverses High-Fat Diet-Induced Ghrelin Resistance, Which Contributes to Rebound Weight Gain in a Ghrelin-Dependent Manner.Briggs DI, Lockie SH, Wu Q, et al. Endocrinology. 2013;154(2):709-17. doi:10.1210/en.2012-1421.
  2. Altered Appetite-Mediating Hormone Concentrations Precede Compensatory Overeating After Severe, Short-Term Energy Deprivation in Healthy Adults. O’Connor KL, Scisco JL, Smith TJ, et al. The Journal of Nutrition. 2016;146(2):209-17. doi:10.3945/jn.115.217976.
  1. Long-Term Persistence of Hormonal Adaptations to Weight Loss. Sumithran P, Prendergast LA, Delbridge E, et al. The New England Journal of Medicine. 2011;365(17):1597-604. doi:10.1056/NEJMoa1105816.
  2. Mechanisms of Weight Regain.Busetto L, Bettini S, Makaronidis J, et al.European Journal of Internal Medicine. 2021;93:3-7. doi:10.1016/j.ejim.2021.01.002.
  3. The Ironic Effects of Dietary Restraint in Situations That Undermine Self-Regulation.Hagerman CJ, Stock ML, Beekman JB, Yeung EW, Persky S. Eating Behaviors. 2021;43:101579. doi:10.1016/j.eatbeh.2021.101579.
  4. Gut Microbiota-Bile Acid Crosstalk Contributes to the Rebound Weight Gain After Calorie Restriction in Mice. Li M, Wang S, Li Y, et al. Nature Communications. 2022;13(1):2060. doi:10.1038/s41467-022-29589-7.

 

 

A “MEDICINA FAST HEALTHY”

 

Dra Jacy M. Alves, Médica da Lapinha, especialista em Endocrinologia e Metabologia

A Medicina não é uma ciência exata – isso todos sabem. As verdades podem ser transitórias. Mas vemos cada vez mais pessoas, principalmente as mais abastadas, procurando uma “Medicina Fast Healthy”, onde no anseio de terem vitalidade, função sexual compatível com atores de filmes adultos, a juventude eterna, o não sofrimento a qualquer custo, engolem diariamente pílulas “mágicas” ou compostos injetáveis (muitas vezes pagam uma verdadeira fortuna por isso) que prometem ser a cura para a sua insatisfação com a vida e seus propósitos. Existe certo ou errado? Sinceramente acredito que cada pessoa escolhe seus caminhos e tem autonomia, portanto, talvez essa dicotomia entre certo ou errado não seja a maneira mais correta de expressão, sendo que existem apenas escolhas diferentes, mas uma vez definindo o rumo é preciso aceitar as possíveis consequências.

 

A busca eterna do ser humano pela longevidade é justa?

Claro, afinal a grande maioria das pessoas não pensa muito sobre a finitude da vida, apesar de todos saberem da sua existência. Durante a era renascentista essa busca se limitava ao desejo de forma milagrosas de rejuvenescimento, como o banho na fonte da juventude. Houve uma guinada científica em 1889 com a publicação das auto-experiências de Brown-Séquart com extrato de testículos de animais, o que aparentemente melhorou sua vitalidade, força física e cognição. Este extrato, comercializado como o “Elixir da Vida”, foi vendido por décadas na Europa e América do Norte. No entanto, a replicação dos experimentos de Brown-Séquart demonstrou que tal extrato apresentava apenas concentrações homeopáticas de testosterona, insuficientes para exercer qualquer efeito biológico. Assim, o nascimento da Andrologia começou com um efeito placebo. Nas últimas décadas, a busca por compostos que possam a levar ao rejuvenescimento ganhou força, com a testosterona em primeiro plano. O diagnóstico de hipogonadismo masculino requer a presença de sintomas clínicos como libido baixa, disfunção erétil e fadiga, além da dosagem de testosterona realizada no mínimo em duas ocasiões no período da manhã, na ausência de doenças agudas ou graves. Embora as diretrizes de prática clínica das principais Sociedades Médicas do mundo defendam o tratamento com testosterona em homens com hipogonadismo orgânico, a testosterona continua a ser comercializada com uma droga maravilhosa com efeitos rejuvenescedores na função sexual, vitalidade e uma séries de outros supostos benefícios, não comprovados. Além disso, a epidemia crescente de obesidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, condições que sabidamente podem associadas a menores níveis de testosterona, trouxe mais uma vez esse hormônio para o palco de discussões e centro de atenção. Embora o número de prescrições de testosterona tenha aumentado de forma avassaladora nas últimas duas décadas, estudos clínicos randomizados cuidadosamente conduzidos sugerem benefícios apenas modestos com o tratamento e em casos de hipogonadismo funcional, como muitas vezes ocorre na obesidade, diabetes tipo 2, essa alteração pode ser revertida tratando as doenças de base e com a mudança de estilo de vida, sem necessidade da reposição de testosterona, numa boa parte dos casos. Em relação à prescrição da testosterona, quando necessária, nos casos de hipogonadismo orgânico, permanecem as preocupações com a segurança, principalmente em homens idosos.

 

Nas mulheres, o abuso do uso de testosterona é ainda mais preocupante…

A situação onde esse hormônio poderia ser indicado seria o Transtorno do Interesse/Excitação Sexual Feminino. E vemos hoje a prescrição desse hormônio sem critérios e muitas vezes sem nenhuma indicação, para fins puramente estéticos, para aumentar a libido ou como uma “nova” forma de terapia hormonal da menopausa, em que muitas vezes não há sequer o uso adequado do estrogênio e progesterona (progesterona para mulheres que possuem útero, pois nas mulheres submetidas à histerectomia o uso de estrogênio não precisa ser acompanhado pelo uso de progesterona). A sexualidade feminina é complexa e não somente relacionada a hormônios como a testosterona. Fatores psicossociais como cultura, crenças religiosas, autoestima, depressão, traumas sexuais como abuso, tipo de relacionamento afetivo, estilo de vida, estresse, doenças e o uso de medicamentos influenciam a sexualidade feminina. O diagnóstico de perda do interesse nas relações sexuais e/ou falta de excitação se baseia na Classificação do DSM 5 e requer critérios bem específicos e precisam estar presentes no mínimo por 6 meses e devem causar angústia à paciente. O diagnóstico desta síndrome, o Transtorno do Interesse/ Excitação Sexual Femininoé realizado com base em critérios exclusivamente clínicos. A dosagem de testosterona não está indicada para o diagnóstico do Transtorno do Interesse/ Excitação Sexual Feminino, nem para avaliação de baixa função ovariana ou adrenal porque o método de dosagem utilizado mundialmente só permite discriminar o excesso de produção de testosterona, como para o diagnóstico de tumores e/ou outras doenças que levam a acne, hirsutismo e virilização. Testosterona total e sobretudo livre só devem ser dosadas na avaliação de hiperandrogenismo. Vale lembrar que no Brasil não existe testosterona para mulher que seja aprovada por órgãos de vigilância sanitária (ANVISA). Mundialmente, não é recomendado o uso de formulações masculinas para mulheres. O uso de Testosterona por mulheres, sem indicação e com medicamentos inadequados, pode levar a efeitos a curto e a longo prazo, dose-dependentes como acne, excesso de pelos, queda de cabelo, aumento do risco cardiovascular, engrossamento da voz, aumento do clitóris, além de dependência psicológica como depressão após a retirada, transtorno da imagem corporal (dismorfofobia, vigorexia) e transtornos alimentares (ortorexia). Essa é a informação que temos até hoje, com maior robustez de evidências, mas claro, cada um continua tendo o livre arbítrio para escolher os seus caminhos.

 

Em homens, a testosterona também não deve ser usada para libido baixa e depressão sem o diagnóstico de hipogonadismo.

O uso de testosterona para ganho de massa muscular é considerado doping em atletas profissionais e ilegal em amadores. Pode levar a efeitos adversos graves e irreversíveis como: aumento do coração e morte súbita, infertilidade, ginecomastia, problemas de fígado, policitemia e risco aumentado de trombose, edema, retenção urinária para pessoas com hipertrofia prostática, distúrbio do sono, supressão transitória ou definitiva da função testicular com parada da produção de testosterona endógena e necessidade de reposição de testosterona em longo prazo.

Você quer ter uma vida com maior bem-estar, sem limitações e mais saudável? O básico segue funcionando: alimentar-se de maneira saudável, praticar exercício físico regularmente, prezar pelo sono de qualidade, gerenciar o estresse, manter relacionamentos/conexões sociais saudáveis, não fumar e consumir bebida alcoólica com moderação, além de praticar a espiritualidade, de alguma forma, fazendo o bem.

 

ENGLISH

 

“FAST HEALTHY MEDICINE”

 

Dr. Jacy M. Alves, Lapinha, specialist in Endocrinology

 

Medicine is not an exact science – everyone knows that. Truths can be temporary. But we see more and more people, especially the wealthiest, looking for a “Fast Healthy Medicine”, where in the desire to have vitality, sexual function compatible with adult film actors, eternal youth, and not to suffer at any cost, they swallow “magic” pills or injectable compounds every day (often paying a fortune for this) that promise to be the cure for their dissatisfaction with life and their goals. Is there right or wrong? I sincerely believe that each person chooses their own path and has autonomy, therefore, perhaps this dichotomy between right and wrong is not the most correct way of expressing it, since there are only different choices, but once the path is defined, it is necessary to accept the possible consequences.

 

Is the eternal search of human beings for longevity fair?

 

Of course, after all, the vast majority of people do not think much about the finiteness of life, despite everyone knowing about its existence. During the Renaissance era, this search was limited to the desire for miraculous forms of rejuvenation, such as bathing in the fountain of youth. There was a scientific shift in 1889 with the publication of Brown-Séquart’s self-experiments with animal testicle extract, which apparently improved his vitality, physical strength and cognition. This extract, marketed as the “Elixir of Life”, was sold for decades in Europe and North America. However, replication of Brown-Séquart’s experiments demonstrated that this extract only presented homeopathic concentrations of testosterone, insufficient to exert any biological effect. Thus, the birth of Andrology began with a placebo effect. In recent decades, the search for compounds that could lead to rejuvenation has gained momentum, with testosterone at the forefront. The diagnosis of male hypogonadism requires the presence of clinical symptoms such as low libido, erectile dysfunction and fatigue, in addition to testosterone levels measured at least twice in the morning, in the absence of acute or serious illnesses. Although clinical practice guidelines from the world’s leading medical societies advocate testosterone treatment in men with organic hypogonadism, testosterone continues to be marketed as a wonder drug with rejuvenating effects on sexual function, vitality and a host of other unproven supposed benefits. In addition, the growing epidemic of obesity, type 2 diabetes and metabolic syndrome, conditions that are known to be associated with low testosterone levels, has once again brought this hormone into the spotlight and into the spotlight. Although the number of testosterone prescriptions has increased dramatically over the past two decades, carefully conducted randomized clinical trials suggest only modest benefits from treatment, and in cases of functional hypogonadism, as often occurs in obesity and type 2 diabetes, this change can be reversed by treating the underlying diseases and changing lifestyle, without the need for testosterone replacement in most cases. Regarding the prescription of testosterone, when necessary, in cases of organic hypogonadism, concerns about safety remain, especially in elderly men.

 

In women, the abuse of testosterone is even more worrying…

 

The situation where this hormone could be indicated would be Female Sexual Interest/Arousal Disorder. And today we see the prescription of this hormone without criteria and often without any indication, for purely aesthetic purposes, to increase libido or as a “new” form of hormone therapy for menopause, in which there is often not even adequate use of estrogen and progesterone (progesterone for women who have a uterus, since in women who have undergone hysterectomy the use of estrogen does not need to be accompanied by the use of progesterone). Female sexuality is complex and not only related to hormones like testosterone. Psychosocial factors such as culture, religious beliefs, self-esteem, depression, sexual traumas like abuse, type of emotional relationship, lifestyle, stress, diseases and the use of medications influence female sexuality. The diagnosis of loss of interest in sexual relations and/or lack of arousal is based on the DSM 5 classification and requires very specific criteria that must be present for at least 6 months and must cause distress to the patient. The diagnosis of this syndrome, Female Sexual Interest/Arousal Disorder, is made based exclusively on clinical criteria. Testosterone levels are not indicated for the diagnosis of Female Sexual Interest/Arousal Disorder, nor for the evaluation of low ovarian or adrenal function because the measurement method used worldwide only allows the discrimination of excess testosterone production, as for the diagnosis of tumors and/or other diseases that lead to acne, hirsutism and virilization. Total and especially free testosterone should only be measured in the evaluation of hyperandrogenism. It is worth remembering that in Brazil there is no testosterone for women that is approved by health surveillance agencies (ANVISA). Worldwide, the use of male formulations for women is not recommended. The use of testosterone by women, without indication and with inappropriate medications, can lead to short- and long-term, dose-dependent effects such as acne, excess hair, hair loss, increased cardiovascular risk, deepening of the voice, enlargement of the clitoris, as well as psychological dependence such as depression after withdrawal, body image disorder (dysmorphophobia, vigorexia) and eating disorders (orthorexia). This is the information we have to date, with greater robustness of evidence, but of course, each person continues to have free will to choose their own path.

 

In men, testosterone should also not be used for low libido and depression without a diagnosis of hypogonadism.

 

The use of testosterone to gain muscle mass is considered doping in professional athletes and illegal in amateurs. It can lead to serious and irreversible adverse effects such as: heart enlargement and sudden death, infertility, gynecomastia, liver problems, polycythemia and increased risk of thrombosis, edema, urinary retention for people with prostatic hypertrophy, sleep disorders, temporary or permanent suppression of testicular function with cessation of endogenous testosterone production and the need for long-term testosterone replacement.

Do you want to have a life with greater well-being, without limitations and healthier? The basics still work: eat healthily, exercise regularly, value quality sleep, manage stress, maintain healthy relationships/social connections, do not smoke and consume alcohol in moderation, in addition to practicing spirituality, in some way, doing good.

 

SÓ PARA QUEM QUER VIVER MAIS E MELHOR

 

Marcielle Pereira, Nutricionista da Lapinha e Dr Daniel S. F. Boarim, Diretor Médico da Lapinha

Juntamos aqui, em poucas páginas, dicas das melhores sociedades médicas internacionais para uma vida mais longa e saudável. Também muito do que dizemos aqui, sobre os três níveis de autocuidado, vem do saber Lapinha, acumulado ao longo de mais de meio século. Saboreie, internalize e aplique!

 

CUIDADO DA ALIMENTAÇÃO

– Procure incluir boa variedade de alimentos na sua rotina. Ter sempre cinco cores diferentes no prato garante melhor nutrição e deixa a alimentação menos monótona.

– Cuide com os excessos, não tenha mais do que duas refeições ‘livres’ durante a semana.

-Os okinawenses (Japão) têm o costume dizer Hara hachi bu me (腹八分目/はらはちぶんめ), antes das refeições, um ensino confucionista que os lembra de não comer mais que 80%. Na prática, significa sempre sair da mesa com “um pouco de fome”, mas não faminto. Para mais detalhes leia nossa interessante matéria sobre as blue zones: https://bibliotecadeconhecimento.lapinha.com.br/segredos-dos-povos-mais-longevos-do-mundo/

– Coma devagar e mastigue muito bem cada bocado. Leve pelo menos 20 a 30 minutos para fazer as refeições irá garantir mais saciedade e menos desconforto digestivo.

– Mantenha uma boa hidratação: o ideal é fazer um cálculo de 30 a 35 ml x o peso corporal, e distribuir essa ingestão ao longo do dia, tomando menos líquido à noite. Quando o clima é quente e seco, a ingesta de água merece ainda mais atenção.

– Faça um planejamento das refeições: organize o menu da semana, a lista de compras e até elabore algumas preparações saudáveis e de rápido preparo para manter no freezer.  Isso irá facilitar sua rotina, diminuindo as chances de ‘sair do planejado’.

– Evite dietas muito restritas, exageradamente hipocalóricas! Procure fazer um acompanhamento nutricional sério para garantir o equilíbrio das suas refeições. Comer muito pouco por muito tempo, além de desnutrir, pode despertar o monstro da compulsão, tendo o efeito exatamente oposto – leva ao reganho de peso e maior engorda. Por isso, siga a orientação de uma nutricionista de orientação sensata. A Lapinha oferece um serviço de qualidade nessa área.

– A proteína é essencial à manutenção da massa muscular e equilíbrio nutricional. Porém, é crítico esclarecer que há muitas dietas da moda “para emagrecer” à base de proteínas, também chamadas “low carb”. Cuidado com essas dietas, que, embora levem a alguma perda de peso, são altamente pró-inflamatórias, estragando a microbiota do intestino e mostrando-se totalmente inadequadas! Não há base científica para recomendar tais dietas com elevados teores de proteína, muito acima do recomendado e necessário.  O equilíbrio é a chave da saúde. Para mais detalhes leia https://bibliotecadeconhecimento.lapinha.com.br/dieta-da-proteina-ajuda-a-emagrecer-ou-a-inflamar/

– Escolha “carboidratos do bem” para consumir no seu dia-a-dia: raízes como batata-doce, aipim, inhame, cereais integrais como aveia, arroz integral, quinoa, frutas e legumes – estas são as melhores fontes de carboidrato, proporcionando saciedade, energia e sensação de bem-estar. Consumir carboidratos refinados como guloseimas, refrigerantes e farinhas brancas fará com que aflore o desejo por açúcar e doces, roubando sua disposição e levando a ganho de peso.

– Se apesar da rotina saudável você comete um deslize ocasional, isso não significa que você ‘colocou tudo a perder’. Siga em frente com as melhores escolhas, na próxima refeição ou no dia seguinte.

– Suplementos podem ser úteis quando há deficiências e necessidades detectáveis, clínica e/ou laboratorialmente. Porém, há hoje uma tendência, pautada às vezes por modismo e mercenarismo, de prescrever suplementos demais, o que está longe do saudável. Infelizmente, essas práticas nada recomendáveis se ocultam às vezes sob as propostas da “medicina do estilo de vida”, “medicina integrativa” e até “nutrologia”, na verdade boas em sua essência.

 

CUIDADO DO CORPO

– Equilibre exercícios aeróbicos, musculação e alongamento. Assim como na dieta é necessário balanceamento, um exercício desequilibrado pode favorecer a ocorrência de lesões e não garante o melhor resultado.

– Busque sempre orientação e liberação médica para as atividades físicas, especialmente se você tem alguma condição patológica de fundo cardio-respiratório, metabólico ou ortopédico.

– Procure também uma orientação de um professor de educação física, e caso haja alguma limitação ortopédica, inclua um fisioterapeuta entre seus orientadores.

– Em geral se recomendam 30 minutos de exercícios planejados e orientados 5x por semana, e para emagrecer uma hora 5x por semana. Mas, veja bem, se você ainda não conseguiu atingir essa meta cientificamente estabelecida, saiba que sair do sedentarismo e começar com 2, 3 ou 4x por semana, desde que você tenha conte com boa orientação, já é um bom começo! Procure evoluir, avançar!

– Cuide do seu sono, mantenha uma rotina mais tranquila no final do dia e procure jantar algo leve, preferencialmente três horas antes de dormir. Isso garantirá um sono mais tranquilo e restaurador.

– O sono, aliás, é o mais importante regulador do biorritmo e participa da homeostase do corpo e da mente. Sono ruim aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e até obesidade!

– Não postergue seu check up médico! Siga a periodicidade recomendada por seu médico e não negligencie os exames preventivos, como mamografia, US mamário, exames de próstata, screening laboratorial, etc.

– Preste atenção na saúde da sua coluna vertebral! Sente-se e caminhe ereto, corrija sua postura.

– Manter o peso saudável, com boa composição corporal (massa magra x massa gorda) é, por unanimidade, essencial à qualidade de vida. Emagrecer requer, todo mundo sabe, atenção plena ao binômio alimentação-exercícios. Mas há um terceiro fator, sem o qual não se consegue sustentar qualquer avanço ou conquista: estamos falando de estratégias comportamentais, que implicam uma virada pra valer na “chavinha mental”. Conheça nosso programa “Emagreça e continue magro”, baseado no consagrado protocolo do Intensive Lifestyle Intervention. Idealmente, entre contato conosco semanas ou meses antes de vir, para já ir se preparando! O resultado é bem melhor assim, e vai requerer também acompanhamento de longo prazo!

– A abstinência de vícios, drogas ilícitas, álcool e fumo, é reconhecidamente condição para desfrutar boa qualidade de vida. Embora a Lapinha NÃO trate dependências químicas como drogadição nem alcoolismo, tratamos sim o tabagismo, DESDE que não haja outras dependências sobrepostas. Importante entrar em contato conosco pelo menos um mês antes, para fazer uma consulta com o médico responsável pelo programa e começar o tratamento antes de vir – esse é o protocolo baseado no melhor resultado! Entender, nesses casos, que você precisa de ajuda, é o primeiro passo rumo à superação!

– O jejum intermitente é uma prática saudável para o corpo e a mente, desde que adotado de forma sensata. Cuidado! As mídias vêm vandalizando esse assunto. Para informações sérias, com embasamento científico leia: https://bibliotecadeconhecimento.lapinha.com.br/jejum-intermitente-beneficios-e-insanidades/

 

CUIDADO DA MENTE

– Vivemos o tempo todo sob intenso bombardeio de estressores. A prevalência atual de transtornos emocionais e mentais é algo sem precedentes na história médica. Pecamos por dedicar pouco tempo à saúde, ao descanso mental e ao equilíbrio espiritual. Aliás, a maioria de nós só se preocupa com saúde quando cai doente! Aqui mora uma das principais causas de sofrimento tanto do corpo como da mente, que funcionam como uma unidade inseparável!

– O que pode nos ajudar a lidar com tantos estressores e alcançar equilíbrio emocional? Tudo o que listamos anteriormente, dentro do cuidado da alimentação e do corpo, são meios de fortalecer a unidade corpo-mente, nossa resistência e resiliência. Exercícios, alimentação saudável, e práticas de gestão do estresse merecem o primeiro lugar na nossa agenda. Lembre-se do óbvio negligenciado: Sem saúde, sem os cuidados que a saúde pede, nossa produtividade e alegria de viver caem drasticamente. Não compensa colocar tudo isso em segundo ou terceiro plano!

– Respirar fisiologicamente, separando pelo menos dois momentos no dia para praticar exercícios respiratórios, é uma das dicas mais simples e eficazes para enfrentamento do estresse! A respiração correta é essencial à boa oxigenação e nutrição do corpo e da mente. Ajuda a conter a ansiedade, mantendo-nos mais calmos, além de promover boa digestão e homeostase metabólica.

– Vale reforçar aqui o papel de destaque do sono na manutenção e recuperação da saúde integral! A maioria das pessoas dorme mal por questões perfeitamente corrigíveis. A higiene do sono é, nesse caso, um dos primeiros passos para as pazes com a saúde. A Lapinha oferece um programa muito bem desenhado, denominado “BEM DORMIR LAPINHA”. Entre em contato conosco pelo menos um mês antes de vir, para você receber orientações e, ao ingressar no programa, ser atendido por nossa médica especialista em medicina do sono e já começar o tratamento. Fazendo assim, os resultados são bem melhores. É um tratamento de longo prazo!

– Religiosidade e fé no Ser Superior, funcionam comprovadamente como poderosas blindagens anti-estresse. Pesquisas revelam que pessoas religiosas vivem mais e melhor.

– Práticas regulares de gestão do estresse, além da respiração, como massoterapia e acupuntura, podem fazer a diferença.

– Não hesite – e isso é muitas vezes indispensável – em procurar ajuda de um psicoterapeuta e de um psiquiatra, profissionais da saúde mental.

 

ENGLISH

 

ONLY FOR THOSE WHO WANT TO LIVE LONGER AND BETTER

 

Marcielle Pereira, Nutritionist at Lapinha and Dr. Daniel S. F. Boarim, Medical Director at Lapinha

 

Here, in just a few pages, we have gathered tips from the best international medical societies for a longer and healthier life. Much of what we say here about the three levels of self-care also comes from Lapinha’s knowledge, accumulated over more than half a century. Savor it, internalize it and apply it!

 

FOOD CARE

– Try to include a good variety of foods in your routine. Always having five different colors on your plate ensures better nutrition and makes your diet less monotonous.

– Be careful not to overindulge, don’t have more than two ‘free’ meals during the week.

-Okinawa residents (Japan) have the custom of saying Hara hachi bu me (腹八分目/はらはちぶんめ) before meals, a Confucian teaching that reminds them not to eat more than 80%. In practice, this means always leaving the table feeling “a little hungry”, but not famished. For more details, read our interesting article on blue zones: https://bibliotecadeconhecimento.lapinha.com.br/segredos-dos-povos-mais-longevos-do-mundo/

– Eat slowly and chew each mouthful very well. Taking at least 20 to 30 minutes to eat your meals will ensure greater satiety and less digestive discomfort.

– Stay well hydrated: the ideal is to calculate 30 to 35 ml x body weight, and distribute this intake throughout the day, drinking less liquid at night. When the weather is hot and dry, water intake deserves even more attention.

– Plan your meals: organize the menu for the week, the shopping list and even prepare some healthy and quick-to-prepare meals to keep in the freezer. This will make your routine easier, reducing the chances of ‘going off plan’.

– Avoid very restrictive, excessively low-calorie diets! Try to get serious nutritional monitoring to ensure that your meals are balanced. Eating too little for too long, in addition to causing malnutrition, can awaken the binge-eating monster, having exactly the opposite effect – it leads to weight regain and greater fat gain. Therefore, follow the advice of a sensible nutritionist. Lapinha offers a quality service in this area.

– Protein is essential for maintaining muscle mass and nutritional balance. However, it is important to clarify that there are many fad “weight loss” diets based on proteins, also called “low carb”. Be careful with these diets, which, although they lead to some weight loss, are highly pro-inflammatory, damaging the intestinal microbiota and proving to be totally inadequate! There is no scientific basis for recommending such diets with high protein levels, far above what is recommended and necessary. Balance is the key to health. For more details, read https://bibliotecadeconhecimento.lapinha.com.br/dieta-da-proteina-ajuda-a-emagrecer-ou-a-inflamar/

– Choose “good carbohydrates” to consume in your daily life: roots such as sweet potatoes, cassava, yams, whole grains such as oats, brown rice, quinoa, fruits and vegetables – these are the best sources of carbohydrates, providing satiety, energy and a feeling of well-being. Consuming refined carbohydrates such as sweets, soft drinks and white flour will cause you to crave sugar and sweets, robbing you of energy and leading to weight gain.

– If, despite a healthy routine, you make an occasional slip-up, this does not mean that you have ‘blown everything away’. Move on with the best choices, at your next meal or the following day.

– Supplements can be useful when there are deficiencies and needs that can be detected clinically and/or in the laboratory. However, there is a tendency today, sometimes driven by fads and merchandising, to prescribe too many supplements, which is far from healthy. Unfortunately, these not very recommendable practices are sometimes hidden under the proposals of “lifestyle medicine”, “integrative medicine” and even “nutriology”, which are actually good in their essence.

 

BODY CARE

– Balance aerobic exercises, weight training and stretching. Just as with diet, balance is necessary, unbalanced exercise can lead to injuries and does not guarantee the best results.

– Always seek medical guidance and approval for physical activities, especially if you have any underlying cardio-respiratory, metabolic or orthopedic conditions.

– Also seek guidance from a physical education teacher, and if you have any orthopedic limitations, include a physiotherapist among your advisors.

– In general, 30 minutes of planned and guided exercises are recommended 5 times a week, and for weight loss, one hour is recommended 5 times a week. But, remember, if you have not yet managed to reach this scientifically established goal, know that leaving a sedentary lifestyle and starting with 2, 3 or 4 times a week, as long as you have good guidance, is already a good start! Try to evolve, move forward!

– Take care of your sleep, maintain a calmer routine at the end of the day and try to have a light dinner, preferably three hours before going to bed. This will ensure a more restful and restorative sleep.

– Sleep, in fact, is the most important regulator of biorhythms and participates in the homeostasis of the body and mind. Poor sleep increases the risk of cardiovascular diseases, diabetes and even obesity!

– Don’t postpone your medical check-up! Follow the frequency recommended by your doctor and do not neglect preventive exams, such as mammograms, breast ultrasounds, prostate exams, laboratory screenings, etc.

– Pay attention to the health of your spine! Sit and walk upright, correct your posture.

– Maintaining a healthy weight, with good body composition (lean mass x fat mass) is, unanimously, essential to quality of life. Losing weight requires, as everyone knows, full attention to the diet-exercise binomial. But there is a third factor, without which no progress or achievement can be sustained: we are talking about behavioral strategies, which imply a real change in the “mental switch”. Learn about our “Lose weight and stay thin” program, based on the renowned Intensive Lifestyle Intervention protocol. Ideally, contact us weeks or months before coming, so that you can start preparing yourself! The results are much better this way, and it will also require long-term monitoring!

– Abstinence from addictions, illicit drugs, alcohol and tobacco, is a recognized condition for enjoying a good quality of life. Although Lapinha does NOT treat chemical dependencies such as drug addiction or alcoholism, we do treat smoking, AS LONG AS there are no other overlapping dependencies. It is important to contact us at least a month in advance, to make an appointment with the doctor responsible for the program and begin treatment before coming – this is the protocol based on the best results! Understanding, in these cases, that you need help is the first step towards overcoming!

– Intermittent fasting is a healthy practice for the body and mind, as long as it is adopted sensibly. Be careful! The media has been vandalizing this subject. For serious information, with scientific basis, read: https://bibliotecadeconhecimento.lapinha.com.br/jejum-intermitente-beneficios-e-insanidades/

 

MENTAL CARE

 

– We live under an intense bombardment of stressors all the time. The current prevalence of emotional and mental disorders is unprecedented in medical history. We are guilty of dedicating little time to our health, mental rest and spiritual balance. In fact, most of us only worry about our health when we get sick! This is one of the main causes of suffering in both the body and the mind, which function as an inseparable unit!

– What can help us deal with so many stressors and achieve emotional balance? Everything we listed above, within the scope of food and body care, are ways to strengthen the body-mind unity, our resistance and resilience. Exercise, healthy eating and stress management practices deserve to be at the top of our agenda. Remember the obvious: Without health, without the care that health requires, our productivity and joy of life drop drastically. It is not worth putting all of this on the back burner!

– Breathing physiologically, setting aside at least two moments a day to practice breathing exercises, is one of the simplest and most effective tips for dealing with stress! Proper breathing is essential for good oxygenation and nutrition of the body and mind. It helps to control anxiety, keeping us calmer, in addition to promoting good digestion and metabolic homeostasis.

– It is worth emphasizing here the important role of sleep in maintaining and recovering overall health! Most people sleep poorly for perfectly correctable reasons. Sleep hygiene is, in this case, one of the first steps towards peace with your health. Lapinha offers a very well-designed program, called “BEM SORMIR LAPINHA”. Contact us at least one month before coming, so that you can receive guidance and, upon joining the program, be seen by our doctor specializing in sleep medicine and start treatment right away. Doing so, the results are much better. It is a long-term treatment!

– Religiosity and faith in the Higher Being have proven to work as powerful anti-stress shields. Research shows that religious people live longer and better.

– Regular stress management practices, in addition to breathing, such as massage therapy and acupuncture, can make a difference.

– Do not hesitate – and this is often essential – to seek help from a psychotherapist and a psychiatrist, mental health professionals.

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